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1 de fev de 2018

O mito da parelha de corcéis em Platão (Fedro)

“(...) não é a alma uma dessas realidades aparentadas com as Ideias [...] que servem de traço de união entre o sensível e o inteligível? ”

Após nos sentirmos dilacerados com o desolador artigo na edição do mês passado (O que é o niilismo? AQUI), voemos às esferas supra celestes e vislumbremos a fonte da verdade sobre nossa alma imortal.

No diálogo intitulado Fedro, Platão (427 a.C – 347 a.C.) apresenta a hipótese da imortalidade da alma, discorre sobre sua natureza (confira a triplicidade da alma em Platão AQUI) e, embora afirme que, para dizer o que ela é, seria preciso uma ciência, uma arte absolutamente divina, narra um mito (analogia simbólica) apresentando uma imagem ao que a alma se assemelha.

Imaginemos a alma, diz ele, com um poder no qual se reúnem naturalmente uma parelha de cavalos alados e um cocheiro. Mas eis que, enquanto os cavalos e os cocheiros dos deuses são todos bons e de boa raça, para o homem as suas qualidades não são puras.

O cocheiro (parte da alma logística, lógos, discernimento, inteligibilidade) é quem comanda e conduz os dois cavalos atrelados.

Um dos cavalos é excelente e de excelente raça (parte da alma timocrática corajosa, que anseia por honras e glórias).

O outro cavalo é exatamente o contrário, em si mesmo e pela sua origem (parte da alma epitimética, animalesca, que anseia por satisfazer os desejos concupiscentes).

Eis porque a condução da nossa alma, digo, da parelha de corcéis ser uma tarefa árdua, difícil e muitas vezes ingrata.

Há almas em que as parelhas avançam com grandes dificuldades: um cavalo puxa para baixo, fazendo inclinar o carro para terra, fazendo sucumbir o cocheiro que não o soube adestrar.

Quando a alma é perfeita e tem asas, eleva-se nas alturas e governa o mundo inteiro. Mas quando perde ou danifica suas asas, é arrastada até alcançar algo de sólido; aí estabelece a sua morada, tomando um corpo terrestre que parece mover-se com movimento próprio graças à força que pertence à alma.

As que seguem melhor os deuses e se lhes assemelham erguem a cabeça do seu cocheiro para o espaço que está fora do céu, o movimento circular transporta-as.

As almas a que chamamos imortais, quando atingem o cume saem, erguem-se no dorso da abóbada celeste, e aí, de pé, deixando-se levar pela revolução circular, contemplam as realidades inteligíveis que estão num espaço fora do céu

“A essência que não tem cor nem forma, e que não podemos tocar, a essência que realmente é, a única que é capaz de ver o piloto [cocheiro] da almaa inteligência, enfim, aquela que é objeto do verdadeiro saber, ocupa este lugar [a região supra celeste, o espaço fora do céu]”.

Platão prossegue esclarecendo que a partir dessa altura, o pensamento divino (belo, sábio, bom e justo), que se alimenta da inteligência e do saber puro, experimenta alegria ao avistar finalmente O SER EM SI e, nesta contemplação da verdade, encontra o seu alimento e a sua delícia.

Quando volta, tendo contemplado a Justiça em si, a Sabedoria em si e a Ciência que não está sujeita ao devir, adquire discernimento para conduzir aparelha de corcéis.

A razão deste grande esforço das almas para alcançar a Planície da Verdade é que a pastagem que convém à melhor parte da alma [o cocheiro] provém da pradaria que aí se encontra. A asa, à qual a alma deve a sua leveza, deve tomar aí o seu alimento.

A asa recebeu da natureza o poder de levar para o alto o que pesa, pois participa do divino.

O divino é belo, sábio, bom e justo, alimenta e desenvolve as asas da alma. A deformidade, a ignorância, o mal e a injustiça causam ruína e destruição das asas da alma dos mortais.

Algumas almas, não divinas, tão depressa se erguem como se baixam, não dominam bem os seus cavalos, apercebem-se de certas realidades imutáveis, mas outras lhes escapam.

Quando embaraçadas pelos seus cavalos, tem grande dificuldade em dirigir os olhos para os objetos reais [ideais, imutáveis, o Ser em si e por si, o Absoluto em sua pureza].

Outras almas, aspiram elevar-se, mas a sua fraqueza as faz soçobrar no turbilhão que as arrasta: atropelam-se umas às outras, empurram-se, tentando cada uma ultrapassar as demais.


Desordem, agitação, tumulto, confusão, rivalidade, esforços violentos e vãos atingem o auge, e então, por erro dos cocheiros, muitas almas ficam estropiadas, com as suas asas danificadas; apesar dos seus esforços, se afastam sem ter atingido a contemplação do Ser, e a partir daí tem a “opinião” (dóxa) por alimento.


Isso porque, esclarece, se todas as almas estão ávidas por seguir e aspiram elevar-se, muitas acabam reféns dos caprichos de seu cavalo indócil. 

Com todo desassossego, asas se estragam, as parelhas tornam-se mais pesadas e caem. A alma ganha corpo e, ao encarnar, esquece aquilo a que teve acesso lá em cima.

Fica assim explicada a desigualdade dos destinos humanos: “que diferença, com efeito, entre aquele que noutro tempo avistou a Verdade e que será por toda a vida amante da sabedoria ou da beleza, e aquele que então só pôde contentar-se com a opinião e que, cá embaixo, estará condenado a amar apenas mentiras e poderes falaciosos...”.

A visão pré-empírica das coisas que São (eternas, imutáveis, ideais) enraíza a alma, dota-a de convicção.

Essa realidade (da imortalidade da alma) é em si mesma indemonstrável, mas perseguir o saber, ainda que seja um saber imperfeito, recordar o imutável, ainda que sob a forma de uma reminiscência tênue, vale a pena, pois nos leva a ascender às mais altas esferas celestes e a vislumbrar aquilo que por “métexis” (participação) comungamos com os deuses imortais.


Dedicado à alma imortal da genitora do meu Amor, Antonia Loureiro Lamy que, do céu, olha por nós. Obrigada por tudo, vó Mause.


Decreto de Adrástea*

(Epíteto de Nêmesis, significa o Inevitável, simboliza a Justiça distributiva)

Ordem das “encarnações” – por Platão, no Fedro

É o seguinte o decreto de Adrástea. Todas as almas que, no cortejo de um deus, tenham de algum modo contemplado as verdadeiras realidades ficam isentas de provações até a revolução seguinte, e se forem capazes de o fazer sempre, ficam para sempre isentas de danos.

Mas quando alguma incapaz de seguir corretamente, não viu, e que por algum infortúnio, plena de esquecimento e de perversão, se tornou mais pesada e sob o efeito deste peso perdeu as suas asas e se abateu sobre a terra, então uma lei dita que na primeira geração ela não pode implantar-se em nenhuma espécie animal, mas que a alma que teve a visão mais vasta se introduza na origem de um homem destinado a tornar-se amigo do saber, ou amigo do belo, ou inspirado pelas Musas e pelo amor

A alma que estiver na segunda posição estará na origem de um rei que obedece à lei, OU que é dotado para a guerra e para o comando

A terceira irá para o político, ou um intendente, ou um financeiro

A quarta, para um homem que gosta do esforço físico, um ginasta, ou um homem destinado a cuidar do corpo

A quinta terá uma existência de adivinho ou de iniciado

À sexta corresponderá o homem que faz da poesia profissão, ou qualquer outro daqueles que praticam a imitação

À sétima corresponderá o artesão ou o cultivador

À oitava o profissional da sofística ou da arte de lisonjear o povo

À nona o homem tirânico.

Em todas as encarnações, o homem que levou uma vida justa recebe uma melhor sorte, e uma sorte menos boa no caso contrário.

Com efeito, cada alma só volta ao sítio [lugar] de onde partiu ao fim de dez mil anos: se não pertencer a um homem que tenha sido amigo leal do saber, ou tenha amado ternamente os jovens com um amor filosófico, não receberá asas antes de todo esse tempo passar.

Na terceira revolução milenária, as almas deste tipo, se escolheram três vezes seguidas este gênero de vida, retomam as asas e, no terceiro milênio, afastam-se deste mundo.

Quanto às outras, depois de terminadas a sua primeira vida, serão julgadas. Depois de julgadas, umas dirigir-se-ão para as prisões subterrâneas para aí expiarem a sua dor, as outras vão para qualquer parte do céu, absolvidas por decisão de justiça, e vivem como mereceram pela sua existência sob forma humana.

No milésimo ano, umas e outras vêm tirar à sorte e escolher uma segunda existência: cada uma escolhe à sua vontade. Então a alma de um homem passa para uma existência animal, e aquele que foi homem uma vez deixa a existência animal e regressa à condição humana.

Traduzido a partir de Platão por Paul Vicaire – Les Belles Lettres, Paris, 1985.


(*) Os decretos de Adrástea: relativos à hierarquia dos modos de existência.

1 de jan de 2018

O que é o niilismo?


“A caveira não abandona jamais a máscara de olhos fixos; a vida nada mais é que uma indumentária com chocalhos que o Nada veste para soar, antes de arrancá-la fora. Que é o Todo? Nada mais que o Nada. ” Teólogo e filósofo escolástico medieval Boaventura (1221-1274)

Para esclarecer, de forma clara e inequívoca, o que é o niilismo, bastava enviar à redação do jornal o título acima e mais nada. Uma folha totalmente em branco, sem absolutamente nada. Inquietante, não?

Não é de modo menos dramático que o filósofo italiano Franco Volpi (1952) inicia sua obra “O niilismo” (Edições Loyola): “É de incerteza e precariedade a situação do homem contemporâneo. (...). Rompidos a estabilidade dos valores e os conceitos tradicionais, torna-se difícil prosseguir o caminho. ”

A reflexão filosófica, diz ele, procurou diagnosticar essa situação, pela análise dos males que afligem o homem de hoje e dos perigos que o ameaçam, chegando a identificar como causa essencial do fenômeno o “niilismo”. 

Mas o que é o niilismo?

A palavra em si aparece entre o fim do século XVIII e início do XIX, mas tornou-se tema comum de discussão no século XX, quando o niilismo assoma como problema, com toda a virulência e amplidão.

Exprimindo esforços artísticos, literários e filosóficos voltados para a experimentação do “poder do negativo” e para a vivência de suas consequências, o niilismo trouxe à luz o profundo mal-estar que abre como uma rachadura a auto compreensão de nosso tempo, afirma Volpi.

O filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) via no niilismo “o mais perturbador de todos os hóspedes”: um visitante funesto perambulando por todos os cômodos da casa, sem que se pudesse expulsá-lo porta afora. Mas que é, afinal, o niilismo?

Nietzsche, o primeiro grande profeta e teórico do niilismo respondeu que lhe falta a finalidade (télos). Carece de resposta à pergunta “para quê? ”. 

Que significa o niilismo? Que os valores supremos se depreciaram (confira o artigo anterior, dezembro de 2017), que não há mais a que se agarrar: “Ó pai, ó pai, onde está teu seio infinito, para que eu possa nele descansar? ” (Jean Paul Sartre, 1977).

O niilismo constitui, assim, uma situação de desnorteamento provocado pela falta de referências tradicionais, ou seja, dos valores e ideais que representavam uma resposta aos porquês e, como tais, iluminavam a caminhada humana, esclarece Volpi.

Observando a dinâmica que desencadeia o esvaziamento dos valores supremos e suscita a irrupção do niilismo, Nietzsche afirma: “O homem moderno acredita experimentalmente ora num ora noutro valor, para depois esquecê-lo. Cresce sempre mais o círculo dos valores superados e esquecidos. Percebe-se sempre mais o vazio e a pobreza de valores."

E prossegue: "É um movimento incessante, apesar de todas as grandes tentativas para detê-lo. No máximo, o homem ousa uma crítica genérica dos valores. Reconhece sua origem. Conhece demais para não crer mais em valor algum. Esse é o pathós, o novo frêmito.... Essa é a história dos dois próximos séculos...”.

A profecia de Nietzsche confirmou-se: a onipresença multiforme do niilismo torna-o tão visível que, paradoxalmente, fica difícil apreendê-lo numa definição clara e unívoca.

Segundo Franco Volpi, não há consenso em seu diagnóstico nem na anamnese de suas patologias e do mal-estar cultural que representa: “Até os estudos históricos sobre a gênese do termo acabaram por mostrar como tem sido complexa e variada a manifestação desse fenômeno. ”

Etimologicamente, o niilismo – do latim nihil (nada) – é o pensamento obcecado pelo nada.

O sofista Górgias (485 a.C.) talvez seja primeiro niilista da história ocidental, pelo terrível raciocínio que nos legou: nada existe; se alguma coisa existisse, não a poderíamos conhecer; e, se a conhecêssemos, não seria comunicável.

O filósofo medieval Fredegiso di Tours (falecido em 824 d.C.) em “Da substantia nihili et tenebrarum”, numa atitude filosófica escandalosa para a época, pretendeu provar que o nada se impõe com sua presença e possui, portanto, algum ser, alguma substancialidade.

E o frade dominicano alemão, Mestre Eckhart (1260-1328) numa estonteante annihilatio, declara que Deus e o nada, “o anjo, a mosca e a alma” são a mesma coisa.

Leonardo da Vinci (1452-1519), anotou em seu Codex Atlanticus: “Entre as grandes coisas que estão abaixo de nós, o ser do nada é imensamente grande”

E Leibniz (1646-1716), com a célebre pergunta: "Por que há algo mais do que nada?", e sua inquietante resposta: "Porque nada é mais simples e fácil do que algo." Seria o nada, mais do que o fim para o qual caminhamos, paradoxalmente, também premissa?

Como uma sombra permanente, o nada sempre acompanhou e preocupou a reflexão filosófica, tal qual Mefistófeles em relação a Fausto, na obra magistral de Goethe (1749-1832): “O espírito que sempre nega” insinua-se no âmago da mente humana, fortalecendo-se com a razão da negatividade já proclamada por Anaximandro (610-545 a.C.): “... Pois tudo quanto nasceu merece ser aniquilado; portanto, era melhor nada ter nascido. ”.

Volpi chama a atenção para o fato de que nem pode a filosofia prescindir do nada, se é verdade que, para resguardar sua missão, a saber, a busca do Ser como Ser, deve ela distinguir este último [o Ser] de seu oposto essencial, o Nada.

Eis porque o filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976) chegou à seguinte conclusão drástica: “O ponto de comparação mais difícil, mas também menos enganador, para avaliar a autenticidade e o vigor de um filósofo é ver se ele capta, logo e radicalmente, no ser do ente, a proximidade do nada. Quem não viver essa experiência ficará, de modo definitivo e sem esperança, fora da filosofia. ”

A respeito do niilismo, Franco Volpi sustenta a mesma convicção válida para todos os verdadeiros problemas filosóficos: eles não têm solução, mas história.

Na reconstrução histórica do niilismo, é opinião comum que Dostoievski (1821-1881) em caráter literário [sem esquecer Turgueniev (1818-1883)] e Nietzsche, sob o viés mais filosófico, são os dois fundadores e os principais teóricos do niilismo.


Bem, o ano acaba de começar, absolutamente novo, em branco. Especificamente sobre esse “nada” que ainda é 2018, há o que se pensar, o que se fazer. E muito. 

Prossigamos, amigos, afinal, o “eco do ossário” ainda não bradou pela última vez.

Luciene Felix Lamy
Professora de Filosofia e Mitologia Greco-romana
lucienefelix.blogspot.com - Instagram: lufelixlamy
WhatsApp (13) 98137-5711

23 de dez de 2017

Como ajudar a nós mesmos?

UM CONTO DE NATAL... Envolvendo o Salotto ("azamiga") do Consueloblog!
(clicando sobre as imagens, elas ampliam)


Há cerca de sete anos, minha amiga capricorniana Consuelo Susan Blocker Pascolato decidiu criar um blog (AQUI).

Da área de "comentários" deste blog nasceu o Salotto, que é a "sala de estar" onde as leitoras comentam, interagem e se conhecem nos animados "Encontrinhos do Salotto do Consueloblog".

E, é do Salotto surgiu o grupo de solidariedade intitulado "AMOR em AÇÃO" cujo resultado registramos aqui.

 

A bela e comovente história - que relato abaixo - começou há menos de três meses, é verídica, real e, graças à união das meninas do Salotto do Consueloblog, tem FINAL FELIZ! 

Ao se deparar com essa surpresa, talvez a própria Consuelo esteja perguntando a si mesma: “Mas onde é que eu entro nisso? ”

Bem, entrou quando criou o Consueloblog, pois foi através das nobilitantes almas que agregas neste teu Salotto que o Natal e o Ano Novo da família do Jamesson, um encantador aquariano (14 de fevereiro), portador de necessidades especiais, será abundante e digno, como todos devem ser.


Esse Post é para que as pessoas se inspirem a fazer a diferença, como a que essas almas maravilhosas acabam de fazer.



Permitam-me apresentar o Jamesson e sua família! Ele tem 22 anos e mora num apartamento do CDHU em Guaianases (Zona Leste de SP) com sua mãe, d. Ivanilda (58), seu irmão Gabriel (17) e sua avozinha materna, d. Luzia, infelizmente inválida, de 86 aninhos.


Penso que, àqueles a quem falta saúde para partir para a conquista de uma renda são os mais vulneráveis.

Inteirei-me das condições do Jamesson graças à sua prima, Vera Tomé (58) que, embora eu não a conhecesse, estava em meu Facebook. Certo dia, d. Ivanilda postou uma foto de seu filho na timeline da Vera comentando que o cabelo dele era igual aos cabelos de um parente delas em comum.


Ao me deparar com a foto do Jamesson fiquei impressionada, perplexa ao constatar que seus cabelos também são iguaizinhos ao do meu filho, Théo (15 aninhos).



Isso me abalou profundamente (melhor que eu seja breve nessa parte...). Foi dilacerante! Enviei um áudio (desesperador) para as meninas. Nessas horas precisamos MUITO dos amigos!



Decidi que precisava conhecer essa família, conferir sua realidade de perto, “in loco”. Fui e testemunhei a veracidade das necessidades, constatei que eles precisavam mesmo de assistência.


Eis o Jamesson em nossa primeira visita! Eles nos receberam no dia 30 de setembro deste ano, com frutas, bolos e um delicioso café!

Parti, então, em busca de apoio. E o apoio veio, adivinha de onde?


Sob a batuta de Dany Cilento e Sonia Vieira, demos início ao nosso projeto de auxílio, que conquistou a adesão instantânea de várias meninas do Salotto do Consueloblog!

São muitas as pessoas que querem ajudar, fazer caridade, mas não sabem como e temem que os recursos sejam desviados e não cheguem – na íntegra – aos beneficiados.



Embora sejamos inexperientes em assistência social, o Amor em Ação revelou-se uma experiência bem-sucedida. É por isso que dá gosto compartilhá-la!


Foi criado o grupo de WhatsApp “Amor em Ação”. E a primeira ação emergencial foi nos cotizarmos e enviarmos uma contribuição financeira mensal à família, que até então sobrevivia com apenas um salário mínimo. 

Combinamos que por um período pré-determinado (março/2018), eles receberão esse auxílio, sobretudo para farmácia e supermercado, enfim, as despesas ordinárias.


A segunda medida foi buscar tratamento dentário para toda família. Dra. Cristiane Graziane Prada (responsável pelos novos incisivos superiores de d. Ivanilda) e Dra. Silvanna Esgaib (sim, irmã da querida Gaby!) – Odontopediatra, que atente também pacientes com necessidades especiais, se prontificaram a recebê-los!


Quando perguntamos ao Gabriel se sua mãe estava feliz com o tratamento odontológico, ele respondeu: “Nossa, nem posso mais olhar para ela que já abre logo um sorriso! ”

A Terceira ação empreendida foi de pintar, limpar, equipar e organizar a moradia da família, pois devido ao delicado estado de saúde do Jamesson, dedetização, ordem e limpeza é fundamental.

Desde então, com a preciosa ajuda das amigas do Salotto - com destaque para Ana Abate da Contento Decor (AQUI) e Josi Amaral, da Saint Phylippe Chocolates (AQUI) no quesito organização, temos vivenciado alegrias diárias que agora compartilhamos na web, amigos!

E, em apenas dois meses e meio.... Bem, as imagens abaixo falam por si.

Cozinha da Família...









 

Comovente nessa família não é somente a limitação pecuniária, é a resignação, a bondade, a gratidão a Deus a todo instante, apesar das limitações, sobretudo de saúde. Parecem ter saído de uma obra de Dostoievski.... Tantas privações e ainda assim, eles só têm palavras para agradecer.

Banheiro da família...




Quarto do Jamesson e de sua avózinha d. Luzia...


O começo da mudança...


Doação de travesseiros novos e roupa de cama da Blue Gardênia - site AQUI.






E o capricho nos detalhes continua...

Sala da Família...





Gratidão "àzamiga" do Salotto: Angela Motta, Carmen Nogueira, Ritinha Medina, Sandra Gorsky Rego, Mia Athayde, Anita, Marly Papa, Denise Luna, Ana Abate, Gaby Esgaib, Tânia Sciacco, Sandra Cosenzo, Andreia Motta, Maria Benincasa, Kareen Terenzzo, Jaqueline Müller, Viviane Marques, Carolina Romano, Marina Di Lullo, Adrianne Gonçalves, Cassiano e Alexandra Pereira.

Neste mês de dezembro, tivemos também a Formatura do Gabriel no Ensino Médio.



Eis o nosso querido Jamesson

Que todo esse AMOR em AÇÃO alegre e inspire a muitas outras ações solidárias, pois PROMOVER A CARIDADE É REVERBERÁ-LA! 


Estendemos nossos agradecimentos especiais também a Alia Carol Maluf, Paloma Silveira Baumgart, Dr. Pedro Paulo Pereira, Elisabeth S. Rivano e a um anjinho de franjas: Isabella Coffers*.


É, a gente nunca sabe mesmo até onde chega o alcance de nossas decisões. Que bom que nasceste e caminhas sobre a Terra, Consu. 

Obrigada por congregar pessoas nobres e generosas, tão parecidas contigo. E por compartilhar essa nobilitante experiência, que tanto nos alegrou. Nasceste com uma conjunção entre os planetas Saturno e Vênus em Aquário (humanidade), na 12ª Casa, análoga ao signo Peixes, o signo da caridade, da compaixão. Uma dádiva a ser expandida, amiga!

FELIZ NATAL! Próspero 2018 a todos!

Ainda há muito a ser feito, quem puder contribuir com qualquer quantia, anote os dados na imagem abaixo, do Pai do Renascimento, Giotto di Bondone, representando a Caridade. Que Deus, que todo o Olimpo os abençoem, amigos!



(*) Para a aquisição da máquina de costurar e bordar de d. Ivanilda, contamos com as doações de: Vera Meirelles Whitaker, Stefany de Souza Basso, Taynara M. Oliveira Marini, Thaís, Ana Claudia Michels, Way Model Management, Isabella e Yvan, Juliana Mesquita, Verena Sanchez Bohrer, Filipe Hillmann, Sergio Barreto, Renata, Nicolas Jean. F. Mahler, Thaís kreimer, Renata F. T. Assunção, Airton Pivetta Martins, Marcella Farah N. Amadio, Karla Silva, B. e Fernanda, Nathalia Ottoni C. Bastos, Regiane Cristina G. Santos, Fabio B. e Pedro.








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Eis que a Sabedoria reina, mas não governa, por isso, quem pensa (no todo) precisa voltar para a caverna, alertar aos amigos. Nós vamos achar que estais louco, mas sabes que cegos estamos nós, prisioneiros acorrentados à escuridão da caverna.

Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República.

Eis o télos (do grego: propósito, objetivo) da Filosofia e do filósofo. Agir na cidade. Ação política. Phrônesis na Pólis.

Curso de Mitologia Grega

Curso de Mitologia Grega
As exposições mitológicas explicitam arquétipos (do grego, arché + typein = princípio que serve de modelo) atemporais e universais.

Desse modo, ao antropomorficizarem os deuses, ou seja, dar-lhes características genuinamente humanas, os antigos revelaram os princípios (arché) de sentimentos e conflitos que são inerentes a todo e qualquer mortal.

A necessidade da ordem (kósmos), da harmonia, da temperança (sophrosyne) em contraponto ao caos, à desmedida (hýbris) ou, numa linguagem nietzschiana, o apolíneo versus o dionisíaco, constitui a base de toda antiga pedagogia (Paidéia) tão cara à aristocracia grega (arístois, os melhores, os bem-nascidos posto que "educados").

Com os exponenciais poetas (aedos) Homero (Ilíada e Odisséia), Hesíodo (A Teogonia e O trabalho e os dias), além dos pioneiros tragediógrafos Sófocles e Ésquilo, dispomos de relatos que versam sobre a justiça, o amor, o trabalho, a vaidade, o ódio e a vingança, por exemplo.

O simples fato de conhecermos e atentarmos para as potências (dýnamis) envolvidas na fomentação desses sentimentos, torna-nos mais aptos a deliberar e poder tomar a decisão mais sensata (virtude da prudencia aristotélica) a fim de conduzir nossas vidas, tanto em nossos relacionamentos pessoais como indivíduos, quanto profissionais e sociais, coletivos.

AGIMOS COM MUITO MAIS PRUDÊNCIA E SABEDORIA.

E era justamente isso que os sábios buscavam ensinar, a harmonia para que os seres humanos pudessem se orientar em suas escolhas no mundo, visando atingir a ordem presente nos ideais platônicos de Beleza, Bondade e Justiça.

Estou certa de que a disseminação de conhecimentos tão construtivos contribuirá para a felicidade (eudaimonia) dos amigos, leitores e ouvintes.

Não há dúvida quanto a responsabilidade do Estado, das empresas, de seus dirigentes, bem como da mídia e de cada um de nós, no papel educativo de nosso semelhante.

Ao investir em educação, aprimoramos nossa cultura, contribuimos significativamente para que nossa sociedade se torne mais justa, bondosa e bela. Numa palavra: MAIS HUMANA.

Bem-vindos ao Olimpo amigos!

Escolha: Senhor ou Escravo das Vontades.

A Justiça na Grécia Antiga

A Justiça na Grécia Antiga

Transição do matriarcado para o patriarcado

A Justiça nos primórdios do pensamento ocidental - Grécia Antiga (Arcaica, Clássica e Helenística).

Nessa imagem de Bouguereau, Orestes (Membro da amaldiçoada Família dos Atridas: Tântalo, Pélops, Agamêmnon, Menelau, Clitemnestra, Ifigênia, Helena etc) é perseguido pelas Erínias: Vingança que nasce do sangue dos órgãos genitais de Ouranós (Céu) ceifado por Chronos (o Tempo) a pedido de Gaia (a Terra).

O crime de matricídio será julgado no Areópago de Ares, presidido pela deusa da Sabedoria e Justiça, Palas Athena. Saiba mais sobre o famoso "voto de Minerva": Transição do Matriarcado para o Patriarcado. Acesse clicando AQUI.

Versa sobre as origens de Thêmis (A Justiça Divina), Diké (A Justiça dos Homens), Zeus (Ordenador do Cosmos), Métis (Deusa da presciência), Palas Athena (Deusa da Sabedoria e Justiça), Niké (Vitória), Erínias (Vingança), Éris (Discórdia) e outras divindades ligadas a JUSTIÇA.

A ARETÉ (excelência) do Homem

se completa como Zoologikon e Zoopolitikon: desenvolver pensamento e capacidade de viver em conjunto. (Aristóteles)

Busque sempre a excelência!

Busque sempre a excelência!

TER, vale + que o SER, humano?

As coisas não possuem valor em si; somos nós que, através do nôus, valoramos.

Nôus: poder de intelecção que está na Alma, segundo Platão, após a diânóia, é a instância que se instaura da deliberação e, conforme valores, escolhe. É o reduto da liberdade humana onde um outro "logistikón" se manifesta. O Amor, Eros, esse "daimon mediatore", entre o Divino (Imortal) e o Humano (Mortal) pode e faz a diferença.

Ser "sem nôus", ser "sem amor" (bom daimon) é ser "sem noção".

A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

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O Sábio Mestre: Antonio Medina Rodrigues (1940-2013)

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Você se sentiu ofendido...

irritado (em seu "phrenas", como diria Homero) ou chocado com alguma imagem desse Blog? Me escreva para que eu possa substituí-la. e-mail: mitologia@esdc.com.br