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25 de ago de 2008

Dostoiévski - Crime e Castigo


“Se a alma é mortal e Deus não existe,
tudo é permitido?”
Aliocha, personagem "do bem" de Os Irmãos Karamazov, romance de Dostoiévski publicado em 1880 (In: Irmãos Karamázov)
.
Fiódor Dostoiévski (1821-1881) é considerado por muitos estudiosos um legítimo filósofo da religião. Crime e Castigo, sobre a qual versamos, está entre as maiores obras da literatura mundial. Com “Os irmãos Karamazóv” o autor garante sua posição de maior escritor russo, junto com Liev Tólstoi.

Nesse dramático romance psicológico, que também podia intitular-se “Pecado e Expiação”, Dostoiévski explicita sua censura ao niilismo (o nada, o vazio), a falta de sentido e de valores de sua época. Faz uma crítica mordaz ao maquiavelismo, à ganância da lógica sobre a consciência.

Em Crime e Castigo, é com esforço e privações econômicas que a família do jovem Raskólnikov se empenha para mantê-lo no curso de Direito, esperançosos em vê-lo triunfar, vencer na vida.

Órfão de pai, o estudante tem somente sua doce mãe, Pulkéria Raskólnikova e a virtuosa e bela irmã, Dúnia, distantes da pujante São Petersburgo.

Inteligente, o rapaz amealha alguns trocados traduzindo obras, dando aulas particulares e começa também a escrever artigos. Mora num cubículo insalubre, deve uma quantia considerável à locatária e, se não fosse pela boa-vontade da criada da pensão, Nastácia, passaria fome.

Interrompendo voluntariamente essas atividades, sua subsistência, cuja precariedade revelava-se também em seus trajes, abate-o de tal forma que se vê obrigado a trancar a matrícula da faculdade. Passa dias e dias inteiros prostrado em seu leito, numa melancolia profunda, maquinando um modo de transpor sua pobreza.

Disse Lutero que “cabeça desocupada é oficina do demônio”. Assim, sua mente vazia torna-se solo fecundo para que o diabo semeie os mórbidos pesadelos que o desespero produz.

Ele conhece a agiota Alena Ivánovna, a quem, por uma miséria, empenha um relógio de prata que fora de seu pai. A velha usurária sabia explorar, sem dó nem piedade, os necessitados que lhe batiam à porta.

Embora recluso e avesso às pessoas, Raskólnikov sente que o convívio com seus semelhantes lhe fará bem ao espírito. Decide então ir a uma taverna e lá conhece o bêbado Marméladov, com quem simpatiza de cara. Mesmo a contragosto, inteira-se sobre toda vida daquele senhor: contraiu segundo matrimônio com a viúva Ekaterina, já mãe de três crianças pequenas (9, 3 e 2 anos) e tem também uma mocinha de dezoito anos, Sônia, de seu primeiro casamento.

Sônia “era uma moça modesta e pobre, de maneiras honestas e humildes”, Instigada, na verdade, coagida pela madrasta, se prostitui para ajudar a alimentar os meio-irmãos e sustentar o vício do pai, Marméladov. “Ah! Sim, Sônia! Acharam nela uma boa vaca leiteira! E sabem explorá-la! Isso não lhes embrulha o estômago; já estão habituados... A princípio deitaram umas lágrimas; depois, com o tempo, veio o hábito. O homem é pusilânime [medroso, covarde, indeciso], conforma-se com tudo”.

A situação financeira dessa família é a pior possível: devem aluguéis da pocilga onde moram, mal têm o que vestir. Asseada, Ekaterina lava os andrajos à noite para ter o que pôr nos pequenos durante o dia que, às vezes, chegavam a três dias sem ver uma fatia de pão e choram de fome. Raskólnikov vem a conhecê-los pessoalmente e, generoso, não titubeia em dar-lhes seus últimos copeques.

O estudante recebe uma carta de sua zelosa mãe com a notícia de que Dúnia, a adorada e distinta irmã decidiu aceitar o pedido de casamento de Piotr Petróvitch Lujin que, no alto de seus 45 anos, é um advogado bem colocado na vida. Ao ler na carta que o pretendente “(...) estava resolvido a não casar senão com uma menina honesta, sem dote, e que tivesse tido privações. Na opinião dele é para desejar que o homem não deva obrigações à esposa; antes é conveniente que ela veja no marido um benfeitor” é despertado em Raskólnikov um ódio mortal por esse oportunista tão ardiloso e vil.

Raskólnikov não se enganara! Dostoiévski descreve as idéias do noivo: “Com prazer secreto ruminava no pensamento a figura de uma moça – virtuosa, pobre (devia ser pobre), jovem, bela, de boa condição social e instrução, tímida, que muito sofrera e fosse humilde em relação a ele, uma que o olhasse o resto da vida como o seu salvador (...) a beleza e a instrução de Dúnia o impressionaram (...). Estava retratada nela a moça de brio, caráter, virtude, de instrução e polidez superior à dele (ele o sentia), e esta criatura sentir-se-ia submissamente agradecida a ele, para o resto da vida (...), ele teria absoluto e irrestrito domínio sobre ela. (...). Sabia que as mulheres são grandes auxiliares. O fascínio de uma mulher encantadora, virtuosa e polida podia tornar o caminho mais fácil, graças ao poder de atrair pessoas; por outro lado, cercava o marido de uma auréola”.

Conhecedor dos nobres valores da irmã (“A sua liberdade, a sua alma, eram-lhe mais caras do que o bem-estar”), essa decisão embaraça-o mais ainda: “Ora, o motivo é bem claro; não procede em proveito próprio. Para conseguir o seu bem-estar ou para escapar à morte, é certíssimo que ela não se venderia; mas vende-se por outra pessoa, por um ente querido, adorado! Eis a explicação do mistério: é por nós, por mamãe e por mim, que ela se sacrifica. Vende-se completamente! Oh! Nesse caso violenta-se o senso moral; leva-se ao mercado a liberdade, a paz, a própria consciência, tudo, tudo! (...) Mas isso que elas vão fazer se assemelha a aceitar a sorte de Sônia, a eterna Sônia, que há de existir enquanto houver mundo! (...) Pois bem, se não pode haver amor, nem estima (...), em que difere esse casamento da prostituição? Mais desculpa tem a Sônia; essa se vendeu não para aumentar um certo bem-estar, mas porque via a fome, a verdadeira fome, portas adentro!”. E vale dizer que, se Sônia se via obrigada a negociar o corpo, jamais corrompera sua alma.

Em meio a tudo isso, há mais de um mês uma obsessão tomava por completo os pensamentos de Raskólnikov: assassinar e roubar a velha agiota, resolvendo de vez seu problema! Isso lhe martelava a cabeça o tempo todo, de modo cada vez mais insistente.

Uma teoria à qual se detia com freqüência era a de que, no mundo, havia duas categorias de homens: os ordinários e os extraordinários. Raskólnikov começa a se imaginar um desses homens extraordinários, acima do bem e do mal, acima da lei!

Doentio, como não pensava em outra coisa, elegendo um machado por arma do crime, comete um duplo homicídio: o premeditado, da velha e o da irmã dela, Lisavieta (Isabel), por quem é inesperadamente flagrado. Rouba dinheiro e jóias. Mas o tormento o persegue e não permite sequer que se atenha ao conteúdo do roubo. Esconde-o embaixo de uma pedra.

Raskólnikov está tão desnorteado que não consegue mesmo afastar-se do inteligentíssimo juiz de instrução do crime, Porfíri Petróvitch que, observador, já começara a desconfiar do comportamento do rapaz. Para esse astuto juiz, o criminoso se revela por sua conduta. A natureza não falha, aposta ele.

Começa então um imperdível jogo de gato e rato entre eles. Num dos encontros que tiveram, Porfíri Petróvitch, comentando o que Raskólnikov publicara, diz: “No artigo de que se trata, os homens são divididos em ordinários e extraordinários. Os primeiros devem viver na obediência e não têm o direito de desrespeitar a lei, porque são ordinários; os segundos têm o direito de praticar todos os crimes e de violar todas as leis, pela simples razão de que são criaturas extraordinárias. Foi isso o que o senhor disse, se não me engano”.

Raskólnikov responde: “Eis o que disse: o homem extraordinário tem o direito não oficialmente, mas por seu próprio alvedrio [vontade própria], de autorizar a sua consciência a saltar sobre certos obstáculos, no caso especial que assim exija a realização da sua idéia, a qual pode por vezes ser útil ao gênero humano. (...). Recordo-me de que em vários pontos do artigo insisto sobre a idéia de que todos os legisladores e guias da humanidade, a principiar pelos mais antigos, para continuar em Licurgo, Sólon, Maomé, Napoleão etc., que todos, sem exceção, foram criminosos, promulgando novas leis, violando portanto as antigas, observadas pela sociedade e transmitidas pelos antepassados; certamente eles não recuavam ante a efusão de sangue, desde o momento em que ela podia ser-lhes necessária. É notável até que quase todos esses benfeitores e guias da espécie humana foram sanguinários. Portanto, não somente todos os grandes homens, mas todos os que se elevam um pouco acima do nível comum, que são capazes de dizer alguma coisa de novo, devem por sua própria natureza ser naturalmente criminosos, mais ou menos, é claro. Em suma: o senhor vê que, até aqui, não há nada de novo em meu artigo. Isso tem sido dito e impresso muitas vezes (...). Quero estabelecer o princípio de que a natureza divide os homens em duas classes: uma inferior, a dos ordinários; espécie de matéria, tendo por única missão reproduzir-se; a outra superior, compreendo os homens que têm o dever de lançar no seu meio uma palavra nova. As subdivisões apresentam traços distintos bem característicos. À primeira pertencem, em geral, os conservadores, os homens de ordem, que vivem na obediência e têm por ela um culto. Em minha opinião, são até obrigados a obedecer, porque é essa a missão que o destino lhes impõe, e isso nada tem de humilhante para eles. O segundo grupo compõe-se apenas de homens que transgridem a lei, ou tentam transgredi-la, segundo os casos. Naturalmente os seus crimes são relativos e de uma gravidade variável. Mas, se em defesa da sua idéia, forem forçados a derramar sangue, a passar sobre cadáveres, eles podem em consciência fazer uma coisa e outra – no interesse dessa idéia, é claro. É nesse sentido que o meu artigo lhes admite o direito ao crime. (O senhor lembra-se de que o nosso ponto de partida foi uma questão jurídica.) Demais não há motivos para nos inquietarmos a esse respeito: quase sempre as massas não lhes reconhecem esse direito: cortam-lhes a cabeça ou enforcam-nos (mais ou menos) e, desse modo exercem a sua missão conservadora até o dia em que essas mesmas massas erigem estátuas a esses mesmos supliciados e os veneram (mais ou menos). O primeiro grupo é sempre senhor do presente, e o segundo é senhor do futuro. Um conserva o mundo, multiplica-lhe os habitantes; o outro move o mundo e o dirige.”

O fiel e ético amigo de Raskólnikov, Razumikin, intervém indignado: “(...) Essa autorização moral de matar é em minha opinião mais espantosa do que a autorização legal...”.

Nastácia, comentando o crime que indignou a todos, revela que Lisavieta (Isabel) havia costurado, de graça, uma roupa de Raskólnikov. Lembrar-se desse comovente episódio o angustia e o faz descobrir que não é um homem extraordinário: sua consciência o trai, ele fica terrivelmente doente, febril, delirante, fraco. Sua vida se instala num inferno. Sem um minuto de paz, cogita se entregar à polícia. Mas eles (exceto o desafiadoramente enigmático juiz Porfíri) de nada desconfiam, nem têm provas. E ele recua.

Chegando aos capítulos finais da obra, Raskólnikov está irreversível e decididamente paranóico: “Como ousei derramar sangue?” (...) “Eh! Sou um verme esteta, nada mais”.

O martírio provoca-lhe conversões. Sobre o desfecho dado pelo autor, como salienta o maior especialista em Dostoiévski, Luiz Felipe Pondé (PUC-SP): “Seu otimismo – que é característico da mística ortodoxa – aparece de forma clara no final de Crime e Castigo, naquilo a que os ortodoxos chamam metanóia, um conceito grego para explicar a idéia de transformação do indivíduo a partir das contínuas visitas que Deus faz à sua alma. (...) De acordo com Dostoiévski, por mais que o indivíduo tente ser mau – a modernidade talvez consiga, mas até então não tinha conseguido –, existe uma centelha que sempre, de alguma maneira, fica atormentando a pessoa”.

Responsável pela conversão de Raskólnikov é o exemplo de santidade de Sônia. Sua graça, doçura, sua simplicidade e fé em Deus é o antídoto à desgraça, do estar distante de Deus, que cegou Raskólnikov. É a ela que ele confessa seu crime. Aos prantos, beija-lhe os pés. É com o amor dela que ele contará para subir seu calvário e cumprir sua expiação na Sibéria.

Saiba mais:

Dostoiévski, F. – Crime e Castigo. São Paulo: Editora 34, 2001.
_____. Os irmãos Karamázov. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001.
_____. Memórias do subsolo. São Paulo: Editora 34, 2000.
_____. O idiota. São Paulo: Editora 34, 2002.
_____. Os demônios.
Pondé, L.F. – Crítica e profecia – A Filosofia da religião em Dostoiévski. S.P.: Editora 34, 2003
Woody Allen – Filmes: "Crimes e Pecados", “Match point” e "O sonho de Cassandra".
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2 de ago de 2008

Darwin, Nietzsche e Freud: Deus está morto?


“Aquele que tem ciência e arte, tem também religião: o que não tem nenhuma delas, que tenha religião”. Goethe

No artigo anterior (abaixo), ao versarmos sobre ontologia (ciência do ser-enquanto-ser), constatamos que podemos “pensar” o Ser, quanto a possibilidade de “dizer” sobre o Ser, a linguagem nos impõe limites.

Os pensadores acima, legítimos representantes das “luzes”, do Iluminismo, são responsáveis por algumas das idéias mais revolucionárias e polêmicas acerca da natureza social, metafísica e fisiológica do homem.

O evolucionista Charles Darwin (1809-1882), em sua famosa obra “A origem das espécies”, discorre sobre a teoria da evolução dos seres vivos mediante a seleção natural. Darwin prova por a + b que descendemos dos primatas. Convém salientar que esse eminente britânico, embora afirmasse que religião nada mais é que “estratégia tribal de sobrevivência”, acreditava que Deus era o legislador supremo.

O filólogo e filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) bebendo nas fontes gregas em “O nascimento da tragédia”, no culto ao orgiástico e desmedido Dionisíaco, em contraponto à ordem e harmonia Apolínea, identificou tensões de forças ocultas expressas na tragédia grega, especialmente nas dos pioneiros, Sófocles e Ésquilo. Considera Homero, insuperável. Também estudou o antiqüíssimo Zoroastrismo, religião que professa que seu “deus” Ahura-mazda abarca o bem e o mal em si mesmo.

Para Nietzsche, o que há é a natureza, em sua potência energética: Apolo (ordem) em contraponto a Dioniso (caos). Uma espécie de cega, pujante e indestrutível “vontade de potência”, sempre em luta, em alternância. Um não existe sem o outro; na verdade, cada uma dessas potências (luz e escuridão), só se revela, através da outra. Nietzsche dirá que, a natureza tem seus desígnios, e a piedade não é um deles. A religião, especialmente “a do crucificado”, é a responsável por insistir na cultura dos fracos, operando uma transvaloração (inversão) dos valores tais como os dos escravos que valoram a coragem como sendo um mal. Eis que o cristão afirma: nós, os escravos, somos vítimas, somos bonzinhos; eles, os senhores, os afirmativos, são malvados, opressores, não prestam. A submissão foi transformada numa virtude chamada obediência. Disso resultará o grupo dos ressentidos. E todo ressentido torna-se venenoso.

Já o médico austríaco Sigmund Freud (1856-1939), considerado o “Pai” da psicanálise, disciplina que intenta mapear “geneticamente” a psique humana, revelou-nos o inconsciente e suas motivações; Também recorreu aos mitos e tragediógrafos gregos e, eis outro misterioso enlace matrimonial: as pulsões de Eros e Tânatos (pulsões de libido e de morte), ação e repouso, vida e destruição, sempre em conjunto. Freud afirma que o sentimento religioso de um vínculo indissolúvel, de algo ilimitado, sem fronteiras, essa sensação de eternidade, algo oceânico, por assim dizer, não passa de uma ilusão.

Para ele, todo nosso histórico biológico, encontra-se preservado em nossa vida mental, psíquica. Tal sentimento pode ser identificado acompanhando o feto no interior do útero, onde se encontra no verdadeiro paraíso, com todas as necessidades satisfeitas, em prazer imperturbável e absoluto. Dessa “memória” biológica (registrada em nosso inconsciente) deriva nossa sensação de plenitude, para onde sempre desejaremos regressar: “cada um de nós se comporta, sob determinado aspecto, como um paranóico, corrige algum aspecto do mundo que lhe é insuportável [os infortúnios, acasos do destino, a finitude, por exemplo] pela elaboração de um desejo e introduz esse delírio na realidade. Concede-se especial importância ao caso em que a tentativa de obter uma certeza de felicidade e uma proteção contra o sofrimento através de um remodelamento delirante da realidade é efetuada em comum por um considerável número de pessoas. As religiões da humanidade devem ser classificadas entre os delírios de massa desse tipo”. E acrescenta: “É desnecessário dizer que todo aquele que partilha um delírio jamais o reconhece como tal” (O Mal-Estar na Civilização).

Darwin, Marx, Nietzsche e Freud são os responsáveis pelo que a academia aponta como sendo “a morte de Deus”. Obviamente, alguns empresários de Deus e instituições religiosas sentiram-se atingidas por suas surpreendentes e perturbadoras descobertas.

Lenda de Adão e Eva, teoria do Big Bang ou quaisquer outras explicações, nada disso abala o homem de fé. Para transcendermos, “acessarmos” o inefável e sublime do Ser, cuja essência sempre escapa ao conceito e à razão, nada como a contemplação da vida, a natureza, a arte e, dentre as expressões artísticas (pinturas, esculturas, arquitetura, literatura, etc), a música é insuperável: arrebata e enleva instantaneamente. O genial Ludwig van Beethoven (1770-1827) imortalizou-se com apenas quatro notas musicais! Ciência, arte e amor, suprema religião: onde os deuses e os homens se encontram.

Saiba mais:

Ouçam o imortal Beethoven, sob a batuta do inesquecível Maestro Herbert Von Karajan.
Karajan – Beethoven Symphony No. 5 Part 1

http://www.youtube.com/watch?v=zhcR1ZS2hVo
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Eis que a Sabedoria reina, mas não governa, por isso, quem pensa (no todo) precisa voltar para a caverna, alertar aos amigos. Nós vamos achar que estais louco, mas sabes que cegos estamos nós, prisioneiros acorrentados à escuridão da caverna.

Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República.

Eis o télos (do grego: propósito, objetivo) da Filosofia e do filósofo. Agir na cidade. Ação política. Phrônesis na Pólis.

Curso de Mitologia Grega

Curso de Mitologia Grega
As exposições mitológicas explicitam arquétipos (do grego, arché + typein = princípio que serve de modelo) atemporais e universais.

Desse modo, ao antropomorficizarem os deuses, ou seja, dar-lhes características genuinamente humanas, os antigos revelaram os princípios (arché) de sentimentos e conflitos que são inerentes a todo e qualquer mortal.

A necessidade da ordem (kósmos), da harmonia, da temperança (sophrosyne) em contraponto ao caos, à desmedida (hýbris) ou, numa linguagem nietzschiana, o apolíneo versus o dionisíaco, constitui a base de toda antiga pedagogia (Paidéia) tão cara à aristocracia grega (arístois, os melhores, os bem-nascidos posto que "educados").

Com os exponenciais poetas (aedos) Homero (Ilíada e Odisséia), Hesíodo (A Teogonia e O trabalho e os dias), além dos pioneiros tragediógrafos Sófocles e Ésquilo, dispomos de relatos que versam sobre a justiça, o amor, o trabalho, a vaidade, o ódio e a vingança, por exemplo.

O simples fato de conhecermos e atentarmos para as potências (dýnamis) envolvidas na fomentação desses sentimentos, torna-nos mais aptos a deliberar e poder tomar a decisão mais sensata (virtude da prudencia aristotélica) a fim de conduzir nossas vidas, tanto em nossos relacionamentos pessoais como indivíduos, quanto profissionais e sociais, coletivos.

AGIMOS COM MUITO MAIS PRUDÊNCIA E SABEDORIA.

E era justamente isso que os sábios buscavam ensinar, a harmonia para que os seres humanos pudessem se orientar em suas escolhas no mundo, visando atingir a ordem presente nos ideais platônicos de Beleza, Bondade e Justiça.

Estou certa de que a disseminação de conhecimentos tão construtivos contribuirá para a felicidade (eudaimonia) dos amigos, leitores e ouvintes.

Não há dúvida quanto a responsabilidade do Estado, das empresas, de seus dirigentes, bem como da mídia e de cada um de nós, no papel educativo de nosso semelhante.

Ao investir em educação, aprimoramos nossa cultura, contribuimos significativamente para que nossa sociedade se torne mais justa, bondosa e bela. Numa palavra: MAIS HUMANA.

Bem-vindos ao Olimpo amigos!

Escolha: Senhor ou Escravo das Vontades.

A Justiça na Grécia Antiga

A Justiça na Grécia Antiga

Transição do matriarcado para o patriarcado

A Justiça nos primórdios do pensamento ocidental - Grécia Antiga (Arcaica, Clássica e Helenística).

Nessa imagem de Bouguereau, Orestes (Membro da amaldiçoada Família dos Atridas: Tântalo, Pélops, Agamêmnon, Menelau, Clitemnestra, Ifigênia, Helena etc) é perseguido pelas Erínias: Vingança que nasce do sangue dos órgãos genitais de Ouranós (Céu) ceifado por Chronos (o Tempo) a pedido de Gaia (a Terra).

O crime de matricídio será julgado no Areópago de Ares, presidido pela deusa da Sabedoria e Justiça, Palas Athena. Saiba mais sobre o famoso "voto de Minerva": Transição do Matriarcado para o Patriarcado. Acesse clicando AQUI.

Versa sobre as origens de Thêmis (A Justiça Divina), Diké (A Justiça dos Homens), Zeus (Ordenador do Cosmos), Métis (Deusa da presciência), Palas Athena (Deusa da Sabedoria e Justiça), Niké (Vitória), Erínias (Vingança), Éris (Discórdia) e outras divindades ligadas a JUSTIÇA.

A ARETÉ (excelência) do Homem

se completa como Zoologikon e Zoopolitikon: desenvolver pensamento e capacidade de viver em conjunto. (Aristóteles)

Busque sempre a excelência!

Busque sempre a excelência!

TER, vale + que o SER, humano?

As coisas não possuem valor em si; somos nós que, através do nôus, valoramos.

Nôus: poder de intelecção que está na Alma, segundo Platão, após a diânóia, é a instância que se instaura da deliberação e, conforme valores, escolhe. É o reduto da liberdade humana onde um outro "logistikón" se manifesta. O Amor, Eros, esse "daimon mediatore", entre o Divino (Imortal) e o Humano (Mortal) pode e faz a diferença.

Ser "sem nôus", ser "sem amor" (bom daimon) é ser "sem noção".

A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

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O Sábio Mestre: Antonio Medina Rodrigues (1940-2013)

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Você se sentiu ofendido...

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