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1 de jul. de 2011

HEIDEGGER e uma Filosofia da Existência


A existência precede a essência” Martin Heidegger (1889-1976)
A existência precede e governa a essência Jean-Paul Sartre (1905-1980)


Por mais de dois milênios, órfãos e perplexos, prostamo-nos à soleira da porta da Metafísica (me ta tá physica, do grego, o que está além, acima da physica), mendigando conhecer sobre o Ser, o mundo e a vida, presumindo-os existentes (reais) independentes da presença desse angustiado desejoso de saber.

Desde Platão e Aristóteles, a concepção que temos dos, aparentemente intransponíveis, mistérios da vida (vide as big questions: quem somos, de onde viemos e para onde vamos?) é de inacessíveis ao intelecto.

Para muitos, a impenetrabilidade de uma única, eterna e imutável “Verdade” revela-se reconfortante. Mas esta, reivindicando para si “inquestionabilidade”, torna-se dogmática.

Ousando discutir o quão única e absoluta a metafísica não é, o filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976), em sua obra “Ser e Tempo”, desconstrói o arcabouço do saber metafísico e erige uma nova ontologia (ciência do Ser enquanto Ser), inaugurando uma via de conhecimento fundada numa episteme (ciência da Teoria do Conhecimento) fenomenológica.

Epistemologicamente (ramo da Filosofia que se debruça sobre a questão do conhecimento), por milênios, permanecemos enredados na crença e na busca de uma única via de acesso ao Ser dos entes e à sua Verdade: inteligíveis, mas indizíveis.

E do Ser, que É, desde Parmênides, emudecido [“Eu sou o que sou”, disse Deus a Moisés], só se podia pensar, sendo o “Pensar”, limitado pela incapacidade de “dizer”, confinamo-lo.

Apenas das coisas que são, dos entes que se dão a conhecer, via lógos, através da linguagem, afirmamos isso ou aquilo. Mas, mesmo antes de indagar o que é, somos! Ser, existir é condição humana ontológica (fundante): 1º somos, existimos, depois pensamos “o que”, ou melhor, buscamos QUEM somos.

Imbuídos de desvendar que critérios adotar para que, nesse mundo inóspito e incerto, a perspectiva de alguma segurança nos fosse acenada, estabelecemos que somente a precisão metodológica do conceito (representação) garantiria ao conhecimento humano sua imutabilidade, unicidade e absolutidade. Eis a metafísica legada pela tradição.

Confortou-nos do incômodo que é o inefável, intangível, impalpável, invisível e indizível (metafísica) o “Demiurgo” (Platão), conceituado/representado, como sendo uno, eterno e incorruptível (Ideia, lugar da manifestação da Verdade de tudo o que é), o Movente Imóvel (Aristóteles), que estabelece que pertence ao intelecto esta função do conhecimento e, também o “Pai” do racionalismo, o filósofo francês René Descartes (1596-1650), que modulou este intelecto “cujo único procedimento aceitável é o do cálculo e do controle lógico-científico da realidade (...)”.

Descartes persegue e encontra o porto seguro para o Pensar, de fora, exterior e à distância, para assim, poder olhar e examinar o mundo, a existência e tudo o que dela faz parte: “Um ponto fora do mundo que ‘ex-tranhe’ o homem de suas situações de vivência, de suas sensações e sentimentos”, numa palavra, da realidade em que se circunscreve.

Retirado do homem as condições básicas e elementares de sua humanidade, instala-se o Cogito, ergo sum (Penso, logo existo): “um poder humano, embora sem humanidade, equívoco quanto à sua soberania e sua independência em relação às condições ontológicas plenas do homem”. Mas o contexto fundamental, ontológico do Ser não é somente o Pensar, é também Existir.

Sob a égide do cogito, o ocidente moderno aceitou esta via como a única perspectiva adequada, viável e válida para a aproximação entre homem e mundo e o que este poderia vir a saber, inclusive, dele mesmo.

Ao longo da história da episteme ocidental, na busca por um alicerce, o homem “baseou-se na dúvida de si mesmo, lançando para fora de si (de sua ontologia, das condições nas quais a vida lhe é dada) a possibilidade de qualquer domínio da realidade, inclusive de suas ideias.”

Para o “Pensar Metafísico”, a validade de um conhecimento é assegurada pela construção de conceitos dentro de parâmetros lógicos. Obviamente, isso nos priva da intimidade que possa haver entre nós e o mundo, ou seja, da experiência que possa advir da fruição de estar no mundo.

Segundo afirma Dulce Critelli, em sua obra “Analítica do Sentido – Uma aproximação e interpretação do real de orientação fenomenológica”: “A dificuldade da episteme metafísica em aceitar a relatividade da perspectiva e da verdade, levando-a a negá-las, está já na origem mesma de seu nascimento: a perplexidade diante da aparição, da mutabilidade e da degeneração dos entes sensíveis (Platão); e a insegurança emergente diante da descoberta dos sofistas de que, sendo o ser dos entes inefável, as coisas são o que se “bem” diz que elas são (oratória).”

Negar a relatividade da perspectiva da verdade é justamente o que constitui a episteme metafísica. Para a fenomenologia, a insegurança dessa relatividade é própria, inerente ao existir (ser): “A existência precede a essência”, diz o Existencialismo.

Chamamos a atenção para o fato de que, instrumentalizada dessa forma, a ratio (reconhecidamente planejada e estruturada) nos fornece UMA das alternativas de conhecimento, de aproximação do real, da realidade: “A insegurança ou a fluidez do aparecer dos entes e das possibilidades de apreender e expressar seu ser não são, por si sós, indicativas da falsidade de uma perspectiva, nem da irrealidade de um ente qualquer. Também não indica, como queriam os sofistas, a inefabilidade dos entes”.

A dificuldade que temos de apreendermos a aparição dos entes em sua totalidade se deve justamente aos modos constitutivos e originários do mostrar-se dos entes e do pensar, que são igualmente inseguros e fluídos.

Ao pretender superar a instabilidade do ser e dos seres que são, a metafísica alicerça a possibilidade de conhecimento sobre a segurança da precisão metodológica do conceito, como se com a razão (Cogito, lógos, ratio), com uma forma ‘lógica do Ser’, a permanência estivesse assegurada. E está, desde que limitadoramente, sob este prisma.

Reiterando, a fenomenologia existencial instaura possibilidades de conhecer nos angustiantes modos infindáveis de se Ser: “Enquanto a metafísica reconhece a possibilidade do conhecimento fundada na relação entre o sujeito epistêmico [cognoscente] E seu objeto [cognoscível], tomando-a como resultante de uma produção humana – a representação –, a fenomenologia funda tal possibilidade na própria ontologia [modo de ser] do homem, pois ela é uma das condições em que a vida nos é dada.”

Para Heidegger, a relatividade dos entes é a condição de manifestação deles mesmos, diz respeito à provisoriedade aos quais estão sujeitos, uma vez que tudo o que é vem a ser e permanece sendo “no horizonte do tempo e NÃO do intelecto, e em seu incessante movimento de mostrar-se e ocultar-se.” Para o existencialista, o que está oculto é o nada, sendo o homem o sujeito epistemológico, ele cria a realidade, dizendo melhor, a descobre.

Veja neste Blog, artigo sobre "Descartes e o Discurso do Método".

1 de jun. de 2011

HAMARTÍA - O Exterminador do Futuro

"A nossa vida compõe-se de duas partes a privada e a exterior; nascem ambas à porta de nossa casa, uma, porém, se estende para dentro e a outra para fora." Aluísio Azevedo

A Sagrada Família – Murillo (Museo del Prado)

“A verdadeira felicidade está na própria casa, entre as alegrias da família.” Léon Tolstoi
 
Recentemente, a mídia internacional trouxe à tona a notícia de duvidosos comportamentos de duas personalidades públicas: Dominique Strauss-Kahn, economista e agora ex-diretor do FMI e Arnold Schwarzenegger, ator e ex-governador da Califórnia, ambos casados e pais de quatro filhos.

Como vimos no artigo anterior (http://lucienefelix.blogspot.com/2011/05/kant-e-uma-filosofia-da-historia-para.html), tal qual a natureza, a razão também possui um télos (propósito) e este pode ser constatado através do crivo que ela mesma impõe às ações humanas: àquilo que fere a harmonia, o bom senso, à Justiça, como um corpo estranho ao juízo sensato, aos poucos (às vezes, milhares de anos) é excluído da norma.

O lógos marcha com vagar e, entre avanços e retrocessos, põe em relevo a correção moral, o decoro, a compostura, tributando valor à honradez e ao pudor.

No mundo globalizado, dispondo de nossas iluministas e humanistas atuais categorias mentais, não há como aceitar passivamente atitudes deploráveis e indignas, como se ainda fôssemos reféns de senhores feudais. A sociedade (opinião pública) aponta, denuncia, defende-se.


Até porque, indefensáveis, tanto na vida política quanto nas atividades corporativas, vilezas ético-morais têm sido punidas com renúncia (demissão voluntária ou sob coação), prisão, ostracismo, expulsão, banimento, desprezo.

Sucumbir às (ir) resistíveis paixões da carne em detrimento da ordem, invertendo valores tão caros à ratio, desde os tempos homéricos (Ilíada), ascende da mera insensatez à bestialidade. No âmbito político (público) e nos ambientes corporativos, por exemplo, a retaliação da sociedade é patente.

Arnold Schwarzenegger e Maria Shriver com seus filhos. Após 25 anos de união anunciam separação.
O ator e ex-governador confessou ter tido um filho com a empregada durante o casamento.

E quanto ao reparo à gravidade da vileza na esfera doméstica, privada?

Génos – além de raça, estirpe, família – é descendência, sendo também uma explicitação da natureza dos genitores. Comportamento desonroso no lar acarreta numa “hamartía”, palavra grega que designa a “marca” (falta) que um descendente traz de origem (http://lucienefelix.blogspot.com/2009/03/o-mito-de-tantalo.html).

Enquanto meras ‘marcas’, as hamartías constituem virtudes e vícios: dons culinários, aspirações intelectuais, espírito indômito, desbravador, inclinação aos vícios (do sexo, jogo ou drogas), ao otimismo, bom humor, às doenças físicas e psíquicas (como a depressão), tendência à procrastinação (preguiça), enfim, reconhecendo-os e cultivando-os ou repelindo-os, ora transmitimos talentos, ora suprimimos características constrangedoramente negativas.

Não há como prever o comportamento de um indivíduo (nem mesmo perscrutando a psyché ‘Alma’, como os psicanalistas: “me fale de seus pais”) ou mensurar a profundidade da desalentadora dor causada pelo ultraje que os familiares são obrigados a vivenciar. Há muito sabemos que origem não é, obrigatoriamente, destino e que cabe a cada um de nós a responsabilidade de interromper a transmissão hereditária de indisfarçáveis deficiências.

Desnorteadas, muitas “Marias” se vêem acometidas pela atér, cegueira que induz ao estado de desvario, depois à ação desvairada e por fim, à ruína. Arruinadas ficam também as vítimas indefesas.

Isso porque um lar não é um órgão como o FMI ou um país onde, tranquilamente, outro(a) economista ou candidato(a) substitui o execrável, com discurso persuasivo que induz a enxergarmos, no novo, talento e competência ainda maior.

Devastadoramente destrutiva na esfera privada da sacra célula familiar, onde prisão, ostracismo, renúncia e expulsão não resolvem o problema (e tampouco é possível aventar legítima substituição), ausência de ética, sorrateiramente, desampara inocentes.


Legar a “falta”, impondo uma irreversível hamartía aos indefesos, fomenta a exterminação do futuro. Nos agentes das desprezíveis ações, quando conscientes, instaura-se um dos mais terríveis e inarredáveis carrascos psíquicos: a culpa.


PS: Recomendo a leitura dos dois artigos apontados para melhor compreensão.


1 de mai. de 2011

KANT e uma Filosofia da História - Para onde caminha a humanidade?



"Quem não pensa e age para melhorar o mundo será atropelado pela História." jornalista Eliane Brum

Pensando sobre o homem em sociedade (antropologia política), Immanuel Kant publica “Ideia de uma história universal de um ponto de vista cosmopolita” (1784), obra considerada pedra angular para a Filosofia da História.

Intrigado, o filósofo de Könisgberg intenta elucidar o que fomenta, de que forma e qual seria o télos (propósito, finalidade) da evolução da raça humana.

Sabemos que a natureza, da qual fazemos parte, nos impõe suas inegociáveis leis. Assim, das estações e das órbitas planetárias, da geração, crescimento, desejo de união, maturidade, decrepitude e morte, como os demais animais, também somos reféns.

Constatamos que a natureza detém um éthos (hábito, conduta, habitat) específico e que este éthos obedece a uma doutrina teleológica própria. E no homem, excetuando-se suas pulsões instintivas, enquanto ser racional a construir seu próprio éthos, há algum propósito oculto? Kant afirma que sim e que as ações do homem em sociedade registradas pela História revela esse propósito.

Sofisticadamente distintos dos animais, pois dotados da centelha que nos torna imortais enquanto gênero (ação racional), avançamos, legando conhecimentos: do afã de saciar a fome a gastrônomos; da necessidade de protegermo-nos, vestindo, criamos moda, do anseio por prazer, aprovação e conforto, desenvolvemos técnicas.

De fato, através de gerações e gerações, nosso cérebro é constantemente aperfeiçoado. Se nossa prole, ainda na mais tenra idade, identifica a água como sendo “H2O” e é capaz de compreender que, quando filtrada está livre de bactérias (mesmo que façam somente uma vaga ideia do que sejam bactérias), isso se deve a toda uma geração que a antecede.

Curiosamente, a História evidencia que muitos de nossos propósitos particulares coincidem com o da natureza.


Um exemplo é a união estável entre as pessoas: “a livre vontade dos homens tem tanta influência sobre os casamentos, os nascimentos que daí advém e a morte, eles não parecem estar submetidos a nenhuma regra (...). E, no entanto, (...) eles acontecem de acordo com leis naturais constantes (...)”.

Nossas atitudes manifestam nossa vontade livre, e esta ‘vontade livre’, embora imaginemos ser aleatória, é determinada por leis naturais universais. Não enxergamos isso observando a atitude de cada indivíduo em si (árvore), mas ao vislumbrarmos a sociedade (floresta) como um todo.

Essas “leis” são reveladas pela história que, por registrar, narrando insensatez e façanhas é capaz de descobrir e por em relevo – não àquilo que fazemos enquanto indivíduos – mas, àquilo que manifestamos enquanto seres políticos, sociais.

Em nossa conduta trazemos a marca da dualidade (animal + racional): nem procedemos somente por instinto, como os animais, “nem tampouco como razoáveis cidadãos do mundo”.

Construímos nossos éthos – não de forma linear – mas de modo inconstante, lento e penoso, num jogo de avanços e retrocessos. O que a ratio retém como comprovadamente bom ou útil à espécie, permanece, já o que ofende ultrajando a racionalidade, vai sendo, aos poucos, preterido até ser completamente excluído de nosso modus vivendi: “o fim último da espécie humana é alcançar a mais perfeita constituição política”, diz Kant.

São tantas as nossas incoerências que não há como pressupor propósito racional no homem individual, mas somente investigar e identificar uma finalidade na natureza racional humana, tomando suas ações como um fio de Ariadne para vislumbrar esse propósito. Cabe à história então, tomando um determinado plano e escopo da natureza como condutor, revelar os erros e os acertos de “criaturas que procedem sem um plano próprio”, como diz.

E qual é o dispositivo que desencadeia este propósito oculto nas “leis” da natureza, leis estas às quais (enquanto sociedade), em nosso desenvolvimento, realizamos mesmo que não estejamos cônscios?

Antagonismo. E explica: “Eu entendo aqui por antagonismo a insociável sociabilidade dos homens, ou seja, sua tendência a entrar em sociedade que está ligada a uma oposição geral que ameaça constantemente dissolver essa sociedade”.

Existir é existir com. E ponto com. O homem tem mesmo uma predisposição a associar-se e assim pode desenvolver melhor sua “humanidade”. Mas Kant ressalta que “ele também tem uma forte tendência a separar-se (isolar-se) porque encontra em si ao mesmo tempo uma qualidade insociável que o leva a querer conduzir tudo simplesmente em seu proveito, esperando oposição de todos os lados, do mesmo modo que sabe que está inclinado a, de sua parte, fazer oposição aos outros”.

Este componente intrínseco – luta de contrários, diria Heráclito –, ao qual Kant dá o nome de “oposição” é o que desafia e move o homem a sair da letargia, a superar sua tendência à preguiça, como ele mesmo diz, e partir para a conquista de seus objetivos, sempre movido pela busca de projeção, pela ânsia de dominação ou cobiça.

Tudo isso para (espantemo-nos, mas nem tanto) destacar-se entre os pares, para proporcionar a si próprio “uma posição entre companheiros que ele não atura, mas dos quais não pode prescindir”. É dessa forma que somos levados da rudeza à cultura, diz o autor da “Crítica da razão pura” e da “Metafísica dos costumes”. Nisto consiste propriamente o valor social do homem.

Do anseio por esta posição de destaque, virão os talentos, o bom gosto, o refinamento e, num “progressivo iluminar-se (Aufklärung), a fundação de um modo de pensar que pode transformar, com o tempo, as toscas disposições naturais para o discernimento moral [eis a razão exercendo seu mister] em princípios práticos determinados e assim finalmente transformar um acordo extorquido ‘patologicamente’ para uma sociedade em um todo moral”.

Topós do livre-arbítrio, este seria o modo de preencher o vazio da criação em vista de nosso propósito enquanto natureza racional. Queremos viver prazerosamente com toda comodidade, mas a natureza exige que nos lancemos ao trabalho até a fadiga para que, usando a inteligência, nos livremos desses últimos: “Agradeçamos, pois, à natureza a intratabilidade, a vaidade que produz a inveja competitiva, pelo sempre insatisfeito desejo de ter e também de dominar! Sem eles todas as excelentes disposições naturais da humanidade permaneceriam sem desenvolvimento, num sono eterno”.

Heraclitiano, embora reconheça que o homem quer a concórdia, Kant afirma que a natureza sabe mais o que é melhor para a espécie, ela quer a discórdia: “Os impulsos naturais que conduzem a isto, as fontes da insociabilidade e da oposição geral, de que advêm tantos males, mas que também impelem a uma tensão renovada das forças e a um maior desenvolvimento das disposições naturais, revelam também a disposição de um criador sábio, e não a mão de um espírito maligno que se tenha intrometido na magnífica obra do Criador ou a estragado por inveja”.

Resgatada a perfeita grandeza do Demiurgo, temos, aqui na terra, a natureza a nos exigir solução para o problema que Kant aponta como sendo o maior para a espécie humana: “alcançar uma sociedade civil que administre universalmente o direito”.

Embora a natureza pareça cega, não o é em seus caprichos com sua mais perfeita criação: a razão humana. Financialismo, Fukushima, Realengo, ditadores, corrupção, tráfico de armas, de órfãos haitianos para pedófilos, contra toda avalanche de miséria refugiada em anonimato e conluio, ergue-se a disposição racional – o éthos humano – que ruma, vagaroso e cambaleante, em direção a um mundo mais digno. Para nossos descendentes.

Dedicado à bela admiradora de Kant, Profª Drª Maria Garcia.


"... Volta os olhos para a Luz da Aurora!
Afasta para longe o véu do sono!
Não tenhas medo de um gesto atrevido,
Enquanto o vulgo hesita e se extravia!
Tudo conseguem os nobres espíritos
Que sabem compreender e decidir."

GOETHE, "Fausto" parte II, 1º Ato
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Eis que a Sabedoria reina, mas não governa, por isso, quem pensa (no todo) precisa voltar para a caverna, alertar aos amigos. Nós vamos achar que estais louco, mas sabes que cegos estamos nós, prisioneiros acorrentados à escuridão da caverna.

Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República.

Eis o télos (do grego: propósito, objetivo) da Filosofia e do filósofo. Agir na cidade. Ação política. Phrônesis na Pólis.

Curso de Mitologia Grega

Curso de Mitologia Grega
As exposições mitológicas explicitam arquétipos (do grego, arché + typein = princípio que serve de modelo) atemporais e universais.

Desse modo, ao antropomorficizarem os deuses, ou seja, dar-lhes características genuinamente humanas, os antigos revelaram os princípios (arché) de sentimentos e conflitos que são inerentes a todo e qualquer mortal.

A necessidade da ordem (kósmos), da harmonia, da temperança (sophrosyne) em contraponto ao caos, à desmedida (hýbris) ou, numa linguagem nietzschiana, o apolíneo versus o dionisíaco, constitui a base de toda antiga pedagogia (Paidéia) tão cara à aristocracia grega (arístois, os melhores, os bem-nascidos posto que "educados").

Com os exponenciais poetas (aedos) Homero (Ilíada e Odisséia), Hesíodo (A Teogonia e O trabalho e os dias), além dos pioneiros tragediógrafos Sófocles e Ésquilo, dispomos de relatos que versam sobre a justiça, o amor, o trabalho, a vaidade, o ódio e a vingança, por exemplo.

O simples fato de conhecermos e atentarmos para as potências (dýnamis) envolvidas na fomentação desses sentimentos, torna-nos mais aptos a deliberar e poder tomar a decisão mais sensata (virtude da prudencia aristotélica) a fim de conduzir nossas vidas, tanto em nossos relacionamentos pessoais como indivíduos, quanto profissionais e sociais, coletivos.

AGIMOS COM MUITO MAIS PRUDÊNCIA E SABEDORIA.

E era justamente isso que os sábios buscavam ensinar, a harmonia para que os seres humanos pudessem se orientar em suas escolhas no mundo, visando atingir a ordem presente nos ideais platônicos de Beleza, Bondade e Justiça.

Estou certa de que a disseminação de conhecimentos tão construtivos contribuirá para a felicidade (eudaimonia) dos amigos, leitores e ouvintes.

Não há dúvida quanto a responsabilidade do Estado, das empresas, de seus dirigentes, bem como da mídia e de cada um de nós, no papel educativo de nosso semelhante.

Ao investir em educação, aprimoramos nossa cultura, contribuimos significativamente para que nossa sociedade se torne mais justa, bondosa e bela. Numa palavra: MAIS HUMANA.

Bem-vindos ao Olimpo amigos!

Escolha: Senhor ou Escravo das Vontades.

A Justiça na Grécia Antiga

A Justiça na Grécia Antiga

Transição do matriarcado para o patriarcado

A Justiça nos primórdios do pensamento ocidental - Grécia Antiga (Arcaica, Clássica e Helenística).

Nessa imagem de Bouguereau, Orestes (Membro da amaldiçoada Família dos Atridas: Tântalo, Pélops, Agamêmnon, Menelau, Clitemnestra, Ifigênia, Helena etc) é perseguido pelas Erínias: Vingança que nasce do sangue dos órgãos genitais de Ouranós (Céu) ceifado por Chronos (o Tempo) a pedido de Gaia (a Terra).

O crime de matricídio será julgado no Areópago de Ares, presidido pela deusa da Sabedoria e Justiça, Palas Athena. Saiba mais sobre o famoso "voto de Minerva": Transição do Matriarcado para o Patriarcado. Acesse clicando AQUI.

Versa sobre as origens de Thêmis (A Justiça Divina), Diké (A Justiça dos Homens), Zeus (Ordenador do Cosmos), Métis (Deusa da presciência), Palas Athena (Deusa da Sabedoria e Justiça), Niké (Vitória), Erínias (Vingança), Éris (Discórdia) e outras divindades ligadas a JUSTIÇA.

A ARETÉ (excelência) do Homem

se completa como Zoologikon e Zoopolitikon: desenvolver pensamento e capacidade de viver em conjunto. (Aristóteles)

Busque sempre a excelência!

Busque sempre a excelência!

TER, vale + que o SER, humano?

As coisas não possuem valor em si; somos nós que, através do nôus, valoramos.

Nôus: poder de intelecção que está na Alma, segundo Platão, após a diânóia, é a instância que se instaura da deliberação e, conforme valores, escolhe. É o reduto da liberdade humana onde um outro "logistikón" se manifesta. O Amor, Eros, esse "daimon mediatore", entre o Divino (Imortal) e o Humano (Mortal) pode e faz a diferença.

Ser "sem nôus", ser "sem amor" (bom daimon) é ser "sem noção".

A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

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O Sábio Mestre: Antonio Medina Rodrigues (1940-2013)

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Você se sentiu ofendido...

irritado (em seu "phrenas", como diria Homero) ou chocado com alguma imagem desse Blog? Me escreva para que eu possa substituí-la. e-mail: mitologia@esdc.com.br