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11 de jan. de 2008

ALETHEIA - O que é a Verdade?



Sophistés (Sábios) fora a denominação empregada a um grupo de práticos intelectuais estrangeiros (metecos) que, na Atenas do século V, proporcionavam seus ensinamentos sobre a arte do bem falar, fundamentando o discurso em argumentos logicamente coerentes e por isso mesmo, unânimes.

Sofistas, então, ministravam aulas de retórica àqueles que tinham por aspiração dedicarem-se à carreira política e, claro, tinham dinheiro para pagar-lhes.

Este detalhe prático (Ta Prágmata) viria a causar certo desdém e repugnância por parte daqueles que se consideravam verdadeiros “Filósofos” (Ta Onta).

Os sofistas Protágoras, Górgias e Trasímaco são, por excelência, os maiores nomes do ensino da arte da retórica na Grécia de Sócrates e Platão. Para Górgias, o discurso é entendido como o veículo no qual o mundo se torna possível para a compreensão humana.

Para ele, “o ordenamento duma cidade está na coragem dos seus cidadãos, o dum corpo na sua beleza, o duma alma na sua sabedoria, o duma ação na sua excelência e o dum discurso na sua verdade. O contrário será o caos”.

Os sofistas sabiam que a palavra é instrumento do lógos e este manifesta-se através do discurso que pode ser também manipulado com eloquência para seduzir e impressionar a plateia objetivando atingir um propósito (télos) definido.

Eles obtinham reconhecido sucesso na Ágora, conduzindo os ouvintes pelo discurso persuasivo: considerando o momento oportuno para determinadas colocações, utilizando argumentos convincentes; levavam em conta o perfil do ouvinte e esmeravam-se em falar o que (bem como “de que modo”) agradaria ser ouvido.

Vale observar que o emprego da persuasão não se baseia somente na lógica, mas apropria-se da intuição, da sensibilidade ao que toca o coração, despertando emoções tais como indignação, revolta, coragem, enternecimento, compaixão, camaradagem, etc.

Esclarecido o papel dos sofistas, agora saberemos que Léthe é o famoso “rio do esquecimento”, em cujas águas as almas bebem a fim de olvidarem (esquecerem) completamente a existência terrena e numa elucidação "mítico-singela", a deusa Léthe é a Verdade.

Após ter sido assediada por Zeus, a deusa Léthe sofreu as terríveis perseguições por parte da esposa do soberano do Olimpo, Hera, protetora dos amores legítimos. Em vão, a deusa Lethe tentava a todo custo escapar, buscando para isso sempre novos lugares nos quais pudesse ocultar-se.

Do relato acima, temos a interpretação de que “a verdade - alethéia -, é aquilo que nunca se esconde”.

Os religiosos conectavam-se com a Verdade através das artes adivinhatórias (mânticas) e a revelavam por meios obscuros, aparentemente ininteligíveis, mas também passíveis de inúmeras interpretações.

Sendo a palavra orientada conforme o éthos, a conduta, o modo de ser interior de cada um, o indivíduo é o único critério prático (razão do sucesso dos sophistés?) da verdade. Não alcançamos a verdade objetiva, somente opinião (doxa) particular.

Diante de uma verdade velada (coberta), cabia aos detentores do poder das palavras, aos retóricos da pólis, argumentar e convencer para desvelar a verdade. 


Ocorre que esta (verdade) se des-vela ao ser re-velada. Re-velar é tornar a velar, a encobrir. Paradoxalmente, descobrindo o que esta velado, revela-se a “verdade”.

A verdade é a maneira de pensar do intérprete e de sua visão de mundo (que é decorrência de seu éthos, de sua conduta moral pessoal). Desse modo, a verdade é sempre subjetiva, relativa ao sujeito que a profere/revela.

Na Ágora, nas querelas judiciais, o choque das opiniões (dialética) dos retóricos busca revelar a verdade, melhor solução. No entanto, muitas vezes trata-se da verdade mais útil para quem a defende, não necessariamente para toda a sociedade: “Ele, o retórico, é o vilão do discurso e aliciador de razões desprotegidas, que sempre sucumbem ao seu encanto perverso. Retórica é prestidigitação verbal que envenena o espírito e o escraviza. É, em uma palavra simulacro”.

Era como se os sofistas tivessem o dom de ensinar a fabricar o que os gregos chamavam de pharmakón – o remédio/veneno.

Obviamente os sofistas não podiam responder pelo uso que seus aprendizes davam ao domínio desta poção mágica (retórica), que tanto pode curar quanto matar. Tanto pode trazer à luz a verdade ou ocultá-la.

A linguagem não é simplesmente o espelho da realidade, mas é um meio pelo qual pode-se estabelecê-la, sendo assim, instrumento de poder.

Eis algumas verdades sobre a verdade: subjaz no éthos (sujeita à conduta ética humana), que por sua vez obedece a um télos (propósito definido); é passível de manipulação (troca, venda), mantém, como no mito, a magia de sua natureza: velar/revelar/tornar a velar.

Tomando-nos de sobressalto, ela, a verdade (alethea) ressurge, vez ou outra, num lampejo de lucidez. De estupefata lucidez posto que, como o homem, tem sua própria lógica, o que corrobora a máxima do sofista Protágoras: 


“O homem é a medida de todas as coisas; das que são porque são e das que não são porque não são”.

 
 E Viva Sergio Moro e o trabalho da Polícia Federal! \o/ 


2 comentários:

Leonardo Leite disse...

É um prazer tê-la neste espaço cibernético. Minha professora no Orkut e também neste blog.

Parabens pelo site, está tão bom...que eu fiquei tonto, não sabia por onde eu começar...não quero que sinta-se culpada, mas adiei alguns compromissos para ler mais...sua fluência é tão vívida, culta e agradável. Você teria algum livro publicado? É por que o Monitor cansa minha vista e eu fico com "gostinho de quero mais"

Obrigado pelo banquete.

Leonardo Leite

Anônimo disse...

ADOREI O QUE ESTÁ ESCRITO
TODA VEZ QUE LEIO LEMBRO QUI NAO EXISTE NADA NO MUNDO QUE SE COMPARE COM A VERDADE.

ANA

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Eis que a Sabedoria reina, mas não governa, por isso, quem pensa (no todo) precisa voltar para a caverna, alertar aos amigos. Nós vamos achar que estais louco, mas sabes que cegos estamos nós, prisioneiros acorrentados à escuridão da caverna.

Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República.

Eis o télos (do grego: propósito, objetivo) da Filosofia e do filósofo. Agir na cidade. Ação política. Phrônesis na Pólis.

Curso de Mitologia Grega

Curso de Mitologia Grega
As exposições mitológicas explicitam arquétipos (do grego, arché + typein = princípio que serve de modelo) atemporais e universais.

Desse modo, ao antropomorficizarem os deuses, ou seja, dar-lhes características genuinamente humanas, os antigos revelaram os princípios (arché) de sentimentos e conflitos que são inerentes a todo e qualquer mortal.

A necessidade da ordem (kósmos), da harmonia, da temperança (sophrosyne) em contraponto ao caos, à desmedida (hýbris) ou, numa linguagem nietzschiana, o apolíneo versus o dionisíaco, constitui a base de toda antiga pedagogia (Paidéia) tão cara à aristocracia grega (arístois, os melhores, os bem-nascidos posto que "educados").

Com os exponenciais poetas (aedos) Homero (Ilíada e Odisséia), Hesíodo (A Teogonia e O trabalho e os dias), além dos pioneiros tragediógrafos Sófocles e Ésquilo, dispomos de relatos que versam sobre a justiça, o amor, o trabalho, a vaidade, o ódio e a vingança, por exemplo.

O simples fato de conhecermos e atentarmos para as potências (dýnamis) envolvidas na fomentação desses sentimentos, torna-nos mais aptos a deliberar e poder tomar a decisão mais sensata (virtude da prudencia aristotélica) a fim de conduzir nossas vidas, tanto em nossos relacionamentos pessoais como indivíduos, quanto profissionais e sociais, coletivos.

AGIMOS COM MUITO MAIS PRUDÊNCIA E SABEDORIA.

E era justamente isso que os sábios buscavam ensinar, a harmonia para que os seres humanos pudessem se orientar em suas escolhas no mundo, visando atingir a ordem presente nos ideais platônicos de Beleza, Bondade e Justiça.

Estou certa de que a disseminação de conhecimentos tão construtivos contribuirá para a felicidade (eudaimonia) dos amigos, leitores e ouvintes.

Não há dúvida quanto a responsabilidade do Estado, das empresas, de seus dirigentes, bem como da mídia e de cada um de nós, no papel educativo de nosso semelhante.

Ao investir em educação, aprimoramos nossa cultura, contribuimos significativamente para que nossa sociedade se torne mais justa, bondosa e bela. Numa palavra: MAIS HUMANA.

Bem-vindos ao Olimpo amigos!

Escolha: Senhor ou Escravo das Vontades.

A Justiça na Grécia Antiga

A Justiça na Grécia Antiga

Transição do matriarcado para o patriarcado

A Justiça nos primórdios do pensamento ocidental - Grécia Antiga (Arcaica, Clássica e Helenística).

Nessa imagem de Bouguereau, Orestes (Membro da amaldiçoada Família dos Atridas: Tântalo, Pélops, Agamêmnon, Menelau, Clitemnestra, Ifigênia, Helena etc) é perseguido pelas Erínias: Vingança que nasce do sangue dos órgãos genitais de Ouranós (Céu) ceifado por Chronos (o Tempo) a pedido de Gaia (a Terra).

O crime de matricídio será julgado no Areópago de Ares, presidido pela deusa da Sabedoria e Justiça, Palas Athena. Saiba mais sobre o famoso "voto de Minerva": Transição do Matriarcado para o Patriarcado. Acesse clicando AQUI.

Versa sobre as origens de Thêmis (A Justiça Divina), Diké (A Justiça dos Homens), Zeus (Ordenador do Cosmos), Métis (Deusa da presciência), Palas Athena (Deusa da Sabedoria e Justiça), Niké (Vitória), Erínias (Vingança), Éris (Discórdia) e outras divindades ligadas a JUSTIÇA.

A ARETÉ (excelência) do Homem

se completa como Zoologikon e Zoopolitikon: desenvolver pensamento e capacidade de viver em conjunto. (Aristóteles)

Busque sempre a excelência!

Busque sempre a excelência!

TER, vale + que o SER, humano?

As coisas não possuem valor em si; somos nós que, através do nôus, valoramos.

Nôus: poder de intelecção que está na Alma, segundo Platão, após a diânóia, é a instância que se instaura da deliberação e, conforme valores, escolhe. É o reduto da liberdade humana onde um outro "logistikón" se manifesta. O Amor, Eros, esse "daimon mediatore", entre o Divino (Imortal) e o Humano (Mortal) pode e faz a diferença.

Ser "sem nôus", ser "sem amor" (bom daimon) é ser "sem noção".

A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

O Sábio Mestre: Antonio Medina Rodrigues (1940-2013)

O Sábio Mestre: Antonio Medina Rodrigues (1940-2013)

Você se sentiu ofendido...

irritado (em seu "phrenas", como diria Homero) ou chocado com alguma imagem desse Blog? Me escreva para que eu possa substituí-la. e-mail: mitologia@esdc.com.br