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1 de fev de 2010

A Família - Parte II (Os idosos)


"Os infelizes são ingratos; isso faz parte da infelicidade deles."

Victor Hugo

Ao dar continuidade ao artigo anterior (Família – Parte I) intento chamar a atenção para um drama cada vez mais comum que não é normal: desamor, culpa, abandono, exploração e solidão na esfera doméstica.

Com raríssimas exceções, abordar questões familiares é remexer em “caixas pretas” que, independente do porte, por medo todos preferem manter devidamente enterradas, bem longe dos próprios olhos e, sobretudo dos alheios.

Num passado não muito distante (cerca de 2.500 anos), os tragediógrafos gregos revelaram, com irrepetível maestria, muitas das potências (dýnamis) que subjazem aos atemporais dramas familiares. Há pouco mais de um século, cabe aos profissionais das áreas psíquicas (psicólogos, psicanalistas, psicoterapeutas, psiquiatras e afins) a tarefa de adentrar a esses secretos labirintos.

Nesse sentido, eles se assemelham ao deus grego Hermes (Mercúrio na mitologia romana) que, regendo a velocidade, a mente e a fala, é o deus da comunicação.

Vale informar que Hermes, muito mais que “assistente” do soberano do Olimpo, Zeus, muitas vezes inadvertidamente tido como mero “moleque de recados”, é a única divindade a ter livre acesso às profundezas da psique (alma) e ao misterioso e temido reino do Hades (mundo dos mortos).

Não se perscruta caixas pretas impunemente! Como Hermes, muitos advogados, promotores, jornalistas, investigadores, médicos e psicanalistas, por exemplo, chegam com as novidades – honrosa e maldita função, pois, “ossos do ofício”, as notícias nem sempre são boas e, se a verdade dói, a cabeça do mensageiro é a primeiríssima a rolar. Grande injustiça!

Parafraseando o notável escritor Guimarães Rosa – Falar é perigoso. Foi por flagrar e revelar o que não devia que Tirésias ficou cego (veja abaixo, nesse Blog) e, nesse sentido, tivemos também a pobre Cassandra a quem, agraciada com o dom da profecia pelo deus Apolo, ninguém dava crédito. Foi incansavelmente e em vão que tentou impedir que os troianos aceitassem o famoso presente dos gregos.

Mais recentemente (em termos históricos), Freud escandalizou a sociedade vienense ao, entre outras descobertas, apontar a latente sexualidade infantil e, até hoje, a fim de evitar desconforto, convém se abster de xeretar os “esqueletos nos armários”. Mas nem sempre o que está quieto permanece quieto e infelizmente (ou felizmente) a irrupção do nefasto torna a investigação obrigatória e o conteúdo das caixas pretas vem à luz.

As tragédias gregas, shakespearianas e as grandes obras literárias como “Os irmãos Karamazov” de Dostoievski, nos revelam muito do “dark side” dessas constelações: hediondos crimes de matricídio, parricídio e infanticídio, por exemplo, reais ou simbólicos são (não matem o mensageiro!) atualíssimos e (também não se iludam com tantos sorrisos nos porta-retratos) se fazem presentes em insuspeitáveis lares “felizes”.

Por um lado, não são raros os casos em que as crianças veem ao mundo com o prévio fardo de alicerçar uniões já fracassadas ou de satisfazer o desejo de vaidade de seus progenitores. Há ainda as concepções por acaso e as absolutamente indesejadas (incesto, estupro, etc.).

Noutra ponta, também não são poucos os idosos vitimados por seus próprios filhos (vide o filme “A casa de Alice”, do diretor Chico Teixeira). Usurpados em suas parcas economias, contraem empréstimos consignados que nunca são pagos, cedem moradia, realizam diariamente extenuantes afazeres domésticos e até tomam para si a árdua tarefa de criar os netos dedicando-se integralmente ao bem estar dos filhos, filhas, genros e noras.

Mesmo quando a situação econômica apresenta-se confortável, outro silencioso e velado matricídio/parricídio é perpetrado em doses “hipócrito-homeopáticas”: ameaçados pelo abandono à espreita, vulneráveis, acalentam datas, anseiam pelo telefonema, um e-mail, algum convite. Esperançosos, fitam a porta, aflitos pela condescendente visita dominical.

Idosos têm sido explorados e/ou desprezados pela prole. Erro, pecado ou vício, condenados sem direito a julgamento, imputa-se-lhes uma pena que não prescreve.

Se, otimistas, imaginarmos a expectativa de vida média do ser humano em 90 anos, por exemplo, observaremos que, aurora da vida, a infância é período muito breve, mas de inocente frescor e vivacidade singular. Ah, a infância... caixinha dourada que aconchega selecionadíssimas pedrinhas preciosas; por todo o resto de nossas vidas regressaremos a ela. Mnemósyne, a memória, é seletivamente benfazeja, mesmo nos inícios de vida mais difíceis.

Passada a infância e a juventude (esta última com tudo o que lhe é perdoável, pois como dizem “a adolescência é uma doença que o próprio tempo se encarrega de curar”), as décadas de plenitude da vida, o grande “miolo” da vida (30/40/50/60 anos) também decorrem num estalo. Mas geres, a velhice maldita, maior surpresa que quem viver testemunhará, dura “para sempre”, até o fim.

Afora a que herdamos, será no mencionado “miolo da vida” que fomentaremos caixinhas a legar. Faremos nossas opções, tomaremos decisões, escolheremos os tons que pincelarão nossa velhice.

Nem na aurora (crianças são verdadeiramente inocentes e jovens são inexperientes), tampouco no crepúsculo quando, perseguidos pela culpa, sentimos a alma aprisionada e tudo o que mais buscamos é perdão e redenção.

Amor, carinho e afeto não são incondicionais: não é porque gerou que é Mãe, nem somente porque semeou que é Pai. Sabemos que, levianos, irresponsáveis e “gente ruim” também envelhecem. E nascem!

Quando é nosso o momento de agir, narciso reina, sentimo-nos ilimitados, desejamos “poder” tudo. Poder? E o que “não pode” hoje, no mundo? Convém indagar é se deve.

Diz a piada que “fazer análise após os cinqüenta anos é como querer mudar a rota de um avião que já pousou”. Discordo. Só pousamos, quando o caixão baixa ao túmulo. E fica a “caixa preta”... Nunca é tarde para buscar ajuda profissional a fim de lidar com a angústia de caixas pretas herdadas ou confeccionadas e perseguir tons mais gloriosos (menos culpados) para colorir nosso crepúsculo.

Em gratidão pela benção de todas as manhãs, poder dizer: "Bom Dia, mamãe!" e "Oi, papito!". Eu, meu Amor e os netinhos, amamos muito vocês.
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Eis que a Sabedoria reina, mas não governa, por isso, quem pensa (no todo) precisa voltar para a caverna, alertar aos amigos. Nós vamos achar que estais louco, mas sabes que cegos estamos nós, prisioneiros acorrentados à escuridão da caverna.

Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República.

Eis o télos (do grego: propósito, objetivo) da Filosofia e do filósofo. Agir na cidade. Ação política. Phrônesis na Pólis.

Curso de Mitologia Grega

Curso de Mitologia Grega
As exposições mitológicas explicitam arquétipos (do grego, arché + typein = princípio que serve de modelo) atemporais e universais.

Desse modo, ao antropomorficizarem os deuses, ou seja, dar-lhes características genuinamente humanas, os antigos revelaram os princípios (arché) de sentimentos e conflitos que são inerentes a todo e qualquer mortal.

A necessidade da ordem (kósmos), da harmonia, da temperança (sophrosyne) em contraponto ao caos, à desmedida (hýbris) ou, numa linguagem nietzschiana, o apolíneo versus o dionisíaco, constitui a base de toda antiga pedagogia (Paidéia) tão cara à aristocracia grega (arístois, os melhores, os bem-nascidos posto que "educados").

Com os exponenciais poetas (aedos) Homero (Ilíada e Odisséia), Hesíodo (A Teogonia e O trabalho e os dias), além dos pioneiros tragediógrafos Sófocles e Ésquilo, dispomos de relatos que versam sobre a justiça, o amor, o trabalho, a vaidade, o ódio e a vingança, por exemplo.

O simples fato de conhecermos e atentarmos para as potências (dýnamis) envolvidas na fomentação desses sentimentos, torna-nos mais aptos a deliberar e poder tomar a decisão mais sensata (virtude da prudencia aristotélica) a fim de conduzir nossas vidas, tanto em nossos relacionamentos pessoais como indivíduos, quanto profissionais e sociais, coletivos.

AGIMOS COM MUITO MAIS PRUDÊNCIA E SABEDORIA.

E era justamente isso que os sábios buscavam ensinar, a harmonia para que os seres humanos pudessem se orientar em suas escolhas no mundo, visando atingir a ordem presente nos ideais platônicos de Beleza, Bondade e Justiça.

Estou certa de que a disseminação de conhecimentos tão construtivos contribuirá para a felicidade (eudaimonia) dos amigos, leitores e ouvintes.

Não há dúvida quanto a responsabilidade do Estado, das empresas, de seus dirigentes, bem como da mídia e de cada um de nós, no papel educativo de nosso semelhante.

Ao investir em educação, aprimoramos nossa cultura, contribuimos significativamente para que nossa sociedade se torne mais justa, bondosa e bela. Numa palavra: MAIS HUMANA.

Bem-vindos ao Olimpo amigos!

Escolha: Senhor ou Escravo das Vontades.

A Justiça na Grécia Antiga

A Justiça na Grécia Antiga

Transição do matriarcado para o patriarcado

A Justiça nos primórdios do pensamento ocidental - Grécia Antiga (Arcaica, Clássica e Helenística).

Nessa imagem de Bouguereau, Orestes (Membro da amaldiçoada Família dos Atridas: Tântalo, Pélops, Agamêmnon, Menelau, Clitemnestra, Ifigênia, Helena etc) é perseguido pelas Erínias: Vingança que nasce do sangue dos órgãos genitais de Ouranós (Céu) ceifado por Chronos (o Tempo) a pedido de Gaia (a Terra).

O crime de matricídio será julgado no Areópago de Ares, presidido pela deusa da Sabedoria e Justiça, Palas Athena. Saiba mais sobre o famoso "voto de Minerva": Transição do Matriarcado para o Patriarcado. Acesse clicando AQUI.

Versa sobre as origens de Thêmis (A Justiça Divina), Diké (A Justiça dos Homens), Zeus (Ordenador do Cosmos), Métis (Deusa da presciência), Palas Athena (Deusa da Sabedoria e Justiça), Niké (Vitória), Erínias (Vingança), Éris (Discórdia) e outras divindades ligadas a JUSTIÇA.

A ARETÉ (excelência) do Homem

se completa como Zoologikon e Zoopolitikon: desenvolver pensamento e capacidade de viver em conjunto. (Aristóteles)

Busque sempre a excelência!

Busque sempre a excelência!

TER, vale + que o SER, humano?

As coisas não possuem valor em si; somos nós que, através do nôus, valoramos.

Nôus: poder de intelecção que está na Alma, segundo Platão, após a diânóia, é a instância que se instaura da deliberação e, conforme valores, escolhe. É o reduto da liberdade humana onde um outro "logistikón" se manifesta. O Amor, Eros, esse "daimon mediatore", entre o Divino (Imortal) e o Humano (Mortal) pode e faz a diferença.

Ser "sem nôus", ser "sem amor" (bom daimon) é ser "sem noção".

A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

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O Sábio Mestre: Antonio Medina Rodrigues (1940-2013)

O Sábio Mestre: Antonio Medina Rodrigues (1940-2013)

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