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luciene felix lamy

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1 de dez de 2016

O Ideal...


Origem (Gen) é fundamental, portanto, o ideal é que fossemos frutos do amor apropriado (não somente hormônios em ebulição) entre nossos genitores e que eles nos recebessem com muito carinho, empenhando-se em nos proporcionar alimento, educação, segurança e saúde, tanto física quanto psíquica.

Que jamais traíssemos quem confia em nós. E que, periodicamente, viajássemos ao estrangeiro (kxenós), admirando nossas diferenças de vestes, fenotípicas, gastronômicas, linguísticas, artísticas e religiosas. Ideal é que aprendêssemos, ao menos, um idioma além do nosso.

Seria conveniente que primássemos por uma alimentação saudável, priorizando frutas, legumes e verduras, nos abstendo (ou minimizando) da inserção de cadáveres de animais em nossa dieta. E também que tomássemos um pouco de sol e caminhássemos todos os dias.

O ideal é que, disciplinados, atentássemos aos nossos horários de sono e de vigília e que, ordeiros, mantivéssemos nossos papéis, documentos, trabalhos e todo o lar limpo e agradável.

Que, além de uma casa aconchegante, dispuséssemos de boas escolas, professores qualificados e bem remunerados, uma infância segura e a teia de familiares e amigos dispostos a nos amparar. Aliás, que em família, fôssemos como entre amigos, onde não os julgamos por suas diferenças, mas, ao contrário, admiramos (apesar ou) justamente por apresentá-las.

Também seria maravilhoso podermos desenvolver nossas aptidões peculiares e termos acesso ao aprendizado de esportes, artes e música. Que experimentássemos a “suave narcose” advinda da contemplação de obras de arte, encenações teatrais, apresentações de dança e shows musicais.

Ideal seria que todos nós estivéssemos satisfeitos com nosso sexo biológico e desfrutássemos de uma prazerosa vida sexual. E também que fôssemos moderados quanto ao uso de substâncias que alteram a percepção, não abusando do álcool e demais drogas.

Que respeitássemos nossos idosos e, responsáveis por nossa própria sobrevivência, jamais nos valêssemos da vulnerabilidade para extorqui-los ou levá-los a trabalhar à exaustão, causando-lhes preocupação até o fim de seus dias.

Seria perfeito que nossos dirigentes políticos trabalhassem com honradez, dignificando o cargo e as responsabilidades que delegamos a eles, atentando que a “res” (coisa) é pública e não privada.

O ideal mesmo seria que em nenhum lugar do mundo houvesse necessidade de leis e prisões que penalize quem recorre ao aborto, abandono de incapaz, incesto, pedofilia, estupro, assassínio, roubo, corrupção, tráfico e outras atrocidades.

Que desenvolvêssemos ciência e tecnologia a serviço do bem-estar e do progresso da humanidade e que, independente de nossa formação (técnica, graduação e/ou pós), buscássemos estudar também política, arte, filosofia, história, psicologia, antropologia, sociologia, mitologia e literatura, entre tantos outros saberes.

Seria conveniente que, altruístas, contribuíssemos de alguma forma com os desfavorecidos, nos engajando num projeto de cunho filantrópico.

Que, ao contemplarmos o mar, os pores do sol e os luares, estivéssemos cônscios de que reveses, tragédias e infortúnios fazem parte da vida, pois a natureza (physis) é o que é, e nós, de passagem, por instantes fitamos o infinito.

O ideal seria que, recusando naturalmente o grotesco, o desmedido e o desarmonioso, fizéssemos uso do “lógos” (ratio) com qual fomos dotados, priorizando a Bondade, a Beleza e a Justiça, como rogou o maior filósofo de todos os tempos.

Corajosos, que nos erguêssemos por Justiça! Que não tivéssemos medo de dizer o que pensamos, pois essa é a condição do escravo; que manifestássemos nossas opiniões – bem fundamentadas, calcadas e lúcidas –, mas que, antes de criticar aos demais, expiássemos (com “x” mesmo!) nossas próprias fraquezas.

A fim de combater nossa vã glória (vanitas), perfeito seria se recordássemos que a decrepitude e a morte são mesmo inevitáveis. E que não fôssemos tão invejosos quanto a boa Fortuna alheia, pois como diz o provérbio: “Até nas flores vê-se a diferença de sorte, umas enfeitam a vida; outras enfeitam a morte”. E, quanto à ganância, lembrássemos de que nunca teremos o suficiente daquilo que não precisamos.

Que sentíssemos entusiasmo, felicidade e gratidão pela vida –, uma dádiva! –, compreendendo que a Fé, âmbito privado de cada alma individual, é mesmo um espanto para a razão!

Independente de todo esse ideal, boa bússola é a que roga que não devemos fazer aos outros o que não queremos que façam conosco e –, o cúmulo do ideal, pois é Natal –:  que nos amemos uns aos outros, como Ele nos amou.

Os dois maiores filósofos da Antiguidade: Platão, segurando sua obra “Timeu” (sobre o Cosmos), aponta o dedo para o alto, chamando a atenção para o mundo das ideias. E, Aristóteles (manto azul), discípulo de Platão, com sua mão apontando para o chão carrega a “Ética [a Nicômaco]”, chamando a atenção para realidade. Detalhe da obra “A Escola de Atenas” (1509/11), do renascentista Rafael Sanzio. Museu do Vaticano, Roma.
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Desejo que em 2017 a Ideia de perfeição (ideal) seja, na medida do possível, perseguida e alcançada, posta em prática. Boas Festas!


É o Belo, é a contemplação da beleza que nos leva a filosofar. Dedicado ao meu Amor, Marcelo Lamy, que hoje aniversaria. Parabéns! Que o Olimpo nos conceda o destino de Filemôn e Baucis.



1 de nov de 2016

O mito como fundamento da moral - Parte II

"Como um anjo caído, fiz questão de esquecer, que mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira”. Quase sem querer. Legião urbana. 

No artigo anterior (AQUI), discorremos sobre de que modo o homem primitivo estabeleceu uma relação entre os movimentos dos astros e os fenômenos meteorológicos e, de como, através de uma das funções predominantes da psique –, a imaginação afetiva – formou o sentido alegórico da natureza (physis), tomando-a como forças ativas intencionais a atuar propositalmente, ora o favorecendo, ora o prejudicando.

Compreender e submeter-se a esses fenômenos exteriores garantiu-lhe sobrevivência física. No entanto, diferente do visível cortejo dos astros pela abóbada celeste e de seus – relativamente previsíveis – efeitos na natureza, o que motiva as ações humanas – e aqui adentramos no terreno interno da psique – não é de tão fácil percepção sensorial (através dos sentidos).

Do ponto de vista psíquico, afirmar a possibilidade de prevermos um impasse ou conflito em nossa consciência, significa admitir que, mesmo no homem primitivo, já existia uma espécie de observação íntima, de conversa com “seus próprios botões”.

Nesse encontro consigo mesmo, que é a observação íntima, o homem afere suas intenções pois, pressente que o que sustenta as suas ações (sejam elas sensatas ou não) são suas motivações.

Quanto à qualidade moral dessas motivações, o estudioso da psique, Paul Diel, afirma que já havia sim, uma suspeita pré-consciente de autoria, suspeita essa habitualmente negada, sinal de que se encontra sobrecarregada de vergonha. 

Será à partir da análise desse sentimento de vergonha sobre nossas atitudes e suas motivações – que pode ser de sublimação OU de recalque –, que desenvolve-se a psicologia humana.

Toda a simbolização presente na narrativa de um mito [a saber, da existência de uma força ativa intencional proveniente de uma divindade e seu sentido oculto] encerra-se na análise do valor dessa confissão.

Sabemos que, mesmo sem nos darmos conta, cada um de nós, ao longo da vida, incessantemente, faz uso de uma espécie de observação íntima de nossas motivações e que essas nem sempre são dignas e virtuosas. 

Elementar que essa automática observação íntima não seja em si mesma, vergonhosa, apenas constitui-se num fenômeno biologicamente adaptativo como o instinto.

Essa observação íntima, onde o homem se coloca como réu e juiz de suas motivações ocultas, substitui a segurança do puro instinto animal, uma vez que não poderíamos subsistir se não atentássemos – incessantemente – para a intenção que subjaz a todas as nossas atividades, seja para controlar nossas próprias ações, seja para projetar na psique dos demais, os conhecimentos adquiridos em relação às motivações deles, objetivando prever e interpretar suas intenções, buscando um meio de nos impor e de nos defendermos.

Ocupamos a maior parte de nossas vidas perscrutando e interpretando, tanto as nossas próprias motivações (introspecção pessoal) quanto as motivações dos demais (introspecção projetiva).

Por deter um caráter automático e incontrolável, essa secreta introspecção-interpretação é frequentemente mórbida e o estudioso alerta que “(…) para orientar-se na vida, o homem deve evoluir em direção à lucidez sobre suas intenções secretas (...)”.


Convém atentarmos a esse imperativo – o de dever evoluir em direção à lucidez sobre nossas intenções secretas – porque, à nossa natureza biológica e adaptativa acrescenta-se algo que escondemos, muitas vezes, até de nós mesmos: um caráter mentiroso e deformador que acaba causando uma vergonha secreta, vergonha essa absolutamente susceptível de vir a ser recalcada ou sublimada, espiritualizada.

Confessar nossa mentira a nós mesmos, sublimando-a, é espiritualizar-se. No entanto, o caminho do recalque é, de longe, a reação mais frequente, pois nosso amor-próprio nos obriga a esconder nossas verdadeiras e inconfessáveis motivações.

Repudiamos sentimentos tais como inveja, ódio, mágoa, ressentimento, etc., e ornamo-nos de motivações carregadas de uma sublimidade mentirosa: “Digo isso para seu bem!”, nos apressamos a reiterar, ocultando recalque.

Paul Diel afirma que as consequências de evadir-se desse exame de consciência são desastrosos para a harmonia psíquica, pois se as motivações são falseadas, as ações também o são e, em consequência disso, advém nossos sofrimentos (até os físicos!). Desses sofrimentos e da necessidade de ultrapassá-los nos falam os mitos, sobretudo os épicos, de superação.

Talvez o único meio de se conseguir evitar ou, ao menos de minimizar o sofrimento, a dor da alma (psique), seja promover a reparação da interpretação errônea das motivações. E a própria “natureza” da psíque previu esse paliativo.

Ao amor-próprio, por exemplo, que reprime efetivamente as verdadeiras motivações, corresponde uma emotividade que se opõe à mentira orgulhosa em relação a si mesmo, que constitui um erro vital, uma falta essencial do homem.

Angustiante, a emotividade culposa adverte sobre a ruptura da integridade por conta das motivações falseadas, além de, constituindo um pressentimento de erro, ela, a culpabilidade contém necessariamente, a previsão (ainda que obscura) de uma direção sensata da vida. Sendo assim, a culpabilidade é o germe de uma orientação em direção ao sentido da vida. 

Esse “sentido da vida” só pode ser o contrário perfeito da angústia culposa (gerada pela ruptura da integridade intrapsíquica), esse satisfatório “sentido da vida” é a alegria que surge pela harmonização das motivações e de ações decorrentes, é o que culmina em paz, sem a qual não se alcança a tão almejada felicidade.

Necessária, a angústia culposa (espécie de aplicativo com o qual nossa consciência foi dotada) nos adverte sobre a perda da alegria, um pesar que exige seu próprio corretivo, exigência essa, detectada através da observação íntima.

A instância supraconsciente desencadeia o combate heroico que supera esse erro, essa “falta”, a saber, a mentira sobre nossas motivações, seu incessante cálculo de justificativa – recalque – que ousa escamotear o que orienta nossas ações. Negando-nos a encarar a nós mesmos, sofremos.

Sendo assim, a instância supraconsciente é o centro de onde emana a imagem mítica do sentido da vida, o símbolo que representa o que entendemos como sendo harmonia, alegria, concórdia, paz e felicidade.

Espelha-se, mas não é necessariamente o resultado de uma prescrição de ordem sobrenatural: ajo com sensatez, verdade e justiça porque há um “deus” (imperativo externo) que assim o determina, recompensa ou castiga.

Ajo com sensatez, verdade e justiça porque optando por viver assim me sinto bem (imperativo interno), minimizo os riscos de angústias e sofrimentos, sussurra nossa consciência. Pautemo-nos por nobilitantes motivações, pois até a natureza conspira a favor de nossa felicidade. 

Confira abaixo trechos de meu Curso de Mitologia Greco-romana.
 


Luciene Felix Lamy

mitologia@esdc.com.br

8 de out de 2016

Curso de Mitologia Grega na Pinacoteca

PINACOTECA BENEDICTO CALIXTO

10 | NOVEMBRO | 15 ÀS 18H

O point + cult de SANTOS! 

 Pinacoteca Benedicto Calixto pelo fotógrafo Nilo Piccoli.




Intervalo de aula, no Café Bistrô Calixto (imagens abaixo).




Confira, abaixo, alguns trechos de nosso Curso de Mitologia:


MATRÍCULAS - email: mitologia@esdc.com.br

1 de out de 2016

O mito como fundamento da moral - Parte I

 
Quando, como, onde e por que começamos a manifestar gratidão e rogar por bençãos divinas?

A psicologia moderna viu-se obrigada a fixar sua atenção nos mitos e constatar que eles contém uma significação de ordem psíquica cujo alcance revela-se profundo, atemporal. 

Encontramos nos primevos relatos mitológicos significações do tipo cósmico, meteorológicos e agrários e, sobre esses últimos, os mitos remetem aos movimentos dos astros e sua observável influência sobre fenômenos (estações anuais, tempestades, inundações, etc.), que favoreciam ou não nossas condições de vida.

Decisiva, essa criação mítica teve início quando as tribos nômades se fixaram e, reféns da regularidade (e previsibilidade) dos fenômenos cósmicos e meteorológicos que influíam nos ciclos agrícolas, garantiu-lhes sobrevivência.


Sendo assim, a imaginação afetiva tornou-se função predominante na psique primitiva, incitando os antigos a tomar esses fenômenos cíclicos – ora benéficos, ora hostis – como forças ativas intencionais.

Fora então essa imaginação afetiva que, personificando a “phýsis” (natureza) como divindades que se empenhavam em favorecer ou prejudicá-los (a aurora, a chuva fecundante e o despontar da primavera, por exemplo), eram recebidos como dádivas dos deuses, aos quais consagravam gratidão ou apelos.

No entanto, se os mitos não passassem de imaginação afetiva, fruto de preocupações utilitárias, seu sentido oculto seria tão somente – como atesta o estudioso Paul Diel – alegorias infantis em conformidade com o entendimento rudimentar de uma psique primitiva. E o interesse nessas “fábulas” seria unicamente de ordem histórica, uma vez que toda essa “ingenuidade” deu origem às criações artísticas que documentam hábitos e costumes ao longo da evolução humana.

Em alusão aos conflitos humanos, a psicologia reconhece os combates míticos como pano de fundo, no entanto, trata-se de uma forma de interpretação sutil, tal qual a própria natureza dos mitos. 

Sem dúvida, os movimentos dos astros (ciclos solares e lunares), representados enquanto luta entre divindades benéficas e maléficas, não tem somente consequências de ordem utilitária, como dissemos acima. Isso porque a imensidão desses fenômenos contrasta [e ultrapassa] a breve duração de vida humana para que a alma primitiva tivesse condições de evitar colocar-se a questão essencial que visa ao mistério da existência: “De onde vem o mandato que faz que o ser humano seja chamado a viver no meio dessa imensidão que o apavora e que, no entanto, o acalenta; e o que lhe sucede depois de sua morte?”. 

Ao longo da vida, a súplica dirigida à toda natureza divinizada ganha sentido somente se o próprio homem, por seu trabalho e disciplina, ou seja, através da ação consciente e dirigida, consegue preencher as condições específicas que podem tornar útil a fertilização do solo e a criação de seus rebanhos. 

E assim, mostrando-se dignos do favorecimento concedido pelos deuses, denominados “imortais” (cuja instância preside a vida humana de geração em geração), os “mortais” alcançaram esse intento, a saber, o de uma subsistência satisfatória.



É sabido que, à época do desabrochar das culturas agrárias, a psique humana evoluiu em direção a uma complexidade muito mais ampla do mero primitivismo alegórico do cosmos: “A imaginação não é somente afetiva e divagadora, mas também é expressiva e simbolizadora, assim, tornamo-nos capazes de criar símbolos, que são imagens de significação precisa, tendo por objetivo exprimir o destino do homem.”. 

À partir disso, dessa imaginação que expressa e simboliza conferindo às imagens significações precisas, abre-se à psique a contemplação do plano metafísico e, à atividade e ação humana, o plano moral, pois incluídos nessa simbolização está o próprio homem, suas aspirações (desejos, vontades), seu destino. 

Considerando que a aspiração do homem e a benevolência da natureza divinizada (como outrora imaginamos Zeus ou Athena, por exemplo) fundem-se numa mesmíssima sublime e nobre intenção, portanto, comum (realizando desse modo seu encontro no interior de um mesmo plano simbólico), o homem, ao purificar sua aspiração (almejando a Justiça, por exemplo) pode atingir o ideal representado pela divindade. 

O destemido herói é, simbolicamente, elevado ao status de divindade; e o símbolo divindade, por sua vez, pode tomar a forma humana e vir a visitar os mortais. 

Por correspondência: “As divindades, que antes representavam forças [imutáveis, eternas, imortais, ideais] astrais, transformaram-se na imagem idealizada da alma humana e de suas qualidades”. A criação de mitos que relatam as aventuras dessas divindades humanizadas ultrapassam em muito as antigas alegorias relativas à sobrevivência, mas permanecem, entretanto, co-determinadas pelo quadro da antiga significação cósmica ou meteorológica ao qual pertenciam inicialmente, afirma o estudioso. 

Assim, por exemplo, Zeus lança o raio, o que é, no plano da significação meteorológica, uma simples alegoria. Essa alegoria torna-se um simbolismo ao incorporar uma significação de alcance psicológico: Zeus torna-se o símbolo do espírito, e o raio por ele lançado passa a simbolizar o esclarecimento do espírito humano, o pensamento iluminador (a intuição), imaginado como enviado pela divindade.

Convém atentar ao fato de que a significação simbólica que substitui o sentido alegórico é de ordem psicológica pelo fato de que sustenta a atividade intencional das divindades antropomorfizadas.


Nesta imagem, Zeus e Hermes (Júpiter e Mercúrio) visitam o pobre casal de idosos, Filemon e Báucis.

Visto que as intenções simbólicas das divindades apresentam-se tão somente como a projeção das intenções reais do homem, cria-se uma corrente de obrigações entre o homem real e o símbolo “divindade”, amalgamando criador e criatura. 

O homem se encontra, em função do efeito de retração de sua própria projeção idealizante, como que “convidado” a participar (através de seu combate heroico) da luta travada pelas divindades benevolentes para alcançar, tanto seu bem-estar quanto seus ideais, explicitados nos virtuosos atributos conferidos ao “divino”. 

Sendo assim, as antigas fabulações referentes à “luta” da natureza (estações do ano, sol, lua e demais cortejo a favorecer ou não o florescimento), que são divindades antropomorfizadas, só existem em função do homem e suas necessidades.
Porém, estas necessidades, por estarem de acordo com as intenções ideais cujo símbolo é a divindade, não concernem mais somente às utilidades exteriores da vida, a saber, a mera sobrevivência física, elas se referem cada vez mais a uma satisfação essencial cara a todos nós: a disciplina na ação e a harmonia dos desejos, que acompanha a orientação sensata da vida. 

Esta satisfação essencial, enfim, a felicidade, dádiva última da divindade, realiza-se através da ação que promove a atividade utilitária, MAS também encontra-se determinada pelas intenções (purificadas ou desordenadas), pelos desejos secretos, diante dos quais a divindade torna-se (simbolicamente) o juiz e o distribuidor da recompensa e do castigo. 

Uma vez que as intenções desordenadas desencadeiam a hostilidade dos homens entre si – imperfeitos, reais e mortais –, produzindo os males terrestres, a purificação das intenções são impostas ao homem pela divindade tal qual ele a enxerga simbolicamente: perfeita, ideal, imortal.

Conscientes ou não, a psique que aspira ao ideal de virtude –, a do herói, por exemplo – deve combater as intenções impuras que, em última análise, são representadas por males, mazelas e monstros a serem vencidos.

Assim, a representação mítica, que na origem primeva detinha-se basicamente na garantia da vida, termina por exprimir conflitos intrapsíquicos da alma humana.

Que conflitos são esses e como ultrapassá-los, é do que trataremos em nosso próximo artigo.

Retorno de Perséfone (Prosérpina) à sua mãe, Demeter (Ceres), acompanhadas de Hermes (Mercúrio), pois somente à mente é permitida a entrada no Reino de Hades (Reino dos Mortos), por Frederick Leighton.

Por ora, simbolizando a imortalidade através da Primavera, rejubilemo-nos pela alegria da deusa da agricultura, Deméter (Ceres) em festa com o retorno de sua filha Perséfone (Prosérpina) do reino de Hades (dos mortos).

luciene felix lamy
email - mitologia@esdc.com.br 

1 de set de 2016

Judite e Holofernes - Beleza, virtude, astúcia e Fé



É impressionante a estatura moral desta obra do Antigo Testamento – literária, se assim insistirem os ateus – em termos de arquétipos éticos e políticos alicerçados na crença em uma JUSTIÇA divina. 

No “Livro de Judite”, que narra o cerco à cidade de Betúlia a mando do rei dos assírios, Nabucodonosor, através de seu temido general Holofernes, encontramos a beleza e a astúcia feminina – guiada pela sabedoria – a serviço do Bem.
Por Michelangelo Merisi da Caravaggio (1598), na Galleria Borghese, em Roma.

O épico bíblico (século II a.C.) relata as aventuras da bela, digna e rica viúva chamada Judite (judia) que salva seu povo da ameaça de um terrível inimigo.

Após enviar seus mensageiros conclamando todos a submeterem-se ao seu poder e vê-los chegar de mãos vazias, Nabucodonosor jura vingança e, chamando o chefe de seus exércitos, Holofernes, ordena que ele marche contra os que desprezaram suas ordens.

Assim, impiedosamente, a tropa de Holofernes, por onde passava, arrasava e apoderava-se dos bens que saqueavam, passando a fio de espadas os que lhe opunham resistência, tornando-se sinônimo de terror para todos, que entregavam à ele tudo o que possuíam: “Doravante, tudo o que nos pertence está nas tuas mãos. Nós e os nossos filhos, somos teus escravos.”.

Também os magistrados recebiam-no com coroas e archotes. No entanto, nem mesmo a rendição abrandava a ferocidade de tal exército.

Segundo o relato, assombrados com a aproximação de Holofernes, os filhos de Israel cercaram suas cidades com muros, armazenaram trigo e se preparam para o combate: “Lembrai-vos de Moisés, servo do Senhor.”.

Holofernes foi avisado da intenção deles em resistir e, furioso, quis saber todos os detalhes sobre esse povo. Foi então que Aquior, chefe dos amonitas, disse a ele: “Este povo é da raça dos caldeus. (…) Oprimidos pelo rei do Egito, e forçados a trabalhar (…), clamaram ao seu Senhor, o qual feriu toda a terra do Egito com vários flagelos. Eles fugiram, e o Deus do céu abriu-lhes o mar e eles atravessaram a pé enxuto (…).”.

Indignado, Holofernes quis matá-lo: “Já que nos predisseste que o povo de Israel será defendido pelo seu Deus, vou mostrar-te que não há outro deus fora de Nabucodonosor.”.

Ordenou aos seus homens que prendessem Aquior e o levassem a Betúlia, deixando-o nas mãos dos filhos de Israel, que encontraram-no amarrado e conduziram-no para a cidade.

Betúlia era governada por Ozias, da tribo de Simeão. E estando Aquior, agora no meio dos anciãos, referiu tudo o que respondera quando fora interrogado e como Holofernes o quis matar por ele ter falado daquela maneira [a saber]: “O Deus do céu é o defensor dos filhos de Israel”.

Após essa declaração de Aquior, todos rezaram: “Senhor, Deus do céu e da terra (…). Mostrai que não abandonais aqueles que confiam em Vós.”.

Ozias hospedou Aquior e ofereceu-lhe uma grande ceia. Depois, convocou todo o povo, e oraram, durante toda a noite, pedindo socorro ao Deus de Israel.

Holofernes descobriu a fonte de água que corria por meio de um aqueduto até Betúlia e mandou cortá-lo. Depois de 20 dias, o povo perecia de fome e sede.

Todos reuniram-se e disseram a Ozias: “Deus seja juiz entre nós e ti, pois, recusando a negociar a paz com os assírios, és o causador desses males. (…). Agora, entreguemo-nos voluntariamente, é melhor viver no cativeiro e bendizer ao Senhor, do que morrer, vendo morrer sob nossos olhos as nossas mulheres e os nossos filhos.”.

Banhado em lágrimas, Ozias disse que, se depois de 5 dias não chegasse nenhum socorro, se renderiam. Quando soube que Ozias havida fixado prazo para rendimento da cidade, Judite, a bela viúva, muito rica (seu marido deixou-lhe numerosos criados, fartos rebanhos de bois e ovelhas), que todos estimavam por seu temor a Deus e da qual ninguém jamais falara mal, concebeu um plano.

Manifestando sua indignação aos anciãos, rogando que declinassem dessa decisão, afirmou que era necessário rogar pela misericórdia divina. Após concordarem, ela os avisou que sairia com sua criada e que em cinco dias retornaria.

Preparando-se para a empreitada que arquitetou, orou: “Fazei, Senhor, que o orgulho desse homem seja cortado com a sua própria espada. (…). Os soberbos sempre Vos desagradaram, e sempre aceitastes as preces dos mansos e humildes.”. 

Dos pés à cabeça, trajando-se e ornando-se como muito esmero, rumou ao acampamento de Holofernes. Quando a patrulha a deteve, esclareceu que, por discordar da resistência de seu povo, decidiu desertar e revelar os segredos de como subjugá-los sem uma só perda a seu exército.

Deslumbrados diante de tanta beleza e eloquência, levaram-na à tenda do general, que ficou extasiado por indescritível formosura. Diante dele, Judite fez-lhe uma profunda reverência.

O temido Holofernes a tranquilizou, encorajando-a a dizer por que razão abandonara os seus. Foi então que ela argumentou que, estando Deus ofendido por seu povo, esse está entregue à derrota certa e que por isso anseia por juntar-se a eles, jurando fidelidade a Nabucodonosor.

Essas palavras o agradaram muito. Judite pediu – e ele consentiu – que ela tivesse passe livre para sair com sua criada quando quisessem para rezar ao seu Deus. Com o coração ardendo de paixão por ela, pediu a Vagao, seu eunuco, que persuadisse a judia a consentir voluntariamente a coabitar com ele. No 4º dia ofereceu um banquete e, nessa noite, bebeu vinho como nunca.

Após todos se retirarem e Holofernes adormecer profundamente, Judite orientou sua criada a ficar de sentinela enquanto, tomando a espada, aproximou-se, cortou-lhe a cabeça e entregou-a à criada, para que a metesse num saco. Depois, ambas saíram como de costume, como se fossem fazer orações.

Por Pietro Benvenutti (1769-1844), no Museu Nacional de Capodimonte, em Nápoles.

Chegando às portas de Betúlia, a judia gritou aos sentinelas: “Abri as portas, porque Deus está conosco, e manifestou o Seu poder em Israel.”. Toda cidade correu ao encontro dela, que tirando o troféu do saco, ostentou-o, dizendo: “Eis a cabeça de Holofernes, general do exército dos assírios (…). Louvai-O todos porque Ele é bom, e eterna a Sua misericórdia.”.

Incrédulo, Ozias proferiu: “Bendito seja o Senhor, criador do céu e da terra, que guiou a tua mão Perante os sofrimentos e a angústia do teu povo, salvaste-nos da ruína na presença do nosso Deus.”.

Penduraram a cabeça de Holofernes no alto das muralhas. Ao verem que fora decapitado, o pânico apoderou-se de sua tropa: “(…) e todos eles perderam a razão e o siso”.

Fugiram, mas muitos foram perseguidos e mortos. Seus despojos foram entregues à Judite: “Tu és a glória de Jerusalém, tu és a alegria de Israel, tu és a honra de nosso povo; porque te portaste com alma viril e coração valente; amaste a castidade e não quiseste, depois da morte de teu marido, conhecer outro homem; por isso o Senhor confortou-te, e serás eternamente bendita!”.

Judite viveu 125 anos e durante toda sua vida, e muitos anos depois da sua morte, não houve ninguém que perturbasse a paz de Israel.

Dedicado à magnífica cantora Fortuna, cuja bela voz inebria e enleva a Alma.


Disponibilizo + de 100 (cem) obras de arte retratando “Judite e Holofernes” em nossa Página no Facebook, para acessá-las, basta clicar no link ao lado.


Luciene Felix Lamy

Professora de Filosofia e Mitologia Greco-romana da Galleria Borghese, Roma.

E-mail: mitologia@esdc.com.br

27 de ago de 2016

Curso de Mitologia Greco-romana em Santos


O Instituto Histórico e Geográfico de Santos (IHGS) realiza dias 1 e 2 de setembro (5ª e 6ª feira), das 15 às 17h, o Curso de Mitologia Greco-Romana com a professora Luciene Felix Lamy.
As inscrições podem ser feitas pelo telefone (13) 3222-5484 ou pelos e-mail's: ihgs@ihgs.com.br ou mitologia@esdc.com.br. 

A taxa é de R$ 50 e inclui apostila e certificado. 

O IHGS fica na Avenida Conselheiro Nébias, 689, Boqueirão - Santos, SP
Fonte original da notícia - Jornal da Orla, AQUI.

1 de ago de 2016

FAMA (inveja) e DIFAMAÇÃO


"A vaidade alheia só incomoda quando esbarra na nossa". Leandro Karnal 

A etimologia da palavra “fama” talvez elucide uma das razões pela qual tantos a perseguem. Em grego “phannum”, significa sagrado e podemos interpretar “phanaí” como sendo o dizer, o expor, o revelar, divulgando, portanto, trazendo a público alguma mensagem de cunho divino.

Em latim, “fáma”, quando boa, juntamente com poder e prestígio, constituía um dos três elementos a ser considerado para aferir o status de um indivíduo. Obviamente, quem detém fama torna-se famoso. 

No entanto, atentemos que a fama – enquanto notoriedade pelo que se traz à público – é dissociado, ou seja, independe de julgamento moral (certo/errado), pois Hitler, por exemplo, foi e é, até hoje, muito famoso.

O eclético panteão de divindades greco-romanas elucida o porquê de perversidades e vilezas também promoverem fama (a má fama!), permitindo a profanação (fora do fannum) dos costumes (mores), pois nem todos os deuses primam pela ordem e a virtude.

Assim, por darem visibilidade a entidades como Éris (deusa da discórdia), a um Dioniso (festivas desordens, o caos e o bacanal) e até mesmo a Ares (Marte), o violento deus da guerra, nos deparamos com registros, postagens e compartilhamentos de imagens e vídeos de decapitações, estupros coletivos e de outras atrocidades deploráveis, o que comprova a heterogeneidade das deidades.

Sabemos que a internet democratizou a fama (boa e/ou má), que carrega em seu bojo a possibilidade concreta e real de propagação imediata do que quer que seja.


E, na atual frenética Idade Mídia, uma assanhada, celerada e acelerada horda de bárbaros busca e faz jus à fama, como apropriadamente nos alertou o filósofo italiano Umberto Eco (1932-2016): “As mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade (…) agora eles têm o mesmo direito à fala que um ganhador do Prêmio Nobel.”.

Sem dúvida, o fato da fama estar ao alcance de todos não significa que seja – necessariamente – por por uma razão nobre, salutar e, portanto, algo que se deva perseguir (ou seguir) cegamente, a todo e qualquer custo; sem falar que a fama tem seu preço: o risco de ser denegrido.

Fama torna alguém famoso e, por suscitar inveja, alvo fácil de difamação. Já discorremos sobre a terrível inveja em nosso artigo sobre “Os Sete Pecados Capitais”, publicado AQUI, e no jornal jurídico Carta Forense. Detenhamo-nos, então, à questão da difamação.


Difamar, do latim, “diffamare”, é tirar a fama, é acusar alguém (com ou sem fundamento) de forma ofensiva contra sua honra e sua reputação com a intenção proposital de desacreditá-la diante da opinião pública, mesmo que para isso valha-se da calúnia, da mentira e da fofoca (sussurratio, uma das filhas da inveja).

Para que alguém venha a ser alvo de inveja e, consequentemente de más línguas (talvez devêssemos dizer más falanges nos teclados e/ou nas telas), basta que obtenha destaque em alguma esfera ou instância da vida, pois sem proeminência em algo (inteligência, beleza, eloquência, riqueza, talentos, virtudes ou a prosaica e genuína felicidade) não há o que difamar.


Alguns acadêmicos brasileiros têm-se valido da internet e suas múltiplas plataformas para propagar e disseminar conhecimentos sobre as ideias e ideais de renomados filósofos, artistas, literatos e intelectuais de referência, conquistando uma legião de seguidores, alcançando fama, tornando-se famosos.

Dentre esses, podemos citar os professores universitários Clóvis de Barros Filho, Leandro Karnal, Luiz Felipe Pondé e Mario Sérgio Cortella, só para mencionar alguns doutores que tem encontrado na mídia uma forma de arregimentar muitos fãs atentos e gratos aos seus ensinamentos.

São vaidosos? Sim. Apreciam e capitalizam sobre a fama? Sim, e como concluiu o poeta romano Terêncio (195/185 – 159 a.C.): “Homo sum: nihil humani a me alienum puto (Sou homem: nada do que é humano me é estranho).”. 

Surpreende é que até mesmo esses indivíduos, independente do quanto tenham se dedicado aos estudos, se esforçado para a obtenção de suas titulações e se empenhado em suas carreiras acadêmicas, sejam alvos de inveja e, consequentemente, de difamação.

Eles também tem sido vítimas de descabidas e covardes maledicências e são incessante e grosseiramente difamados por anônimos (ou nem tanto) que insistem em lhes comprometer a boa reputação, acusando-os de serem rasos, superficiais, repetitivos. Como bem observou um deles, profira cinco palestras sobre ética a públicos diferentes e constatará que não há como não ser um tanto repetitivo. 

Mesmo quando lhes atacam por posturas ou convicções políticas, o fazem não argumentando quanto às ideias, tampouco de forma cortês, mas com impropérios e ofensas, desvirtuam o debate e focam no ser humano que, a despeito de tantas adversidades que todo professor carrega, se propõe a transmitir e defender de forma honesta – muitas vezes apaixonada – suas ideias.

Para seus pares, talvez não haja mesmo novidade no que trazem e, os clássicos aos quais se referem soe como “coleção primeiros passos” para os profundos estudiosos da ciência de Platão. 

No entanto, o conteúdo que –, para os demais acadêmicos pode não passar de “beabá” ou mero “verniz” –, para a grande massa de curiosos em torno de seus saberes, está sendo transmitido de forma encantatória (eis o mérito!) e isso tem seu valor.


É consenso que no mundo de hoje, talvez mais que em qualquer outra época, urge que as pessoas sejam despertadas, que se espantem e se embrenhem na busca e conquista de conhecimentos que lhes possibilite o desenvolvimento do pensamento crítico.

Contarmos com mestres que ousam fazer essa ponte – entre a cultura erudita e o público leigo – é uma dádiva que jamais deveria ser desprestigiada.

À todos, sobretudo aos que os invejam (“humano, demasiado humano”, como diria o filósofo alemão Friedrich Nietzsche), a mídia tradicional dispõe de diversos veículos (TV, rádio, jornais e revistas, etc.) e a internet, de infinitas plataformas e janelas. 

A perda de tempo e o desgaste ao qual os detratores se expõem, difamando-os inútil e indignamente, poderia ser usado em algo mais eficaz: desenvolvendo e apresentando um trabalho melhor, por exemplo, ou, ao menos, tão razoável quanto o que esses professores famosos têm realizado. A coletividade, todos nós, só temos a ganhar, afinal, fama volat (do latim, a fama voa). 

Detalhe sobre a "inveja" (invidia), por Giotto di Bondone:


Confira publicações recentes sobre "Astrologia & Arte" - AQUI.

luciene felix lamy
mitologia@esdc.com.br

18 de jul de 2016

Como saber o que lhe reserva o destino?


“Astrologia é uma linguagem. Se você entender essa linguagem, 
o céu fala com você”. Dane Rudhyar

Amigos, acaba de ser publicada a entrevista que concedi sobre ASTROLOGIA, valiosa e antiquíssima ferramenta de autoconhecimento que, junto com a Filosofia e a Mitologia Greco-romana, é outra de minhas paixões!

"CONHECE-TE A TI MESMO"

O que é um mapa astral?
É o “PrintScrenn” do céu, o retrato com todas as constelações, planetas e luminares (Sol e Lua) partindo do local e no momento em que você respirou – ou melhor – inspirou, pela primeira vez que veio ao mundo. Podemos dizer, então, que seu mapa é seu RG cósmico.

O que um mapa astral revela?
Revela nossas potencialidades, as tendências (pathós), as inclinações psíquicas, expõe nossos desafios, as áreas e experiências da vida (Casas astrológicas) com as quais nos depararemos ao longo da vida e que mais chamarão a atenção para nossa evolução enquanto seres humanos.

E no que pode ser útil?
Para que, nos autoconhecendo melhor, possamos evitar forçar portas que, de antemão, já sabemos emperradas ou trancadas, enquanto conheceremos quais são as portas que sempre abertas, encontram-se à nossa inteira disposição. Sem falar dos trânsitos astrológicos, que sempre nos orientam sobre o momento que estamos vivenciando.

Como fazer meu mapa?
Pode-se encontrar excelentes astrólogos na web e, como trata-se de uma tradução (decodificação) de arquétipos, todos lhe transmitirão as mesmíssimas informações, mesmo que de forma diferente. Convém que peça indicação a quem já fez. 

Neste site AQUI, basta inserir seus dados para obter seu mapa e, caso opte por decifrar por si mesmo(a), disponibilizei os Post’s onde ensino a tradução dos posicionamentos dos astros, acesse-os clicando AQUI.
 
Divirtam-se! E, se preciso, estou à disposição!

E-mail: mitologia@esdc.com.br

Publicado originalmente AQUI.

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ESCOLHA & CLIQUE (leia no topo). Cultura faz bem ao Espírito!

Eis que a Sabedoria reina, mas não governa, por isso, quem pensa (no todo) precisa voltar para a caverna, alertar aos amigos. Nós vamos achar que estais louco, mas sabes que cegos estamos nós, prisioneiros acorrentados à escuridão da caverna.

Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República.

Eis o télos (do grego: propósito, objetivo) da Filosofia e do filósofo. Agir na cidade. Ação política. Phrônesis na Pólis.

Curso de Mitologia Grega

Curso de Mitologia Grega
As exposições mitológicas explicitam arquétipos (do grego, arché + typein = princípio que serve de modelo) atemporais e universais.

Desse modo, ao antropomorficizarem os deuses, ou seja, dar-lhes características genuinamente humanas, os antigos revelaram os princípios (arché) de sentimentos e conflitos que são inerentes a todo e qualquer mortal.

A necessidade da ordem (kósmos), da harmonia, da temperança (sophrosyne) em contraponto ao caos, à desmedida (hýbris) ou, numa linguagem nietzschiana, o apolíneo versus o dionisíaco, constitui a base de toda antiga pedagogia (Paidéia) tão cara à aristocracia grega (arístois, os melhores, os bem-nascidos posto que "educados").

Com os exponenciais poetas (aedos) Homero (Ilíada e Odisséia), Hesíodo (A Teogonia e O trabalho e os dias), além dos pioneiros tragediógrafos Sófocles e Ésquilo, dispomos de relatos que versam sobre a justiça, o amor, o trabalho, a vaidade, o ódio e a vingança, por exemplo.

O simples fato de conhecermos e atentarmos para as potências (dýnamis) envolvidas na fomentação desses sentimentos, torna-nos mais aptos a deliberar e poder tomar a decisão mais sensata (virtude da prudencia aristotélica) a fim de conduzir nossas vidas, tanto em nossos relacionamentos pessoais como indivíduos, quanto profissionais e sociais, coletivos.

AGIMOS COM MUITO MAIS PRUDÊNCIA E SABEDORIA.

E era justamente isso que os sábios buscavam ensinar, a harmonia para que os seres humanos pudessem se orientar em suas escolhas no mundo, visando atingir a ordem presente nos ideais platônicos de Beleza, Bondade e Justiça.

Estou certa de que a disseminação de conhecimentos tão construtivos contribuirá para a felicidade (eudaimonia) dos amigos, leitores e ouvintes.

Não há dúvida quanto a responsabilidade do Estado, das empresas, de seus dirigentes, bem como da mídia e de cada um de nós, no papel educativo de nosso semelhante.

Ao investir em educação, aprimoramos nossa cultura, contribuimos significativamente para que nossa sociedade se torne mais justa, bondosa e bela. Numa palavra: MAIS HUMANA.

Bem-vindos ao Olimpo amigos!

Escolha: Senhor ou Escravo das Vontades.

A Justiça na Grécia Antiga

A Justiça na Grécia Antiga

Transição do matriarcado para o patriarcado

A Justiça nos primórdios do pensamento ocidental - Grécia Antiga (Arcaica, Clássica e Helenística).

Nessa imagem de Bouguereau, Orestes (Membro da amaldiçoada Família dos Atridas: Tântalo, Pélops, Agamêmnon, Menelau, Clitemnestra, Ifigênia, Helena etc) é perseguido pelas Erínias: Vingança que nasce do sangue dos órgãos genitais de Ouranós (Céu) ceifado por Chronos (o Tempo) a pedido de Gaia (a Terra).

O crime de matricídio será julgado no Areópago de Ares, presidido pela deusa da Sabedoria e Justiça, Palas Athena. Saiba mais sobre o famoso "voto de Minerva": Transição do Matriarcado para o Patriarcado. Acesse clicando AQUI.

Versa sobre as origens de Thêmis (A Justiça Divina), Diké (A Justiça dos Homens), Zeus (Ordenador do Cosmos), Métis (Deusa da presciência), Palas Athena (Deusa da Sabedoria e Justiça), Niké (Vitória), Erínias (Vingança), Éris (Discórdia) e outras divindades ligadas a JUSTIÇA.

A ARETÉ (excelência) do Homem

se completa como Zoologikon e Zoopolitikon: desenvolver pensamento e capacidade de viver em conjunto. (Aristóteles)

Busque sempre a excelência!

Busque sempre a excelência!

TER, vale + que o SER, humano?

As coisas não possuem valor em si; somos nós que, através do nôus, valoramos.

Nôus: poder de intelecção que está na Alma, segundo Platão, após a diânóia, é a instância que se instaura da deliberação e, conforme valores, escolhe. É o reduto da liberdade humana onde um outro "logistikón" se manifesta. O Amor, Eros, esse "daimon mediatore", entre o Divino (Imortal) e o Humano (Mortal) pode e faz a diferença.

Ser "sem nôus", ser "sem amor" (bom daimon) é ser "sem noção".

A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

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O Sábio Mestre: Antonio Medina Rodrigues (1940-2013)

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Você se sentiu ofendido...

irritado (em seu "phrenas", como diria Homero) ou chocado com alguma imagem desse Blog? Me escreva para que eu possa substituí-la. e-mail: mitologia@esdc.com.br