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26 de abr de 2008

Hannah Arendt – No murmúrio da multidão, a consciência adormece


“Deus criou o homem para introduzir no mundo a capacidade de iniciar. Ser humano e ser livre são, então, uma única e mesma coisa. E homens e mulheres são livres apenas quando agem, nem antes, nem depois; pois 'ser livre e agir são o mesmo'. Hannah Arendt – Entre o passado e o futuro


Alemã, Hannah Arendt (1906-1975), nasceu numa abastada e antiga família judia. Sempre resistiu ao título de Filósofa, pois considerava-se, “apenas” uma pensadora. Afirmava que o pensamento deve estar a serviço da vida e não numa encapsulada Filosofia. Teve o privilégio de ser aluna e amiga pessoal de Heidegger, Husserl e de Jaspers, expoentes da corrente filosófica fenomenológico-existencial.


Diferente da ontologia metafísica antiga, cuja origem remonta a Platão, a fenomenologia existencial parte das coisas que aparecem no mundo. Tomemos o seguinte exemplo: a experiência sensível (de onde também parte a razão científica) nos permite constatar se alguém está ou não morto. Já o conceito da morte em si, cabe à metafísica. Arendt se debruça sobre os fenômenos em seus modos de aparição na existência mundana pois, para a fenomenologia “ser” e “aparecer” coincidem.


Em 1933, Hitler toma o poder e Hannah Arendt, judia, vê ruir a possibilidade de lecionar nas universidades alemãs. Perseguida pelo nazismo, passa a viver como apátrida, em exílio. Essas circunstâncias são extremamentes relevantes para a compreensão das obras desenvolvidas em sua vida: meditações filosóficas, análises de teorias políticas e tentativa de explicar os inusitados e nefastos rumos de seu tempo.


Em 1951, com “Origens do Totalitarismo” (termo cunhado por ela que significa governo, país ou regime que centraliza todos os poderes políticos e administrativos, proibindo a atuação de quaisquer outros partidos ou grupos políticos) detém-se a analisar de modo sistemático esse fenômeno inédito, que não se enquadrava nas categorias tradicionais das ciências políticas.


Arendt testemunha o antigo e complexo enlace entre moral e política (vide artigo “A Lei Divina (Thémis) e a Lei dos Homens (Diké) em Antígona, disponível no site: www.esdc.com.br) vexatória e desumanamente rompido nos tempos em que viveu; revela a necessidade de recuperar a dignidade da política como atividade (práxis) fundamental da vida em comum.


Com base numa antropologia filosófica, responderá sobre em que condições um universo totalitário é possível. Filósofa do real (existencialista), Arendt tomará por objeto de estudo a vida ativa (que atua, age no mundo e não a contemplativa, tradicional na Filosofia) vendo-a por três modalidades de atividades fundamentais do homem na cultura: trabalho, obra e ação.


Sobre o trabalho, atesta ser uma atividade indefinidamente repetitiva e voltada exclusivamente para satisfação e preservação das necessidades vitais humanas. O trabalho em si é, portanto, produção de tudo o que é perecível.


Quanto ao que denominou “obra”, cabe a produção de bens duráveis, artefatos e objetos que não são aniquilados assim que consumidos. Mas mesmo essa “durabilidade” é relativa e está sujeita/submetida à utilidade e ao ciclo dos meios e dos fins.


Somente a ação é, em suas palavras, “a única capaz de transcender o ciclo da necessidade vital e da cadeia infinita dos meios e dos fins. Inseparável da palavra, a ação é revelação do homem, num espaço público de surgimento [pólis] em que cada um é visto e ouvido por todos”.


Em sua obra “A condição humana” (1958), observa que “estar isolado é estar privado da capacidade de agir”. Mesmo não sendo privilégio exclusivo do ator político, a ação humana enseja a constituição de um espaço público (distinto do âmbito privado) por onde se estende toda a vasta rede de relações/atuações humanas. A ação se dá no espaço público. Por outro lado, a ação que se dá no espaço público não pode perder a conotação individual. Em verdade, não agimos quando somos levados pelo coletivo que se manifesta através de nós. Nesse sentido, o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua obra “Ética pós-moderna” alerta que, “Na multidão, somos todos iguais. Andamos juntos, dançamos juntos, nos acotovelamos juntos, ardemos juntos, matamos juntos”.


Não há porque agirmos como marionetes guiadas por determinismos históricos ou de qualquer outra ordem. A liberdade está em nosso poder de criar o novo: “O começo é a suprema capacidade do homem; politicamente, equivale à liberdade do homem” (Origens do Totalitarismo).


Transformar as diferenças em monotonia (unidade) é a tentação permanente das sociedades totalitárias. O nazismo e o comunismo foram as expressões máximas desse desejo de unidade.


Leia este artigo na íntegra à partir de 5 de maio no site da ESDC: http://www.esdc.com.br/

2 comentários:

Anônimo disse...

Muitos há que discordam e até satanizam Hannah, todavia sou obrigado a concordar com a mesma, haja vista que muitos dos seus algozes, progressistas, são capazes de vender a sua propria alma ao diabo apenas para permanecerem no ou próximo do poder e com certeza estariam fazendo a mesma coisa apenas para nao desagradar o seu chefe e manterem o emprego.

Antonio Gomes Lacerda

Anônimo disse...

Após a leitura de alguns artigos sobre "Hannah Arent" me deparei com este que me fez compreender de uma forma mas objetiva o enfoque da questão PERFEITO!!

Daniel Rodrigo Benites

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ESCOLHA & CLIQUE (leia no topo). Cultura faz bem ao Espírito!

Eis que a Sabedoria reina, mas não governa, por isso, quem pensa (no todo) precisa voltar para a caverna, alertar aos amigos. Nós vamos achar que estais louco, mas sabes que cegos estamos nós, prisioneiros acorrentados à escuridão da caverna.

Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República.

Eis o télos (do grego: propósito, objetivo) da Filosofia e do filósofo. Agir na cidade. Ação política. Phrônesis na Pólis.

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As exposições mitológicas explicitam arquétipos (do grego, arché + typein = princípio que serve de modelo) atemporais e universais.

Desse modo, ao antropomorficizarem os deuses, ou seja, dar-lhes características genuinamente humanas, os antigos revelaram os princípios (arché) de sentimentos e conflitos que são inerentes a todo e qualquer mortal.

A necessidade da ordem (kósmos), da harmonia, da temperança (sophrosyne) em contraponto ao caos, à desmedida (hýbris) ou, numa linguagem nietzschiana, o apolíneo versus o dionisíaco, constitui a base de toda antiga pedagogia (Paidéia) tão cara à aristocracia grega (arístois, os melhores, os bem-nascidos posto que "educados").

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Estou certa de que a disseminação de conhecimentos tão construtivos contribuirá para a felicidade (eudaimonia) dos amigos, leitores e ouvintes.

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Ao investir em educação, aprimoramos nossa cultura, contribuimos significativamente para que nossa sociedade se torne mais justa, bondosa e bela. Numa palavra: MAIS HUMANA.

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Escolha: Senhor ou Escravo das Vontades.

A Justiça na Grécia Antiga

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Transição do matriarcado para o patriarcado

A Justiça nos primórdios do pensamento ocidental - Grécia Antiga (Arcaica, Clássica e Helenística).

Nessa imagem de Bouguereau, Orestes (Membro da amaldiçoada Família dos Atridas: Tântalo, Pélops, Agamêmnon, Menelau, Clitemnestra, Ifigênia, Helena etc) é perseguido pelas Erínias: Vingança que nasce do sangue dos órgãos genitais de Ouranós (Céu) ceifado por Chronos (o Tempo) a pedido de Gaia (a Terra).

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Ser "sem nôus", ser "sem amor" (bom daimon) é ser "sem noção".

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