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1 de jul. de 2010

Adam Smith - Autodomínio sobre o Orgulho e a Vaidade


 “Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos”
Frontispício da Capela dos Ossos, na igreja de São Francisco.
Erguida entre os séculos XVI-XVII, é ornamentada de ossada humana
(há imagens no google). Évora, Portugal.


Não há como estimarmos nosso próprio valor (e o de nossos pares), aferir mérito e demérito, êxito ou fracasso, sem que estabeleçamos critérios. É demasiadamente humano compararmo-nos aos demais. Estamos inseridos e amarrados a esse jogo.

Comumente dirigimos o olhar aos nossos semelhantes, àqueles que de algum modo alcançaram o que valoramos e almejamos em termos de virtudes, sucesso, fortuna e felicidade. Nada mais natural que nos espelhemos nas pessoas que o ordinário senso comum, elege, estabelece e propaga como sendo os mais magníficos padrões de excelência.

Talvez porque ainda não sejamos suficientemente racionais, relutamos a avaliar nossa conduta considerando modelos abstratos, ideais, arquétipos de perfeição. Sensíveis ao que nos chega pelos sentidos (perdoem a redundância), atemo-nos ao mundano e, nessa seara, o princípio da autoestima pode ser tanto muito elevado quanto muito baixo. Não espanta que alguns de nós, em distintas circunstâncias, se considerem superiores, muito superiores ou inferiores aos demais, independente de realmente o sermos.

Mas estejamos cônscios de que, ao intentar realizar uma auto-avaliação, isenta e imparcial, de nosso comportamento, dispomos de dois critérios de julgamento. Sob essa sensível percepção, Adam Smith nos explica o Orgulho e a Vaidade, ambos provenientes de um excesso de autoestima.

Para Smith, há dois padrões diferentes com os quais – ora um, ora outro – nos comparamos. Seremos mais ou menos orgulhosos e/ou vaidosos, conforme o padrão adotado.

Sobre o primeiro padrão, ele afirma que: “é a ideia de exata conveniência e perfeição, na medida em que cada um de nós é capaz de compreender essa ideia”. Obviamente, essa “capacidade” de compreensão já é distintiva.

O homem sábio e virtuoso se empenha em perseguir esse ideal: “Imita, contudo, a obra de um divino artista, que jamais poderá ser igualada”. Consciente de suas fraquezas, esse homem se sente constrangido e se aflige quando “por falta de atenção, de discernimento e moderação, violou em palavras e ações, em conduta e conversa, as regras exatas da perfeita conveniência (...)”, diz Smith.

Esse extraordinário primeiro padrão de auto-avaliação (visivelmente platônico) impede que a arrogância e a presunção se instalem: “o mais sábio e melhor de nós nada pode ver em seu próprio caráter e conduta senão fraqueza e imperfeição (...), inúmeras razões para humildade, remorso e arrependimento”.

O segundo padrão de auto-avaliação (mais aristotélico) é da excelência do mundano, concreto, real, mais ordinário; segundo Adam Smith “é aquele grau de aproximação com essa ideia que habitualmente se obtém no mundo, que a maior parte de nossos amigos e companheiros, rivais e competidores, pode ter realmente atingido”.

Ambos os padrões cultuam, por exemplo, o sucesso. Mas no primeiro, nunca um sucesso a qualquer preço; ambos coroam o êxito profissional, mas jamais em qualquer “atividade” profissional; ambos anseiam por aplausos, mas não de qualquer platéia.

Prova cabal da veracidade de distintos padrões, por mais bem sucedidos que sejam, não tributamos honra às sinistras patifarias de desprezíveis muambeiras de luxo, empresários de prostíbulos, sonegadores, megatraficantes, especuladores financeiros, exploradores da fé, da miséria e da ignorância dos povos e de execráveis corruptos.

Se pautarmos nossa conduta tendo em mente o ideal de perfeição, dificilmente estaremos plenamente satisfeitos com efêmeras conquistas mundanas. Isso nos torna mais condescendentes, complacentes, humanitários e dignos. Modéstia, delicadeza, humildade e acurácia do espírito (sensibilidade) impedem a prepotência de arrogarmos valor acima de nosso próprio mérito.

Se, por outro lado, balizarmos nossa autoestima, nosso amor-próprio, nosso sentimento de valor unicamente através do grau de excelência que nossos amigos e conhecidos atingiram, podemos de fato, entrever alguma superioridade: “(...) há algumas que real e justificadamente se sentem acima dele, e que assim são reconhecidas por todo espectador inteligente e imparcial”, salienta o pensador.

Dentre os riscos de julgarmos nosso caráter nos atendo somente ao segundo padrão de excelência, está o de nos tornarmos arrogantes, soberbos e patéticos, sobretudo quando (mesmo detendo uma inteligência notoriamente acima da média, grande fortuna ou virtude, por exemplo) somoa vaidosos e nos deixamos levar pela admiração geral da multidão: “o próprio rumor dessas tolas aclamações contribui muitas vezes para confundir o entendimento (...) a grande populaça [o populacho] está naturalmente predisposta a erguer os olhos com uma admiração espantada, embora sem dúvida muito fraca e tola”, nos adverte o sapientíssimo Sr. Smith.

E assim, somos enredados na teia dos vícios do orgulho e da vaidade, com o risco de nos cercarmos de muitos bajuladores e (pior) ardilosos traidores. Smith salienta que “Uma vez que esses dois vícios freqüentemente se mesclam no mesmo caráter, necessariamente suas características se confundem; e às vezes encontramos a ostentação superficial e impertinente da vaidade reunida à mais maligna e ridícula insolência e orgulho”. É por isso que, muitas vezes, não sabemos se classificamos um caráter colocando-o entre os orgulhosos ou entre os vaidosos.

Orgulhoso é o indivíduo que “se acha”, e está sinceramente convencido que é o tal. Realmente tem uma autoestima inquebrantável. Para ele, todos os demais são mesmo inferiores; talvez apenas não tenham percebido isso. Àqueles que o criticam, o orgulhoso despreza, ou simplesmente desdenha-os. Não raro, é alvo de críticas, pois costumamos censurar ou abandonar àqueles que arrogam uma superioridade que não possuem.

O Vaidoso, por sua vez, é inseguro, precisa que os outros afiancem seu valor. Insiste em destacar seus feitos e qualidades: “Longe de desejar mortificar tua autoestima, fica feliz em cultivá-la, na esperança de que em troca cultives a dele. Lisonjeia para ser lisonjeado; estuda como agradar, e esforçar-se por subornar-te para que tenhas boa opinião dele mediante polidez e complacência”, revela Adam Smith.

É sabido que reverenciamos talentos e virtudes, bem como que respeitamos posição e fortuna (bens materiais). O Vaidoso é refém dos signos de status, para usurpar o prestígio da fortuna, por exemplo, o deslumbrado se endivida por grifes da moda, automóveis sofisticados, alta tecnologia, viagens e restaurantes caros; Smith alerta para o fato de que: “(...) anunciam uma posição e uma fortuna maiores do que as que realmente possuem; e, a fim de manter, essa tola impostura por alguns poucos anos, não raro se vê reduzido à pobreza e aflição muito antes do fim da vida”. Assim, o descontrole leva ao desespero de faltar salário e sobrar mês.

Mais confiante, o orgulhoso não paga esse mico. Para Adam Smith: “Seu senso da própria dignidade o torna cauteloso na conservação de sua independência e, caso sua fortuna não seja grande, ainda que deseje apresentar-se com decência, estuda meios de ser frugal e atento em todas as suas despesas”. Diferente do orgulhoso, o vaidoso é fake, talvez por isso, ainda mais lamentável.

Cultivar uma elevada autoestima é salutar: “É tão agradável julgarmo-nos favoravelmente, e tão desagradável julgarmo-nos medíocres, que a própria pessoa [e até o espectador] não duvida de que algum grau de excesso deve ser menos desagradável do que qualquer grau de falta”, diz Adam Smith. Quanto à ausência de autoestima, postei, na íntegra, a análise do autor sobre a idiotia e o idiota, confira logo abaixo.

Ter-se em alta conta é benéfico, fundamental para nosso progresso e evolução, pois, como diz o estudioso, grande êxito no mundo, visível autoridade sobre sentimentos e opiniões, imortalidade na memória da humanidade, raramente foram obtidos sem algum grau dessa excessiva admiração de si: “os homens que realizaram as ações mais ilustres, que provocaram as maiores revoluções (...), os mais bem-sucedidos guerreiros, os maiores estadistas e legisladores, os eloqüentes fundadores e líderes das mais numerosas e bem-sucedidas seitas e partidos – muitos destes não se distinguiriam mais por seu intenso mérito do que por um grau de presunção e admiração de si inteiramente desproporcional até mesmo em relação a esse imenso mérito”.

Ao olhar de um sábio, no entanto, somente a análise objetiva, diante do imortal e não da transitória fama é que se revela o verdadeiro valor de um homem. O sábio é extraordinário; por mais enaltecido que seja, é consciente do quão distante está da verdadeira excelência.

Com baixos padrões de comparação, resvalamos facilmente ao orgulho e vaidade. Com altos padrões de comparação (a ideia de perfeição) saberemos quem realmente somos e nos empenharemos cada vez mais a atingir o ideal. Sempre abaixo do divino, mas seguramente, muito acima do mundano.


Idiotia – O idiota (Adam Smith em Teoria dos Sentimentos Morais)
As pessoas infelizes, a quem a natureza formou bastante abaixo do nível comum, às vezes parecem atribuir-se um valor ainda mais baixo do que realmente possuem. Às vezes essa humildade parece mergulhá-las na idiotia.

Quem quer que tenha se dado o trabalho de examinar os idiotas atentamente, descobrirá que em muitos deles as faculdades do entendimento não são em absoluto mais fracas do que em várias outras pessoas as quais, embora sabiamente embotadas e estúpidas, não são consideradas idiotas.

Muitos idiotas, que receberam uma instrução comum, aprenderam a ler, escrever e contar razoavelmente bem. Muitas pessoas jamais consideradas idiotas, a despeito da mais cuidadosa instrução, e a despeito de terem, em sua idade avançada, suficiente espírito para tentar aprender o que na infância sua instrução não lhes ensinou, nunca conseguiram obter em grau razoável uma só dessas três habilidades. Por um orgulho instintivo, contudo, elevam-se ao mesmo nível de seus iguais em idade e situação, e, com coragem e firmeza, mantêm adequada sua posição entre seus companheiros.
Por um instinto oposto, o idiota sente-se inferior a todos os companheiros a quem o apresentares. Maus tratos, aos quais é muito exposto, podem lançá-lo aos mais violentos ataques de cólera e fúria. Mas nenhum trato agradável, nenhuma gentileza ou tolerância podem animá-lo a conversar contigo como teu igual. Se ao menos puderes fazê-lo conversar contigo, verás, porém, que muitas vezes suas respostas são bastante pertinentes, e até sensatas. Mas estão sempre marcadas com uma nítida consciência de sua imensa inferioridade.

O idiota parece encolher-se, como se se afastasse de teu olhar e da tua conversa, e, ao colocar-se na tua situação, parece sentir que, apesar de tua aparente condescendência, não podes evitar considerá-lo imensamente inferior. Alguns idiotas, talvez a grande maioria deles, parecem ser assim, principal ou inteiramente por certa estupidez ou torpor das faculdades do entendimento. Mas há outros em que essas faculdades não parecem mais estúpidas ou entorpecidas do que em muitas outras pessoas não consideradas idiotas.

O orgulho instintivo, necessário para provê-las de uma igualdade com seus irmãos, parece, todavia, faltar totalmente aos primeiros, não aos últimos.

(...) O homem que se estima como deveria, e não mais do que deveria, raramente deixa de obter de outros toda a estima que julga ser-lhe devida. Não deseja mais do que lhe é devido, e fia-se nisso com total satisfação.

O homem orgulhoso e o homem vaidoso, ao contrário, estão sempre insatisfeitos. Um é atormentado por indignação pela superioridade, que julga injusta, de outras pessoas; outro teme continuamente a vergonha que prevê resultaria do desmascaramento de suas infundadas pretensões.

Até as extravagantes pretensões do homem de real magnanimidade, quando amparadas por esplêndidas habilidades, virtudes e, sobretudo, pela boa fortuna, impõem-se à multidão, cujos aplausos pouco lhe importam, embora não se imponham aos homens sábios, cuja aprovação só pode valorizar, e cuja estima está tão preocupado em obter.

Percebe que decifraram, suspeita de que desprezem, sua excessiva presunção; e muitas vezes sofre o cruel infortúnio de tornar-se, primeiro inimigo invejoso e secreto, e finalmente, declarado, furioso e vingativo, das mesmas pessoas cuja amizade lhe teria proporcionado imensa felicidade usufruir com insuspeita segurança.

Embora nosso desgosto para com os orgulhosos e vaidosos freqüentemente nos predisponha a posicioná-los antes abaixo que acima de seu lugar apropriado, muito raramente nos aventuramos a tratá-los mal, a menos que nos instigue uma impertinência particular e pessoal. Em casos comuns, esforçamo-nos, para nosso próprio bem, para aquiescer e, conforme pudermos, para acomodar-nos à sua loucura.

Mas ao homem que se subestima, a não ser que tenhamos mais discernimento e mais generosidade do que a maioria dos homens é raro deixarmos de fazer pelo menos toda a injustiça que ele faz a si mesmo, e freqüente fazermos injustiça ainda maior. Este não apenas é muito mais infeliz, quanto a seus próprios sentimentos, do que os orgulhosos ou os vaidosos, como também muito mais passível a toda a sorte de ofensas por parte das outras pessoas.

Em quase todos os casos, é melhor ser um pouco orgulhoso demais, do que demasiado humilde em qualquer aspecto; e quanto ao sentimento de auto-estima, algum grau de excesso parece, tanto para a própria pessoa, como para o espectador imparcial, ser menos desagradável do que qualquer grau de falta.

Adam Smith – Teoria dos Sentimentos Morais, Seção III – Do autodomínio (páginas. 325-327)

1 de jun. de 2010

Adam Smith - Autodomínio e Falso Autodomínio

Parte I - Medo e Cólera

 “Um momento de paciência pode evitar um grande desastre;
Um momento de impaciência pode arruinar toda a vida”. Provérbio chinês

Inteligência não é sinônimo de sabedoria: “O mais perfeito conhecimento, se não for amparado pelo mais perfeito autodomínio, nem sempre capacitará [o homem] a cumprir o seu dever”, diz o filósofo escocês Adam Smith (1723-1790).

Considerado o “Pai” da Economia moderna, é mais conhecido por sua famosa obra “A riqueza das Nações”. Porém, “Teoria dos Sentimentos Morais”, sobre a qual tangenciamos, foi publicada em 1759 e é considerada por muitos estudiosos sua verdadeira obra-prima.

É agradabilíssimo aprender ‘como ser juiz de si mesmo’, testemunhando o espantoso grau de erudição alcançado pelo Sr. Smith, em cuja alma notoriamente apaixonada pelos antigos, sobretudo os sábios filósofos gregos, pulsa uma magnanimidade ímpar.

Do inspirado pensador, ao qual tive a felicidade de ser apresentada pelo economista brasileiro Alexandre Schwartsman quando estudava a avareza/ganância dentre “Os Sete Pecados Capitais” (vide artigo já publicado), focaremos o “Autodomínio” que, como diz Adam Smith: “não é apenas em si mesmo uma grande virtude, mas dele todas as outras virtudes parecem derivar seu principal brilho”.

A necessidade de autodomínio está intimamente relacionada às tentações, pois como diz o autor “agir de acordo com os ditames da prudência, da justiça e da beneficência apropriada, parece não ter grande mérito se não existe a tentação de agir de outra forma”. Somos cônscios de que é justamente na capacidade de empreendermos autodomínio diante dos pathós (afecções da alma) que poremos em relevo nossas maiores virtudes, ou sucumbiremos a vexatórios e odiosos vícios.

Conhecer as regras, no entanto, não nos capacita a cumpri-las. Somos passíveis de medo, cólera e, como qualquer ser humano, orgulhosos e vaidosos. As paixões nos seduzem com facilidade e, insistentes, nos induzem a atitudes aviltantes, constrangedoramente indignas, que contrariam e traem nossas convicções.

O autor subdivide as paixões em duas classes: no primeiro grupo inclui as que mais exigem esforço de autodomínio e que são mais raras, pontuais; no segundo grupo enquadra as paixões que podem ser refreadas com mais facilidade, mas que, por serem mais constantes “por suas súplicas contínuas e quase incessantes, podem, no curso de uma vida, induzir a grandes desvios”.

É tarefa árdua manter lúcido autodomínio diante de uma inesperada situação aterradora: deimos e phobos (terror e medo), sabiam os gregos, são paralisantes. Por outro lado, é muito difícil refrear a reação imediata e impulsiva num agudo momento de cólera.

No segundo grupo das paixões sobre as quais convém que exerçamos autodomínio, nos enredam “o amor ao sossego, ao prazer, ao aplauso e a muitas outras satisfações egoístas”. Seguramente, se compararmos as do primeiro com as do segundo grupo, parece-nos mais fácil dominá-las, pois essas inclinações nos concedem algum tempo mínimo de reflexão; ao menos, mais do que quando somos assaltados pelo medo e pela cólera (primeiro grupo).

Medo e cólera, embora sejam arroubos muito intensos, são pontuais. Não se vive tomado por medo e cólera diuturnamente. Os apetites concupiscentes do segundo grupo, por sua vez, embora até menos desenfreados e impetuosos, são dóceis e brandos e por isso mesmo, mais insidiosos. Tão insistentes e constantes que “por suas súplicas contínuas [diárias até], não raro nos induz[em] a muitas fraquezas que depois com muita razão nos envergonharemos” nos momentos de acurada lucidez.

Ressaltando que “Nenhum caráter é mais desprezível do que o de um covarde” aponta que dominar o medo e a cólera exige coragem, vigor e força de espírito. De outro modo, o domínio dos desejos do ego, para os antigos moralistas (sem conotação pejorativa) demanda temperança (em grego Sophrosyne = justa medida; Espírito são), decência, modéstia e moderação.

Nos heróis (e até mesmo nos vilões!), a capacidade de alguns homens em subjugar o medo, mantendo a “presença de espírito” mesmo diante rainha dos terrores – a morte – não deixa de nos causar genuína admiração: “É esse habitual desprezo pelo perigo e pela morte que enobrece a profissão de soldado, e lhe confere na concepção natural da humanidade, posição e dignidade superiores às de qualquer outra”.

Essa ímpar característica distintiva do guerreiro destemido e vitorioso, que é a alké (coragem) guarda um “segredo” revelado por Hesíodo na Teogonia (cerca de 600 a.C.): “kydistos” (possuidor de “kydós”, uma variante de Kleós/Glória e Niké/Vitória) é um dos epítetos de Zeus (Júpiter, o grande Superintendente do Universo, como Adam Smith designa).

Numa batalha, prova ou em qualquer outro desafio, ao mortal que também trouxer o “kydós” dentro do peito será destinada a vitória. Dessa forma, ao cônscio e convicto de trazer a marca distintiva do kydós de Zeus em si, a tal “presença de espírito” como identifica o Sr. Smith, só cabe um destino: Victor! “Ele” o elege porque primeiro o candidato a herói “O” elegeu. É assim que o afortunado é eleito, que a Fortuna lhe sorri. O “segredo” é estar convicto da vitória antes do início do combate.

Dominar a cólera não é atitude menos generosa e nobre que dominar o medo, diz Smith. Sem dúvida, uma destemperada e ruidosa explosão de cólera “é sempre odiosa e ofensiva” conclui, salientando que “nos importa não o homem irado, mas o homem com quem este está irado”, e essa indignação, quando justa, faz toda diferença.

Apontando um dos caminhos para refrear a cólera, Adam Smith é lapidar: “Em muitas ocasiões a nobreza do perdão revela-se superior até mesmo a mais perfeita propriedade do ressentimento (...) o homem que consegue pôr de lado toda a animosidade e agir com confiança e cordialidade para com a pessoa que mais dolorosamente o ofendeu parece merecer com justiça nossa mais elevada admiração”.

Numa ação de falso domínio, freqüentemente é o medo que impede a reação encolerizada, mas “nesses casos a baixeza do motivo retira toda nobreza do controle”.

Reativa, “A cólera incita ao ataque, e às vezes, quando é saciada, deixa à mostra uma sorte de coragem e superioridade diante do medo. Saciar a cólera é por vezes objeto de vaidade; saciar o medo, jamais”.

Quando os propósitos são perniciosos “(...) o domínio da cólera nem sempre se mostra sob cores tão esplêndidas”. O indivíduo dissimulado, que consegue conter a cólera por medo de enfrentar quem a suscita, é falso e perigosíssimo: traiçoeiro, como ardilosa serpente, estará à espreita, aguardando apenas a ocasião mais propícia e segura para dar o bote.

Adam Smith é contundente ao afirmar que os homens vaidosos e fracos, quando diante de seus inferiores ou entre àqueles que nem se atrevem a enfrentá-los, mostram-se excessivamente passionais, pois acreditam que, agindo desse modo ostentam o que se chama de valor e angariam aplausos [dos igualmente toscos] admiradores.

Abomináveis, os que assim se portam são de uma arrogância deplorável: “Há sempre algo digno no domínio do medo, seja qual for o motivo sobre o qual este se funda. O mesmo não ocorre no que se refere ao domínio da cólera: a menos que se funde inteiramente sobre o senso de decência, de dignidade, de conveniência, nunca é perfeitamente agradável”.

Urge saber distinguir sabiamente a situação de “verdadeiro autodomínio” das de “falso domínio de si”, pois a coragem tanto pode ser usada para perpetrar justiça ou injustiça: “Trata-se, do trabalho lento, gradual e progressivo do grande semideus dentro do peito, o grande juiz e árbitro da conduta”, profere Adam Smith. É necessário empenhar-se constantemente no cultivo da virtude do autodomínio e acalentar forte senso de conveniência para fazer e principalmente manter esse comprometimento.

1 de abr. de 2010

AMOR LÍQUIDO - Sobre a a fragilidade dos laços humanos

“É da natureza do Amor ser refém do destino”.
Lucano/Francis Bacon

É sobre a desesperadora dificuldade de se perpetuar os vínculos no mundo de hoje que o sociólogo polonês Zygmunt Bauman se debruça na obra que dá título a esse artigo, e a respeito da qual tecemos breves considerações.

Eterno e em constante mudança, o amor é dos deuses mais antigos, a maior dýnamis (potência) do universo. Concilia a permanência de Parmênides (o Ser É) e a mudança de Heráclito (Tudo Flui), o que não surpreende se considerarmos que sua areté (excelência) é justamente essa: unir.

Desde ‘O Banquete - sobre o Amor’, de Platão (vide artigo nesse Blog), onde nada de relevante deixou de ser dito acerca do Amor, o que há de novo em nossa líquida sociedade moderna alterando essa potestade? É possível que ainda existam ligações indissolúveis e definitivas? Ou o veloz virtual mundo líquido em que vivemos dificulta o perene, nos obrigando a viver constantemente sob a égide da incerteza, numa absoluta fluidez e alternância de vínculos?

Quando as relações virtuais (conexões) estabelecem um padrão, um novo molde/paradigma de relacionamento se impõe. E em nosso cotidiano, o virtual tem se tornado cada vez mais real.

E o que é a realidade? Segundo a clássica descrição de Émile Durkheim (1858-1917): algo que fixa, que ‘institui fora de nós certas formas de agir e certos julgamentos que não dependem de cada vontade particular tomada isoladamente’; algo que ‘deve ser reconhecido pelo poder de coerção externa’ e pela ‘resistência oferecida a todo ato individual que tenda a transgredi-la’.

Quanto aos vínculos, atentemos para o fato de que o de parentesco goza de um status privilegiadamente singular: é de nascença, incondicional, irrevogável e indissolúvel. É pura e simplesmente, querendo ou não, uma coisa dada. Passíveis de serem mais estreitados ou nem tanto, vínculos de parentesco não são precedidos por escolha (escolher qualifica), daí serem bênçãos ou maldições, dádiva ou sina.

É precisamente a inabalável solidez que o parentesco pressupõe, que tanto almejamos quando, por desejo, nos unimos a alguém. Obviamente, ao exercermos a liberdade de escolher a quem nos vincularmos, priorizamos nossas afinidades – Wahlverwandschaft.

É no reduto das escolhas amorosas que, exercendo nosso livre arbítrio, ao sermos correspondidos, vislumbramos o valor do nosso ‘eu’. E de quanto mais virtudes, predicados, distinções e de atributos singulares a pessoa escolhida for dotada, mais glória tributamos a nós mesmos: “No brilho ofuscante da pessoa escolhida, minha própria incandescência encontra seu reflexo resplandecente”, diz Bauman.

No decorrer da vida, nossos valores mudam (aos 50 anos, estaremos atentos a virtudes inimagináveis aos 20, por exemplo). Estejamos cônscios a mais essa doce cilada de Eros. Convém não fazer do amado, objeto: “uma simples extensão, eco, ferramenta ou empregado trabalhando para mim (...).”

Parentescos, cultivados ou não, estarão sempre à mão, já a escolha deliberada “diferentemente da sina do parentesco, é uma via de mão dupla. Sempre se pode dar meia volta”. Exceto, talvez, pela adoção de um (a) filho (a), cujo cordão umbilical (mesmo quando inexistente), é duplamente alicerçado, nas demais, Bauman chama a atenção para o fato de que “A menos que a escolha seja reafirmada diariamente e novas ações continuem a ser empreendidas para confirmá-la, a afinidade vai definhando, murchando e se deteriorando até se desintegrar”.

O ‘regar todos os dias’ é algo que soa extremamente extenuante para nós, já avessos e desacostumados a sólidos e duráveis, hipnotizados pelo instantâneo, descartável e de menor esforço possível: “nem mesmo os casamentos, ao contrário da insistência sacerdotal, são feitos no céu, e o que foi unido por seres humanos estes podem – e têm permissão para – desunir” como nos alerta o sociólogo.

O cultivo de uma relação, amorosa ou de amizade – real ou virtual – pode se revelar árduo e enfadonho. Quer seja nos tempos d’outrora, ou nos dias de agora, é exigir demais a um casal apaixonado o cumprimento da promessa de que o amor dure e perdure até que a morte os separe.

O sapientíssimo tragediógrafo grego Sófocles (496 a.C. – 406 a.C.), em sua atemporal obra “Antígona” é certeiro: “O que é a vida do homem? Algo que não é orientado para o bem ou para o mal, nem moldado para louvar ou censurar. A oportunidade leva o homem às alturas, a oportunidade o arremessa para baixo e ninguém pode prever o que será a partir daquilo que se é”.

Mesmo que essa imprevisibilidade nos assombre, Bauman nos diz também que “ninguém pode suportar com leveza essa impossibilidade (...) é o futuro, assustadoramente desconhecido e impenetrável, e não a dignidade de um passado que, embora venerável, se oculta por trás do dilema (...)”. O fato é que talvez nunca tenha havido tantas oportunidades – leiam-se incertezas – quanto agora.

Se diante dum oráculo, pudéssemos indagar sobre o futuro de nossos amores, por qual das seguintes possibilidades de resposta optaríamos: A) Durará para sempre; B) Não durará ou C) Não há como saber?

Misteriosamente “barrando o acesso, negando o ingresso, inatingível e eternamente além do nosso alcance”, a última opção é a divina, aponta o estudioso. Assim é o amor.

Fascinante, Eros não desagrada a ninguém, imprevisibilidade é outro de seus desconcertantes e sedutores atributos. Sentimentos de insegurança fomentam desejos conflitantes que culminam na dilacerante alternância entre “apertar os laços e ao mesmo tempo mantê-los frouxos”.

Por mais que desejemos ser um só – somente o amor permite essa fusão, repetidas vezes – há a intransponível dualidade dos seres: “Tentativas de superar essa dualidade, de abrandar o obstinado e domar o turbulento, de tornar prognosticável o incognoscível e de acorrentar o nômade – tudo isso soa como um dobre de finados para o amor.”

Será que, quando se trata de amor, posse, poder, fusão e desencanto são mesmo, “Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse” como aponta o estudioso? Zygmunt Bauman diz que Odo Marquad atentou para o fato que “do parentesco etimológico entre zwei e zweifel (“dois” e dúvida”, em alemão) e insinuou que o elo entre essas palavras vai além da simples aliteração. Onde há dois não há certeza”.

Reduzindo drasticamente as pressões, em nenhum outro ambiente os vínculos, os relacionamentos são tão agradáveis e descartáveis quanto no mundo virtual: “As relações virtuais se encaixam como uma luva na atual vida moderna. Diferente dos compromissos ‘reais’ e, mais aprisionantes ainda, dos compromissos de longo prazo, essas relações são indolores, são fáceis de entrar e sair, aparecem e desaparecem num clique: ‘Em comparação com a ‘coisa autêntica’, pesada, lenta e confusa, eles parecem inteligentes e limpos, fáceis de usar, compreender e manusear (...)”.

Simplesmente embaraçosos ou perturbadoramente constrangedores, muitas vezes é grande a dificuldade de romper vínculos/relações ‘inconvenientes’, mas romper uma ‘conexão indesejável’ não requer prática nem tampouco habilidade: “conexões podem ser rompidas, e o são, muito antes que se comece a detestá-las”, diz Bauman.

Existe algo mais simples que não responder a um email (que podemos não ter mesmo recebido ou ido parar na caixa de ‘spam’)? E o ‘Delete’ no teclado, além de tempo, não nos poupa também da enfadonha necessidade de promessas, desculpas e das inúmeras e incômodas máscaras?

Mas não se iludam! No mundo virtual, embora sejam inúmeros (e sempre crescentes) os “contatos”, ter acesso não significa (muito menos garante) relações prazerosas, vínculos estreitos e: “Manter-se em alta velocidade, antes uma aventura estimulante, vira uma tarefa cansativa”, aponta Bauman.

Obviamente há o risco de, não favorecendo êxito no aprofundamento (leia-se qualidade) das relações, buscarem-se compensações na velocidade com que eles surgem e desaparecem (entenda-se quantidade).

No virtual, substituição é a palavra de ordem: “quando se esquia sobre gelo fino, a salvação está na velocidade”. Nada mais confuso, instável e descartável.

Lúcido, Zygmunt Bauman diz que “Não se pode aprender a amar, tal como não se pode aprender a morrer (...) chegado o momento, o amor e a morte atacarão – mas não se tem a mínima idéia de quando isso acontecerá. Quando acontecer, vai pegar você desprevenido”.

Nada avessa ao mundo virtual, considero curioso que essa navegação favoreça e muito a idealização do amor, realizando o platônico. Vínculos reais e relações físicas, além de sujeitos a conceitos pré-concebidos (preconceitos) também nos acorrentam a tempo e espaço, enquanto afinidades por ‘idéias’ e ideais, além e acima de mundanidades, são mais livres e autênticas.

Pleno é reunir corpo e alma – Pandêmia e Urânia – as duas modalidades de Afrodite (*). Privilegiar a primeira é mais razoável para a felicidade (do tipo "feito no céu"). Talvez seja por isso que Nietzsche tenha recomendado que nos unamos com quem seja prazeroso... conversar!

Tão inescapável quanto à morte, reais ou virtuais, nunca houve nem haverá receita universal para desfrutar dessa dádiva que é o amor. Como a própria vida, não há garantia de prazo. Seu destino é enfeitiçadoramente inconcluso, exatamente como proferido pelo oráculo. O télos (propósito) desse daimon divino é gerar e parir a beleza - no corpo ou na alma – pode ser em ambos. E até eterno.

(*) Trecho de meu artigo O Banquete – sobre o Amor, Platão (disponível em meu Blog).

Mais realista, “não é um só”, objeta Pausânias que, cingindo a unidade do Amor, subdivide-o e (não os excluindo) hierarquiza-os imediatamente: Afrodite não é só uma, há a mais velha, Urânia (Celestial) e a Pandêmia (pan = todos e demos = povos). Nesta última, amam mais o corpo que a alma. Afrodite Pandêmia (a Popular, vulgar) inexoravelmente é vencida pelo tempo (Chronos): “Com efeito, ao mesmo tempo em que cessa o viço do corpo, que era o que ele amava “alça ele o seu vôo” (citando Homero), sem respeito a muitas palavras e promessas feitas. Ao contrário, o amante do caráter, que é bom, é constante por toda a vida, porque se fundiu com o que é constante”.

Pausânias revela duas formas de Amor: Afrodite Urânia, associada ao eterno, imortal e Afrodite Pandêmia ao transitório, mortal. Os dois amores são necessários, embora sucumbir dando ênfase à Pandêmia desvirtue a pólis.

E mesmo que esteja passível de cometer um engano, um erro de pessoa, quem ama verdadeiramente é digno de nobreza.

Discuta esse texto aqui mesmo em nosso Blog.
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Eis que a Sabedoria reina, mas não governa, por isso, quem pensa (no todo) precisa voltar para a caverna, alertar aos amigos. Nós vamos achar que estais louco, mas sabes que cegos estamos nós, prisioneiros acorrentados à escuridão da caverna.

Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República.

Eis o télos (do grego: propósito, objetivo) da Filosofia e do filósofo. Agir na cidade. Ação política. Phrônesis na Pólis.

Curso de Mitologia Grega

Curso de Mitologia Grega
As exposições mitológicas explicitam arquétipos (do grego, arché + typein = princípio que serve de modelo) atemporais e universais.

Desse modo, ao antropomorficizarem os deuses, ou seja, dar-lhes características genuinamente humanas, os antigos revelaram os princípios (arché) de sentimentos e conflitos que são inerentes a todo e qualquer mortal.

A necessidade da ordem (kósmos), da harmonia, da temperança (sophrosyne) em contraponto ao caos, à desmedida (hýbris) ou, numa linguagem nietzschiana, o apolíneo versus o dionisíaco, constitui a base de toda antiga pedagogia (Paidéia) tão cara à aristocracia grega (arístois, os melhores, os bem-nascidos posto que "educados").

Com os exponenciais poetas (aedos) Homero (Ilíada e Odisséia), Hesíodo (A Teogonia e O trabalho e os dias), além dos pioneiros tragediógrafos Sófocles e Ésquilo, dispomos de relatos que versam sobre a justiça, o amor, o trabalho, a vaidade, o ódio e a vingança, por exemplo.

O simples fato de conhecermos e atentarmos para as potências (dýnamis) envolvidas na fomentação desses sentimentos, torna-nos mais aptos a deliberar e poder tomar a decisão mais sensata (virtude da prudencia aristotélica) a fim de conduzir nossas vidas, tanto em nossos relacionamentos pessoais como indivíduos, quanto profissionais e sociais, coletivos.

AGIMOS COM MUITO MAIS PRUDÊNCIA E SABEDORIA.

E era justamente isso que os sábios buscavam ensinar, a harmonia para que os seres humanos pudessem se orientar em suas escolhas no mundo, visando atingir a ordem presente nos ideais platônicos de Beleza, Bondade e Justiça.

Estou certa de que a disseminação de conhecimentos tão construtivos contribuirá para a felicidade (eudaimonia) dos amigos, leitores e ouvintes.

Não há dúvida quanto a responsabilidade do Estado, das empresas, de seus dirigentes, bem como da mídia e de cada um de nós, no papel educativo de nosso semelhante.

Ao investir em educação, aprimoramos nossa cultura, contribuimos significativamente para que nossa sociedade se torne mais justa, bondosa e bela. Numa palavra: MAIS HUMANA.

Bem-vindos ao Olimpo amigos!

Escolha: Senhor ou Escravo das Vontades.

A Justiça na Grécia Antiga

A Justiça na Grécia Antiga

Transição do matriarcado para o patriarcado

A Justiça nos primórdios do pensamento ocidental - Grécia Antiga (Arcaica, Clássica e Helenística).

Nessa imagem de Bouguereau, Orestes (Membro da amaldiçoada Família dos Atridas: Tântalo, Pélops, Agamêmnon, Menelau, Clitemnestra, Ifigênia, Helena etc) é perseguido pelas Erínias: Vingança que nasce do sangue dos órgãos genitais de Ouranós (Céu) ceifado por Chronos (o Tempo) a pedido de Gaia (a Terra).

O crime de matricídio será julgado no Areópago de Ares, presidido pela deusa da Sabedoria e Justiça, Palas Athena. Saiba mais sobre o famoso "voto de Minerva": Transição do Matriarcado para o Patriarcado. Acesse clicando AQUI.

Versa sobre as origens de Thêmis (A Justiça Divina), Diké (A Justiça dos Homens), Zeus (Ordenador do Cosmos), Métis (Deusa da presciência), Palas Athena (Deusa da Sabedoria e Justiça), Niké (Vitória), Erínias (Vingança), Éris (Discórdia) e outras divindades ligadas a JUSTIÇA.

A ARETÉ (excelência) do Homem

se completa como Zoologikon e Zoopolitikon: desenvolver pensamento e capacidade de viver em conjunto. (Aristóteles)

Busque sempre a excelência!

Busque sempre a excelência!

TER, vale + que o SER, humano?

As coisas não possuem valor em si; somos nós que, através do nôus, valoramos.

Nôus: poder de intelecção que está na Alma, segundo Platão, após a diânóia, é a instância que se instaura da deliberação e, conforme valores, escolhe. É o reduto da liberdade humana onde um outro "logistikón" se manifesta. O Amor, Eros, esse "daimon mediatore", entre o Divino (Imortal) e o Humano (Mortal) pode e faz a diferença.

Ser "sem nôus", ser "sem amor" (bom daimon) é ser "sem noção".

A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

O Sábio Mestre: Antonio Medina Rodrigues (1940-2013)

O Sábio Mestre: Antonio Medina Rodrigues (1940-2013)

Você se sentiu ofendido...

irritado (em seu "phrenas", como diria Homero) ou chocado com alguma imagem desse Blog? Me escreva para que eu possa substituí-la. e-mail: mitologia@esdc.com.br