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1 de jun de 2010

Adam Smith - Autodomínio e Falso Autodomínio

Parte I - Medo e Cólera

 “Um momento de paciência pode evitar um grande desastre;
Um momento de impaciência pode arruinar toda a vida”. Provérbio chinês

Inteligência não é sinônimo de sabedoria: “O mais perfeito conhecimento, se não for amparado pelo mais perfeito autodomínio, nem sempre capacitará [o homem] a cumprir o seu dever”, diz o filósofo escocês Adam Smith (1723-1790).

Considerado o “Pai” da Economia moderna, é mais conhecido por sua famosa obra “A riqueza das Nações”. Porém, “Teoria dos Sentimentos Morais”, sobre a qual tangenciamos, foi publicada em 1759 e é considerada por muitos estudiosos sua verdadeira obra-prima.

É agradabilíssimo aprender ‘como ser juiz de si mesmo’, testemunhando o espantoso grau de erudição alcançado pelo Sr. Smith, em cuja alma notoriamente apaixonada pelos antigos, sobretudo os sábios filósofos gregos, pulsa uma magnanimidade ímpar.

Do inspirado pensador, ao qual tive a felicidade de ser apresentada pelo economista brasileiro Alexandre Schwartsman quando estudava a avareza/ganância dentre “Os Sete Pecados Capitais” (vide artigo já publicado), focaremos o “Autodomínio” que, como diz Adam Smith: “não é apenas em si mesmo uma grande virtude, mas dele todas as outras virtudes parecem derivar seu principal brilho”.

A necessidade de autodomínio está intimamente relacionada às tentações, pois como diz o autor “agir de acordo com os ditames da prudência, da justiça e da beneficência apropriada, parece não ter grande mérito se não existe a tentação de agir de outra forma”. Somos cônscios de que é justamente na capacidade de empreendermos autodomínio diante dos pathós (afecções da alma) que poremos em relevo nossas maiores virtudes, ou sucumbiremos a vexatórios e odiosos vícios.

Conhecer as regras, no entanto, não nos capacita a cumpri-las. Somos passíveis de medo, cólera e, como qualquer ser humano, orgulhosos e vaidosos. As paixões nos seduzem com facilidade e, insistentes, nos induzem a atitudes aviltantes, constrangedoramente indignas, que contrariam e traem nossas convicções.

O autor subdivide as paixões em duas classes: no primeiro grupo inclui as que mais exigem esforço de autodomínio e que são mais raras, pontuais; no segundo grupo enquadra as paixões que podem ser refreadas com mais facilidade, mas que, por serem mais constantes “por suas súplicas contínuas e quase incessantes, podem, no curso de uma vida, induzir a grandes desvios”.

É tarefa árdua manter lúcido autodomínio diante de uma inesperada situação aterradora: deimos e phobos (terror e medo), sabiam os gregos, são paralisantes. Por outro lado, é muito difícil refrear a reação imediata e impulsiva num agudo momento de cólera.

No segundo grupo das paixões sobre as quais convém que exerçamos autodomínio, nos enredam “o amor ao sossego, ao prazer, ao aplauso e a muitas outras satisfações egoístas”. Seguramente, se compararmos as do primeiro com as do segundo grupo, parece-nos mais fácil dominá-las, pois essas inclinações nos concedem algum tempo mínimo de reflexão; ao menos, mais do que quando somos assaltados pelo medo e pela cólera (primeiro grupo).

Medo e cólera, embora sejam arroubos muito intensos, são pontuais. Não se vive tomado por medo e cólera diuturnamente. Os apetites concupiscentes do segundo grupo, por sua vez, embora até menos desenfreados e impetuosos, são dóceis e brandos e por isso mesmo, mais insidiosos. Tão insistentes e constantes que “por suas súplicas contínuas [diárias até], não raro nos induz[em] a muitas fraquezas que depois com muita razão nos envergonharemos” nos momentos de acurada lucidez.

Ressaltando que “Nenhum caráter é mais desprezível do que o de um covarde” aponta que dominar o medo e a cólera exige coragem, vigor e força de espírito. De outro modo, o domínio dos desejos do ego, para os antigos moralistas (sem conotação pejorativa) demanda temperança (em grego Sophrosyne = justa medida; Espírito são), decência, modéstia e moderação.

Nos heróis (e até mesmo nos vilões!), a capacidade de alguns homens em subjugar o medo, mantendo a “presença de espírito” mesmo diante rainha dos terrores – a morte – não deixa de nos causar genuína admiração: “É esse habitual desprezo pelo perigo e pela morte que enobrece a profissão de soldado, e lhe confere na concepção natural da humanidade, posição e dignidade superiores às de qualquer outra”.

Essa ímpar característica distintiva do guerreiro destemido e vitorioso, que é a alké (coragem) guarda um “segredo” revelado por Hesíodo na Teogonia (cerca de 600 a.C.): “kydistos” (possuidor de “kydós”, uma variante de Kleós/Glória e Niké/Vitória) é um dos epítetos de Zeus (Júpiter, o grande Superintendente do Universo, como Adam Smith designa).

Numa batalha, prova ou em qualquer outro desafio, ao mortal que também trouxer o “kydós” dentro do peito será destinada a vitória. Dessa forma, ao cônscio e convicto de trazer a marca distintiva do kydós de Zeus em si, a tal “presença de espírito” como identifica o Sr. Smith, só cabe um destino: Victor! “Ele” o elege porque primeiro o candidato a herói “O” elegeu. É assim que o afortunado é eleito, que a Fortuna lhe sorri. O “segredo” é estar convicto da vitória antes do início do combate.

Dominar a cólera não é atitude menos generosa e nobre que dominar o medo, diz Smith. Sem dúvida, uma destemperada e ruidosa explosão de cólera “é sempre odiosa e ofensiva” conclui, salientando que “nos importa não o homem irado, mas o homem com quem este está irado”, e essa indignação, quando justa, faz toda diferença.

Apontando um dos caminhos para refrear a cólera, Adam Smith é lapidar: “Em muitas ocasiões a nobreza do perdão revela-se superior até mesmo a mais perfeita propriedade do ressentimento (...) o homem que consegue pôr de lado toda a animosidade e agir com confiança e cordialidade para com a pessoa que mais dolorosamente o ofendeu parece merecer com justiça nossa mais elevada admiração”.

Numa ação de falso domínio, freqüentemente é o medo que impede a reação encolerizada, mas “nesses casos a baixeza do motivo retira toda nobreza do controle”.

Reativa, “A cólera incita ao ataque, e às vezes, quando é saciada, deixa à mostra uma sorte de coragem e superioridade diante do medo. Saciar a cólera é por vezes objeto de vaidade; saciar o medo, jamais”.

Quando os propósitos são perniciosos “(...) o domínio da cólera nem sempre se mostra sob cores tão esplêndidas”. O indivíduo dissimulado, que consegue conter a cólera por medo de enfrentar quem a suscita, é falso e perigosíssimo: traiçoeiro, como ardilosa serpente, estará à espreita, aguardando apenas a ocasião mais propícia e segura para dar o bote.

Adam Smith é contundente ao afirmar que os homens vaidosos e fracos, quando diante de seus inferiores ou entre àqueles que nem se atrevem a enfrentá-los, mostram-se excessivamente passionais, pois acreditam que, agindo desse modo ostentam o que se chama de valor e angariam aplausos [dos igualmente toscos] admiradores.

Abomináveis, os que assim se portam são de uma arrogância deplorável: “Há sempre algo digno no domínio do medo, seja qual for o motivo sobre o qual este se funda. O mesmo não ocorre no que se refere ao domínio da cólera: a menos que se funde inteiramente sobre o senso de decência, de dignidade, de conveniência, nunca é perfeitamente agradável”.

Urge saber distinguir sabiamente a situação de “verdadeiro autodomínio” das de “falso domínio de si”, pois a coragem tanto pode ser usada para perpetrar justiça ou injustiça: “Trata-se, do trabalho lento, gradual e progressivo do grande semideus dentro do peito, o grande juiz e árbitro da conduta”, profere Adam Smith. É necessário empenhar-se constantemente no cultivo da virtude do autodomínio e acalentar forte senso de conveniência para fazer e principalmente manter esse comprometimento.

25 comentários:

Anônimo disse...

Boa noite Luciene,

Como adoro Adam Smith, como boa economista, li com afinco seu artigo. Muito bom.

O mais incrivel é a data deste tratado e encaixa-se perfeitamente neste tempo atual.

Na verdade o circulo sempre será vicioso e o ser humano sempre dará voltas e voltas em seu redor.
Será que um dia vamos melhorar como singelos homens?

Nidia

Anônimo disse...

Obrigada prof. Luciene...

Que Deus lhe abençoe enormemente,
e que os Deuses nunca deixe o seu brilho se apagar.

bjs...

Beatriz Borges de Oliveira

Anônimo disse...

Luciene,

Estou muito feliz em ter recebido esse texto por e-mail, tenho arquivado vários artigos seus e esse tb vai para meus arquivos.

Durante o tempo em que estudei na ESDC fiz os dois cursos que você ministrou com brilhantismo na ESDC e que acrescentaram muito para minha formação pessoal e profissional.

Te admiro como profissional e principalmente como pessoa.

Sinto falta do pessoal da ESDC de nossas conversas foi realmente dois anos de muito aprendizado e bençãos em minha vida, e uma dessas muitas bençãos foi estudar na ESDC e te conhecer.

Saudades.

Lucimari

Luciene Felix disse...

Amigos,

Auriga virtutum: Phronêsis platônica; Temperança Aristotélica... Adam Smith denominará Autodomínio. Lindo!

Vale a pena dar uma conferida no texto intitulado "Aristóteles e a questão da sustentabilidade". Para facilitar a busca (está aqui no Blog também): http://www.esdc.com.br/CSF/artigo_sustentabilidade.htm

A phronêsis/Prudência – recta ratio agibilium – é virtude opinativa da alma: “daí que a Prudentia seja considerada a mãe (genitrix virtutum) e a guia (auriga virtutum) das virtudes”, diz Jean Lauand (FE-USP): “a virtude que realiza as demais”.

Bjs.,
lu.

Anônimo disse...

Lú,

Belíssimo texto, muito bem articulado.

"As paixões nos seduzem com facilidade e, insistentes, nos induzem a atitudes aviltantes, constrangedoramente indignas, que contrariam e traem nossas convicções."

O que seria dessa vida sem as paixões? Sem os desejos?

Seria Cristã! Seria budista! Seria um grande NADA!

Assim penso eu!

As paixões, ilusões, desejos e sonhos são os trilhos que nos mantem na estrada, sem eles não há estrada. Negar isso é negar a vida!

Concordo com o Sr. Smith unicamente com a parte do auto-controle. Todo homem deve ter domínio sobre si mesmo, do contrário é um escravo das paixões e é determinado pelo meio, a seperte ela não procura sempre morder, faz isso apenas quando há um calcanhar a sua frente!

Como diz o sábio Fernando Pessoa:

"Ser é estar livre. Pertencer - eis a banalidade.
Credo, ideal, opiniões - isso tudo é a cela e as algemas."

Beijos Lu!

Anônimo disse...

Bem interessante e oportuno o tema, considerando a fase de moral tão elástica que vivemos, não só na esfera privada como na pública. Interessante também isso dito pelo Adam Smith, a quem eu considerava um homem puramente pragmático e despreocupado dessas questões.

Aliás, isso me faz pensar... Quem sabe se algum homem(mulher) desta época, influente, respeitado, formador de opinião tratasse do mesmo tema não levaria pessoas a começarem a pensar mais seriamente a respeito? Sei lá quem, me vem à mente, por exemplo, o Mandela.

Liane

Luciene Felix disse...

Que bom receber os comentários de vocês amigos!

Essa obra é muito, muito preciosa: uma verdadeira pérola, nos orienta no comportamento ético, entre outras coisas.

O mais interessante é que no próximo texto pretendo tratar do AUTODOMÍNIO sobre as paixões do segundo grupo, oriundas de nosso Orgulho e Vaidade.

Ah, quanta bobagem fazemos por Orgulho e Vaidade, rs.

Mas observem que o que Adam Smith denomina "Autodomínio" é a AURIGA VIRTUTUM e GENITRIX VIRTUTUM.

Platão chamará de "Phronêsis" e Aristóteles denominará a Virtude da "Prudentia".

Adam Smith, por ser mais "atual", digamos assim, se aproxima mais de nosso dia a dia, nos fala mais de perto.

Um grande beijo à toda marujada,

lu.

Anônimo disse...

E a meu ver, não se trata de uma exortação ao moralismo e à auto-repressão, e sim de um equilíbrio entre a liberdade e o respeito ao outro.

Liane

Anônimo disse...

A mim mais parece moralismo e dos bem cristão!, já que não há distinção entre vício e paixão!

Alan

Anônimo disse...

Bom, eu não percebo como moralismo (então pode ser uma questão pessoal.) Mas acho que poderia ser escrito por alguém da atualidade, num estilo moderno e bem carismático. Embora para mim, a escrita do Adam Smith já seja bastante interessante (inclusive o li até de forma terapêutica, em relação a uma certa situação que eu estou vivendo, por orientação da própria Lu. Por incrível que pareça, certas coisas que parecem retrógradas são bastante atuais e importantes.)

Liane

Anônimo disse...

Falando em “Autodomínio e Falso Autodomínio”.

Tudo que esta estruturado em bases frágeis, pode desmoronar a qualquer momento e sob qualquer emoção inesperada.

Mais uma bela reflexão vc nos traz Lu.

Celeste

Anônimo disse...

Concordo com Bertrand Russell quando assinalou que as duas maiores virtudes do ser humano é inteligência e generosidade.

Embora inteligência não signifique sabedoria, pode ser um dos caminhos de se chegar a ela.

O famoso pedido do sábio rei Salomão: ilustra essa necessidade, quando pede, além da sabedoria, um coração compassivo. Se não vivemos sem o exercício permanente da alteridade, as duas forças elementares que se chocam em nossas escolhas, oscilam entre o egoísmo e a generosidade.

E a reflexão inteligente pode nos ajudar a conciliá-las, porque o "outro" é figura inalienável em nossas vidas, são o "nosso inferno" como declarou Sartre, mas também representam a única chance de nos conhecermos um pouco mais, através dos "diálogos" intermitentes nos quais estamos conjuntamente inseridos.

Yedra

PS: Tudo que está estruturado no medo, Celeste?

Anônimo disse...

No medo e nas certezas Yedra.

O ego desenvolve armadilhas de todas as modalidades para nos manter aprisionados.

Celeste

Luciene Felix disse...

Olá amigos,

Yedra, minha cara, creio que Celeste, ao dizer "bases frágeis" esteja se referindo ao pathós (afecções da alma, tendência - que quando muito insistentes se tornam uma patologia). O medo é uma delas.

Vem Pensador, vai Pensador, a angústia humana permanece. É, não é easy dominar a si mesmo.

Faço minha a indagação de Rousseau:

"Oh! Virtude, ciência sublime das almas simples, serão necessários então, tanta pena e tanto aparato para conhecer-te? Teus princípios não estão gravados em todos os corações?"

Mil beijos, lu.

Anônimo disse...

Será que estão mesmo? Aposto mais na racionalidade diligente e na introspecção séria do que nessa concepção inatista rousseaniana.

Yedra

Luciene Felix disse...

Yedra questiona...

"Será que estão mesmo? Aposto mais na racionalidade diligente e na introspecção séria do que nessa concepção inatista rousseaniana."

Essa concepção "inatista" não é rousseauniana amiga.

E a "racionalidade diligente" e "introspecção séria" são inatos, tanto para Rousseau quanto para Platão.

Cabe a nós a escolha da decisão em pensar/deliberar ou não.

E, mesmo deliberando, ceder ou refrear nossos egóicos caprichos.

Se nos debruçarmos sobre a "phronêsis" (Espírito são) em Platão, descobriremos que o "nôus", que é o poder de intelecção que está na Alma (após a diânóia, é a instância que se instaura da deliberação e, conforme valores, escolhe) é o reduto da liberdade humana onde um outro "logistikón" se manifesta.

As coisas não possuem valor em si (certo/errado).

Somos nós, através do "nôus" quem valoramos.

Obviamente, conforme interesses (com ou sem "siderio") escolhemos.
Mas já estão lá sim, gravados em nossos corações.

O problema é que muitas vezes, fazemos "ouvidos moucos" a esse bom e ordeiro "daimon" e não atingimos a "phronêsis" (equilíbrio).

Ser sem "nôus" é ser "sem noção". Mesmo sendo um "sem noção", o "nôus" (valor) tá lá. Platão prova, com sua teoria. Vou ver no próximo semestre na pós (como ouvinte mesmo).

Somente por desconhecer o Bem é que optaríamos pelo mal. Conhecemos, reminiscências.

Bjs., lu.

Anônimo disse...

Artigo "Exploração das ninfetas":

Há pouco descobri os textos de Luciene Félix, e realmente fiquei fascinado com sua expressão, tanto oral quanto escrita.

Profissionais assim, inteligentes e sedutores é que deveriam ter mais espaço na grande mídia, pois são capazes de estimular os bons valores de nossa cultura.

Parabéns e obrigado,

Claudenir Gonçalves

Luciene Felix disse...

Estimado Claudenir,

Fico feliz que tenhas apreciado amigo. Mas Sócrates já alertou que esse tipo de atividade não é para a "grande mídia", rs. Pena que eu não esteja me lembrando exatamente quais foram suas palavras ao explicar o "porquê". Me cobre que vou em busca do Diálogo.

Beijos,

lu.

Anônimo disse...

Eu nunca soube que seria capaz de sentir tesão ao ouvir uma mulher falando grego.

Mas quando eu pensei na Luluzinha e eu, "nôus", debruçados sobre as "phronêsis" dos travesseiros, a manifestação do "logistikón", que logo se estikou todo, foi inequívoca...

Gargantio

Luciene Felix disse...

Esse fascínio nos surpreende mesmo!

Não é difícil se emocionar ao ler/ouvir grego. Mas vou convocar as Parcas (tecelãs, Moiras, Erínias) para ver se sentes “tesão” mesmo, rs.

Todo psicanalista é assim, assanhadinho?

A esfinge aqui já teve seu enigma decifrado amigo. Contenha esse seu “logistikón”.

Beijos,

Lu.

Anônimo disse...

Doutora Luciene, boa noite (ou melhor, bom dia),

Estava eu, como de costume, curtindo minha solidão comigo mesmo quando fui tomado por uma epifania. Antes de mais nada, sou uma amante da Filosofia e, por extensão, da Mitologia (Amo Nietzsche).

Em meio à muita lama e areia - e esse é um dos muitos lados obscuros da internet - cheguei até o seu blog, ao pesquisar sobre a Deusa Areté. E fiquei encantado. Quantas reflexões! Quão "febril" deve ser sua mente!

Sim, ainda existem híbridos de Ártemis com Atena.

Gostei muito do seu olhar. Raios fulminantes de luz.

Ganhaste um fã.

Ad Libitum.

Caio "Ubermensch"

Luciene Felix disse...

Grata pelas palavras Caio.

Não sou "Doutora" amigo, rs.

Você é da área jurídica?

Bjs.,

lu.

Anônimo disse...

Sou Mestre em Ciências.

Futuro Doutor. Dizem que "Doutor" é quem faz Doutorado...

Trabalho na área da Educação Física. Sou um "curador", uma vez que trabalho com reabilitação.

Você é muitíssimo inteligente. Sinto falta disso entre as mulheres.

Anônimo disse...

Achei esplêndido o artigo sobre a obra CRIME E CASTIGO de Dostoiévski. Os pontos abordados elucidaram bem a perspectiva do autor russo e tornaram compreensível essa pérola da literatura universal.

Adilon Leal Dias

Luciene Felix disse...

Que bom que gostou Adilon!
Esplêndido é Dostoiévski amigo.
Eu amo a Dúnia: que caráter!
Bjs.,
lu.

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Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República.

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