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1 de jun de 2011

HAMARTÍA - O Exterminador do Futuro

"A nossa vida compõe-se de duas partes a privada e a exterior; nascem ambas à porta de nossa casa, uma, porém, se estende para dentro e a outra para fora." Aluísio Azevedo

A Sagrada Família – Murillo (Museo del Prado)

“A verdadeira felicidade está na própria casa, entre as alegrias da família.” Léon Tolstoi
 
Recentemente, a mídia internacional trouxe à tona a notícia de duvidosos comportamentos de duas personalidades públicas: Dominique Strauss-Kahn, economista e agora ex-diretor do FMI e Arnold Schwarzenegger, ator e ex-governador da Califórnia, ambos casados e pais de quatro filhos.

Como vimos no artigo anterior (http://lucienefelix.blogspot.com/2011/05/kant-e-uma-filosofia-da-historia-para.html), tal qual a natureza, a razão também possui um télos (propósito) e este pode ser constatado através do crivo que ela mesma impõe às ações humanas: àquilo que fere a harmonia, o bom senso, à Justiça, como um corpo estranho ao juízo sensato, aos poucos (às vezes, milhares de anos) é excluído da norma.

O lógos marcha com vagar e, entre avanços e retrocessos, põe em relevo a correção moral, o decoro, a compostura, tributando valor à honradez e ao pudor.

No mundo globalizado, dispondo de nossas iluministas e humanistas atuais categorias mentais, não há como aceitar passivamente atitudes deploráveis e indignas, como se ainda fôssemos reféns de senhores feudais. A sociedade (opinião pública) aponta, denuncia, defende-se.


Até porque, indefensáveis, tanto na vida política quanto nas atividades corporativas, vilezas ético-morais têm sido punidas com renúncia (demissão voluntária ou sob coação), prisão, ostracismo, expulsão, banimento, desprezo.

Sucumbir às (ir) resistíveis paixões da carne em detrimento da ordem, invertendo valores tão caros à ratio, desde os tempos homéricos (Ilíada), ascende da mera insensatez à bestialidade. No âmbito político (público) e nos ambientes corporativos, por exemplo, a retaliação da sociedade é patente.

Arnold Schwarzenegger e Maria Shriver com seus filhos. Após 25 anos de união anunciam separação.
O ator e ex-governador confessou ter tido um filho com a empregada durante o casamento.

E quanto ao reparo à gravidade da vileza na esfera doméstica, privada?

Génos – além de raça, estirpe, família – é descendência, sendo também uma explicitação da natureza dos genitores. Comportamento desonroso no lar acarreta numa “hamartía”, palavra grega que designa a “marca” (falta) que um descendente traz de origem (http://lucienefelix.blogspot.com/2009/03/o-mito-de-tantalo.html).

Enquanto meras ‘marcas’, as hamartías constituem virtudes e vícios: dons culinários, aspirações intelectuais, espírito indômito, desbravador, inclinação aos vícios (do sexo, jogo ou drogas), ao otimismo, bom humor, às doenças físicas e psíquicas (como a depressão), tendência à procrastinação (preguiça), enfim, reconhecendo-os e cultivando-os ou repelindo-os, ora transmitimos talentos, ora suprimimos características constrangedoramente negativas.

Não há como prever o comportamento de um indivíduo (nem mesmo perscrutando a psyché ‘Alma’, como os psicanalistas: “me fale de seus pais”) ou mensurar a profundidade da desalentadora dor causada pelo ultraje que os familiares são obrigados a vivenciar. Há muito sabemos que origem não é, obrigatoriamente, destino e que cabe a cada um de nós a responsabilidade de interromper a transmissão hereditária de indisfarçáveis deficiências.

Desnorteadas, muitas “Marias” se vêem acometidas pela atér, cegueira que induz ao estado de desvario, depois à ação desvairada e por fim, à ruína. Arruinadas ficam também as vítimas indefesas.

Isso porque um lar não é um órgão como o FMI ou um país onde, tranquilamente, outro(a) economista ou candidato(a) substitui o execrável, com discurso persuasivo que induz a enxergarmos, no novo, talento e competência ainda maior.

Devastadoramente destrutiva na esfera privada da sacra célula familiar, onde prisão, ostracismo, renúncia e expulsão não resolvem o problema (e tampouco é possível aventar legítima substituição), ausência de ética, sorrateiramente, desampara inocentes.


Legar a “falta”, impondo uma irreversível hamartía aos indefesos, fomenta a exterminação do futuro. Nos agentes das desprezíveis ações, quando conscientes, instaura-se um dos mais terríveis e inarredáveis carrascos psíquicos: a culpa.


PS: Recomendo a leitura dos dois artigos apontados para melhor compreensão.


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Eis que a Sabedoria reina, mas não governa, por isso, quem pensa (no todo) precisa voltar para a caverna, alertar aos amigos. Nós vamos achar que estais louco, mas sabes que cegos estamos nós, prisioneiros acorrentados à escuridão da caverna.

Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República.

Eis o télos (do grego: propósito, objetivo) da Filosofia e do filósofo. Agir na cidade. Ação política. Phrônesis na Pólis.

Curso de Mitologia Grega

Curso de Mitologia Grega
As exposições mitológicas explicitam arquétipos (do grego, arché + typein = princípio que serve de modelo) atemporais e universais.

Desse modo, ao antropomorficizarem os deuses, ou seja, dar-lhes características genuinamente humanas, os antigos revelaram os princípios (arché) de sentimentos e conflitos que são inerentes a todo e qualquer mortal.

A necessidade da ordem (kósmos), da harmonia, da temperança (sophrosyne) em contraponto ao caos, à desmedida (hýbris) ou, numa linguagem nietzschiana, o apolíneo versus o dionisíaco, constitui a base de toda antiga pedagogia (Paidéia) tão cara à aristocracia grega (arístois, os melhores, os bem-nascidos posto que "educados").

Com os exponenciais poetas (aedos) Homero (Ilíada e Odisséia), Hesíodo (A Teogonia e O trabalho e os dias), além dos pioneiros tragediógrafos Sófocles e Ésquilo, dispomos de relatos que versam sobre a justiça, o amor, o trabalho, a vaidade, o ódio e a vingança, por exemplo.

O simples fato de conhecermos e atentarmos para as potências (dýnamis) envolvidas na fomentação desses sentimentos, torna-nos mais aptos a deliberar e poder tomar a decisão mais sensata (virtude da prudencia aristotélica) a fim de conduzir nossas vidas, tanto em nossos relacionamentos pessoais como indivíduos, quanto profissionais e sociais, coletivos.

AGIMOS COM MUITO MAIS PRUDÊNCIA E SABEDORIA.

E era justamente isso que os sábios buscavam ensinar, a harmonia para que os seres humanos pudessem se orientar em suas escolhas no mundo, visando atingir a ordem presente nos ideais platônicos de Beleza, Bondade e Justiça.

Estou certa de que a disseminação de conhecimentos tão construtivos contribuirá para a felicidade (eudaimonia) dos amigos, leitores e ouvintes.

Não há dúvida quanto a responsabilidade do Estado, das empresas, de seus dirigentes, bem como da mídia e de cada um de nós, no papel educativo de nosso semelhante.

Ao investir em educação, aprimoramos nossa cultura, contribuimos significativamente para que nossa sociedade se torne mais justa, bondosa e bela. Numa palavra: MAIS HUMANA.

Bem-vindos ao Olimpo amigos!

Escolha: Senhor ou Escravo das Vontades.

A Justiça na Grécia Antiga

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Transição do matriarcado para o patriarcado

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Nessa imagem de Bouguereau, Orestes (Membro da amaldiçoada Família dos Atridas: Tântalo, Pélops, Agamêmnon, Menelau, Clitemnestra, Ifigênia, Helena etc) é perseguido pelas Erínias: Vingança que nasce do sangue dos órgãos genitais de Ouranós (Céu) ceifado por Chronos (o Tempo) a pedido de Gaia (a Terra).

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Versa sobre as origens de Thêmis (A Justiça Divina), Diké (A Justiça dos Homens), Zeus (Ordenador do Cosmos), Métis (Deusa da presciência), Palas Athena (Deusa da Sabedoria e Justiça), Niké (Vitória), Erínias (Vingança), Éris (Discórdia) e outras divindades ligadas a JUSTIÇA.

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se completa como Zoologikon e Zoopolitikon: desenvolver pensamento e capacidade de viver em conjunto. (Aristóteles)

Busque sempre a excelência!

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TER, vale + que o SER, humano?

As coisas não possuem valor em si; somos nós que, através do nôus, valoramos.

Nôus: poder de intelecção que está na Alma, segundo Platão, após a diânóia, é a instância que se instaura da deliberação e, conforme valores, escolhe. É o reduto da liberdade humana onde um outro "logistikón" se manifesta. O Amor, Eros, esse "daimon mediatore", entre o Divino (Imortal) e o Humano (Mortal) pode e faz a diferença.

Ser "sem nôus", ser "sem amor" (bom daimon) é ser "sem noção".

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