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1 de abr de 2017

Schopenhauer - De como viver é sofrer (Parte I)



O consolo mais eficaz em toda infelicidade, em todo sofrimento, é observar os outros, que são ainda mais infelizes do que nós.” Arthur Schopenhauer


Em seus escritos “Contribuições à doutrina do sofrimento do mundo”, o filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860) afirma que o sentido mais próximo e imediato de nossas vidas é a dor e o sofrimento, que – sem sentido e puramente acidental – é originária da necessidade essencial à vida.

Ele diz que tudo o que é desagradável e dolorido salta à vista. E isso porque somos dotados de uma espécie de aplicativo que detecta os aborrecimentos muito mais que os prazeres: “Nós não sentimos a saúde do nosso corpo, mas apenas o pequeno local onde o sapato nos aperta (...)”.

Geralmente, não temos por hábito reconhecermos que as coisas vão muito bem, obrigado, mas insistimos no que ainda falta, por mais insignificante que seja, se comparado com o todo. É nisto que se baseia o que Schopenhauer chama de “negatividade do bem-estar e da felicidade” em oposição à “positividade da dor”. Em noventa e nove elogios, uma única crítica é o que destacamos, pois, via de regra, consideramos as alegrias abaixo e as dores, bem acima de nossa expectativa.

Ponderando sobre a negatividade do bem-estar e a positividade da dor, o filósofo salienta que “(…) a maioria dos sistemas metafísicos declaram o mal como algo negativo; enquanto é justamente positivo, o que em si mesmo se torna sensível; pelo contrário o bem, toda felicidade e satisfação, constitui o negativo, ou seja, a simples supressão do desejo e a eliminação de um tormento”.

Schopenhauer nos chama a atenção para o fato de que viver não é fácil: “Parecemos carneiros a brincar na relva, enquanto o açougueiro já está a escolher um ou outro com os olhos, pois em nossos bons tempos não sabemos que infelicidade, justamente agora, o destino nos prepara (..)”. De fato, doença, desemprego, empobrecimento, loucura, traição, abandono e morte, estão mesmo sempre à espreita.

A história comprova que os povos vivem em guerra e que, exceção, a paz é momentânea, passageira. Assim se dá com os indivíduos, sempre em luta constante: “Também contribui para o tormento de nossa existência, o impelir do tempo, impedindo-nos de tomar fôlego, perseguindo todos qual algoz de açoite.”.

No entanto, diz ele, se a pressão da necessidade, dificuldade, contrariedade e frustração das pretensões fossem afastadas da vida dos homens, sua petulância cresceria: “Cada um necessita sempre de um certo quantum de preocupação, ou dor, ou necessidade, como o navio de lastro para navegar de modo ereto e firme.”.

Realmente, trabalho, aflição, esforço e necessidade constituem durante toda a vida a sina da maioria das pessoas, porém –, ele indaga – se todos os desejos, apenas originados, já estivessem resolvidos, o que preencheria então a vida humana, com que se gastaria o tempo?

O filósofo imagina uma situação onde todas as vontades fossem satisfeitas (aves revoassem já assadas, brinca ele) e diz que isso não serviria de palco à espécie humana.

Sendo assim, “Em consequência da relembrada negatividade [no sentido de não se destacar] do bem-estar e do prazer, em contraste com a positividade [no sentido de se fazer notar] da dor, a felicidade de um determinado curso de vida não se estima segundo suas alegrias e prazeres, porém pela ausência dos sofrimentos, como sendo o positivo.”.

Considerando que a sorte dos animais parece ser mais suportável que a do homem, Schopenhauer parte para análise de ambas.

Por mais variadas que sejam as formas sob as quais a felicidade e a infelicidade do homem se apresentam e o estimulam à perseguição ou à fuga, a base material de tudo isto forma o prazer OU a dor corporal: “Esta base [material] é muito reduzida: constitui saúde, alimentos, proteção do frio e da umidade e satisfação sexual. OU então, a carência dessas coisas.”.

Sendo assim, quanto a prazeres físicos reais, o homem não possui mais necessidade do que o animal. A não ser quando seu sistema nervoso de potência superior amplia as sensações de prazer e/ou de dor: “Mas quão mais poderosas são as afecções nele [no homem] excitadas, comparadas às dos animais! Com que profundidade e intensidade superior é mobilizada sua sensibilidade! Para, por fim, atingir apenas um resultado idêntico: saúde, alimento, proteção, etc.”.

Nossas sensibilidades são mais profundas e intensas que as dos animais porque pensamos! E pensar (no passado, no ausente, no futuro) faz surgir, ou seja, dá existência a preocupação, temor, esperança e esses sentimentos atuam sobre nós com muito mais intensidade do que na simples realidade presente – seja prazerosa ou de sofrimento – na vida dos animais.

Ao animal falta a reflexão (memória, que resgata passado e previsão, que delineia futuro), que é o condensador das alegrias e dos sofrimentos. O animal vive o presente, daí a invejável despreocupação e tranquilidade dos animais, observa o autor.

Mediante a reflexão e o que a ela se prende, desenvolve-se no homem, à partir daqueles elementos do prazer e do sofrimento, um acréscimo da sensação de sua felicidade e infelicidade, que pode conduzir ao encantamento momentâneo ou à angústia mais profunda.

Se observarmos mais de perto, o curso do processo é o seguinte: nossas necessidades, originalmente supridas com apenas um pouco mais de dificuldades do que as dos animais, nós mesmos as ampliamos propositalmente, para assim aumentarmos nosso prazer, donde então, perseguimos as iguarias gastronômicas, o luxo nas vestes, bebidas alcoólicas, tabaco e tudo o mais.

Também por conta de sermos dotados da capacidade de refletir se acrescenta uma fonte a jorrar unicamente para nós, de prazer e, portanto também de sofrimentos que exige atenção desmesurada que é a ambição e o sentimento de honra E também a vergonha, o pudor.

Desses sentimentos surge a importância da nossa opinião sobre a opinião dos outros a nosso respeito [e pensar que nem havia a “régua” das redes sociais!”]: “Esta [opinião dos outros] torna-se, em figuras mil e frequentemente estranhas o fim de quase todas as suas pretensões além do prazer físico ou da dor.”.

Schopenhauer observa: “Embora possua a mais do que os animais ainda os prazeres intelectuais, a permitirem muitas graduações, da brincadeira mais ingênua, ou da conversação, até as realizações espirituais mais elevadas, em contrapartida, do lado dos sofrimentos, se situa o tédio (…), que no homem se configura em verdadeiro algoz, como se vê particularmente naquela multidão lastimável dos que constantemente se preocuparam somente em preencher seu bolso, mas nunca sua cabeça, e aos quais justamente sua abastança se transforma em castigo, ao entregá-los às mãos do tédio mortificante (…), pois, seguramente a necessidade e o tédio formam os dois polos da vida humana.”.

Além disso, diz ele, no homem se associa à satisfação sexual uma escolha obstinada, própria unicamente à ele, que (...) se constitui em fonte de longos sofrimentos e alegrias passageiras.

É admirável como mediante a adição do pensamento, de que carecem os animais, sobre a mesma estreita base [material] dos sofrimentos e das alegrias, de posse comum com o animal, se ergue o edifício tão alto e extenso da felicidade e da infelicidade humana, em relação a que sua disposição emocional está entregue a afecções, paixões e abalos tão intensos, que o cunho dos mesmos se torna legível em traços permanentes sobre seu rosto [traços fisionômicos]; enquanto no que é final e real, trata-se das mesmas coisas que também o animal logra [tem êxito], sobretudo com um dispêndio incomparavelmente menor de afecções e tormentos, afirma o filósofo.

Sob um viés realista, Schopenhauer aponta que “Em consequência de tudo isto, cresce muito mais no homem a medida da dor do que a do prazer, e se incrementa ainda de modo especial por ele saber efetivamente da morte, pois enquanto o animal foge dela [da morte] por instinto, sem propriamente conhecê-la, sem jamais verdadeiramente encará-la, como faz o homem, sempre tendo à sua frente este prospecto.” e isso, sem dúvida, não é de pouca monta. Prossigamos!


6 de mar de 2017

Curso de Mitologia Grega e Romana

PINACOTECA BENEDICTO CALIXTO





MÓDULO BÁSICO: 15 | MARÇO | DAS 15 ÀS 17H
MÓDULO II:          29 | MARÇO | DAS 15 ÀS 17H



Pinacoteca Benedicto Calixto pelo fotógrafo Nilo Piccoli.

O POINT + "CULT" DE SANTOS!
 




Confira, abaixo, alguns trechos de nosso Curso de Mitologia:


Matrículas: na secretaria da Pinacoteca ou através do e-mail: mitologia@esdc.com.br

 

1 de mar de 2017

Caim e Abel - O relato de como, já na 1ª família, "deu ruim"


Adão, Eva, Caim e Abel, por Francesco Bacchiacca.


  Todos aqueles que conseguem um objetivo são invejados por aqueles que não o alcançaram ou falharam.” Aristóteles

Nada revela mais sobre nossa psique que os arquétipos mitológicos, sejam eles judaico-cristãos ou pagãos. Para compreendermos o que origina o ressentimento por Abel, desencadeado em Caim, perscrutemos a relação de Deus para com estes primeiros irmãos.

Os que assemelham-se a nós, um irmão, uma irmã, são sempre um “outro”, espelho e “régua” com o qual nos autoavaliamos. E, sabemos que o “medir-se” pode vir a suscitar admiração ou despertar inveja.

Eva, Caim e Abel por John-William Bouguereau.

O relato bíblico de Caim e Abel culmina num dos pecados à espreita daqueles que, de alguma forma, se sentem injustiçados pelos pais, os amigos, o chefe ou até mesmo pelo Juiz do céu e da terra: Deus.

Segundo a narrativa em Gênesis, no Antigo Testamento, Adão conheceu Eva, sua mulher. Ela concebeu e deu à luz Caim, e disse: “Gerei um homem com o auxílio do Senhor”. A seguir, deu também à luz Abel, irmão de Caim. Abel foi pastor; e Caim, lavrador.

Logo no início, Eva reconhece o auxílio de Deus na geração de Caim. A seguir, nasce Abel. Do ponto de vista histórico, talvez tenha havido conflito hierárquico quanto às atividades de apascentar rebanhos e cultivar a terra, no entanto, ambas as técnicas são importantes à subsistência.

Ao fim de algum tempo, Caim apresentou ao Senhor uma oferta de frutos da terra. Por seu lado, Abel ofereceu primogênitos do seu rebanho e as gorduras deles.

Nas culturas antigas, o re-ligare, a religião, estava intrinsecamente atrelada à manifestação de gratidão por tudo o que o divino (metafísica), através da terra (física) nos concedia.

O senhor olhou favoravelmente para Abel e para sua oferta, mas não olhou para Caim nem para sua oferta.

Há distinção – clara! – da parte do 'Pai”, tanto sobre a oferta em si quanto ao filho que a faz. Talvez houvesse em Abel algo que agradara ao Criador: humildade. O coração de Abel é puro, Deus sabe e o corresponde.

O desafio à Caim é reconhecer e aceitar essa deferência ao seu irmão. Sendo evidente que sempre haverá quem receba maior distinção que nós, estaria na reação ao favoritismo divino (provação empreendida por Àquele que nos criou e ao qual estamos submetidos) o teste da opção pela resignação ou pela revolta, tal qual ocorrera com o primeiro anjo caído, Lúcifer?

Lúcifer, por Alexandre Carbanel.

Caim ficou muito irritado e o rosto transtornou-se-lhe. O senhor disse a Caim: “Por que estás zangado e o teu rosto está abatido? Se procederes bem, certamente voltarás a erguer o rosto; se procederes mal, o pecado deitar-se-á à tua porta e andará a espreitar-te. Cuidado, pois ele tem muita inclinação para ti, mas deves dominá-lo”.

No momento em que testemunha o olhar favorável às dádivas de Abel, Caim começa a invejá-lo, pois como atesta a psicanalista Melanie Klein: “A inveja sofre ao ver o outro possuir o que ela quer para si”. Sentindo-se preterido, Caim fica irritado e, uma vez que “a destrutividade da inveja recai sobre quem a sente”, a fisionomia o denuncia.

Embora onisciente, Deus pergunta-lhe o por quê de estar abatido e o orienta sobre o fato de que SE AGIR BEM, voltará a erguer o rosto, numa clara alusão ao (re)encontro Dele, que está nas alturas.

Afirma a existência do pecado, que se inclina à Caim e sobre o dever de dominá-lo. O mal espreita o vaidoso que, em seu orgulho, exige equidade, imparcialidade: “A inveja é uma paixão relacionada à busca de uma idealizada igualdade entre os homens”, afirma Klein.

Seria essa exigência de igualdade lícita e democrática se houvesse paridade nos sentimentos e nas ações de todos, o que sabemos ser implausível.

Entretanto, Caim disse a Abel, seu irmão: “Vamos ao campo”. Porém, logo que chegaram ao campo, Caim lançou-se sobre o irmão e matou-o.

Caim e Abel, por Pietro Novelli (1603-1647).

Mesmo tendo sido alertado sobre a necessidade de dominar a tentação para proceder mal, Caim sucumbe, e consuma na prática o que já fizera em pensamento: mata seu irmão.

O Senhor disse a Caim: “Onde está Abel, teu irmão?” Caim respondeu: “Não sei dele. Sou, porventura, guarda do meu irmão?” O Senhor replicou: “Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama da terra até Mim. De futuro, serás maldito sobre a terra que abriu a sua boca para beber da tua mão o sangue do teu irmão. Quando a cultivares, negar-te-á as suas riquezas. Serás vagabundo e fugitivo sobre a terra.”

Caim amaldiçoado por João Maximiano Mafra (1851).

Deus pergunta por Abel. O assassino – e aqui, desde que os homens caminham sobre a terra – não há nenhuma novidade – nega saber dele. “A voz do sangue” é ouvida por Deus.

Pelo crime perpetrado contra seu irmão, Caim é amaldiçoado, obstada fica sua prosperidade (eis a miséria atrelada ao castigo). É condenado a vagabundear vivenciando a aflição de ser fugitivo, sem paz.

Caim disse ao Senhor: “O meu castigo é excessivamente grande para ser suportado. Expulsas-me hoje desta terra: obrigado a ocultar-me longe da Tua face, terei de andar fugitivo e vagabundo pela terra, e o primeiro a encontrar-me matar-me-á”.

Caim reconhece o quão pesada é a pena a cumprir. Sente-se obrigado a ocultar-se, longe da face de Deus que, luminosa, não é contemplada pelo pecador. Também presume vir a ser vítima do mesmo crime que perpetrou.

Louis-Ernest Barrias (1841-1905). "Les Premières funérailles", 1883. Musée des Beaux-Arts de la Ville de Paris, Petit Palais.

 O Senhor respondeu: “Não, se alguém matar Caim será castigado sete vezes mais”. E o senhor marcou-o com um sinal, a fim de nunca ser morto por quem o viesse a encontrar. Caim afastou-se da presença do Senhor e foi residir na região de Nod, ao oriente do Éden.

O relato encerra-se com a misericórdia divina, pois Caim foi marcado com um sinal que poupará sua vida.

O sinal de Deus sobre Caim tem sido apropriado e perversamente distorcido por muitos que arrogam para si uma suposta superioridade sobre os demais, ousando perpetrar e justificar a barbárie. O sinal não está nos judeus, como outrora aventou Santo Agostinho, tampouco nos negros, como simpatizam os racistas. Indelével no precursor de toda humanidade é a culpa, fruto de nossa dívida eterna para com o Criador.

Não sejamos coniventes com o fomento do MAL que –, valendo-se de nossa inerente vaidade (se não o fôssemos, não invejaríamos) – mesmo ardiloso e sorrateiro, não deixa de ser perscrutável.

Precipuamente inclinados ao pecado, permitir que a inveja faça morada em nossos corações, não consuma – necessariamente –, homicídios, mas formas rasteiras de agressão ao invejado, tais como fofoca e discórdia, provocando intrigas.

Agindo assim, com a culpa de saber-se invejoso, instaura-se o desassossego. Ao decidirmos proceder bem, não nos inquietando pelas benesses recebidas pelos demais, erguemos com altivez nosso rosto ao Eterno. E, mesmo que não crentes em nenhuma religião, às estrelas, ao sol… à LUZ!


Imagem de Duccio di Buoninsegna (1308-1311).

Na quarta-feira de cinzas, inicia-se a Quaresma. Com a Fé em Cristo, vençamos o Mal, que nos afeta ainda mais quando recai sobre nossos ascendentes e descendentes. 
Exorcismo de São Bento: "Crux Sacra Sihi mihi lux; non draco sihi mihi dux; vade retro satana!; nunquan suad mihi vana; sunt mala quae libas; ipse venena bibas".
Tradução: "A Cruz sagrada seja a minha Luz. Não seja o Dragão meu guia. Retira-te Satanás! Nunca me aconselhes coisas vãs. É mal o que tu me ofereces. Bebe tu mesmo do teu veneno!". 


A QUEM INTERESSAR:
Dias 15 e 22 de Março, às 15h, na Pinacoteca Benedicto Calixto (Santos, SP), Curso de Mitologia Greco-romana (Módulo Básico e Módulo II) - Preço: R$ 100,00 - Inscrições: secretaria da Pinacoteca. Clique AQUI.

1 de fev de 2017

A felicidade em Aristóteles




Os hábitos dignos de louvor chamamos de virtudes”. Aristóteles

No Livro I de sua obra “Ética a Nicômaco”, Aristóteles (385-323 a.C.), imbuído de estabelecer no que consiste aquilo que todos os seres humanos mais prezam e buscam acima de tudo, conclui que é a felicidade (eudaimonia), o bem viver.

A felicidade é um bem que se busca por si mesmo, pois não a ansiamos por causa de outra coisa que não seja ela mesma: “chamamos de absoluto incondicional aquilo que é sempre desejável em si mesmo e nunca no interesse de outra coisa”.

Nas palavras do filósofo, a felicidade é algo absoluto e autossuficiente, sendo também a finalidade da ação. Todas as coisas tem uma função ou finalidade, e a exclusivamente humana é a atividade virtuosa da alma.

Ela pertence, portanto, ao número de coisas estimadas e perfeitas, pelo fato de ela ser um primeiro princípio, pois é tendo a felicidade em vista que nos empenhamos em tudo o que fazemos.

O desejo de amar e ser amado, de se casar, constituir família, de desfrutar de um lar acolhedor, de dispor de bens, como um bom automóvel, de conquistar um diploma, uma carreira bem remunerada, viajar, ser esbelto, angariar boas amizades e de até impressionar, conquistando os aplausos dos demais, todos esses exemplos são buscados a fim de se sentir a mais desejável de todas as coisas.

Para se aprofundar mais, confira abaixo o adendo dos estudos de Úrsula Wolf sobre a Ética a Nicômaco (trechos em verde).


Sem dúvida, ser feliz é o que há de mais belo e agradável, o maior e melhor bem a ser alcançado pelo agir humano e, justamente por isso, o estagirita desenvolve uma teoria sobre o que seria o bom uso da racionalidade – para refletir, agir e, claro – viver uma vida digna de inveja.

Uma vida digna de inveja! Embora valha a pena atingir esse fim para um indivíduo só, é mais belo e mais divino alcançá-lo para uma nação, afirma Aristóteles, pois o objetivo da vida política é o melhor dos fins, e essa ciência – a política! – dedica o melhor de seus esforços a fazer com que os cidadãos sejam bons e capazes de nobres ações.

Alguns identificam a felicidade com a virtude, outros com a sabedoria prática, outros com uma espécie de sabedoria filosófica, acompanhadas ou não de prazer. E outros ainda incluem a prosperidade exterior. Dos demais bens, alguns devem necessariamente estar presentes como condições prévias de felicidade, e outros são naturalmente cooperantes e úteis como instrumentos.

Com efeito, diz ele, o prazer é um estado da alma, e para cada homem é agradável aquilo que ele ama: um cachorro ao amigo dos cachorros, uma partida de futebol, ao amante do futebol, mas também os atos justos ao amante da justiça e, em geral, os atos virtuosos aos amantes da virtude.

Na maioria dos homens os prazeres estão em conflito uns com os outros porque não são aprazíveis por natureza, mas os amantes do que é nobre se comprazem em coisas que tem essa qualidade: nobreza. Tal é o caso dos atos virtuosos, que não apenas são aprazíveis a esses homens, mas a si mesmos e por sua natureza, que é de bom caráter. O homem que não se regozija com as ações nobres não é sequer bom; e ninguém chamaria de justo o que não se compraz em agir com justiça.

Caráter é destino, daí a importância da reta conduta pessoal daqueles que exercerão algum papel dentro do poder político. Aristóteles ponderou sobre hábitos, moral, vida privada e vida pública, ética e política, que também é âmbito ao qual pertence o caráter, pois “não é possível tratar de assuntos de Estado quando não se tem um certo tipo de compleição, a saber, quando não se é bom”, entendendo aqui que, ser bom é possuir excelência (areté).

Quanto ao fato de, em Aristóteles, a relevância do bom caráter (moral) ser um ramo e o ponto de partida da política (ética), a estudiosa alemã Úrsula Wolf esclarece que nas sociedades tradicionais não se fazia distinção entre ética e moral, pois as normas sociais estendiam-se tanto no agir da vida privada quanto na vida pública.

Do que foi dito até aqui, que fique claro que todas ações nas quais nos empenhamos tem como fim último alcançar a felicidade e que, ainda que tal fim seja o mesmo tanto para o indivíduo quanto para o Estado, o do Estado parece ser algo maior e mais completo, quer a atingir, quer a preservar.

Isso porque a política, afirma Aristóteles, é a arte mais prestigiosa, é a arte mestra de todas as demais. É ela quem determina quais as ciências que devem ser estudadas num Estado, quais são as que cada cidadão deve aprender, e até que ponto; e vemos que até as faculdades tidas em maior apreço, como a estratégia, a economia e a retórica, estão sujeitas às suas diretrizes.

Ora, como a política utiliza as demais ciências e, por outro lado, legisla sobre o que devemos e o que não devemos fazer, a finalidade dessa ciência deve abranger as das outras, de modo que essa finalidade será o bem humano. Mas a fim de ouvir inteligentemente as preleções sobre o que é nobre e justo, e em geral sobre temas de ciência política, é preciso ter sido educado nos bons hábitos.

Os sábios e o vulgo concebem a felicidade de forma distinta! A maioria das pessoas pensa que a felicidade seja uma coisa simples e óbvia, como o prazer, a riqueza ou as honras.


Os doentes a identificam com a saúde, os que estão sem dinheiro, com a riqueza e, talvez os obesos, com a magreza, quando bem o sabemos que não se trata propriamente de algo exterior ao indivíduo. A vida consagrada ao ganho é uma vida forçada, e a riqueza não é o Bem que procuramos e sim algo de útil.


Dos três principais tipos de vidas: a de prazeres, a política e a contemplativa, a julgar pelo tipo de vida que a maioria das pessoas levam, as mais vulgares parecem (não sem um certo fundamento) identificar o Bem ou a felicidade com o prazer, e por isso amam a vida de gozos.

E irônico, prossegue: “A grande maioria dos homens se mostra em tudo iguais a escravos, preferindo uma vida bestial, mas encontram certa justificação para pensar assim no fato de muitas pessoas altamente colocadas partilharem os gostos de Sardanapalo [rei mítico da Assíria, provavelmente bem imbecil]”.

Muitos, cônscios de sua própria ignorância, admiram aqueles que proclamam algum grande ideal inacessível à sua compreensão e, à parte esses numerosos bens citados, existe um outro que subsiste e também é causa da bondade de todos os demais.


Para o filósofo, as pessoas de grande refinamento e índole ativa identificam a felicidade com a honra; pois a honra é, em suma, a finalidade da vida pública. No entanto, considerando que os homens buscam a honra para convencerem-se de que são bons e que a honra depende mais de quem confere esse tipo de distinção do que de quem a recebe, Aristóteles diz que o bem próprio de um homem e que dificilmente lhe poderia ser arrebatado é… A virtude!


Adendo dos estudos de Úrsula Wolf sobre a Ética a Nicômaco:

A partir da compleição constitutiva do querer individual, Aristóteles torna compreensível porque a questão sobre esse fim último ou sobre o melhor dos bens é inevitável

Agora já não estão em questão os âmbitos de ação e sua ordenação e sua graduação internas; argumenta-se antes a partir da perspectiva “nós” do homem agente: SE há um fim para as ações que desejamos por ele [fim] mesmo, e SE queremos outro fim por causa daquele, e SE não buscamos tudo o que buscamos por causa de um OUTRO fim, então fica claro que esse fim é o melhor dos bens.

Embora a frase seja formulada hipoteticamente, Aristóteles quer sugerir que na realidade há um bem que é o melhor de todos.

A fundamentação acentua que sem tal fim a aspiração se encaminharia ao infinito, tornando-se vazia e vã.

É evidente que o querer gira no vazio se a cada pergunta que diz: “por que é que você faz isso?” podemos responder: “para alcançar aquilo”, e assim sucessivamente. Mas para eliminar o problema do vazio do querer, parece ser suficiente haver em geral pontos finais para o querer, sem que seja necessário ser precisamente um.

Diversos encadeamentos da ação poderiam muito bem sustentar-se em diversos pontos finais, que nós desejamos por eles mesmos. Por que então haver um fim último?

Aristóteles aponta a importância de um tal fim para a vida do indivíduo: como os arqueiros que tem diante dos olhos sua meta, ele nos possibilita atingir o que é correto.

Aristóteles diz que é uma grande falta de compreensão não subordinar sua vida a um fim último. Isso mostra que a adoção de um fim último tem fundamentação normativa ou prática e contém uma sugestão inteligente para uma vida humana boa.

Suponhamos que na vida de uma pessoa haja três fins a que ela aspira por causa deles mesmos, por exemplo, honra, riqueza e formação.

A fim de que sua aspiração não fique no vazio, bastaria que ela realizasse um, dois ou até os três fins sem ligação entre eles. Todavia, visto que uma pessoa, enquanto organismo unitário, realiza uma vida no tempo e possui capacidade deliberativa, ela se vê colocada diante da questão de dar ordenação aos diversos fins, que peso dá a qual fim e quanto tempo dedica a qual deles, etc.

E mesmo que a confrontação com essa questão não seja absolutamente obrigatória é pelo menos plausível afirmar que, para um ser cuja capacidade deliberativa assume os diversos conteúdos das aspirações, é necessário impor-se a pergunta pela ordenação destes [conteúdos das aspirações].

Mas então, mesmo que ela deseje diversos fins e de mesmo nível, a pessoa irá perseguir um fim último, a saber, o fim de realizar a quantia ordenada dos três fins mencionados.

Isso leva a uma outra questão de interpretação controversa. Poderíamos compreender o fim último da aspiração como foi há pouco explicitado, a saber, que o fim é desejado por causa dele mesmo, sustentando assim a aspiração, porque contém todos os outros fins.

É assim que Aristóteles afirma que o fim da política, o bem para o homem, abarca todos os outros fins.

Por outro lado, as explanações sobre a gradação das technai e a comparação com o arqueiro sugerem haver um modelo hierárquico dos bens. Para essa interpretação, a pessoa que persegue como fins a honra, a riqueza e a formação deveria decidir qual deles é o sumo fim para ela.

Suponhamos que ela considere que o sumo bem que ela deseja realizar no todo de sua vida seja a honra, ENTÃO deveria subordinar os fins da riqueza e da formação ao desejo de honra; aspirar a eles, portanto, apenas na medida em que representam meios que ajudam a alcançar a honra como fim último.

PROBLEMAS RELACIONADOS COM O CONCEITO DE EUDAIMONIA (Úrsula Wolf):

Como surge a eudaimonia? Quando e em que circunstâncias podemos chamar alguém de eudaimon? A questão resulta do segundo modo de dependência do acaso, a dependência das circunstâncias exteriores cambiantes; poderíamos fazer coincidir a questão com o problema de estados de coisas contingentes.

Como surge a eudaimonia? A eudaimonia poderia surgir por meio do exercício, por um presente de Deus ou pelo acaso.

A eudaimonia como atividade de acordo com a areté, ela surgiria, portanto, por meio do exercício. Correspondentemente, a política, que tem como fim o melhor dos bens, procura formar os cidadãos e educá-los para a areté. Crianças e animais não podem alcançar a eudaimonia, porque não estão em condições de agir de modo próprio.

SE a eudaimonia surge pelo exercício e pelo aprendizado, com isso radicaliza-se em muito o problema da contingência. SE ela surgisse pelo acaso ou se fosse um presente da natureza, então para a maioria dos homens não haveria qualquer esperança de alcançá-la.

É só se ela surge pelo exercício que pode ser alcançada pela maioria; todavia, mesmo assim, não o é para todos. Não podem alcançá-la aqueles que não tem acesso ao exercício pela educação. Não alcançam aqueles que não se desenvolvem como crianças cidadãs bem situadas (pois é só sob essas condições que podem receber formação em geral).

Entre esses, alcançam a eudaimonia apenas aqueles que tem bons educadores, que conhecem e praticam eles próprios a areté ética e conseguem fazer que as outras pessoas se exercitem nela.

Se seguimos os pressupostos desse pano de fundo, as condições de acesso à eudaimonia, portanto, são dadas a poucos.

Quando é que se pode chamar alguém de eudaimon?

Os gregos dão grande importância à questão de saber até que ponto se pode considerar alguém feliz, uma vez que a felicidade nasce da experiência de que mesmo uma pessoa a quem sua vida transcorreu bem até o momento presente pode, de repente, tornar-se infeliz, em virtude de acontecimentos exteriores, como aconteceu a Príamo, o rei de Troia, que sofreu a destruição de sua cidade e a morte de seus filhos.

É a esse tipo de destino que se refere a conhecida frase do político e poeta Sólon: “antes do fim de sua vida não se pode considerar ninguém eudaimon”.

Aristóteles e sua concepção de eudaimonia, para quem os bens exteriores pertencentes ao âmbito da TYCHÉ têm o teor de meras condições adicionais (…).

A eudaimonia consiste em última instância nas atividades conforme a areté porque estas garantem um modo de vida de muita estabilidade, ao passo que a admissão da eutykhia como parte constitutiva da eudaimonia tornaria a eudaimonia uma espécie de camaleão, modificando-se constantemente de felicidade em infelicidade.

Com isso, fica clara de novo a razão que orienta a concepção aristotélica de eudaimonia: o melhor dos bens para o homem deve apresentar duração e consistência, e a continuação da atividade conforme a areté deve fazer jus precisamente a essa razão no interior da vida.

O primeiro tratado sobre o prazer afirma que é errôneo considerar eudaimon alguém que caiu em grande infelicidade exterior, mesmo se ele for bom. Todavia, Aristóteles acentua a diferença entre eudaimonia e tyché.

Na sua teoria sobre o prazer encontrado na atividade (I-11), Aristóteles acentua a importância de apreender de maneira bem precisa o nexo entre eudaimonia e tyché.

Esse prazer se instaura quando a atividade humana é realizada sem impedimentos, uma vez que os impedimentos são considerados como um desprazer. Felizes acasos podem aumentar a eudaimonia, enquanto acasos infelizes perturbam-na.

Também aquela pessoa que é eudaimon, no sentido da definição encontrada em I-6, pode portanto, ver-se impedida no exercício desse modo de vida, na medida em que é acometida de doença, perda dos bens, etc., ou quando seus próximos morrem ou sofrem infortúnios.

Mesmo sob circunstâncias adversas é possível não perder a eudaimonia, na medida em que essa pessoa suporta esses infortúnios exteriores de modo adequado, e apesar das adversidades exerce a atividade da areté.

Por outro lado, não diríamos que a pessoa é completamente feliz; completamente feliz parece ser apenas quem vive sua vida sob condições que fomentam a atividade conforme à areté, de tal modo que seu exercício se torna alegria. 

Aristóteles usa a apalavra makarios (venturoso, feliz, aquele que tem a forma perfeita da felicidade), que significa a eudaimonia que inclui em si a eutykhia.
Meu e-mail: mitologia@esdc.com.br
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Eis que a Sabedoria reina, mas não governa, por isso, quem pensa (no todo) precisa voltar para a caverna, alertar aos amigos. Nós vamos achar que estais louco, mas sabes que cegos estamos nós, prisioneiros acorrentados à escuridão da caverna.

Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República.

Eis o télos (do grego: propósito, objetivo) da Filosofia e do filósofo. Agir na cidade. Ação política. Phrônesis na Pólis.

Curso de Mitologia Grega

Curso de Mitologia Grega
As exposições mitológicas explicitam arquétipos (do grego, arché + typein = princípio que serve de modelo) atemporais e universais.

Desse modo, ao antropomorficizarem os deuses, ou seja, dar-lhes características genuinamente humanas, os antigos revelaram os princípios (arché) de sentimentos e conflitos que são inerentes a todo e qualquer mortal.

A necessidade da ordem (kósmos), da harmonia, da temperança (sophrosyne) em contraponto ao caos, à desmedida (hýbris) ou, numa linguagem nietzschiana, o apolíneo versus o dionisíaco, constitui a base de toda antiga pedagogia (Paidéia) tão cara à aristocracia grega (arístois, os melhores, os bem-nascidos posto que "educados").

Com os exponenciais poetas (aedos) Homero (Ilíada e Odisséia), Hesíodo (A Teogonia e O trabalho e os dias), além dos pioneiros tragediógrafos Sófocles e Ésquilo, dispomos de relatos que versam sobre a justiça, o amor, o trabalho, a vaidade, o ódio e a vingança, por exemplo.

O simples fato de conhecermos e atentarmos para as potências (dýnamis) envolvidas na fomentação desses sentimentos, torna-nos mais aptos a deliberar e poder tomar a decisão mais sensata (virtude da prudencia aristotélica) a fim de conduzir nossas vidas, tanto em nossos relacionamentos pessoais como indivíduos, quanto profissionais e sociais, coletivos.

AGIMOS COM MUITO MAIS PRUDÊNCIA E SABEDORIA.

E era justamente isso que os sábios buscavam ensinar, a harmonia para que os seres humanos pudessem se orientar em suas escolhas no mundo, visando atingir a ordem presente nos ideais platônicos de Beleza, Bondade e Justiça.

Estou certa de que a disseminação de conhecimentos tão construtivos contribuirá para a felicidade (eudaimonia) dos amigos, leitores e ouvintes.

Não há dúvida quanto a responsabilidade do Estado, das empresas, de seus dirigentes, bem como da mídia e de cada um de nós, no papel educativo de nosso semelhante.

Ao investir em educação, aprimoramos nossa cultura, contribuimos significativamente para que nossa sociedade se torne mais justa, bondosa e bela. Numa palavra: MAIS HUMANA.

Bem-vindos ao Olimpo amigos!

Escolha: Senhor ou Escravo das Vontades.

A Justiça na Grécia Antiga

A Justiça na Grécia Antiga

Transição do matriarcado para o patriarcado

A Justiça nos primórdios do pensamento ocidental - Grécia Antiga (Arcaica, Clássica e Helenística).

Nessa imagem de Bouguereau, Orestes (Membro da amaldiçoada Família dos Atridas: Tântalo, Pélops, Agamêmnon, Menelau, Clitemnestra, Ifigênia, Helena etc) é perseguido pelas Erínias: Vingança que nasce do sangue dos órgãos genitais de Ouranós (Céu) ceifado por Chronos (o Tempo) a pedido de Gaia (a Terra).

O crime de matricídio será julgado no Areópago de Ares, presidido pela deusa da Sabedoria e Justiça, Palas Athena. Saiba mais sobre o famoso "voto de Minerva": Transição do Matriarcado para o Patriarcado. Acesse clicando AQUI.

Versa sobre as origens de Thêmis (A Justiça Divina), Diké (A Justiça dos Homens), Zeus (Ordenador do Cosmos), Métis (Deusa da presciência), Palas Athena (Deusa da Sabedoria e Justiça), Niké (Vitória), Erínias (Vingança), Éris (Discórdia) e outras divindades ligadas a JUSTIÇA.

A ARETÉ (excelência) do Homem

se completa como Zoologikon e Zoopolitikon: desenvolver pensamento e capacidade de viver em conjunto. (Aristóteles)

Busque sempre a excelência!

Busque sempre a excelência!

TER, vale + que o SER, humano?

As coisas não possuem valor em si; somos nós que, através do nôus, valoramos.

Nôus: poder de intelecção que está na Alma, segundo Platão, após a diânóia, é a instância que se instaura da deliberação e, conforme valores, escolhe. É o reduto da liberdade humana onde um outro "logistikón" se manifesta. O Amor, Eros, esse "daimon mediatore", entre o Divino (Imortal) e o Humano (Mortal) pode e faz a diferença.

Ser "sem nôus", ser "sem amor" (bom daimon) é ser "sem noção".

A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

O Sábio Mestre: Antonio Medina Rodrigues (1940-2013)

O Sábio Mestre: Antonio Medina Rodrigues (1940-2013)

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