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11 de jan de 2008

Magia, Mito, Rito e Religião


O homem, ao inserir-se no mundo, delimita o espaço e o tempo. Desde os primórdios, os antigos prestavam homenagens ao divino manifesto pois, o simples contemplar do infinito na abóbada celeste era suficiente para desencadear uma experiência de religião (re-ligare).

Intrigado com a Magia da physis, o homem imagina Mitos, elabora Ritos que re-atualiza o Tempo, religando-se ao Cosmos.

No paganismo arcaico, em gratidão à singela magia do cíclico germinar de cada semente ou à aurora de cada dia, o homem sacralizava o espaço de potentes cachoeiras, de imponentes rochedos que avançam aos céus e dos rios que o saciavam e alimentavam-no e, lá delimitava o fannum (sagrado). Neste, identificava o asylon (altar), onde depositava as primícias (primeiras colheitas) das dádivas da natureza. Pela suprema sacralidade do asylon, nele toda pessoa estava resguardada de sofrer qualquer ato de violência, daí o termo “asilo político”, quando se pretende salvaguardar a vida de alguém que se encontra sob ameaça.

O tempo, para o homem religioso ou não, divide-se em sagrado e profano (fora do fannum), e será através dos ritos que ele atualizará o tempo mítico primordial. Segundo Mircea Eliade “toda festa religiosa, todo tempo litúrgico, representa a re-atualização de um evento sagrado que teve lugar num passado mítico, nos primórdios”.

Ao participar de festas como o Natal e o Ano Novo, deixamos o tempo ordinário e nos integramos no tempo mítico que é re-atualizado pela própria festa. Esse Tempo sagrado é indefinidamente recuperável, repetível. O homem reintegra esse Tempo Circular, periodicamente, pela linguagem ritual.

Na festa Cristã: a decoração festiva das árvores de natal; o capricho com que se busca reconstruir o cenário do nascimento de Jesus através dos elementos do presépio (o estábulo, a manjedoura, o burrico, as vaquinhas, a chegada, posterior, dos três Reis magos/astrólogos, que perseguiram por dias e noites a luminosa estrela de Belém, na verdade uma poderosa e brilhante conjunção planetária); a preparação de uma ceia especial, com seus alimentos típicos tais como peru, nozes, castanhas e panettones entre outros; a reunião e confraternização familiar com a troca de presentes. Tudo isso faz parte do rito que re-atualiza o mito, fruto de uma magia que nos religa ao Divino.

Em nosso mundo moderno, nos desligamos progressivamente dos padrões rituais de re-ligação tradicionais, como se a santificação periódica do Tempo cósmico fosse insignificante e inútil. O significado religioso do nascimento do Cristo, com a repetição dos gestos exemplares é esquecido. Ainda segundo Eliade: “a repetição esvaziada de seu conteúdo conduz necessariamente a uma visão pessimista da existência”. Dessacralizado, o Tempo cíclico torna-se terrífico: revela-se como um círculo girando indefinidamente sobre si mesmo, repetindo-se até o infinito.

O homem não-ritualista não acessa o mistério, pois para ele, o tempo constitui a mais rasa dimensão existencial, está ligado meramente à sua própria existência, tem apenas começo, meio e fim, que é a morte, e aí, sem religião, nenhum significado transcendente pode se inserir.
Já o Ano, dessacralizado, é um círculo matematicamente fechado, tem começo, meio e fim. Ritualizado, possui também o poder de “renascer” sob a forma de um Novo Ano. A cada reinício, recria-se um Tempo Novo, puro devir, porque ainda não foi usado.

Neste ano vindouro, o ingresso de Júpiter no signo de Sagitário prenuncia elevação dos Saberes, ampliação de conhecimentos filosóficos, de estudos superiores, abundância de riquezas materiais mas, em contrapartida, a expansão do fanatismo religioso o que, numa futura conjunção com Plutão, poderá culminar em tragédias de proporções alarmantes, mobilizando a intervenção de Zeus através dos homens.

Dentre os rituais para comemoração da chegada de um Novo Ano, está o trajar-se de branco, pular sete ondas no mar, brindar com champagne, comer lentilhas ou romãs e, mais uma vez, inevitavelmente, homo religiosus, nos dirigiremos à majestas da imensidade dos céus conclamando a Paz.

Um comentário:

Anônimo disse...

Visão exurbitante neste espaço, assuntos deste modo dignificam a quem quer que analisar neste blogue !!!
Realiza mair quantidade de este sítio, a todos os teus leitores.

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ESCOLHA & CLIQUE (leia no topo). Cultura faz bem ao Espírito!

Eis que a Sabedoria reina, mas não governa, por isso, quem pensa (no todo) precisa voltar para a caverna, alertar aos amigos. Nós vamos achar que estais louco, mas sabes que cegos estamos nós, prisioneiros acorrentados à escuridão da caverna.

Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República.

Eis o télos (do grego: propósito, objetivo) da Filosofia e do filósofo. Agir na cidade. Ação política. Phrônesis na Pólis.

Curso de Mitologia Grega

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As exposições mitológicas explicitam arquétipos (do grego, arché + typein = princípio que serve de modelo) atemporais e universais.

Desse modo, ao antropomorficizarem os deuses, ou seja, dar-lhes características genuinamente humanas, os antigos revelaram os princípios (arché) de sentimentos e conflitos que são inerentes a todo e qualquer mortal.

A necessidade da ordem (kósmos), da harmonia, da temperança (sophrosyne) em contraponto ao caos, à desmedida (hýbris) ou, numa linguagem nietzschiana, o apolíneo versus o dionisíaco, constitui a base de toda antiga pedagogia (Paidéia) tão cara à aristocracia grega (arístois, os melhores, os bem-nascidos posto que "educados").

Com os exponenciais poetas (aedos) Homero (Ilíada e Odisséia), Hesíodo (A Teogonia e O trabalho e os dias), além dos pioneiros tragediógrafos Sófocles e Ésquilo, dispomos de relatos que versam sobre a justiça, o amor, o trabalho, a vaidade, o ódio e a vingança, por exemplo.

O simples fato de conhecermos e atentarmos para as potências (dýnamis) envolvidas na fomentação desses sentimentos, torna-nos mais aptos a deliberar e poder tomar a decisão mais sensata (virtude da prudencia aristotélica) a fim de conduzir nossas vidas, tanto em nossos relacionamentos pessoais como indivíduos, quanto profissionais e sociais, coletivos.

AGIMOS COM MUITO MAIS PRUDÊNCIA E SABEDORIA.

E era justamente isso que os sábios buscavam ensinar, a harmonia para que os seres humanos pudessem se orientar em suas escolhas no mundo, visando atingir a ordem presente nos ideais platônicos de Beleza, Bondade e Justiça.

Estou certa de que a disseminação de conhecimentos tão construtivos contribuirá para a felicidade (eudaimonia) dos amigos, leitores e ouvintes.

Não há dúvida quanto a responsabilidade do Estado, das empresas, de seus dirigentes, bem como da mídia e de cada um de nós, no papel educativo de nosso semelhante.

Ao investir em educação, aprimoramos nossa cultura, contribuimos significativamente para que nossa sociedade se torne mais justa, bondosa e bela. Numa palavra: MAIS HUMANA.

Bem-vindos ao Olimpo amigos!

Escolha: Senhor ou Escravo das Vontades.

A Justiça na Grécia Antiga

A Justiça na Grécia Antiga

Transição do matriarcado para o patriarcado

A Justiça nos primórdios do pensamento ocidental - Grécia Antiga (Arcaica, Clássica e Helenística).

Nessa imagem de Bouguereau, Orestes (Membro da amaldiçoada Família dos Atridas: Tântalo, Pélops, Agamêmnon, Menelau, Clitemnestra, Ifigênia, Helena etc) é perseguido pelas Erínias: Vingança que nasce do sangue dos órgãos genitais de Ouranós (Céu) ceifado por Chronos (o Tempo) a pedido de Gaia (a Terra).

O crime de matricídio será julgado no Areópago de Ares, presidido pela deusa da Sabedoria e Justiça, Palas Athena. Saiba mais sobre o famoso "voto de Minerva": Transição do Matriarcado para o Patriarcado. Acesse clicando AQUI.

Versa sobre as origens de Thêmis (A Justiça Divina), Diké (A Justiça dos Homens), Zeus (Ordenador do Cosmos), Métis (Deusa da presciência), Palas Athena (Deusa da Sabedoria e Justiça), Niké (Vitória), Erínias (Vingança), Éris (Discórdia) e outras divindades ligadas a JUSTIÇA.

A ARETÉ (excelência) do Homem

se completa como Zoologikon e Zoopolitikon: desenvolver pensamento e capacidade de viver em conjunto. (Aristóteles)

Busque sempre a excelência!

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TER, vale + que o SER, humano?

As coisas não possuem valor em si; somos nós que, através do nôus, valoramos.

Nôus: poder de intelecção que está na Alma, segundo Platão, após a diânóia, é a instância que se instaura da deliberação e, conforme valores, escolhe. É o reduto da liberdade humana onde um outro "logistikón" se manifesta. O Amor, Eros, esse "daimon mediatore", entre o Divino (Imortal) e o Humano (Mortal) pode e faz a diferença.

Ser "sem nôus", ser "sem amor" (bom daimon) é ser "sem noção".

A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

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O Sábio Mestre: Antonio Medina Rodrigues (1940-2013)

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