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1 de nov de 2009

Exploração das ninfetas - eichmannite é não pensar




"O bom senso é a qualidade mais bem distribuída entre os homens, pois todos pensam que a possuem o suficiente" René Descartes (Filósofo francês)



A beleza é uma promessa de felicidade. Nas campanhas publicitárias, quando associada aos produtos, nos seduz, detendo estatuto de virtude, constituindo insígnia de classe e bom gosto.

Indagado sobre a importância da beleza, Aristóteles teria dito que somente um cego faria essa pergunta. Sabedores de que uma petrificante beleza confere inegável poder, o que dizer da “tenra” e “fresca” beleza feminina quando ela pura e simplesmente desponta?

Símbolo da delicadeza que é a pureza inviolada, o termo “ninfeta” deriva do grego nymphé, significando botão de rosa, menina adolescente, noiva, púbere, velada. Segundo registros mais arcaicos, são mortais, mas permanentemente jovens e graciosamente diáfanas. Não são mais crianças: nem meninas, nem mulheres – magia – elas estão em toda parte.

Habitam fontes (Crenéias), rios (Náiades), lagos (Pegéias), mares (Nereidas e Oceânides), árvores (Hamadríades), vales (Dríades), florestas, selvas (Napéias) e também as montanhas (Oréades). Em Homero e Hesíodo, as mais antigas são as Melíades, descendentes do céu (Ouranós), mas também serão retratadas como sendo filhas de Zeus.
Desde os primevos aedos, o mundo dessas “fadas” evoluiu muito e hoje elas povoam as ruas, as praias, os parques, as escolas e os shoppings. Mortais, mas eternas, as ninfetas são verdadeiramente encantadoras.

A deusa Hera, rainha do Olimpo (esposa de Zeus), é a soberana dos amores legítimos, por razões igualmente legítimas, sempre se envolverá em conflitos nesse cenário, pois, são constantes as investidas de Zeus às ninfas e Hera é a guardiã dos contratos e a protetora dos casamentos.

Embora a idade assentada para união (entenda-se vida sexual) seja cultural, biologicamente, a menarca (primeira menstruação) constitui indício de que os órgãos responsáveis pela reprodução humana estão aptos a iniciar suas funções. É fato que, ao longo de nossos mais de dois milênios, a idade cronológica da ocorrência da menarca têm se antecipado.

Conta-se que na Grécia antiga, com cerca de doze anos, as meninas recolhiam suas bonecas, seus brinquedos, seu último vestidinho de infância e, reunindo-os como dádivas, deixavam-os na entrada duma floresta. Esse ritual visava pedir a proteção da deusa Ártemis para o parto.

Obviamente não significa que saiam dali para parir, mas que já se encontravam aptas ao matrimônio. Historiadores relatam ter sido encontrada uma antiquíssima rocha com inscrição de um pai rogando bênçãos e agradecendo a proteção para a filha.

Independente de reverências cerimonialísticas religiosas ou meramente sociais – como os bailes de debutantes – pré-adolescentes são Botticellis vivos que catalisam e deleitam o olhar de homens, mulheres, jovens e idosos.

Ninguém é indiferente ao – algumas vezes sobrenatural – desabrochar duma ninfeta. Filha, irmã, sobrinha ou neta, todos já tiveram, tem ou terá alguma(s) enfeitando a casa, na família.

Diferente das ninfas dos museus (cujo termo, apropriadamente vem de Musa), retratadas com respeitosa e inefável maestria por Volegov, Bouguereau e Vermeer, por exemplo as de hoje tem sido aviltantemente exploradas por uma ideologia capitalista de modo muito similar à ideologia totalitária que cegou o carrasco nazista Karl Adolf Eichmann (leia nesse Blog, artigo intitulado “Hannah Arendt – No murmúrio da multidão a consciência adormece”).

Detentoras de um encanto, por natureza, tão deslumbrante quanto efêmero, imprimi-se inequívoca eroticidade às ninfas. Na boca, geralmente entreaberta, destacam-se os lábios com gloss a fim de passar a sensação de convidativa umidade.

Orienta-se a luz, estrategicamente oculta sobre os seios ou por entre as pernas – mesmo vestidas, as próprias mãos ou algum objeto dissimuladamente próximos à região pubiana insinuam lascívia.

Se as ninfas retratadas outrora dirigiam um olhar de piedoso desamparo, algo entre a surpresa e o recato, nas de hoje testemunhamos uma desconcertante profanação dessa pureza.

É justamente isso que os profissionais perseguem: traficar a mais ingênua expressão de pudor com dissimulada perversidade.

Assim como o burocrata nazista Eichmann, publicitários, marqueteiros e empresários (como o dedicado ao comércio de moda, Tufi Duek, cujo site disponibilizo abaixo) não são demônios encarnados. São indivíduos absolutamente “normais”: zelosos pais de família, cumpridores das responsabilidades civis, em dia com os impostos e obrigações sociais. E, vale dizer, talentosos!

Mas, em geral, inadvertidamente, adoradores de ouro, anseiam pelo polêmico destaque midiático que multiplicará seus lucros. Tendo suas sinapses vorazmente ativadas na busca desenfreada por ascender econômica e socialmente no exercício de suas technai, muitos não se detém a questionar o éthos que lhes compete.

Sinapses desativadas, “esquecem” que, como indivíduos ou grupo de indivíduos, também são responsáveis pela formação dos valores da sociedade que os acolhe e que lhes permite prosperar. Acometidos por uma espécie de “eichmannite”, não pensam.

Banalizando as imagens de pudicas ninfetas, não atentam ao alcance de suas ações, não indagam se podem ou não estar incitando perversidades como a pedofilia.

Se a crueldade do sistema totalitário cria pessoas destituídas da mínima capacidade de distinguir o bem do mal, de atinar para as conseqüências de suas ações, pois se encobrem no coletivo, o sistema capitalista quando igualmente encoberto por nós, tendo como télos (objetivo, propósito, finalidade) o lucro a qualquer custo, segue com notória avidez, o mesmíssimo caminho.

Obviamente, o sistema totalitário seqüestra ainda mais nossa liberdade que o sistema capitalista, pois esse último, ainda que se ancore num instrumental extremamente apelativo, não nos impede absolutamente de pensar, refletir, julgar e, conforme o caso, se nos sentirmos atingidos em nossos “phrenas”, como diria Homero, denunciar.

Farra de velhacos, não há como impedir que uma jovem goze da liberdade de poder negociar seu corpo (talvez até para se vestir com grifes), mas devemos evitar que a institucionalização do abuso nas imagens das ninfetas seja algo legitimado pelo Estado ou ainda que conte com a anuência dos adormecidos cidadãos.

É preciso ponderar sobre o efeito dessas ordinárias extrapolações, desses apelos maliciosos – sobretudo com modelos verdadeiramente precoces – nos meios midiáticos.

Sem a prudência de um Ulisses, que pediu para ser amarrado ao mastro, a massa se perde no “canto das sereias”. Delirantemente embriagados pelo incessante tilintar das caixas registradoras, sob aplausos e holofotes, facínoras podem (metaforicamente) “estuprar” toda uma sociedade. Pathetikós, filisteus os alçam à “elite”.

Felizmente, desde os primórdios, “Aristois” - os melhores, os bem educados – são os que pensam. Àqueles que, mesmo após partir, permanecem contribuindo para a evolução do aprimoramento da humanidade. Os que nos fizeram, fazem e farão pensar, como Hannah Arendt.

Saiba mais:

"(...) Forum traz a sua essência de ousadia, vanguarda e transgressão (FALTA DE NOÇÃO!), características que construíram o reconhecimento ao longo do tempo da sua origem jeanswear".





4 comentários:

Marcella disse...

Luciene, grata mais uma vez pelos eu artigo..
Profundo e muito atual..
Nossa responsabilidade vai além de nos mesmos.
Um grande abraço

Anônimo disse...

Olá professora Luciene Félix,

Adoro seu blog e o adicionei aos meus favoritos assim como a ESDC e o blog do professor Flávio Leão.

Diante a riqueza do seu texto, que nos faz refletir sobre a nossa responsabilidade em não raciocinar e abdicar do nosso livre-arbítrio, nos deixamos se contaminar com o vírus do "eichmannite" - "apegando-se a normas que aplicou corretamente e as ordens que obedeceu com diligência". E então a gente acorda e vê o perigo que é a inércia ao banalizarmos a dignidade humana.

Abraço da Sandra KFOURI.

Anônimo disse...

Cara Luciene,

Eu achei teu texto muitíssimo inteligente; pensado, embasado, lúcido e profundo!

Parabéns!!!

beijo,
Yolanda

Anônimo disse...

molto intiresno, grazie

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ESCOLHA & CLIQUE (leia no topo). Cultura faz bem ao Espírito!

Eis que a Sabedoria reina, mas não governa, por isso, quem pensa (no todo) precisa voltar para a caverna, alertar aos amigos. Nós vamos achar que estais louco, mas sabes que cegos estamos nós, prisioneiros acorrentados à escuridão da caverna.

Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República.

Eis o télos (do grego: propósito, objetivo) da Filosofia e do filósofo. Agir na cidade. Ação política. Phrônesis na Pólis.

Curso de Mitologia Grega

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As exposições mitológicas explicitam arquétipos (do grego, arché + typein = princípio que serve de modelo) atemporais e universais.

Desse modo, ao antropomorficizarem os deuses, ou seja, dar-lhes características genuinamente humanas, os antigos revelaram os princípios (arché) de sentimentos e conflitos que são inerentes a todo e qualquer mortal.

A necessidade da ordem (kósmos), da harmonia, da temperança (sophrosyne) em contraponto ao caos, à desmedida (hýbris) ou, numa linguagem nietzschiana, o apolíneo versus o dionisíaco, constitui a base de toda antiga pedagogia (Paidéia) tão cara à aristocracia grega (arístois, os melhores, os bem-nascidos posto que "educados").

Com os exponenciais poetas (aedos) Homero (Ilíada e Odisséia), Hesíodo (A Teogonia e O trabalho e os dias), além dos pioneiros tragediógrafos Sófocles e Ésquilo, dispomos de relatos que versam sobre a justiça, o amor, o trabalho, a vaidade, o ódio e a vingança, por exemplo.

O simples fato de conhecermos e atentarmos para as potências (dýnamis) envolvidas na fomentação desses sentimentos, torna-nos mais aptos a deliberar e poder tomar a decisão mais sensata (virtude da prudencia aristotélica) a fim de conduzir nossas vidas, tanto em nossos relacionamentos pessoais como indivíduos, quanto profissionais e sociais, coletivos.

AGIMOS COM MUITO MAIS PRUDÊNCIA E SABEDORIA.

E era justamente isso que os sábios buscavam ensinar, a harmonia para que os seres humanos pudessem se orientar em suas escolhas no mundo, visando atingir a ordem presente nos ideais platônicos de Beleza, Bondade e Justiça.

Estou certa de que a disseminação de conhecimentos tão construtivos contribuirá para a felicidade (eudaimonia) dos amigos, leitores e ouvintes.

Não há dúvida quanto a responsabilidade do Estado, das empresas, de seus dirigentes, bem como da mídia e de cada um de nós, no papel educativo de nosso semelhante.

Ao investir em educação, aprimoramos nossa cultura, contribuimos significativamente para que nossa sociedade se torne mais justa, bondosa e bela. Numa palavra: MAIS HUMANA.

Bem-vindos ao Olimpo amigos!

Escolha: Senhor ou Escravo das Vontades.

A Justiça na Grécia Antiga

A Justiça na Grécia Antiga

Transição do matriarcado para o patriarcado

A Justiça nos primórdios do pensamento ocidental - Grécia Antiga (Arcaica, Clássica e Helenística).

Nessa imagem de Bouguereau, Orestes (Membro da amaldiçoada Família dos Atridas: Tântalo, Pélops, Agamêmnon, Menelau, Clitemnestra, Ifigênia, Helena etc) é perseguido pelas Erínias: Vingança que nasce do sangue dos órgãos genitais de Ouranós (Céu) ceifado por Chronos (o Tempo) a pedido de Gaia (a Terra).

O crime de matricídio será julgado no Areópago de Ares, presidido pela deusa da Sabedoria e Justiça, Palas Athena. Saiba mais sobre o famoso "voto de Minerva": Transição do Matriarcado para o Patriarcado. Acesse clicando AQUI.

Versa sobre as origens de Thêmis (A Justiça Divina), Diké (A Justiça dos Homens), Zeus (Ordenador do Cosmos), Métis (Deusa da presciência), Palas Athena (Deusa da Sabedoria e Justiça), Niké (Vitória), Erínias (Vingança), Éris (Discórdia) e outras divindades ligadas a JUSTIÇA.

A ARETÉ (excelência) do Homem

se completa como Zoologikon e Zoopolitikon: desenvolver pensamento e capacidade de viver em conjunto. (Aristóteles)

Busque sempre a excelência!

Busque sempre a excelência!

TER, vale + que o SER, humano?

As coisas não possuem valor em si; somos nós que, através do nôus, valoramos.

Nôus: poder de intelecção que está na Alma, segundo Platão, após a diânóia, é a instância que se instaura da deliberação e, conforme valores, escolhe. É o reduto da liberdade humana onde um outro "logistikón" se manifesta. O Amor, Eros, esse "daimon mediatore", entre o Divino (Imortal) e o Humano (Mortal) pode e faz a diferença.

Ser "sem nôus", ser "sem amor" (bom daimon) é ser "sem noção".

A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

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O Sábio Mestre: Antonio Medina Rodrigues (1940-2013)

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