luciene felix lamy EM ATO!
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10 de out. de 2023
Lançamento de Livro de Mitologia Greco-romana: LUCIENE FELIX LAMY
Amigos, é com muita alegria que convido a todos para o lançamento do nosso livro: "Mitologia na Escola - Roteiro de leitura dos mitos", pela Editora Paulus. Dia 14 de Outubro, sábado, das 14h às 17h na Livraria da Vila do Shopping Pátio Higienópolis. São Paulo, SP.
7 de mar. de 2023
Embate entre a Lei Divina (Thémis) e a Lei dos Homens (Diké) em Antígona
A sophrosyne (nada em excesso), a justa medida, o métron grego não dá conta de evitar o embate entre Thémis e Diké quando estas duas concepções de justiça se apresentam ao homem em oposição.
Foi nos legado pelo tragediógrafo grego Sófocles (496 a.C.) em sua obra “Antígona” (441 a.C.) uma abordagem mítica e lógica, mitológica, de um terrível dilema humano que sempre nos assolará. Ser atemporal não nos surpreende pois a principal característica do mito é sua inestoriabilidade, ou seja, um processo contínuo, um incessante vir-a-ser.
A sophrosyne (nada em excesso) que nos foi tão cara no artigo anterior sobre a polêmica das charges, a justa medida, o métron grego não dá conta de evitar o embate entre Thémis e Diké quando estas duas concepções de justiça se apresentam ao homem em oposição. Este drama eterno será vivido com toda intensidade e paixão pela tragicamente marcada filha de Édipo, neta do amaldiçoado transgressor Laio, filho de Lábdaco: a nobre Antígona.
Retomemos à tragédia Sofocliana de Édipo Rei que, ao ser apresentada em 430 a.C. desbancou o veterano Ésquilo. Marcado, pois portador da hamartía, maldição familiar dos Labdácias, Édipo é um inocente herói trágico. Sobre ele paira o justificável e legítimo argumento de ignorar a verdade sobre suas origens e nada poder fazer para fugir a seu inescapável destino já profetizado pelo oráculo de Apollo em Delfos: matar o pai e desposar a mãe, incorrendo numa transgressão à ordem (kosmós) da natureza (physis). Trata-se de uma aberração pois uma vez marido da própria mãe, tornou-se assim irmão e pai de seus filhos. No desenrolar de toda tragédia, Édipo não suporta a revelação de tamanha desgraça a seu espírito, diante da imensidão de seu infortúnio fura os próprios olhos e, nas trevas, retira-se da cidade. Filha zelosa e solidária, Antígona o acompanha. Pobre Antígona. Singular Antígona. Possui ainda mais uma irmã, a ponderada e razoável Ismene e seus dois irmãos: Polinices e Eteócles.
Mas onde inicia-se o dilema de Antígona, onde faz morada o embate entre Thémis e Diké? Quando se dá o confronto entre a Lei dos Deuses e a Lei dos Homens?
Polinices e Etéocles, irmãos de Antígona rivalizam-se e em lados adversários, à favor e contra Tebas “entremataram-se, fraternas mãos em ato de extinção recíprocas”. Creonte seu tio, agora Rei, personifica a Lei do Estado e esta é clara: um desertor, no caso Polinices, jamais pode vir a ser sepultado: “fique insepulto o seu cadáver e o devorem os cães e aves carniceiras em nojenta cena”.
Por Zeus, muito mais relevante que a morte em si, pois esta é certa, era a honra da sepultura, o descanso no outro mundo, a certeza de poder ter um funeral condigno, pagar a moeda ao barqueiro Caronte, fazer a travessia pelo Lethe, o rio do esquecimento, chegar ao Hades onde Plutão e Perséfone imperavam: O Reino dos Mortos.
Antígona sabe que, pela sagrada consagüinidade, deve enterrar seu irmão Polinices. É esta a observação da Lei de Zeus “... não é de hoje, não é de ontem, é desde os tempos mais remotos, que elas vigem sem que ninguém possa dizer quando surgiram”. Está deflagado a polêmica sobre a qual muitos filósofos do direito se debruçaram (e debruçarão!) pois estas são questões fundamentais para o espírito humano, principalmente a do limite da autoridade do Estado sobre a consciência individual, e a do conflito entre as leis da consciência não escritas e o direito positivo.
O que acontece quando se opta por seguir suas próprias convicções interiores e princípios ético-morais ao invés de simplesmente aderir, sujeitando-se ao cumprimento das normas e dos deveres impostos pela lei escrita, quer seja a do Rei Creonte, quer seja a do Estado, da sociedade?
O drama de Antígona não consiste na dúvida sobre qual Lei seguir. Ela possui envergadura demais para este tipo de dúvida, pois como nos diz Sófocles: “evidencia-se a linhagem da donzela, indômita, de pai indômito: não cede nem no momento de enfrentar a adversidade”.
Qualquer que seja a opção há um preço a ser pago. Destemida, ousada e indomável, Antígona desconhece phobos (o medo, derivando-se daí a palavra fobia), atreve-se a desafiar a tirania de seu tio Creonte, explicita recusa em obedecer às Leis civis. O mântico cego Tirésias o alerta sem sucesso: “... os homens todos erram mas quem comete um erro não é insensato, nem sofre pelo mal que fez, se o remedia em vez de preferir mostrar-se inabalável; de fato, a intransigência leva à estupidez”. Numa tragédia, impensável aventar um final feliz para quem quer que seja: condenada a ser encerrada viva numa gruta, seu apaixonado pretendente era Hêmon, filho de Creonte que, desconsolado com a morte da amada e furioso com o crime de seu pai, se suicida. Eurídice, sua mãe, dilacerada pela perda do filho, apunhalando-se no fígado também põe fim a própria vida.
Creonte cai em si diante da estúpida intransigência de sua Lei e a questão aqui colocada transcende o mero certo e errado, como diz o coro: “Destaca-se a prudência, sobremodo como a primeira condição para a felicidade. Não se deve ofender aos deuses em nada. A desmedida empáfia nas palavras reverte em desmedidos golpes contra os soberbos que, já na velhice, aprendem afinal prudência”. Se nossa heroína pagou com sua própria vida, a dor de Creonte não foi nada branda: “Ai de mim! O autor destas desgraças sou eu... não sou mais nada! Venha, aconteça a última das mortes – a minha! - e traga o meu dia final, o mais feliz de todos! Venha, pois não quero viver nem mais um dia!.. Levem para bem longe este demente que sem querer te assassinou, meu filho, e a ti também, mulher! Ai de mim! Não sei qual dos dois mortos devo olhar nem para onde devo encaminhar-me!”
O desfecho de todo este drama é concluído com a redenção final da maldição familiar dos Labdácias (hamartía) por Antígona, como vemos neste elucidativo trecho em que o coro se dirige a ela e proclama:
“Tu te lançaste aos últimos extremosde atrevimento e te precipitastede encontro ao trono onde a justiça excelsatem sede, minha filha; pode serque na presente provação expiespecados cometidos por teu pai”.
Ainda que proferidos na longínqua aurora dos tempos, mesmo nos dias de hoje ouvimos o altivo e desafiador brado da heroína e este alicerça nossas convicções interiores contra as ordens de um poder arbitrário, mesmo que revestido de todas as formas de legalidade. É no âmago de nossas almas que ressoa a voz de Antígona: “Minhas Leis não são suas Leis. As minhas são, foram e sempre serão”.
28 de fev. de 2022
EXPECTATIVA de VIDA e ENVELHECIMENTO
Saídas possíveis!
"Amei ouvir vc, Luciene. Você nos passa energia boa e nos faz levantar da cova imaginária que já estávamos cavando (risos!). Obrigada!"
24 de jun. de 2020
LIVE sobre Bernini e o rapto de Perséfone (Prosérpina)
Queridos amigos,
Nesta próxima sexta-feira, dia 26 de junho, às 14h, teremos uma LIVE com Ana Venticinque, do VouPraRoma sobre Bernini e o mito do rapto de Perséfone (Prosérpina) diretamente da Galleria Borghese (Roma).
Compartilhe e avise seus amigos, pois será belo, divertido e muito informativo!
Para assistir, basta entrar no meu Instagram @lufelixlamy ou no @VouPraRoma.
PS: Ambas as LIVE's estão disponíveis no IGTV do Insta @voupraroma.
Informações sobre viagens à Itália, AQUI.
17 de abr. de 2020
COVID-19: O que há de novo sob o sol?
Não é de hoje que, atônita, a humanidade é surpreendida por moléstias
com mortandade em escalas aterrorizantes.
Mas, desde os tempos mais remotos, o que permanece igual e o que mudou
na forma com a qual lidamos com essas tragédias?
Democrática, a palavra PANDEMIA reúne todos (pan) + povos (demos).
Na antiguidade, quando algo de nefasto assolava uma comunidade,
buscava-se a redenção do “castigo divino” por meio da expiação (reparação) das
faltas através do clamor e dos sacrifícios aos deuses.
Um dos exemplos deste “modus vivendi/modus operandi” está na a
calamitosa situação de Tebas, trazida pelo mais “raiz” dos tragediógrafos, o
monumental Sófocles, em 427 a.C.
Sim, buscar inteligir e barganhar com a metafísica é coisa muito
antiga. E, paradoxalmente, atualíssima, como veremos adiante.
O povo, então, se empenhava em identificar e banir o miasma (mancha,
mácula), expulsando a provável causa daquilo – melhor dizendo, de quem – os
arruinava.
É desse contexto que surge a figura do bode expiatório, literalmente,
um clássico.
Avançando mais um pouco até a Idade Média (1347), a Peste Negra
(transmitida pelas pulgas dos ratos), também nominada Peste bubônica (as feridas
formavam bulbos na pele) impiedosamente dizimou um terço da população europeia.
Nesta, elegeu-se por bode expiatório, dentre outros, os judeus. Na
Pandemia que enfrentamos hoje, apressa-se em apontar os chineses e seus
suspeitáveis hábitos alimentares.
No entanto, uma vez que alimentação requereria um texto à parte e,
talvez, somente os sábios pitagóricos (vegetarianos) estivessem em posição de
objetar com propriedade, prossigamos.
Desde os primórdios, evidenciando nossa vulnerabilidade diante da
inevitável (a morte), o medo fortifica a Fé.
A fragilidade humana diante da Peste medieval, por significativo
período, solidificou (talvez seja apropriado dizer “glorificou”) a Igreja.
Mesmo que, no 5º ano de Peste, após obstinado apelo ao povo que confiassem em
Deus, grande parte do clero tenha desertado, causando imensa revolta na
população.
“Gatilho” elevado à máxima potência, a aterrorizante ameaça de morte
nos torna mesmo reféns do acaso, da “vontade de Deus”.
Isso é ainda mais dramático, sobretudo, quando estamos cônscios de que
nem mesmo uma portentosa e sólida posição social e/ou econômica, garante que a
foice nos distinga dos demais.
Evidente, este fato corrobora o desespero com o qual recorremos à
metafísica (Fé) em busca do alento que apazigue nossa alma e nos acene com
sobrevivência.
A igreja, atacada pela ineficácia diante da Peste, mas já
solidificada, passada a tormenta, prosseguiu e, detentora do calendário das
feiras (comércio), também impulsionou a economia, promoveu o bem-estar social e
patrocinou o Renascimento, tanto nas artes quanto nas ciências, essa última,
com tolhedoras ressalvas.
Foi também a Peste medieva que inspirou o poeta florentino Dante
Alighieri a escrever “A Divina Comédia: - "Ó, vós que entrais, abandonai
toda a esperança.", imprimindo em nossa memória as terríveis e indeléveis
imagens do inferno e dos demônios.
Mais adiante, ao final da primeira guerra mundial, fomos novamente
assombrados pela Gripe espanhola (1918-1919), que também ceifou mais 50 milhões
de vidas, dessa vez, em grande parte do mundo.
Novamente, testemunhamos um significativo avanço na higiene, medicina,
enfim, nas Ciências e uma pujante revolução industrial.
O momento atual indica que a dinâmica de nossa relação com as
misteriosas Pandemias não mudou muito.
Acompanhe: primeiro, tomados de assalto, incrédulos, ficamos
aturdidos.
Na sequência, a obstinada busca, eleição e perseguição do(s) bode(s)
expiatório(s), respaldados pela xenofobia, o fanatismo religioso e inúteis
divergências políticas.
Em meio a uma Pandemia, como em nenhuma outra circunstância, exceto na
guerra, o que dá no mesmo, pois Pandemia é uma guerra da humanidade contra um
inimigo comum (invisível), as caóticas sementes da ignorância encontram solo
fértil no ódio, o obscurantismo propaga-se com muito mais vigor em meio ao
desespero.
Concomitantemente às manifestações xenófobas, ao fervor religioso e
discordâncias políticas, advém o confinamento dos contaminados e o
distanciamento pessoal, a fim de se resguardar do contágio.
Em seguida, pois, a Peste é apressada, o enterro dos mortos, cujos
desfavorecidos, sem acesso sequer a saneamento básico, são sempre em maior
número e, por fim, o imediato e vertiginoso salto – quantitativo e qualitativo
– em termos de avanços das technai (Ciências), como já estamos testemunhando.
Longe de Tebas, da Peste bubônica e da Gripe espanhola, vivenciamos a
Pandemia do Covid-19 do alto do globalizado e, em grande parte imbecilizado
Século XXI, cuja população gira em torno de 7 bilhões de almas.
A diferença mais significativa no modo com o qual estamos lidando com
a atual Pandemia de Coronavírus talvez esteja no fato de que, extensão de
nossas mãos – escravizadas pelo que se passa no cérebro e o que sente no
“cuore” –, celular e internet promovem uma nova e desenfreada revolução à La
Gutenberg: a produção e propagação instantânea de todo tipo de informação.
Em meio a esse democrático dinamismo digital, com o caos a um clique,
a ignorância se alastra com vigor.
Constatamos DESDE o patético fenômeno da “gourmetização da peste”,
onde a turba chafurda com gosto na lama da vulgaridade, explicitando o que mais
define a multidão, a saber, ausência de pudor, ATÉ a proliferação de uma
inimaginável e portentosa rede de solidariedade, digna de nota e enaltecimento.
Obviamente, a bizarrice do "instagramworthy", o esdrúxulo
das “lives” ocas permite entrever o quanto tantos estão abandonados ao próprio
obscurantismo e de seus seguidores, que os aplaudem, endossando o grotesco,
alçando-os ícones no qual se espelhar.
Neste sentido, exceto pela proliferação da estupidez em progressão
geométrica, não há nada de novo sob o sol, pois a Peste que vivenciamos nos
traz de volta à tragédia, literalmente, uma vez que a tragédia desempenha a si
própria diante do público o que, como afirma Aristóteles, suscita terror e
piedade.
Felizmente, para toda essa avalanche, há antídoto! Simples, eficaz,
gratuito e ao alcance de todos nascidos de mulher: a liberdade e o poder de
escolher!
Pois, todavia, reitero, não é somente o trágico império do mau gosto o
que salta aos olhos nesta Pandemia pós-moderna; nem tudo é oportunismo e
“self-marketing”.
Embora produções cinematográficas recentes, como “O poço” e
“Parasitas” tenham nos permitido ponderar sobre o disparate nas condições de
vida de bilhões de pessoas neste mundo, é o invisível, distópico e “disruptivo”
Covid-19 que ousa rasgar de vez o véu da desumana e perversa desigualdade
social, que sufoca e mata sem sujar as mãos.
Mudanças. Decerto, haverá mudanças, como as que já ocorreram nas
Pandemias de outrora: na economia, em nossa relação com o consumo, na educação,
na relação entre patrões e empregados, nos próprios empregos, no surgimento de
novas profissões, nas Ciências, nas medicinas alternativas, e sobretudo na
inimaginável celeridade dos avanços tecnológicos, por exemplo.
Mudanças! Até porque, urge minimizar a portentosa demanda por dignidade
material e saúde psíquica de tantos seres humanos desafortunadamente
desamparados.
Mudanças inacreditáveis, extraordinárias, como as que já estão, de
fato, ocorrendo, vide a espetacular rede de solidariedade que têm viralizado e
contagiado a tantas boas almas neste mundo.
Não porque ser solidário “pega bem”, fazer doações seja “modinha”, mas
porque nossas semelhanças são mais significativas que nossas diferenças,
sobretudo na morte, que é o que nos define (mortais, lembra-se?).
Rasa ou profunda, morosa ou veloz, tímida ou mais audaciosa, o fato é
que a mudança oriunda da Pandemia do Covid-19 já começou: o “aplicativo”
compaixão foi instalado com sucesso.
É por essa APOTEOSE (rumo ao “theós”) que ansiamos desde a aurora dos
tempos. Não há mesmo nada de novo sob o céu.
Exceto, essa vontade contagiante de nos tornarmos mais humanos. E
então, não seremos só tragédia, mas um verdadeiro ÉPICO! \o/
Luciene Felix Lamy
Profa. de Filosofia e Mitologia Greco-romana
Profa. de Filosofia e Mitologia Greco-romana
WhatsApp (13) 98137-5711
24 de fev. de 2020
CRÍTICA FILME PARASITA - disparidade de moradias
Clicando sobre as imagens, elas ampliam.
Sem dúvida, PARASITA, o filme vencedor do Oscar 2020, dirigido pelo sul coreano Bong Joon-Ho, suscita inúmeros olhares, permitindo alguns recortes interessantes.
Há muitas críticas inteligentes referentes a película, sobretudo no que diz respeito a parte, digamos que, mais técnica: roteiro, direção, fotografia, elenco, etc.
Como no frontispício do deus grego da saúde e da harmonia, Apolo, no templo de Delfos, aqui também vale o “Nada em excesso”.
A justa medida, o métron grego revela-se viável, algo a nos pautar.
Sem dúvida, PARASITA, o filme vencedor do Oscar 2020, dirigido pelo sul coreano Bong Joon-Ho, suscita inúmeros olhares, permitindo alguns recortes interessantes.
Há muitas críticas inteligentes referentes a película, sobretudo no que diz respeito a parte, digamos que, mais técnica: roteiro, direção, fotografia, elenco, etc.
Na presente análise, ponderamos o quanto
o ambiente (espaço físico) das moradias
influencia na psique, pois a discrepância das casas das duas famílias
retratadas no filme é um dos vieses que mais chama a atenção.
Sábio, o filósofo alemão Friedrich
Nietzsche afirmou que para viver bem é preciso saber escolher onde morar, o que comer e com quem se
relacionar. Sem dúvida, morar bem é fundamental, mas há quem não tenha opção
de escolha.
Desde os primórdios, ainda no tempo
das cavernas, após cumprir a função de garantir segurança e privacidade, a moradia
evoluiu e se aprimorou cada vez mais, passando a proporcionar conforto e demarcar status social, balizado,
sobretudo por localização, metragem, projeto arquitetônico e materiais de acabamento.
A residência talvez seja o mais
explícito símbolo de posição numa estratificação social. E, se o que
classificamos como sendo moradia de uma classe baixa é passível de divergência,
o conceito de como é a habitação de pessoas de alto poder aquisitivo - independente do lugar no mundo - não deixa margem
para muitas dúvidas.
Por nos trazer dois exemplos extremos
– em termos socioeconômicos –, em PARASITA, a questão da moradia salta aos
olhos. Aliás, diríamos que, mais que mero “pano de fundo”, ambas moradias são
também protagonistas da trama.
Àquilo que o florentino Nicolau Maquiavel,
considerado “Pai” da ciência política moderna, ponderou como sendo a má Fortuna, quando evidenciada pelo CEP,
não é – graças à Virtù –
necessariamente, destino. Ainda mais se atentarmos ao democrático papel da Internet no
mundo contemporâneo.
Astúcia e acesso à Internet. Em
PARASITA, vemos como os membros da família desfavorecida utiliza desses
expedientes – de forma nem sempre ética – para ascender socialmente.
Graças ao Wi-Fi roubado, aprende-se a dobrar caixas de pizzas, arteterapia, falsificar certificados, mecanismo de direção de um carro Mercedes, etc.
Graças ao Wi-Fi roubado, aprende-se a dobrar caixas de pizzas, arteterapia, falsificar certificados, mecanismo de direção de um carro Mercedes, etc.
Mas não é sobre a licitude ou não
desses atos que versamos, em nosso horizonte está a questão da
disparidade das moradias de ambas famílias, algo que, infelizmente, testemunhamos haver em
praticamente todo o mundo.
Para compreender que essa diferença é antiga e, infelizmente, eterna, convido o leitor a apreciar o
artigo que redigi sobre a teoria tríplice da Alma, onde Platão esclarece AQUI de
forma absolutamente clara, lógica, coerente e lúcida porque é uma utopia
almejar que sejamos todos iguais. Não, não somos. Jamais seremos. Mas talvez haja algo a ser feito. Prossigamos.
Atentemos ao fato de que,
basicamente, o que caracteriza recursos
(riqueza/poros) é o ter. Já a pobreza é a falta (penia, daí penúria). Como nos ensina Platão, n’ “O Banquete”, Eros, é fruto de ambos (poros e penia), une, amalgamando
àquele que dispõe ao qual falta.
PARASITA expõe o modus vivendi, e, consequentemente, modus operandis evidenciando a relação de interdependência
que há entre abastados e desafortunados, o que nos lembra o papel de Eros: um elo a unir o que têm ao qual falta.
Há todo um portentoso extrato social sem
acesso à educação que se beneficia da aversão e/ou inépcia dos abastados aos
serviços braçais, domésticos.
Esta é uma realidade evidente,
sobretudo em países subdesenvolvidos e/ou em desenvolvimento como o nosso Brasil, onde os
investimentos governamentais em educação são perfidamente negligenciados.
Em termos de moradia, o rico dispõe
de segurança, privacidade, luz, espaço, beleza, ordem, limpeza e conforto. Já
ao pobre, falta tudo isso e mais um pouco.
O quanto e até que ponto, o “TER”
influência o que somos, o famoso “SER”?
Há uma cena no filme que deixa entrever a resposta, quando o pai da
família pobre afirma: “Eles são ricos,
mas são legais”, ao que a mulher corrige: “São legais porque são ricos”.
Trata-se de um círculo vicioso, que
se retroalimenta. Esse mecanismo pode ser observado também na esfera da miséria, onde paira a
angustiante atmosfera de limitações que, coroada pela imundice, eventualmente contribui para a eclosão da impaciência ou até
mesmo da violência, além de ser porta larga para saídas ditas mais “fáceis”.
Enquanto que a moradia da família abastada é arquitetonicamente planejada, numa
edificação que prioriza a luz, a amplitude dos espaços e o minimalismo, a moradia da família pobre é improvisada,
escura, suja e com notório acúmulo de objetos.
Transitar em meio à beleza, a ordem e o frescor,
influencia nossas emoções. Seja na casa, seja no corpo, todos nós nos sentimos
muito melhor asseados e perfumados. Aliás,
a questão do aroma também é basilar em PARASITA.
Causa um profundo (e, às vezes,
indizível) mal-estar na psique viver inserido no caos, pois a
desordem exterior suscita e também promove certa desordem interior.
Diferente da riqueza, quase sempre clean, iluminada e asséptica, a pobreza convive
com indesejáveis insetos, maus odores, tralhas,
enfim, inutilidades.
Cabe ressaltar que, ao menos em PARASITA, a união familiar é
algo que salta aos olhos em ambas famílias, talvez até mais naquela
desfavorecida. Ali são, um por todos e todos por um.
Não há riqueza maior que contar com o esteio dessa coesão consanguínea. A cumplicidade que permeia toda a família é notória, convivem na pobreza, de ordem material, não de afeto.
Não há riqueza maior que contar com o esteio dessa coesão consanguínea. A cumplicidade que permeia toda a família é notória, convivem na pobreza, de ordem material, não de afeto.
Os ricos de hoje diferem dos de outrora (vide a época vitoriana), quando o minimalismo
não era a diretriz, algo a se almejar.
Representando a atualidade, oportuna e apropriadamente, o chefe
da casa da família abastada trabalha em área tecnológica. A nova elite é
vanguardista e seu habitat explicita
isso.
Em PARASITA, a mobília (exceto
talvez, pelos quartos dos filhos) é composta do mínimo necessário, em contraponto à moradia dos desfavorecidos, visivelmente
acumuladores, incluindo os fracassos em suas empreitadas profissionais.
Observamos também que, folgados e
espaçosos, quando os pobres têm uma oportunidade de desfrutar do ambiente e das
iguarias dos ricos, são bagunceiros, trazendo a anarquia já impressa na alma. E relutam a reconhecer e ajudar seus homóis (iguais).
A contemplação da beleza presente na
natureza, como um jardim, são elementos concretos que nos envolvem numa aura benfazeja, impactando beneficamente
a nossa vida como um todo.
Embora saibamos que residir numa ampla mansão minimalista
não é condição sine-qua-non nem passaporte para a felicidade, é inegável que lutar para morar com dignidade deve ser um ideal
almejado, e, claro, alcançado por todos nós.
Como no frontispício do deus grego da saúde e da harmonia, Apolo, no templo de Delfos, aqui também vale o “Nada em excesso”.
A justa medida, o métron grego revela-se viável, algo a nos pautar.
Nem 8 nem 80: entre
a exuberante residência dos Park e a humilhante moradia da família Kim, entre o preto e o branco, há toda
uma gama de nuances perfeitamente dignas, aconchegantes e habitáveis.
Como a nossa casa, por exemplo, de onde podemos planejar ações que exijam dos políticos - ELEITOS POR NÓS! -, que atentem ao bom uso dos recursos que entregamos sob suas responsabilidades, minimizando tais disparidades.
Os inteligentes jovens acima merecem isso, todo nosso respeito, atenção e empenho.
Luciene Felix Lamy
Whats (13) 98137-5711
AQUI, o ANTES e o DEPOIS de uma moradia de uma família em Guaianases (Zona Leste de SP) que encontrei através do Facebook.
Abaixo, o prestimoso trabalho de Luciana e Siomara, duas amigas que se dedicam a organizar e deixar sua casa impecável.
5 de fev. de 2020
3 de dez. de 2019
Leonardo Da Vinci - Pinacoteca Benedicto Calixto
Clicando sobre a imagem, amplia.
Evento pede doação de uma lata de leite em pó.
Aguardo vocês, amigos!
Um grande abraço e até lá,
luciene felix lamy
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APRENDENDO COM LEONARDO – 2º Walter Isaacson
O fato de Leonardo não ser apenas
um gênio, mas também extremamente humano – um indivíduo peculiar, obsessivo e
divertido, que se distraía com facilidade – faz com que ele nos pareça mais
acessível.
Ele não foi brindado com o tipo
de brilhantismo que é completamente incomensurável para nós. Pelo contrário:
Leonardo foi um autodidata, alguém que trabalhou para pavimentar o caminho rumo
à genialidade.
Então, mesmo que jamais sejamos
capazes de equiparar seus talentos, podemos aprender com ele e tentar ser um
pouco mais como ele era. Sua vida nos oferece lições riquíssimas.
Seja curioso, incansavelmente curioso. Einstein escreveu
certa vez a um amigo: “Não tenho nenhum talento especial. Sou apaixonadamente
curioso.”. Leonardo, na verdade, tinha
talentos especiais, assim como Einstein, porém sua característica mais distinta
e inspiradora era a intensa curiosidade. Ele queria saber por que razão as
pessoas bocejam, como elas andavam no gelo nos Flandres, métodos para realizar
a quadratura do círculo, o que faz a válvula aórtica se fechar, como a luz é
processada pelo olho e como isso influencia a perspectiva em uma pintura. Ele
se instruiu a aprender sobre a placenta do bezerro, a mandíbula do crocodilo, a
língua do pica-pau, os músculos do rosto humano, a luz da Lua e os contornos
das sombras. Ser incansável e aleatoriamente curioso sobre tudo que nos cerca é
algo que todos podemos nos esforçar para fazer a cada segundo da vida,
exatamente como ele fez.
Busque o conhecimento pelo simples prazer da busca. Nem todo
conhecimento precisa ser útil; às vezes ele pode ser perseguido por puro
prazer. Leonardo não precisava saber como as válvulas cardíacas funcionavam
para pintar a Mona Lisa, da mesma forma que não precisava descobrir como os
fósseis foram parar no topo das montanhas para criar a Virgem dos rochedos. Ao
se permitir ter levado apenas pela curiosidade, ele pôde explorar mais
horizontes e identificar mais conexões do que qualquer um em sua época.
Conserve a capacidade das crianças de se maravilhar. Em um
determinado ponto da vida, a maioria de nós para de se importar com os
fenômenos cotidianos. Podemos até apreciar a beleza de um céu azul, mas não nos
damos mais o trabalho de descobrir por que ele é justamente dessa cor.
Leonardo, sim. Como Einstein, que escreveu para um amigo: “Você e eu jamais
deixaremos de agir como crianças curiosas perante o grande mistério no qual
nascemos.”. Precisamos tomar o cuidado de nunca deixar nossa criança interior
crescer ou permitir que isso aconteça com nossos filhos.
Observe. O maior talento de Leonardo era a habilidade
aguçada para observar o mundo. Era esse dom que alimentava sua curiosidade – e
vice-versa. Não era uma espécie de dom sobrenatural, mas um produto de seus
esforços. Quando foi inspecionar os fossos que cercavam o Castelo Sforzesco,
ele viu as libélulas e percebeu que elas tinham quatro asas e que os pares se
alternavam durante o movimento. Quando andava pela cidade, ele notava como as
expressões faciais das pessoas se relacionavam com suas emoções e descobriu
como a luz é refletida em diferentes tipos de superfície. Leonardo observou
quais pássaros moviam as asas mais depressa para cima do que para baixo e quais
faziam o contrário. Isso nós também podemos fazer. E quanto à água caindo em um
recipiente? Fique observando, exatamente como ele, os redemoinhos se formando.
Depois se pergunte: por quê?
Comece pelos detalhes. Em um caderno, Leonardo compartilhou
um de seus truques para realizar uma observação cuidadosa: faça por etapas,
começando pelos detalhes. Ele comparou à página de um livro, que não pode ser
absorvida em apenas um olhar; é preciso ler palavra por palavra. “Se você
quiser ter um conhecimento sólido sobre as formas de um objeto, comece pelos
detalhes e não avance para o próximo se não tiver gravado bem o primeiro na
memória. ”
Veja o que está invisível. A principal atividade de Leonardo
durante grande parte dos anos de formação foi a produção de espetáculos,
performances e peças teatrais. Neles, ele misturava sua engenhosidade teatral
com fantasia, o que lhe deu uma criatividade combinatória: ele era capaz de ver
pássaros voando, mas também enxergava anjos; ou leões rugindo, mas também
dragões.
Mergulhe no desconhecido. Leonardo preencheu as páginas de
abertura de um caderno com 169 tentativas de realizar a quadratura do círculo.
Em oito páginas do Códex Leicester,
registrou 730 descobertas sobre o fluxo da água; em outro caderno, há 67
palavras descrevendo vários tipos de movimentos da água. Ele mediu cada segmento
do corpo humano, calculou as relações de proporcionalidade e fez o mesmo com um
cavalo. Ele estudou todas essas coisas pelo simples prazer de aprender.
Distraia-se. A maior crítica que se faz a Leonardo é o fato
de esses interesses que ele perseguia de forma apaixonada terem feito com que
saísse pela tangente – literalmente, no caso dos estudos de matemática. Kenneth
Clark lamentou que eles “empobreceram seu legado”. Contudo, a disposição de
Leonardo em se interessar por qualquer tópico que cruzava seu caminho deixou
sua mente muito mais rica e com muito mais conexões.
Respeite os fatos. Leonardo foi um percursor da era dos
experimentos observacionais e do pensamento crítico. Quando tinha uma ideia,
ele criava uma maneira de testá-la. E, quando a experiência mostrava que a
teoria estava errada – como a crença de que fontes de água no interior da Terra
eram alimentadas da mesma forma que os vasos sanguíneos nos seres humanos –,
ele abandonava a teoria e elaborava outra.
Essa prática se tornaria comum um século depois, durante a era de
Galileu e de Bacon. Entretanto, ela era um pouco menos prevalente naquela
época. Se quisermos ser mais parecidos com Leonardo, não podemos ter medo de
mudar de ideia conforme novas informações vão surgindo.
Procrastine. Quando trabalhava em A Última Ceia, Leonardo às
vezes ficava olhando a pintura por uma hora, dava uma mísera pincelada e em
seguida ia embora. Ele disse ao duque Ludovico que a criatividade demandava
tempo para que as ideias se apurassem e as intuições se formassem. Explicou:
“Homens de intelecto elevado às vezes obtêm seus maiores avanços quando
trabalham menos, uma vez que suas mentes, então, ocupam-se com as ideias e com
o aperfeiçoamento dos conceitos aos quais posteriormente darão forma. ” A
maioria de nós não precisa de nenhum incentivo para procrastinar; fazemos isso
naturalmente. Mas procrastinar como Leonardo dá muito trabalho: o processo
envolve reunir todas as informações e ideias sobre um assunto e só então deixar
que essa grande coleção fermente.
Faça com que o perfeito seja inimigo do bom. Quando não
conseguiu fazer a perspectiva em A
batalha de Anghiari ou a interação em A
adoração dos magos funcionarem perfeitamente, Leonardo abandonou essas
obras em vez de produzir um trabalho que era apenas bom. Ele manteve consigo
obras-primas como A virgem e o Menino com
santa Ana e a Mona Lisa até o
fim, sabendo que sempre poderia acrescentar uma nova pincelada. Steve Jobs
também era tão perfeccionista que postergou a liberação do Macintosh originou
até que sua equipe conseguisse fazer com que as placas de circuito internas
ficassem bonitas, muito embora ninguém fosse vê-las. Tanto ele quanto Leonardo
sabiam que artistas de verdade se preocupam com a beleza até das partes
ocultas. Contudo, Jobs acabou adotando uma máxima que contradizia essa ideia:
“Artistas de verdade entregam”, significando que às vezes é preciso entregar um
produto mesmo quando ainda há ajustes e melhorias a serem feitos. Essa é uma
boa regra para a vida cotidiana, porém há momentos em que é melhor ser como
Leonardo e não desistir de algo até que esteja perfeito.
Pense visualmente. Leonardo não fora abençoado com a
habilidade de formular equações matemáticas ou abstrações complexas. Por isso
precisava visualizá-las, o que fez nos estudos de proporções, nas regras de
perspectiva, no método para calcular reflexos em espelhos côncavos e nas
maneiras de alterar formas mantendo a área original. Com frequência, quando
aprendemos uma fórmula ou uma regra – mesmo uma simples, como a multiplicação
dos números ou a mistura de uma cor de tinta –, paramos de visualizar como ela
funciona. Como resultado, perdemos a capacidade de apreciar a beleza
fundamental por trás das leis da natureza.
Evite fechar horizontes. No final de muitas de suas
apresentações, Jobs mostrava um slide com uma placa do cruzamento entre as ruas
“Artes Liberais” e “Tecnologia”. Ele sabia que é nesse cruzamento que fica a
criatividade. Leonardo tinha uma mente aberta, que perambulava alegremente por
todas as disciplinas da arte, da ciência, da engenharia e das humanidades. Seu
conhecimento sobre como a luz atinge a retina o ajudou a criar a perspectiva de
A Última Ceia, e na página de
desenhos anatômicos que mostra a dissecação dos lábios ele desenhou o sorriso
que reapareceria na Mona Lisa. Ele
sabia que a arte era uma ciência e que a ciência era uma arte. Não importava se
estava desenhando um feto no útero ou os turbilhões de um dilúvio: Leonardo
sempre borrava os limites entre as duas coisas.
Faça com que seu alcance seja maior do que sua compreensão.
Imagine, da mesma forma que ele imaginou, como você construiria uma máquina
voadora ou desviaria o curso de um rio. Aventure-se a projetar uma máquina de
moto-contínuo ou a resolver a quadratura de um círculo usando apenas régua e
compasso. Existem certos problemas que jamais resolveremos. Aprenda por quê.
Alimente sua fantasia. A besta gigante? Os tanques que
pareciam tartarugas? As plantas para uma cidade ideal? Os mecanismos para bater
as asas de uma máquina voadora controlados por um homem? Assim como borrava os
limites entre a ciência e a arte, Leonardo fazia o mesmo com o que separa a
realidade da fantasia. Ele pode não ter produzido máquinas voadoras, mas sua
imaginação voou muito alto.
Crie para você, não só para os patronos. Não importa o
quanto a rica e poderosa marquesa Isabella d’Este implorara, Leonardo não
pintou seu retrato. Mas ele começou a trabalhar em outro, o da mulher de um
comerciante de seda chamada Lisa. Fez isso porque queria e seguiu aperfeiçoando
essa obra pelo resto da vida, sem entregá-la ao cliente.
Trabalhe em conjunto. A genialidade costuma ser vista como
algo que pertence à esfera dos solitários, que se encerram em sótãos e são
atingidos por lampejos de criatividade. Como a maioria dos mitos, o do gênio
recluso contém certa verdade. Contudo, em geral há mais detalhes por trás da
história. As Madonas e os estudos de panejamento produzidos no ateliê de
Verrochio, assim como as versões de Virgem
dos rochedos e da Madona do fuso
e outras pinturas que saíram do ateliê de Leonardo foram criadas em processo
tão colaborativos que é difícil determinar quem os criou. O Homem vitruviano foi produzido após uma
troca de ideias e esboços entre amigos. Os melhores estudos de anatomia de
Leonardo surgiram quando ele estava trabalhando em parceria com Marcantonio
dela Torre. E seu trabalho mais divertido foi feito a partir das colaborações
nas produções teatrais e entretenimentos noturnos produzidos na corte dos
Sforza. A genialidade se origina de um brilhantismo individual, ela necessita
de uma visão singular. No entanto, para executá-la, em geral é necessário
trabalhar com outras pessoas: a inovação é um esporte coletivo; a criatividade,
um esforço colaborativo.
Faça listas. E coloque itens estanhos nelas. As listas de
coisas a fazer de Leonardo são provavelmente os maiores tributos à pura
curiosidade que o mundo já viu.
Faça anotações – no papel.
Quinhentos anos depois, os cadernos de Leonardo ainda estão por aí para nos
surpreender e nos inspirar. Daqui a cinquenta anos, nossos próprios cadernos,
se levarmos a sério a iniciativa de começar a preenchê-los, estarão por aí para
surpreender e inspirar nossos netos, ao contrário de nossos tuítes e posts no
Facebook.
Esteja aberto ao mistério. Nem tudo precisa de linhas
definidas.
8 de nov. de 2019
23 de out. de 2019
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ESCOLHA & CLIQUE (leia no topo). Cultura faz bem ao Espírito!
Eis que a Sabedoria reina, mas não governa, por isso, quem pensa (no todo) precisa voltar para a caverna, alertar aos amigos. Nós vamos achar que estais louco, mas sabes que cegos estamos nós, prisioneiros acorrentados à escuridão da caverna.
Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República.
Eis o télos (do grego: propósito, objetivo) da Filosofia e do filósofo. Agir na cidade. Ação política. Phrônesis na Pólis.
Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República.
Eis o télos (do grego: propósito, objetivo) da Filosofia e do filósofo. Agir na cidade. Ação política. Phrônesis na Pólis.
Curso de Mitologia Grega
As exposições mitológicas explicitam arquétipos (do grego, arché + typein = princípio que serve de modelo) atemporais e universais.
Desse modo, ao antropomorficizarem os deuses, ou seja, dar-lhes características genuinamente humanas, os antigos revelaram os princípios (arché) de sentimentos e conflitos que são inerentes a todo e qualquer mortal.
A necessidade da ordem (kósmos), da harmonia, da temperança (sophrosyne) em contraponto ao caos, à desmedida (hýbris) ou, numa linguagem nietzschiana, o apolíneo versus o dionisíaco, constitui a base de toda antiga pedagogia (Paidéia) tão cara à aristocracia grega (arístois, os melhores, os bem-nascidos posto que "educados").
Com os exponenciais poetas (aedos) Homero (Ilíada e Odisséia), Hesíodo (A Teogonia e O trabalho e os dias), além dos pioneiros tragediógrafos Sófocles e Ésquilo, dispomos de relatos que versam sobre a justiça, o amor, o trabalho, a vaidade, o ódio e a vingança, por exemplo.
O simples fato de conhecermos e atentarmos para as potências (dýnamis) envolvidas na fomentação desses sentimentos, torna-nos mais aptos a deliberar e poder tomar a decisão mais sensata (virtude da prudencia aristotélica) a fim de conduzir nossas vidas, tanto em nossos relacionamentos pessoais como indivíduos, quanto profissionais e sociais, coletivos.
AGIMOS COM MUITO MAIS PRUDÊNCIA E SABEDORIA.
E era justamente isso que os sábios buscavam ensinar, a harmonia para que os seres humanos pudessem se orientar em suas escolhas no mundo, visando atingir a ordem presente nos ideais platônicos de Beleza, Bondade e Justiça.
Estou certa de que a disseminação de conhecimentos tão construtivos contribuirá para a felicidade (eudaimonia) dos amigos, leitores e ouvintes.
Não há dúvida quanto a responsabilidade do Estado, das empresas, de seus dirigentes, bem como da mídia e de cada um de nós, no papel educativo de nosso semelhante.
Ao investir em educação, aprimoramos nossa cultura, contribuimos significativamente para que nossa sociedade se torne mais justa, bondosa e bela. Numa palavra: MAIS HUMANA.
Bem-vindos ao Olimpo amigos!
Desse modo, ao antropomorficizarem os deuses, ou seja, dar-lhes características genuinamente humanas, os antigos revelaram os princípios (arché) de sentimentos e conflitos que são inerentes a todo e qualquer mortal.
A necessidade da ordem (kósmos), da harmonia, da temperança (sophrosyne) em contraponto ao caos, à desmedida (hýbris) ou, numa linguagem nietzschiana, o apolíneo versus o dionisíaco, constitui a base de toda antiga pedagogia (Paidéia) tão cara à aristocracia grega (arístois, os melhores, os bem-nascidos posto que "educados").
Com os exponenciais poetas (aedos) Homero (Ilíada e Odisséia), Hesíodo (A Teogonia e O trabalho e os dias), além dos pioneiros tragediógrafos Sófocles e Ésquilo, dispomos de relatos que versam sobre a justiça, o amor, o trabalho, a vaidade, o ódio e a vingança, por exemplo.
O simples fato de conhecermos e atentarmos para as potências (dýnamis) envolvidas na fomentação desses sentimentos, torna-nos mais aptos a deliberar e poder tomar a decisão mais sensata (virtude da prudencia aristotélica) a fim de conduzir nossas vidas, tanto em nossos relacionamentos pessoais como indivíduos, quanto profissionais e sociais, coletivos.
AGIMOS COM MUITO MAIS PRUDÊNCIA E SABEDORIA.
E era justamente isso que os sábios buscavam ensinar, a harmonia para que os seres humanos pudessem se orientar em suas escolhas no mundo, visando atingir a ordem presente nos ideais platônicos de Beleza, Bondade e Justiça.
Estou certa de que a disseminação de conhecimentos tão construtivos contribuirá para a felicidade (eudaimonia) dos amigos, leitores e ouvintes.
Não há dúvida quanto a responsabilidade do Estado, das empresas, de seus dirigentes, bem como da mídia e de cada um de nós, no papel educativo de nosso semelhante.
Ao investir em educação, aprimoramos nossa cultura, contribuimos significativamente para que nossa sociedade se torne mais justa, bondosa e bela. Numa palavra: MAIS HUMANA.
Bem-vindos ao Olimpo amigos!
Escolha: Senhor ou Escravo das Vontades.
Outros debates jurídico-filosóficos
A Justiça na Grécia Antiga
Transição do matriarcado para o patriarcado
A Justiça nos primórdios do pensamento ocidental - Grécia Antiga (Arcaica, Clássica e Helenística).
Nessa imagem de Bouguereau, Orestes (Membro da amaldiçoada Família dos Atridas: Tântalo, Pélops, Agamêmnon, Menelau, Clitemnestra, Ifigênia, Helena etc) é perseguido pelas Erínias: Vingança que nasce do sangue dos órgãos genitais de Ouranós (Céu) ceifado por Chronos (o Tempo) a pedido de Gaia (a Terra).
O crime de matricídio será julgado no Areópago de Ares, presidido pela deusa da Sabedoria e Justiça, Palas Athena. Saiba mais sobre o famoso "voto de Minerva": Transição do Matriarcado para o Patriarcado. Acesse clicando AQUI.
Versa sobre as origens de Thêmis (A Justiça Divina), Diké (A Justiça dos Homens), Zeus (Ordenador do Cosmos), Métis (Deusa da presciência), Palas Athena (Deusa da Sabedoria e Justiça), Niké (Vitória), Erínias (Vingança), Éris (Discórdia) e outras divindades ligadas a JUSTIÇA.
Nessa imagem de Bouguereau, Orestes (Membro da amaldiçoada Família dos Atridas: Tântalo, Pélops, Agamêmnon, Menelau, Clitemnestra, Ifigênia, Helena etc) é perseguido pelas Erínias: Vingança que nasce do sangue dos órgãos genitais de Ouranós (Céu) ceifado por Chronos (o Tempo) a pedido de Gaia (a Terra).
O crime de matricídio será julgado no Areópago de Ares, presidido pela deusa da Sabedoria e Justiça, Palas Athena. Saiba mais sobre o famoso "voto de Minerva": Transição do Matriarcado para o Patriarcado. Acesse clicando AQUI.
Versa sobre as origens de Thêmis (A Justiça Divina), Diké (A Justiça dos Homens), Zeus (Ordenador do Cosmos), Métis (Deusa da presciência), Palas Athena (Deusa da Sabedoria e Justiça), Niké (Vitória), Erínias (Vingança), Éris (Discórdia) e outras divindades ligadas a JUSTIÇA.
A ARETÉ (excelência) do Homem
se completa como Zoologikon e Zoopolitikon: desenvolver pensamento e capacidade de viver em conjunto. (Aristóteles)
Busque sempre a excelência!
TER, vale + que o SER, humano?
As coisas não possuem valor em si; somos nós que, através do nôus, valoramos.
Nôus: poder de intelecção que está na Alma, segundo Platão, após a diânóia, é a instância que se instaura da deliberação e, conforme valores, escolhe. É o reduto da liberdade humana onde um outro "logistikón" se manifesta. O Amor, Eros, esse "daimon mediatore", entre o Divino (Imortal) e o Humano (Mortal) pode e faz a diferença.
Ser "sem nôus", ser "sem amor" (bom daimon) é ser "sem noção".
Nôus: poder de intelecção que está na Alma, segundo Platão, após a diânóia, é a instância que se instaura da deliberação e, conforme valores, escolhe. É o reduto da liberdade humana onde um outro "logistikón" se manifesta. O Amor, Eros, esse "daimon mediatore", entre o Divino (Imortal) e o Humano (Mortal) pode e faz a diferença.
Ser "sem nôus", ser "sem amor" (bom daimon) é ser "sem noção".
A Sábia Mestre: Rachel Gazolla
O Sábio Mestre: Antonio Medina Rodrigues (1940-2013)
Você se sentiu ofendido...
irritado (em seu "phrenas", como diria Homero) ou chocado com alguma imagem desse Blog? Me escreva para que eu possa substituí-la. e-mail: mitologia@esdc.com.br































