SE VOCÊ PENSAR, VAI DESCOBRIR QUE TEMOS MUITO A APRENDER.

luciene felix lamy EM ATO!

luciene felix lamy EM ATO!
Desfrute-o com vagar: há + de CEM artigos entre filosofia, literatura, mitologia, comédias e tragédias gregas (veja lista completa logo abaixo, para acessar clique sobre o título).

ELEITO UM DOS MELHORES BLOG'S NA WEB. Gratíssima por seu voto amigo(a)!

11 de jan. de 2008

O que é o Homem?


Complexo, multifacetado, em constante processo de evolução. Pensadores de diversas áreas tais como antropólogos, sociólogos, psicólogos e sobretudo, filósofos estudam este diferenciado animal político. A seguir, uma breve exposição de algumas características que nos distinguem.

Ao observar que fecundar entre os seus (endogamia) gerava monstruosas aberrações, seres inaptos e dependentes que, ao invés de contribuir para manutenção e aprimoramento do clã, acabavam por se tornar um estorvo, prejudicando todo bando, o homem, com a proibição, o interdito do incesto, procria com membros de outros grupos (exogamia), estabelecendo assim a diferenciação primeva e mais notória de sua categoria animal: racional.

Sigmund Freud (1856-1939), identifica um sistema ternário inerente à condição psíquica humana: origem, sexo e morte. Eros e Tánatos: pulsão de libido (ação) e de morte (não-ação, repouso). Órfão, numa cega e desesperada curiosidade genealógica é homoreligious, em sua eterna busca pelas origens, pelo Pai, à procura do Criador.

Ser de alteridade, ou seja, tem sua presença atestada por outro Ser: só existo à partir do momento em que o Outro me confere existência. Sobre esta temática é interessante conferir a famosa peça de teatro do filósofo existencialista francês Jean-Paul Sartre (1905-1980) “Huis Clôs”, traduzida para o português com o título de “Entre quatro Paredes”, onde quatro pessoas morrem e vão parar no inferno. No ambiente fechado, entre quatro paredes, vivem a angústia de ficar imaginando o que o outro está pensando que se está pensando. Conclui-se que “o inferno são os outros”.

O homem é também um angustiado Ser para a morte, cônscio da finitude, embora rotineiramente se esquive de pensar no fim. Tabu, esse tema é deletado, como se a vida já não implicasse em morte, como se por trás de todo berço não houvesse um túmulo.

Axiológico, estabelece valores, hierarquiza prioridades, sendo que estes valores servem, antes de tudo, ao princípio freudiano de buscar o prazer e evitar a dor.

Homolaborius, trabalha e constata ser um sujeito dotado de perfectibilidade, ou seja, sempre capaz de aprimoramento contínuo. Homoludens, brinca: canta, dança, cria, pinta, borda e, na arte, transcende, atinge, toca e é tocado pelo sublime.

Ser de linguagem, decodifica, nomeia, apreende, registra, transfere conhecimentos. Será também graças à linguagem que será capaz de mentir, podendo representar o que é bem sob aparência de mal, e o que é mal sob a aparência de bem. Paradoxalmente, quanto mais esvaziado, mais tende à tagarelice, típica das massas.

Descobre-se Sujeito histórico, constata e reconstitui o progresso de sua evolução no mundo, avalia, pondera e, conforme sua vontade, direciona energia empenhando-se em atingir um télos (finalidade/objetivo) já estabelecido por seus valores, fruto de seus desejos.

Aristóteles define o homem como sendo Zoopolitiken. Aqui, entendemos o animal político como sendo um Ser de “acordos”. Não necessariamente justos, como bem o queria o filósofo grego Platão, quando enaltecia a simetria, harmonia e eqüidade, enfim, a Justiça.

Sendo seu próprio adversário, como bem sintetizou o filósofo inglês Thomas Hobbes (1588-1679) “o homem é o lobo do homem”, luta para dominar, conquistar, preservar e muitas vezes, desrespeitar, usurpando o direito do Outro, estabelecendo limites aos estrangeiros (estranhos), erigindo muros, limites e fronteiras. Mesmo quando esse estranho é objeto de seu amor e devoção.

Como salientamos no início, o homem é um Ser complexo em processo de vir-a-ser. Mas será como intolerante Ser de Fronteiras, estabelecedor de limites, que o homem conservará e revelará sua mais animalesca característica: a de delimitador de território – Meu imenso país, possui muitas riquezas naturais; Na minha cidade se trabalha; Meu bairro é o mais arborizado; Minha rua é a mais enfeitada; Na minha casa não! Ou: este é o meu quarto, deixe-o como está; E, mesmo em seu quarto, junto a quem ama, não o subestimem: este é o meu lado da cama.

Seja na visão da floresta como um todo, ao observarmos as grandes nações mundiais e suas políticas de exclusões, ou na observação singular da árvore do cotidiano, é na ferrenha manutenção de fronteiras, na preservação de imensas barreiras, que o homem conserva distâncias e garante sua vasta solidão no mundo.

3 comentários:

Anônimo disse...

O prof° Perguntou sobre o que é o homem achei isso aqui não sei se é o que ele pediu mas não tem nada a ver eu quero saber o que o homem em geral (ser humano) não quero saber o que é o homem do sexo masculino....

Quando dizem que o homem está destruindo o palneta se refere a todos nós não aos homem!!!!

Bianca L.

Anônimo disse...

Adorei o texto, é um texto perfeito que foca
a realidade do ser humano. Meus parabéns!

Francisco Marcos Gonçalves

Anônimo disse...

Todo o conceito referente aqui mostrado a respeito do homem parte de um princípio chamado limitação da razão, mas o homem é muito mais, isto é, o homem também é espírito. Conheça o seu espírito e assim conhecerá o homem no seu todo.

Carlos Gilmar Pereira Santos

Related Posts with Thumbnails

ESCOLHA & CLIQUE (leia no topo). Cultura faz bem ao Espírito!

Lançamento de Livro de Mitologia Greco-romana: LUCIENE FELIX LAMY
Embate entre a Lei Divina (Thémis) e a Lei dos Homens (Diké) em Antígona
EXPECTATIVA de VIDA e ENVELHECIMENTO
LIVE sobre Bernini e o rapto de Perséfone (Prosérpina)
COVID-19: O que há de novo sob o sol?
CRÍTICA FILME PARASITA - disparidade de moradias
MAQUIAVEL na SOCIETÀ ITALIANA DI SANTOS
Leonardo Da Vinci - Pinacoteca Benedicto Calixto
Leonardo Da Vinci - Palestra com profª Luciene Felix Lamy
Leonardo Da Vinci - Palestra com Profª Luciene Felix Lamy
ABOUT o envelhecer...
Guia para Viajantes Apaixonados por Museus
Como viajar sozinha?
Sêneca - Da tranquilidade da Alma (Parte II)
Sêneca - Da tranquilidade da Alma (Parte I)
Luciene Felix Lamy - Società Italiana di Santos
Luciene Felix Lamy na Aliança Francesa de Santos
Magnificência – a virtude de saber-se digno de honra
Sobre ALMAS GÊMEAS...
Cursos na Itália - Exclusividade!
Além da felicidade possível
O que é o niilismo?
Como ajudar a nós mesmos?
A ameaça de Prometeu na tragédia de Ésquilo
Tempo, sabedoria e felicidade
Aristófanes e o mito dos andróginos no Banquete de Platão
Cultura em ROMA
Princípio da utilidade (felicidade) em Jeremy Bentham
A Volta do Filho Pródigo
Luciene Felix Lamy - Mitologia Grega
A prova da posição: não basta competência, tem de se ter moral
Oficina "Minha Biografia"
Encontros Filosóficos
Schopenhauer - De como viver é sofrer (Parte II)
Schopenhauer - De como viver é sofrer (Parte I)
Curso de Mitologia Grega e Romana
Caim e Abel - O relato de como, já na 1ª família, "deu ruim"
A felicidade em Aristóteles
Riqueza, Prazer, Trabalho e Pobreza
Feliz Natal e Próspero 2017, amigos!
O Ideal...
Curso de Mitologia Grega na Pinacoteca
Judite e Holofernes - Beleza, virtude, astúcia e Fé
Curso de Mitologia Greco-romana em Santos
FAMA (inveja) e DIFAMAÇÃO
Como saber o que lhe reserva o destino?
A Tempestade - W. Shakespeare - Parte II
A Tempestade - William Shakespeare Parte I
Torne seus filhos IMORTAIS!
"Bela, recatada e do lar" - Empoderamento de potestades ancestrais
Biblioteca da ESDC recebe obra monumental
O que é o Câncer?
Cursos Livres de Filosofia - Luciene Felix Lamy
Um recorte da Utopia de Thomas More
Sobre felicidade em... 7 de janeiro!
Existirpontocom: com quem se relacionar?
Tragédia, Terror e Ética
O mais perverso e, paradoxalmente, o mais sublime do Universo!
Da Amizade - Michel de Montaigne - Parte II
Da Amizade - Michel de Montaigne - Parte I
A vontade em Thomas Hobbes
REFUGIADOS IMIGRANTES: Hobbes e o Estado - Parte II
REFUGIADOS IMIGRANTES - O mal-estar na civilização (Freud) - Parte I
Mala CULTURAL para a Europa!
Renascimento: Rafael e a Escola de Atenas
Renascimento: Botticelli e a Virtude da Coragem
Renascimento: Giotto e a traição de Judas
Volta às Aulas! “Sapientia et augebitur scientia”
Platão: POLÍTICO - Conclusão.
Platão: Político - Parte II
Platão: Político - Parte I
Curso de Mitologia Greco-Romana em SP
Vaidade... “Vanitas vanitatum et omnia Vanitas”*
A atemporalidade dos ensinamentos de Maquiavel - Parte II
A atemporalidade dos ensinamentos de Maquiavel - Parte I
A VONTADE DE CRER - William James (Parte II)
A VONTADE DE CRER - William James (Parte I)
Os Sete Enforcados: paradoxo das finalidades e dos efeitos das penas
Ganhe uma viagem + 2 Cursos em ROMA!
Movimentos filosóficos helenísticos: O epicurismo (Parte II)
Movimentos filosóficos helenísticos: o epicurismo (Parte I)
Movimentos filosóficos helenísticos - os estoicos
Movimentos filosóficos helenísticos: os cínicos
Um inimigo do povo – Henrik Ibsen (Parte II)
Ganhe uma viagem para o Curso de Mitologia em ROMA!
Um inimigo do povo - Henrik Ibsen (Parte I)
Tratado Sobre a Tolerância - Voltaire e UNESCO
Memórias do Subsolo - Dostoiévski (Parte II)
Memórias do Subsolo - Dostoiévski (Parte I)
O MITO DO REI MIDAS - A sociedade de jumentos
CONSUMO versus CONSUMISMO - Bauman (Parte II)

Eis que a Sabedoria reina, mas não governa, por isso, quem pensa (no todo) precisa voltar para a caverna, alertar aos amigos. Nós vamos achar que estais louco, mas sabes que cegos estamos nós, prisioneiros acorrentados à escuridão da caverna.

Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República.

Eis o télos (do grego: propósito, objetivo) da Filosofia e do filósofo. Agir na cidade. Ação política. Phrônesis na Pólis.

Curso de Mitologia Grega

Curso de Mitologia Grega
As exposições mitológicas explicitam arquétipos (do grego, arché + typein = princípio que serve de modelo) atemporais e universais.

Desse modo, ao antropomorficizarem os deuses, ou seja, dar-lhes características genuinamente humanas, os antigos revelaram os princípios (arché) de sentimentos e conflitos que são inerentes a todo e qualquer mortal.

A necessidade da ordem (kósmos), da harmonia, da temperança (sophrosyne) em contraponto ao caos, à desmedida (hýbris) ou, numa linguagem nietzschiana, o apolíneo versus o dionisíaco, constitui a base de toda antiga pedagogia (Paidéia) tão cara à aristocracia grega (arístois, os melhores, os bem-nascidos posto que "educados").

Com os exponenciais poetas (aedos) Homero (Ilíada e Odisséia), Hesíodo (A Teogonia e O trabalho e os dias), além dos pioneiros tragediógrafos Sófocles e Ésquilo, dispomos de relatos que versam sobre a justiça, o amor, o trabalho, a vaidade, o ódio e a vingança, por exemplo.

O simples fato de conhecermos e atentarmos para as potências (dýnamis) envolvidas na fomentação desses sentimentos, torna-nos mais aptos a deliberar e poder tomar a decisão mais sensata (virtude da prudencia aristotélica) a fim de conduzir nossas vidas, tanto em nossos relacionamentos pessoais como indivíduos, quanto profissionais e sociais, coletivos.

AGIMOS COM MUITO MAIS PRUDÊNCIA E SABEDORIA.

E era justamente isso que os sábios buscavam ensinar, a harmonia para que os seres humanos pudessem se orientar em suas escolhas no mundo, visando atingir a ordem presente nos ideais platônicos de Beleza, Bondade e Justiça.

Estou certa de que a disseminação de conhecimentos tão construtivos contribuirá para a felicidade (eudaimonia) dos amigos, leitores e ouvintes.

Não há dúvida quanto a responsabilidade do Estado, das empresas, de seus dirigentes, bem como da mídia e de cada um de nós, no papel educativo de nosso semelhante.

Ao investir em educação, aprimoramos nossa cultura, contribuimos significativamente para que nossa sociedade se torne mais justa, bondosa e bela. Numa palavra: MAIS HUMANA.

Bem-vindos ao Olimpo amigos!

Escolha: Senhor ou Escravo das Vontades.

A Justiça na Grécia Antiga

A Justiça na Grécia Antiga

Transição do matriarcado para o patriarcado

A Justiça nos primórdios do pensamento ocidental - Grécia Antiga (Arcaica, Clássica e Helenística).

Nessa imagem de Bouguereau, Orestes (Membro da amaldiçoada Família dos Atridas: Tântalo, Pélops, Agamêmnon, Menelau, Clitemnestra, Ifigênia, Helena etc) é perseguido pelas Erínias: Vingança que nasce do sangue dos órgãos genitais de Ouranós (Céu) ceifado por Chronos (o Tempo) a pedido de Gaia (a Terra).

O crime de matricídio será julgado no Areópago de Ares, presidido pela deusa da Sabedoria e Justiça, Palas Athena. Saiba mais sobre o famoso "voto de Minerva": Transição do Matriarcado para o Patriarcado. Acesse clicando AQUI.

Versa sobre as origens de Thêmis (A Justiça Divina), Diké (A Justiça dos Homens), Zeus (Ordenador do Cosmos), Métis (Deusa da presciência), Palas Athena (Deusa da Sabedoria e Justiça), Niké (Vitória), Erínias (Vingança), Éris (Discórdia) e outras divindades ligadas a JUSTIÇA.

A ARETÉ (excelência) do Homem

se completa como Zoologikon e Zoopolitikon: desenvolver pensamento e capacidade de viver em conjunto. (Aristóteles)

Busque sempre a excelência!

Busque sempre a excelência!

TER, vale + que o SER, humano?

As coisas não possuem valor em si; somos nós que, através do nôus, valoramos.

Nôus: poder de intelecção que está na Alma, segundo Platão, após a diânóia, é a instância que se instaura da deliberação e, conforme valores, escolhe. É o reduto da liberdade humana onde um outro "logistikón" se manifesta. O Amor, Eros, esse "daimon mediatore", entre o Divino (Imortal) e o Humano (Mortal) pode e faz a diferença.

Ser "sem nôus", ser "sem amor" (bom daimon) é ser "sem noção".

A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

O Sábio Mestre: Antonio Medina Rodrigues (1940-2013)

O Sábio Mestre: Antonio Medina Rodrigues (1940-2013)

Você se sentiu ofendido...

irritado (em seu "phrenas", como diria Homero) ou chocado com alguma imagem desse Blog? Me escreva para que eu possa substituí-la. e-mail: mitologia@esdc.com.br