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12 de jan de 2008

Charles Sanders Peirce

“O pragmatismo peirceano deveria ser tomado como o diagrama e o programa de uma lógica da ciência do futuro”. Lucia Santaella

No artigo anterior, ponderamos sobre as bases epistemológicas daquele que é considerado o “Pai” da Filosofia Moderna, o racionalista francês René Descartes (1596-1650). Relembrando, epistemologia se refere ao método que tem por objeto o conhecimento científico, visando a explicar os seus condicionamentos, sistematizar suas relações, esclarecer os seus vínculos e avaliar os seus resultados e aplicações. Abordamos a questão do método e explicitamos o dualismo cartesiano: “cogito (penso) ergo (logo) sum” (existo). Constatamos sermos compostos por duas substâncias (res), a extensa (corpo) e a cogitas (pensante). Mais diet impossível.

Agora nos debruçaremos sobre o legado daquele que é considerado o “Pai” da Filosofia Pós-moderna, o matemático, lógico e químico americano Charles Sanders Peirce (1839-1914) e o Pragmatismo. Segundo Antonio Medina Rodrigues, o termo “pragmatismo” (depois modificado para pragmaticismo) deriva-se do grego pragma, que quer dizer “coisas”. Para Peirce, ao invés de falarmos “sobre” as coisas, deveríamos experimentá-las, pois o melhor sentido sobre uma coisa vem dos efeitos práticos de manuseá-la.

O estudo dos métodos das ciências foi a maior, única e verdadeira paixão deste pensador que ansiava criar uma lógica das ciências, estabelecer um novo método. E o que ele fez foi tomar Descartes como seu primeiro interlocutor, não necessariamente para criticar mas, para ir mais além, transcendendo os horizontes que nos fora legado pelo filósofo francês. Sem dúvida, a construção de um novo método científico, obrigatoriamente trazia consigo esse confronto. Erigir as bases da epistemé, constitui ainda o maior desafio a ser suplantado, para que se possa orientar os esforços que culminarão numa unidade metodológica. Vale salientar que a proposta que Peirce apresentou não só discutiu as fundações dos métodos, mas nos deixou um vasto material de como utilizá-los.

Para uma melhor apresentação deste pensador, ampliaremos este artigo, pois far-se-á necessário versar sobre Pragmatismo, semiótica, signos, indução, dedução e abdução (tríade peirceana) e outros conceitos pertinentes à sua teoria. Recorreremos às obras da brilhante e renomada pesquisadora Lucia Santaella e ao estudioso Antonio Medina Rodrigues.

O Pragmatismo é uma corrente apta a enfrentar, embasando e fornecendo esteio aos mais diversos campos de discussão: filosofia da mente, lógica, filosofia da linguagem e epistemológica, filosofia social, das religiões e política, do direito, da educação e etc. Trata-se da aplicação prática do empirismo, ou seja, da experiência cotidiana, mas culmina também numa certa “radicalização” do empirismo pois os pragmaticistas consideram o que não é perceptível através dos sentidos também é válido como experiência. Lembremo-nos que, para os empiristas, não temos contato com a realidade, mas sim com a representação que fazemos dela, de como ela se apresenta e se parece para nós.

O método pragmaticista consiste em tentar interpretar todo o conceito pelas suas conseqüências práticas, por exemplo: admitindo que um determinado conceito seja verdadeiro e outro não, que diferença resulta, na prática, cada um? Não havendo nenhuma diferença prática, concluímos que as duas alternativas são equivalentes e que é inútil discutir pois, se dois conceitos não produzem conseqüências diversas, são indistinguíveis. Para que uma controvérsia se apresente, é necessário poder demonstrar qual conseqüência resulta precisamente do fato de que somente esta alternativa é a verdadeira.

Para que possamos alcançar a perfeita clareza, acerca das idéias relativas a um objeto, devemos nos ater objetivamente aos efeitos de caráter prático que ele, a nosso juízo, é capaz de determinar. Segundo Ubaldo Nicola “as impressões que devemos esperar dele, as reações para as quais devemos estar preparados. O conceito que fazemos de um objeto quando não é desprovido de qualquer significado positivo se reduz, portanto, ao conceitos desses efeitos imediatos ou remotos”. Eis o fundamento do Pragmatismo proposto por Peirce.

O Pragmatismo é um método de investigação que se opõe tanto à orientação empirista corrente quanto à orientação racionalista. Abarca a natureza com todas as possibilidades que pode encerrar em si, numa atmosfera ampla, na plenitude da total liberdade, posiciona-se contra as teorias artificiais, os dogmas, contra a falsa aparência do caráter teológico, não se alinhando a nenhuma solução particular.

Saiba mais: Lucia Santaella – O método anticartesiano de C.S. Peirce – Editora UNESP, 2004 – São Paulo, SP.

Um comentário:

Nivia disse...

Parabéns !!!! Amei seu blog e esta´me ajudando bastante nos trabalhos da faculdade. Bj grande

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Eis que a Sabedoria reina, mas não governa, por isso, quem pensa (no todo) precisa voltar para a caverna, alertar aos amigos. Nós vamos achar que estais louco, mas sabes que cegos estamos nós, prisioneiros acorrentados à escuridão da caverna.

Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República.

Eis o télos (do grego: propósito, objetivo) da Filosofia e do filósofo. Agir na cidade. Ação política. Phrônesis na Pólis.

Curso de Mitologia Grega

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As exposições mitológicas explicitam arquétipos (do grego, arché + typein = princípio que serve de modelo) atemporais e universais.

Desse modo, ao antropomorficizarem os deuses, ou seja, dar-lhes características genuinamente humanas, os antigos revelaram os princípios (arché) de sentimentos e conflitos que são inerentes a todo e qualquer mortal.

A necessidade da ordem (kósmos), da harmonia, da temperança (sophrosyne) em contraponto ao caos, à desmedida (hýbris) ou, numa linguagem nietzschiana, o apolíneo versus o dionisíaco, constitui a base de toda antiga pedagogia (Paidéia) tão cara à aristocracia grega (arístois, os melhores, os bem-nascidos posto que "educados").

Com os exponenciais poetas (aedos) Homero (Ilíada e Odisséia), Hesíodo (A Teogonia e O trabalho e os dias), além dos pioneiros tragediógrafos Sófocles e Ésquilo, dispomos de relatos que versam sobre a justiça, o amor, o trabalho, a vaidade, o ódio e a vingança, por exemplo.

O simples fato de conhecermos e atentarmos para as potências (dýnamis) envolvidas na fomentação desses sentimentos, torna-nos mais aptos a deliberar e poder tomar a decisão mais sensata (virtude da prudencia aristotélica) a fim de conduzir nossas vidas, tanto em nossos relacionamentos pessoais como indivíduos, quanto profissionais e sociais, coletivos.

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E era justamente isso que os sábios buscavam ensinar, a harmonia para que os seres humanos pudessem se orientar em suas escolhas no mundo, visando atingir a ordem presente nos ideais platônicos de Beleza, Bondade e Justiça.

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Não há dúvida quanto a responsabilidade do Estado, das empresas, de seus dirigentes, bem como da mídia e de cada um de nós, no papel educativo de nosso semelhante.

Ao investir em educação, aprimoramos nossa cultura, contribuimos significativamente para que nossa sociedade se torne mais justa, bondosa e bela. Numa palavra: MAIS HUMANA.

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Transição do matriarcado para o patriarcado

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