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1 de jul de 2016

A Tempestade - W. Shakespeare - Parte II



Nesta última peça teatral legada por William Shakespeare, antes de morrer aos 52 anos, encontramos o magistral dramaturgo em paz, arrematando sua vida com a compreensão da importância do perdão, de relevar as intrigas, a ambição e a ganância.

Ponderando sobre o homem e a vida sob uma perspectiva mais ampla, o inglês também deixa claro sua paixão por livros, pela dedicação ao estudo das ciências ditas “herméticas”, o quanto preza uma vida de introspecção e, a conclusão a que chega torna-se uma de suas célebres frases.

Retomemos, então, às aventuras do duque de Milão chamado Próspero e sua filha Miranda, exilados numa ilha após traição de Antonio, irmão do nobre, que lhe usurpou o posto e depois os expulsou numa precária embarcação.

No artigo anterior AQUI, vimos que a tentativa perversa do ambicioso Antonio, em atrair Sebastião a também tomar o trono de seu irmão, Alonso, rei de Nápoles, foi frustrada pela providencial intervenção de Ariel, que o denuncia a Gonzalo, conselheiro do rei.

Alheio à razão da tempestade e do naufrágio que reuniu a todos naquela ilha, Ferdinando, filho e príncipe herdeiro de Alonso, apaixona-se perdidamente pela bela e delicada filha de Próspero, Miranda.

Mesmo em festa pelo amor suscitado no coração dos jovens, o duque de Milão pensa que é preciso deixar um pouco mais difícil a conquista: “(…) para que a vitória fácil demais não desmereça o preço”, conclui.

Entretanto, assim como o apego à vingança, o amor também move a vontade, fonte inesgotável de forças e quando Próspero impõe tarefas a Ferdinando, o jovem pondera que muitos trabalhos considerados aviltantes são levados a cabo com nobreza: “Esta tarefa humilde poderia ser-me tão repugnante quanto odiosa; mas a dama a quem sirvo (...) em prazer me transforma estas canseiras. (…) quanto menos penso na situação, mais produtiva se me torna a tarefa”.

Testemunhando o árduo empenho do amado, Miranda lamenta que ele tenha que carregar lenha e se dispõe a ajudar, mas o príncipe intervém: “Não, preciosa criatura; preferiria quebrar o dorso, arrebentar os nervos, a vos ver degradada num serviço tão humilhante, enquanto eu fico ocioso”.

E, encantado, corteja a moça: “Tão perfeita e incomparável, fosses feita de tudo o que de mais custoso pode haver na criação”. Correspondendo a esse amor, ruborizada, ela confessa: “(…) quanto mais tenta esconder-se minha afeição, maior se patenteia. Santa inocência, ensina-me a expressar-me”.

É com o coração exultante que Próspero entrega a mão de sua filha a Ferdinando, mas roga que aguardem ser celebradas as santas cerimônias e seus ritos sagrados, ao que o noivo promete: “Os mais poderosos argumentos dos gênios da maldade que em nós próprios habitam, nunca me há de mudar a honra em luxúria”.

Cônscio do poder das ebulições hormonais, Próspero alerta que “os mais fortes juramentos são fogo de palha para os sentidos”. Esse confronto é eterno: os valores morais versus os apelos da carne.

O fiel ajudante de Próspero, Ariel, seguira à risca sua orientação de deixar a todos os náufragos do grupo fora do juízo. Mas agora, o nobre pondera.

Declinando de suas intenções, Próspero ordena a Ariel que os liberte, pois irá romper os encantamentos para que seus inimigos possam restituir o juízo e voltar a ser o que eram.

E, diante de Antonio, afirmando que não pode dar a ele o nome de irmão sem que se suje, decide: “E vós aí, meu sangue e minha carne, meu irmão, que à ambição deste acolhida, expulsando o remorso e a natureza (…) planejastes assassinar aqui vosso monarca. Embora sejas um desnaturado, recebe o meu perdão”.

Quando Alonso, o rei de Nápoles, se depara com o filho que acreditava ter morrido no naufrágio causado pela tempestade, ouve dele o alento: “Muito embora ameacem sempre, os mares são piedosos. Amaldiçoei-os sem razão para isso”. A alegria toma conta de todos.

Alonso, o rei de Nápoles apressa-se a dizer a Próspero: “(…) Resigno o teu ducado e te conjuro a me perdoar as faltas.”

Ao constatar que o príncipe Ferdinando, seu futuro genro, está espantado com tudo o que acabara de testemunhar, Próspero elucida: “Como vos preveni, eram espíritos todos esses atores; dissiparam-se no ar, sim, no ar impalpável. E tal como o grosseiro substrato desta vista, as torres que se elevam para as nuvens, os palácios altivos, as igrejas majestosas, o próprio globo imenso, com tudo o que contém, hão de sumir-se, como se deu com essa visão tênue, sem deixarem vestígios. Somos feitos da matéria dos sonhos; nossa vida pequenina é cercada pelo sono.”.

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Eis que a Sabedoria reina, mas não governa, por isso, quem pensa (no todo) precisa voltar para a caverna, alertar aos amigos. Nós vamos achar que estais louco, mas sabes que cegos estamos nós, prisioneiros acorrentados à escuridão da caverna.

Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República.

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