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1 de jan de 2014

Um flagrante de adultério e o mito do Hermafrodito

Alexandre Charles Guillemot (1827)

Um dos maiores trunfos da mitologia Greco-romana consiste na criatividade com a qual os antigos aedos (poetas) transmutam fraquezas e mazelas humanas em poesia, imprimindo em seus relatos uma singela e rara beleza.

O estranhamento e, às vezes, até repulsa, de um corpo que porta ambos os sexos, masculino e feminino, na narrativa alegórica torna-se digno de encanto e magia, pois no mito, o que poderia ser tomado inicialmente por aberração, explicita o enlace amoroso entre deuses imortais.

Há duas versões para a origem do Hermaphróditos, filho do mensageiro dos deuses, Hermes (Mercúrio, na mitologia romana) e da deusa do amor e da beleza, Afrodite (Vênus). Inspiremo-nos, primeiro, no poeta romano Ovídio, em sua obra Metamorfoses.

O ferreiro divino e mestre da techné, Hefestos (Vulcano), legítimo filho de Zeus (Júpiter) e da soberana deusa Hera (Juno), profundamente admirado por todos os deuses e heróis olímpicos, é casado com a estonteante Afrodite, que o trai constantemente com o violento deus da guerra, Ares (Marte), que só não pensa em trucidar um, quando está inebriado em seus braços.

Trabalhador incansável, o feioso deus coxo, Hefestos, marido da mais bela e desejada divindade, é disciplinado e extremamente focado em seus afazeres. Diariamente, segue para o vulcão, sua oficina, de onde só sai tarde da noite, já bem exausto.

Um belo dia, ao partir para a labuta como de costume, Hefestos é interpelado por Apolo (Hélios) – o Sol, de quem ninguém nem nada se escondem – e ouve a revelação de que sempre que sai, sua mulher recebe o viril deus Ares em casa, com quem fica a sós por horas e horas enquanto um atento sentinela fica de plantão, do lado de fora.

Diante da incredulidade do marido, Apolo o desafia a fazer um teste: que no dia seguinte finja que vai trabalhar como de costume, mas que volte algum tempo depois, sem avisar para flagrá-los em adultério.

Hefestos, que é exímio artesão, prepara então uma rede de aço inquebrantável e retorna ao lar silenciosamente. Qual não foi o espanto de tão dedicado (ao trabalho!) marido em confirmar a denúncia, surpreendo-os em pleno deleite amoroso!

Inconformado, Hefestos joga a rede sobre o casal de amantes e chama todos os deuses para testemunhar a traição protagonizada por Afrodite e Ares.

A ala feminina do Olimpo, até por solidariedade ao gênero, se recusa a assistir tamanho constrangimento. Já os demais deuses, correm curiosos para presenciar.

Alvoroçados, comentam o quão espetacularmente divinos são os predicados de Afrodite e, uns mais discretos, outros nem tanto, tecem as piadinhas mais infames sobre a cena.

Apolo pergunta a Hermes o que ele acha da situação e o tagarela não titubeia em conjecturar sobre o que não daria para ter Afrodite no leito, mesmo que fosse somente uma vez, que para ter o privilégio de estar no lugar de Ares, um vexame desses não era nada, arrancando uma gargalhada geral.

Os deuses intercalam o murmuroso lamento devido ao ultraje sofrido pelo competente e talentoso Hefestos, sempre tão honesto e digno e a secreta cobiça pela proeza de Ares, cuja virilidade ímpar, tanto invejam.

Irado, pois constata que a lâmina de sua espada é ineficiente às poderosas tramas da rede trançada por Hefestos, Ares amaldiçoa ali mesmo o pobre sentinela que deixava de plantão: penalizando-o por ter cochilado, transforma-o imediatamente num galo e profere que dali em diante ele nunca mais deixará de cantar, alertando sobre a chegada do Sol (Apolo).

Afrodite abaixa a cabeça e esconde o rosto com uma das mãos; com a outra, em vão, tenta cobrir o corpo, pois cobiçada por sua estupenda nudez, se sente devorada por todos. Envergonhada, decide se exilar por uns tempos na ilha de Chipre, até a poeira assentar e o episódio deixar de ser o principal assunto no Olimpo (o que demorou um bocado).

Mas a deusa do amor e da beleza ouvira as galanteadoras palavras que Hermes dirigiu a Apolo. Tomada de desejo por saber que era assim tão desejada, sente-se envaidecida e, antes de partir, decide se unir a ele.



E é assim que, após uma noite de amor, geram o Hermafrodito, que nasce com os dois sexos: masculino por parte de Hermes e feminino por parte dela.

Noutra versão, segundo o especialista, Junito de Souza Brandão, o deus Hermes teve muitos amores e vários filhos, mas o mais famoso é o Hermafrodito, criado pelas ninfas, nas florestas do monte Ida, na Frígia.

Diz-se que o rapaz era de uma beleza física tão paralisante quanto Narciso. Aos quinze anos, viajou pela Ásia Menor e, um dia, ao avistá-lo nas margens de um lago, a ninfa Sálmacis se apaixonou perdidamente por ele.

Repelida, a jovem fingiu conformar-se, mas quando Hermafrodito se despiu e se lançou às águas do lago, enlaçando-o com uma toda a força de sua paixão, Sálmacis rogou aos deuses que os unissem para sempre.



Eles decidiram atender à súplica da apaixonada e assim fizeram surgir um novo ser, de dupla natureza.

O mito do Hermafrodito, segundo Brandão, explicita uma repetição ou recapitulação do andrógino primordial que, além de contar com as duas versões acima, também já vimos na fala do comediógrafo Aristófanes, n'"O Banquete" (sobre o Amor), de Platão, AQUI.

Conta-se que o Hermafrodito também fez um pedido aos olímpicos e foi prontamente atendido: que todo aquele que se banhasse no lago de Sálmacis perdessem a virilidade.
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Eis que a Sabedoria reina, mas não governa, por isso, quem pensa (no todo) precisa voltar para a caverna, alertar aos amigos. Nós vamos achar que estais louco, mas sabes que cegos estamos nós, prisioneiros acorrentados à escuridão da caverna.

Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República.

Eis o télos (do grego: propósito, objetivo) da Filosofia e do filósofo. Agir na cidade. Ação política. Phrônesis na Pólis.

Curso de Mitologia Grega

Curso de Mitologia Grega
As exposições mitológicas explicitam arquétipos (do grego, arché + typein = princípio que serve de modelo) atemporais e universais.

Desse modo, ao antropomorficizarem os deuses, ou seja, dar-lhes características genuinamente humanas, os antigos revelaram os princípios (arché) de sentimentos e conflitos que são inerentes a todo e qualquer mortal.

A necessidade da ordem (kósmos), da harmonia, da temperança (sophrosyne) em contraponto ao caos, à desmedida (hýbris) ou, numa linguagem nietzschiana, o apolíneo versus o dionisíaco, constitui a base de toda antiga pedagogia (Paidéia) tão cara à aristocracia grega (arístois, os melhores, os bem-nascidos posto que "educados").

Com os exponenciais poetas (aedos) Homero (Ilíada e Odisséia), Hesíodo (A Teogonia e O trabalho e os dias), além dos pioneiros tragediógrafos Sófocles e Ésquilo, dispomos de relatos que versam sobre a justiça, o amor, o trabalho, a vaidade, o ódio e a vingança, por exemplo.

O simples fato de conhecermos e atentarmos para as potências (dýnamis) envolvidas na fomentação desses sentimentos, torna-nos mais aptos a deliberar e poder tomar a decisão mais sensata (virtude da prudencia aristotélica) a fim de conduzir nossas vidas, tanto em nossos relacionamentos pessoais como indivíduos, quanto profissionais e sociais, coletivos.

AGIMOS COM MUITO MAIS PRUDÊNCIA E SABEDORIA.

E era justamente isso que os sábios buscavam ensinar, a harmonia para que os seres humanos pudessem se orientar em suas escolhas no mundo, visando atingir a ordem presente nos ideais platônicos de Beleza, Bondade e Justiça.

Estou certa de que a disseminação de conhecimentos tão construtivos contribuirá para a felicidade (eudaimonia) dos amigos, leitores e ouvintes.

Não há dúvida quanto a responsabilidade do Estado, das empresas, de seus dirigentes, bem como da mídia e de cada um de nós, no papel educativo de nosso semelhante.

Ao investir em educação, aprimoramos nossa cultura, contribuimos significativamente para que nossa sociedade se torne mais justa, bondosa e bela. Numa palavra: MAIS HUMANA.

Bem-vindos ao Olimpo amigos!

Escolha: Senhor ou Escravo das Vontades.

A Justiça na Grécia Antiga

A Justiça na Grécia Antiga

Transição do matriarcado para o patriarcado

A Justiça nos primórdios do pensamento ocidental - Grécia Antiga (Arcaica, Clássica e Helenística).

Nessa imagem de Bouguereau, Orestes (Membro da amaldiçoada Família dos Atridas: Tântalo, Pélops, Agamêmnon, Menelau, Clitemnestra, Ifigênia, Helena etc) é perseguido pelas Erínias: Vingança que nasce do sangue dos órgãos genitais de Ouranós (Céu) ceifado por Chronos (o Tempo) a pedido de Gaia (a Terra).

O crime de matricídio será julgado no Areópago de Ares, presidido pela deusa da Sabedoria e Justiça, Palas Athena. Saiba mais sobre o famoso "voto de Minerva": Transição do Matriarcado para o Patriarcado. Acesse clicando AQUI.

Versa sobre as origens de Thêmis (A Justiça Divina), Diké (A Justiça dos Homens), Zeus (Ordenador do Cosmos), Métis (Deusa da presciência), Palas Athena (Deusa da Sabedoria e Justiça), Niké (Vitória), Erínias (Vingança), Éris (Discórdia) e outras divindades ligadas a JUSTIÇA.

A ARETÉ (excelência) do Homem

se completa como Zoologikon e Zoopolitikon: desenvolver pensamento e capacidade de viver em conjunto. (Aristóteles)

Busque sempre a excelência!

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TER, vale + que o SER, humano?

As coisas não possuem valor em si; somos nós que, através do nôus, valoramos.

Nôus: poder de intelecção que está na Alma, segundo Platão, após a diânóia, é a instância que se instaura da deliberação e, conforme valores, escolhe. É o reduto da liberdade humana onde um outro "logistikón" se manifesta. O Amor, Eros, esse "daimon mediatore", entre o Divino (Imortal) e o Humano (Mortal) pode e faz a diferença.

Ser "sem nôus", ser "sem amor" (bom daimon) é ser "sem noção".

A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

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O Sábio Mestre: Antonio Medina Rodrigues (1940-2013)

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