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12 de jan de 2008

Discurso da Servidão Voluntária


“A tirania não é ato de força ou violência de um homem ou de um bando de homens, mas nasce do desejo de servir e é o povo que gera seu próprio infortúnio, cúmplice dos tiranos” (Marilena Chauí)

Com “Le Discours de la Servitude Volontaire” (1552), compreendemos que a gênese da desumana opressão exercida pelos poderosos aos menos favorecidos é atemporal e universal. Escrita como um mero panfleto militante, aos 16 ou 18 anos pelo Pensador francês Etienne de La Boétie, enquanto estudante de Direito, esmiúça os porquês que levam a multidão a se permitir escravizar, cega e voluntariamente, a se dispor a servir.

Para La Boétie é o povo que se sujeita e se degola; que, podendo escolher entre ser súdito ou ser livre, rejeita a liberdade e aceita o jugo, consente tal mal e até o persegue. Como ocorre esse processo é sobre o que o autor se debruça. Etienne esclarece que o tirano obtém seu poder com a conivência do próprio povo subjugado e que a este bastaria decidir não mais servir, recusar-se a sustentá-lo para que se tornasse livre. São apontadas na obra, as três razões que culminam numa servidão voluntária.

Ao esmiuçar os meandros da servidão, revela como está em nós enraizada a vontade de servir, apesar de existir em nossa alma um germe de razão produtor da virtude (desde que alimentados pelos bons costumes e bons exemplos) e de que a própria natureza é justa (pois para esta, nenhum ser humano pode ser mantido em servidão). Os próprios animais prezam a liberdade e se recusam a servir; quando o fazem é por imposição.

Afirma também haver três tipos de tiranos, maus Príncipes: 1) os que o obtém o poder pela força das armas; 2) àqueles que o herdam por sucessão da raça e 3) os que chegam ao poder por eleição do povo. Os que o obtém pelo direito da guerra, agem como em terra conquistada; quanto aos reis, nascidos e criados no seio da tirania, consideram os povos a eles submetidos como servos hereditários, têm todo o Reino e seus súditos como extensão de sua herança.

Quanto ao eleito pelo povo, não nos enganemos: ao se ver alçado a um posto tão elevado, tão alto – “lisonjeado por um não sei quê que chamam de grandeza” – toma a firme resolução de não abrir mão da res pública. “Quase sempre considera o poderio que lhe foi confiado pelo povo como se devesse ser transmitido a seus filhos”. Para La Boétie, é essa idéia funesta que o faz superar todos os outros tiranos em vícios de todo tipo e até em crueldades.

Leia esse artigo na íntegra no site da Escola Superior de Direito Constitucional - ESDC

4 comentários:

Anônimo disse...

Prezado Senhor,

Pelo excelente texto
"Discurso da Servidão Voluntária"
da Professora Luciene Félix,
gostaria de autorização para
enviá-lo na íntegra a algumas
pessoas, pelo fato de ser um
sábio texto e que merece ser
conhecido por todos aqueles que
necessitam do conhecimento.

Atenciosamente,

Reinaldo

Anônimo disse...

Cara Luciene,

Sua coluna é mesmo um sucesso, os leitores adoram.

Reencaminho mais um e-mail de um fã para que vc responda.

Do resto, tudo bem?
Vamos nos falando.
Abraços,

Paulo

Anônimo disse...

Excelente artigo.

Vou utiliza-lo, com a devida citação da fonte, nas minhas aulas.

Sou professor de história e essa obra é exigida pela UnB.

Gilberto Assis

rcesar disse...

Eu acredito que não exista total liberdade. Como seres humanos dependemos de outros da espécie para sobreviver, e instintivamente sabemos disso. Como em qualquer sociedade que você faça parte, vai haver extratos sociais onde vão surgir líderes e seguidores.

A "escolha" da liberdade pode significar o rompimento com conceitos que estão tão arraigados em nós que muitos podem achar ser impossível, daí a submissão.

Mesmo que uma pessoa consiga se libertar ela terá que se juntar a uma outra sociedade e outros padrões de submissão podem surgir.

Eu costumo fazer um paralelo entre as varia épocas históricas onde houveram muita repressão e tirania com o momento atual que vivemos. Olhando para a Inquisição Espanhola, Feudalismo Europeu, Império Romano, Brasil colônia com a escravatura, Egito dos Faraós, eu vejo diversas similaridades com a nosso momento atual onde somos subjugados pelo poder da mídia e dos detentores do meio monetário, que na minha visão estão nos escravizando. Muitas pessoas não enxergam dessa maneira, acha que hoje vivemos numa democracia e que somos livres. Talves essas pessoas não queira olhar para a realidade e ver que são escravos dessa sociedade moderna e que não podem escapar dessa armadilha em que cairam desde que nasceram.

Como se libertar disso tudo? Como quebrar a nossa dependência de dinheiro, de Televisão, de Internet, Facebook, Big Brother, etc?

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ESCOLHA & CLIQUE (leia no topo). Cultura faz bem ao Espírito!

Eis que a Sabedoria reina, mas não governa, por isso, quem pensa (no todo) precisa voltar para a caverna, alertar aos amigos. Nós vamos achar que estais louco, mas sabes que cegos estamos nós, prisioneiros acorrentados à escuridão da caverna.

Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República.

Eis o télos (do grego: propósito, objetivo) da Filosofia e do filósofo. Agir na cidade. Ação política. Phrônesis na Pólis.

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As exposições mitológicas explicitam arquétipos (do grego, arché + typein = princípio que serve de modelo) atemporais e universais.

Desse modo, ao antropomorficizarem os deuses, ou seja, dar-lhes características genuinamente humanas, os antigos revelaram os princípios (arché) de sentimentos e conflitos que são inerentes a todo e qualquer mortal.

A necessidade da ordem (kósmos), da harmonia, da temperança (sophrosyne) em contraponto ao caos, à desmedida (hýbris) ou, numa linguagem nietzschiana, o apolíneo versus o dionisíaco, constitui a base de toda antiga pedagogia (Paidéia) tão cara à aristocracia grega (arístois, os melhores, os bem-nascidos posto que "educados").

Com os exponenciais poetas (aedos) Homero (Ilíada e Odisséia), Hesíodo (A Teogonia e O trabalho e os dias), além dos pioneiros tragediógrafos Sófocles e Ésquilo, dispomos de relatos que versam sobre a justiça, o amor, o trabalho, a vaidade, o ódio e a vingança, por exemplo.

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