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5 de jan. de 2009

A Alma em Platão – O paradoxo de sermos diferentes e semelhantes


“Aquele que ama o Saber, não tem desejo de Poder” Platão


Gnoseologia é o nome que se dá aos modos de conhecer. Uma das possibilidades do lógos é o raciocínio dialético, com o qual, num movimento ascendente, alcançamos as “Idéias”, formas puras e que, de tão abstratas, tais como os seres matemáticos (que tanto das Idéias se aproximam), podem ser somente inteligíveis.

Será ao exercitarmos o poder de intelecção que está na Alma, que contemplaremos, por exemplo, a suprema Idéia de Bem. Para que possamos compreender melhor como Platão apresenta nossa liberdade e poder de escolher (ou não) o Bem, convém ponderarmos sobre sua teoria da Alma.

Se o que nos iguala é a harmonia, a justa-medida, a temperança, em grego: “Sophrosyne”, o que nos diferencia são as proporções da Alma. Segundo o Filósofo, todos nós dispomos de Alma e essa é composta por 3 (três) partes, que na verdade são “modos de desejar”, potências (dýnamis) de ordem Epitimética, Timocrática e Logística.

A parte Epitimética é a “desejante”, em busca da satisfação de plenitude para todas as nossas necessidades físicas, corporais, tais como saciar (preferencialmente em deleite) a fome e a sede, de repousar o corpo quando vencidos pelo cansaço, da apreciação do conforto e dos demais prazeres sensíveis, que são os que acessamos através dos sentidos: olfato, audição, visão, paladar e tato. Compartilhamos essa parte da Alma com os animais. Considerado o “pai da psicanálise” Sigmund Freud atentou para o fato de que esse é um princípio fundamental e primitivo do homem: o de buscar o prazer e de evitar a dor. Mas, não nos limitemos à nossa animalidade.

Quanto à parte Timocrática, do timós, do peito (coração), é guerreira, corajosa, desejante de glória e de aplausos; E a Logística, ordenadora, é a mais requerida pelos filósofos, intelectuais e demais pensadores. Cabe ressaltar que todos nós possuímos esses três modos de desejar, que variam, em termos de aptidão, para uma ou outra inclinação com mais ênfase.

Convêm adequarmos as pessoas conforme suas aptidões para cada estamento. levando-se em conta as tendências predominantes da Alma: Epitimética, Timocrática ou Logística. Para citar um exemplo, temos a parte Epitimética relacionada à produção de nossos bens, no mundo da práxis e techné; na parte Timocrática, podemos identificar com nosso exército e todos àqueles que zelam por nossa segurança e, valendo-se de uma predominância na parte Logística da Alma, temos como exemplo o Governo e os guardiões de Justiça que, em tese, tanto se empenham a fim de se atingir a excelência enquanto seres humanos.

Nota-se aqui certo elitismo, posto que as três partes desejantes da Alma incorporam hierarquia categoricamente imposta pelo próprio lógos. Isso se torna ainda mais patente e é corroborado, se considerarmos que a “areté” (excelência) do homem, citada acima, se completa como zoologikon e zoopolitikon, ou seja, desenvolver o lógos, o pensar e a capacidade de viver (agir/ação) em conjunto, na pólis. Note-se que, enquanto zoo, limitamo-nos à parte Epitimética.

Ao estamento Logístico, impõe-se a “visão do todo”. “Theorein” é a palavra grega para “contemplar”, e, teorizar só se torna possível diante da ampla visão de conjunto. Digno de nota é que todas essas partes da Alma são passíveis de desequilíbrio e que podemos antever dois modos em que o Logístico se excederia: a) deslumbrar-se por honras mundanas (holofotes, tapetes vermelhos e/ou corrompendo-se por riquezas) ou, b) adoção de uma postura asceta, de isolar-se em seus pensamentos, como numa torre de marfim: sábio, talvez; inativo, comprovadamente.

Vivemos inseridos num mundo de geração e corrupção, ou seja, na physis (natureza), chronos (o tempo) devora tudo o que cria. E tudo renasce num incessante vir-a-ser. Morre a singularidade (o particular), mas a geração (o universal) permanece. Eis o mortal e o imortal.

Quanto a nós, nem de todo divinos nem completamente mortais, enquanto Almas, por methéxis (por participação, como os metecos que viviam e participavam da vida na antiga Atenas, mas não eram considerados cidadãos gregos) somos detentores de um daimon de livre acesso e, por koinonia (comunidade/unidade comum) nossa Alma toca o imortal, que são as Idéias, os Princípios, cujo maior é o Bem.

Toda ação humana, proveniente de quaisquer uma dessas três partes da Alma é encaminhada por esse daimon, ou seja, tem Eros, esse enlace que gera novos seres, produtos e pensamentos (nos reinos da física, da prática e das contemplações), cujo télos (propósito, objetivo, finalidade) é o nobilíssimo: fazer com amor.

Das três partes da Alma, é a Logística detentora de lógos e esse pensa, reflete, empreende, fala, recolhe, diz e escreve, exprimindo-se de muitos modos.

O nôus, não realiza julgamento ético, não sentencia. A parte de nossa Alma (Psyché/daimon) que se dirige á ética e à política, passível de ser educado é a força divina do logístico, o phronesain. Será através do phronesain que nossa Alma sentenciará, realizando julgamentos éticos.

Diante de uma aporia (uma situação sem saída) tal como no exemplo dos cinco dedos, citados pelo autor em sua obra “A República”, de que são e não são semelhantes, colocando-nos diante de uma mesmidade e alteridade, é o phronesain, “olho da Alma”, potência da Alma relativa ao saber prático, da práxis, que fará a escolha. Enquanto não se decide, se impera a crisis (impasse).

Eis que a Prudência aristotélica é a Phronêsis platônica, é a escolha boa, deliberada; exercício ético-político da ação com valor, pois considera (sidério, do latim = estrelas) o outro como uma extensão de si mesmo. Não por acaso, é à parte Logística de nossa Alma, detentora de phronesain, que é dirigido o apelo ao DEVER explicitado no Primeiro Artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Não acredito ser por mera coincidência que esta seja também a primeira “Ordem” enviada aos homens por Zeus, o ordenador do Cosmos, para que prevaleça nossa semelhança.

Se, enquanto homens, como nos dedos de nossas mãos, somos visível e inteligivelmente diferentes, é enquanto Almas divinas, imortais, enquanto “dedos”, que somos exatamente iguais. Insistir em considerar somente um lado dessa questão é uma grande injustiça.
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1 de dez. de 2008

Homo consummus desenfreorus: est Sapiens?


Amigos, no artigo anterior, abordando a virtude da Prudência em Aristóteles, indiquei-lhes um vídeo que já foi assistido e está sendo debatido por milhões de pessoas em todo o mundo. Trata-se de "The story of stuff" (A história das coisas), de Annie Leonard, disponível nesse Blog. Em cerca de 20 minutos, somos instigados a refletir sobre nosso planeta, as pessoas no mundo e, conseqüentemente, sobre nós mesmos, pois somos seres de e em relação. Considerando que um dos principais objetivos dessa coluna é fomentar o Pensar, nada mais adequado.

Minha audaciosa intenção para o artigo desse mês era abordar a questão da "phronesis" em Platão, ou seja, como a Alma conhece e se dá a conhecer. O que é e onde se instala esse reduto, essa instância da psyché que nos possibilita "ver o todo", ponderar, deliberar e, exercendo a liberdade, enfim escolher. Esse tema é inegavelmente relevante e muitíssimo profundo, sobretudo para a base, a fundação de uma Teoria do Conhecimento (epistéme), ponto nevrálgico e bastante discutido na Filosofia.

Mas ponderei: é fim de ano, época de retrospectivas, de balanços de vida, de festas e, inevitavelmente, de consumo desenfreado.

A questão do consumismo, que vislumbra seu ápice sazonal nesse mês, se impôs como foco. Optei então por transcrever pequeno trecho, apropriadamente intitulado: "Tenha somente o necessário" da sapientíssima obra "Sócrates e a Arte de Viver - um guia para a filosofia no cotidiano", de J.C. Ismael, jornalista, escritor, um dos intelectuais mais atentos e iluminados com quem contamos.

"O homem que se conhece verdadeiramente mediante o exame e a prática da virtude está livre da tentação de possuir bens materiais além dos estritamente necessários para viver. Mas aquele que não tem força suficiente para resistir ao desejo de amealhá-los está no caminho oposto da felicidade: quanto mais tem, mais sente vontade de possuir, numa ânsia ilimitada de satisfazer-se sem o conseguir, pois sempre haverá algo novo para comprar, seja-lhe ou não necessário. Uma pessoa assim está em eterna competição com quem ostenta mais, sem pudor de demonstrar a falta de limite para exibir-se perante os outros, como se a posse desmedida de bens fosse a demonstração de superioridade perante eles. Mas essa superioridade é ilusória, constatada por quem algum dia conhecerá a inutilidade da sua ganância, afundando na tristeza que ela lhe trouxe.

Contentar-se com o que possui está entre os mandamentos de viver bem; e, diante das múltiplas ofertas ao seu dispor, alegrar-se por não precisar de nenhuma delas: as coisas indispensáveis são sempre muito poucas. A tentação de possuí-las, porém, pode ser forte, mas quem a ela resiste deve vangloriar-se de ter derrotado esse impulso - o mesmo que o leva a consumir-se em paixões sensuais - , alcançando a vitória sobre si mesmo. O desejo de possuir coisas inúteis faz parte daquilo que a natureza humana tem de misterioso, pois enquanto a razão mostra que elas são desnecessárias, um impulso nascido em tempos imemoriais impele a possuí-las cada vez mais, num processo difícil de ser interrompido.

À obsessão de possuir muitos e quase sempre inúteis bens liga-se naturalmente outra, igualmente prejudicial: a vaidade. Pouca coisa pior pode acontecer a uma pessoa do que ser dominada pela vaidade, a insidiosa inimiga de uma vida virtuosa. Além disso, o vaidoso desconhece a própria ignorância, e sequer se dá ao trabalho de disfarçá-la porque lhe faltam qualidades como a temperança e a sabedoria, sobrando-lhe os defeitos do egoísmo e da importância indevida que se dá. O vaidoso nutre-se das coisas que possui e que exibe na falta de possuir uma importância maior que ilusoriamente pretende ter. O vaidoso não tem amigos verdadeiros porque também não pode sê-lo, pois o que lhe importa é exibir seus bens materiais - que, por consistirem sua razão de viver, são irrelevantes para quem procura no outro uma comunhão espiritual, muito diferente da que o vaidoso pode oferecer".

Àqueles para os quais PIB não é tudo, havendo de se considerar também o FIB (Felicidade Interna Bruta)*, disponibilizei mais trechos dessas preciosas "lições de socratismo" e também uma lista de "luxos que não tem preço", em meu Blog.

Encerro desejando a todos vocês amigos, um luminoso rito de Pax, Felix, que o ano vindouro seja pontilhado de realizações éticas no mundo da práxis e de profícuas reflexões filosóficas aqui, na Carta Forense.

Saiba mais:

Ismael, J.C. - Sócrates e a arte de viver - São Paulo, SP. Editora Ágora, 2004.

(*) Felicidade Interna Bruta (FIB) ou Gross National Happiness (GNH) é um conceito de desenvolvimento social criado em contrapartida ao
Produto Interno Bruto (PIB). O termo foi cunhado pelo rei do Butão Jigme Singye Wangchuck em 1972 em resposta a críticas que diziam que a economia do seu país crescia miseravelmente. Essa declaração assinalou seu compromisso de construir uma economia adaptada à cultura do país, baseada nos valores espirituais budistas. Assim como diversos valores morais, o conceito de Felicidade Interna Bruta é mais facilmente entendido a partir de comparações e exemplos que definido especificamente.

Enquanto os modelos tradicionais de desenvolvimento primam pelo crescimento econômico como objetivo primordial, o conceito de FIB se baseia no princípio de que o verdadeiro desenvolvimento de uma sociedade humana se dá quando o desenvolvimento espiritual e o material acontecem lado a lado, complementando e reforçando um ao outro. Os quatro pilares da FIB são a promoção de desenvolvimento sócio-econômico sustentável e igualitário, a preservação e a promoção de valores culturais, a conservação do meio-ambiente natural e o estabelecimento de boa governança (Fonte Wikipédia).
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3 de nov. de 2008

Prudência em Aristóteles e a questão da sustentabilidade




“a prudência é de longe a primeira condição de felicidade. Nunca se deve cometer impiedade contra os deuses. Os orgulhosos vêem suas grandes palavras pagas pelos grandes golpes da sorte, e é apenas com os anos que aprendem a prudência”. Antígona, Sófocles


Diz um provérbio erudito, que a sabedoria “reina”, mas “não governa”. Quem governa é a ação, a phronêsis platônica; a Prudência aristotélica, o agir deliberado, refletido.

Prudência é a ação ponderada, discutida, examinada, enfim, deliberada. Sim, o Estagirita (Aristóteles é da cidade de Estagira) desenvolveu o conceito de phronêsis legado por Platão e concebeu uma importantíssima teoria geral da ação, uma hermenêutica da existência humana enquanto agente no mundo e sobre o mundo. A phronêsis/Prudênciarecta ratio agibilium – é virtude opinativa da alma: “daí que a Prudentia seja considerada a mãe (genitrix virtutum) e a guia (auriga virtutum) das virtudes”, diz Jean Lauand (FE-USP): “a virtude que realiza as demais”.

A ação prudente é cautelosa, sim. Mas, ao contrário do que pensa o senso comum, Prudência não é morosidade, aliás, não admite perda de tempo. É rápida e certeira pois, o kairós (o tempo, do grego, no sentido de agir bem, no momento certo) é inerente à virtude da Prudência. “Nem antes nem depois”, como Odisseu (Ulisses) orienta a seu filho Telêmaco, na Odisséia Homérica.

Tendo examinado cuidadosa e cautelosamente a questão que se apresente, ao Prudente urge agir de imediato. Mas examina, delibera. Alertando para a importância do kairós adequado à ação justa, o Pensador francês Pierre Aubenque afirma: “Não há justiça, se a decisão é tardia. O momento, o tempo, que permite que a justiça ocorra, é determinado pela Prudência”. Renomado estudioso dessa doutrina em Tomás de Aquino, o prof. Dr. Jean Lauand também atesta: “Na verdade, a prudentia, enquanto virtude da decisão, é a própria base da justiça e a iurisprudentia nada mais é do que a prudentia do ius”.

A virtude da Prudência se estabelece em circunstâncias bem peculiares. O saber científico, das ciências, esse saber “lógico” pode dispensá-la. Sobre todos os nossos conhecimentos já certos, como o saber dos seres em si e por si, imutáveis e eternos, tais quais a aurora e o crepúsculo, as estações do ano, os ciclos lunares, os matemáticos e geométricos, o saber das Formas puras (Idéia platônica), de nossa mortalidade enfim, coisas já assentadas, não se pondera, não se escolhe, não há o que discutir, alterar, portanto, não se delibera.

Só deliberamos (e aí sim, podemos orientar nossa ação pela Prudência) sobre “tudo o que é obra do homem”, como diz Aristóteles, o que está sujeito à mudança.

É por isso que não há como se atribuir à ciência meramente lógica, um valor moral, ela não é meritória, é o que é. Atentem que um mal uso da Prudência (que não é da alçada das ciências exatas) seria uma contradição pois, ser prudente – agir bem – não comporta o insensato.

Eis que a Prudência é outro gênero de conhecimento, é um saber moral porque há mérito em possuí-lo. Ela não existiria sem virtude moral. Em Aristóteles é a cisão do próprio mundo real que possibilita uma cisão paralela no interior da razão, não somente no interior da alma cognitiva (e seus modos de apreensão, exame, intelecção, cognoscência), mas da vida prática, contingente. Contingente é essa vida que levamos: instável, incerta, mutável, sujeita a atenuantes e agravantes, ao exame das circunstâncias, em suma, à deliberação.

A contingência fomenta, funda e alimenta a virtude da Prudência, faz dela sua morada pois, é justamente por vivermos num mundo contingente, ou seja, sujeitos ao trágico, ao inimaginável, ao infortúnio, é no solo do acaso e do incerto que emerge a “auriga virtutum”, a boa ação, a virtuosa, posto que bem pensada. Conforme atesta Aubenque: “é a indeterminação dos futuros que faz do homem princípio; o inacabamento do mundo é o nascimento do homem”.

A Prudência é considerada a virtude par excellence porque somente através de seu exercício é que o seres humanos podem refletir e escolher. Eis que a virtude da Prudência é a de um Saber da práxis, da ação com a qual os homens se acostumam e incorporam, se habituam e constituem sua moral.

Nossas escolhas habituais, baseadas na valoração – ou não – de nossos semelhantes, na consideração (do latim siderio, estrelas) pelo “Outro”, constituirá nossa moral, estabelecerá nosso ETHOS.

Ao revelar o ETHOS humano, a virtude da Prudência fundamenta sua incontestavelmente notória importância. Nosso planeta (habitat), como um todo, subordinado aos nossos hábitos (modus vivendi e modus operandi, passíveis de vir a ser constituídos por virtudes ou vícios) explicita nosso ETHOS.

O filósofo grego pré-socrático Heráclito é quem nos dá o mais antigo testemunho da palavra phronêsis (Prudência), ao alertar que, na multidão, cada um, ao invés de compreender o que é comum, “se deixa viver como se tivesse sua própria inteligência”. O que ele quer dizer, segundo Aubenque, é que os mortais participam, bem ou mal, de um lógos que os ultrapassa e a falta mais grave do homem é opor sua individualidade ao universal no qual se insere".

Se o melhor absoluto se revela impossível, dadas as circunstâncias, busquemos o melhor possível, nos ensina Aristóteles. Deus não delibera, não precisa; tampouco o animal detém poder para examinar suas possibilidades. Somente o homem é chamado à ação: “Torna-te o que és”, roga o magnânimo Píndaro, poeta grego.

Segundo Aubenque, “A deliberação representa a via humana, ou seja, mediana, aquela de um homem que não é completamente sábio nem inteiramente ignorante [como o daimon intermediário que vimos no artigo anterior, O Banquete sobre o Amor, de Platão], num mundo que não é, nem totalmente previsível, nem totalmente imprevisível, o qual, no entanto, convém ordenar usando as mediações claudicantes que ele nos oferece”.

Como Aristóteles, sabemos que a deliberação, o exame, cujo conceito é emprestado da prática política, não basta para constituir a virtude, pois a deliberação não diz respeito ao fim, mas aos meios; em Aristóteles, a phronêsis torna-se Prudência, descola-se do “Ideal” platônico como télos (finalidade, propósito), não diz mais respeito ao Bem, mas ao útil. Eis que a deliberação enquanto tal, pode ser posta a serviço do mal, da desmedida, a hýbris grega.

Também no frontispício do Oráculo do deus da harmonia, se lê: “Conhece-te a ti mesmo!” E conhecerás o Universo? E saberás que és um deus? Ou... E constatarás que és mortal? Sejamos Prudentes.

Convido-os, amigos, a refletir sobre o ETHOS humano à partir de nossa relação com a natureza, assistindo ao vídeo “A história das coisas”, disponível nesse Blog e também no site: www.unichem.com.br. Basta clicar em “sustentabilidade”.

Saiba mais:

Aubenque, Pierre – A Prudência em Aristóteles – Trad. Marisa Lopes. São Paulo, SP. Discurso Editorial, 2003.
Lauand, Jean – Saber Decidir: a Virtude da Prudentia. http://hottopos.com/notandum
Lauand, Jean – Filosofia, Linguagem, Arte e Educação. Coleção Humanidades – ESDC. Factash Editora, 2007.
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Eis que a Sabedoria reina, mas não governa, por isso, quem pensa (no todo) precisa voltar para a caverna, alertar aos amigos. Nós vamos achar que estais louco, mas sabes que cegos estamos nós, prisioneiros acorrentados à escuridão da caverna.

Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República.

Eis o télos (do grego: propósito, objetivo) da Filosofia e do filósofo. Agir na cidade. Ação política. Phrônesis na Pólis.

Curso de Mitologia Grega

Curso de Mitologia Grega
As exposições mitológicas explicitam arquétipos (do grego, arché + typein = princípio que serve de modelo) atemporais e universais.

Desse modo, ao antropomorficizarem os deuses, ou seja, dar-lhes características genuinamente humanas, os antigos revelaram os princípios (arché) de sentimentos e conflitos que são inerentes a todo e qualquer mortal.

A necessidade da ordem (kósmos), da harmonia, da temperança (sophrosyne) em contraponto ao caos, à desmedida (hýbris) ou, numa linguagem nietzschiana, o apolíneo versus o dionisíaco, constitui a base de toda antiga pedagogia (Paidéia) tão cara à aristocracia grega (arístois, os melhores, os bem-nascidos posto que "educados").

Com os exponenciais poetas (aedos) Homero (Ilíada e Odisséia), Hesíodo (A Teogonia e O trabalho e os dias), além dos pioneiros tragediógrafos Sófocles e Ésquilo, dispomos de relatos que versam sobre a justiça, o amor, o trabalho, a vaidade, o ódio e a vingança, por exemplo.

O simples fato de conhecermos e atentarmos para as potências (dýnamis) envolvidas na fomentação desses sentimentos, torna-nos mais aptos a deliberar e poder tomar a decisão mais sensata (virtude da prudencia aristotélica) a fim de conduzir nossas vidas, tanto em nossos relacionamentos pessoais como indivíduos, quanto profissionais e sociais, coletivos.

AGIMOS COM MUITO MAIS PRUDÊNCIA E SABEDORIA.

E era justamente isso que os sábios buscavam ensinar, a harmonia para que os seres humanos pudessem se orientar em suas escolhas no mundo, visando atingir a ordem presente nos ideais platônicos de Beleza, Bondade e Justiça.

Estou certa de que a disseminação de conhecimentos tão construtivos contribuirá para a felicidade (eudaimonia) dos amigos, leitores e ouvintes.

Não há dúvida quanto a responsabilidade do Estado, das empresas, de seus dirigentes, bem como da mídia e de cada um de nós, no papel educativo de nosso semelhante.

Ao investir em educação, aprimoramos nossa cultura, contribuimos significativamente para que nossa sociedade se torne mais justa, bondosa e bela. Numa palavra: MAIS HUMANA.

Bem-vindos ao Olimpo amigos!

Escolha: Senhor ou Escravo das Vontades.

A Justiça na Grécia Antiga

A Justiça na Grécia Antiga

Transição do matriarcado para o patriarcado

A Justiça nos primórdios do pensamento ocidental - Grécia Antiga (Arcaica, Clássica e Helenística).

Nessa imagem de Bouguereau, Orestes (Membro da amaldiçoada Família dos Atridas: Tântalo, Pélops, Agamêmnon, Menelau, Clitemnestra, Ifigênia, Helena etc) é perseguido pelas Erínias: Vingança que nasce do sangue dos órgãos genitais de Ouranós (Céu) ceifado por Chronos (o Tempo) a pedido de Gaia (a Terra).

O crime de matricídio será julgado no Areópago de Ares, presidido pela deusa da Sabedoria e Justiça, Palas Athena. Saiba mais sobre o famoso "voto de Minerva": Transição do Matriarcado para o Patriarcado. Acesse clicando AQUI.

Versa sobre as origens de Thêmis (A Justiça Divina), Diké (A Justiça dos Homens), Zeus (Ordenador do Cosmos), Métis (Deusa da presciência), Palas Athena (Deusa da Sabedoria e Justiça), Niké (Vitória), Erínias (Vingança), Éris (Discórdia) e outras divindades ligadas a JUSTIÇA.

A ARETÉ (excelência) do Homem

se completa como Zoologikon e Zoopolitikon: desenvolver pensamento e capacidade de viver em conjunto. (Aristóteles)

Busque sempre a excelência!

Busque sempre a excelência!

TER, vale + que o SER, humano?

As coisas não possuem valor em si; somos nós que, através do nôus, valoramos.

Nôus: poder de intelecção que está na Alma, segundo Platão, após a diânóia, é a instância que se instaura da deliberação e, conforme valores, escolhe. É o reduto da liberdade humana onde um outro "logistikón" se manifesta. O Amor, Eros, esse "daimon mediatore", entre o Divino (Imortal) e o Humano (Mortal) pode e faz a diferença.

Ser "sem nôus", ser "sem amor" (bom daimon) é ser "sem noção".

A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

O Sábio Mestre: Antonio Medina Rodrigues (1940-2013)

O Sábio Mestre: Antonio Medina Rodrigues (1940-2013)

Você se sentiu ofendido...

irritado (em seu "phrenas", como diria Homero) ou chocado com alguma imagem desse Blog? Me escreva para que eu possa substituí-la. e-mail: mitologia@esdc.com.br