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1 de jun. de 2015

REFUGIADOS IMIGRANTES - O mal-estar na civilização (Freud) - Parte I

Fuga de Pompéia, por Giovanni Maria Benzoni (séc. XIX).

A primeira exigência da civilização, portanto, é a da justiça, ou seja, a garantia de que uma lei, uma vez criada, não será violada em favor de um indivíduo”. Sigmund Freud


Temos testemunhado a desesperadora situação de milhares de seres humanos que se veem obrigados a abandonar seus lares e partir em busca da própria sobrevivência.

Ponderar sobre essa questão nos leva a considerar ao menos dois pontos de vista, ou seja, tanto pela ótica dos que anseiam e clamam por amparo, quanto sob o prisma daqueles que se sentem ameaçados pela invasão dos “kxenós” (estranho, estrangeiro, em grego).

Em virtude disso, é importante considerar dois princípios naturais  (e antagônicos!) constitutivos do homem: a agressividade e a compaixão. Ponderemos sobre o primeiro deles, com o pai da psicanálise, Sigmund Freud (1856-1939).

Em sua obra “O mal-estar na civilização”, Freud esclarece que a beleza (ela não é uma só, como nos ensinou Platão, no Banquete, confira artigo já publicado AQUI), a limpeza e a ordem ocupam posição especial entre as exigências da civilização.

Repudiamos tudo o que é feio, sujo ou desordenado porque tememos essas características em nós mesmos, daí a rejeição (mesmo que inconsciente) com os quais não nos identificamos. E, se há algo que salta aos olhos nos imigrantes, mesmo se belos, é a carência de recursos mínimos para o básico em termos de limpeza e ordem.

Um dos atributos da civilização é o empenho na regulamentação das relações sociais e sabemos que, seja entre os cônjuges, os demais membros da família, com os colegas de profissão, os amigos e para com os próprios membros da comunidade, enfim, para todas as relações há leis, regras, acordos (mesmo que tácitos) e códigos afins.

Freud esclarece que não fosse assim, os relacionamentos ficariam sujeitos à vontade arbitrária do indivíduo, o que equivale a dizer que o mais forte (ou mais rico, mais bonito, mais inteligente, etc), decidiria a respeito dos demais, fazendo prevalecer seus próprios interesses e impulsos instintivos.

No entanto, a vida em comum só se torna possível quando reúne uma maioria mais forte do que qualquer indivíduo isolado e que permanece unida contra todos os indivíduos isolados: “O poder dessa comunidade é então estabelecido como ‘direito’, em oposição ao poder do indivíduo, condenado como ‘força bruta’”, diz ele.

A substituição do poder de um pelo poder de todos, constitui o passo decisivo da civilização. Troca-se um pouco de liberdade por outro tanto de segurança. Esse é o pacto.

Na aceitação de submeter-se aos ditames assentados pela maioria jaz a essência da civilização. Mas, enquanto que, por um lado, os membros da comunidade restringem suas possibilidades de satisfação, por outro, cada indivíduo desconhece ou se rebela a tais restrições: “A primeira exigência da civilização, portanto, é a da justiça, ou seja, a garantia de que uma lei, uma vez criada, não será violada em favor de um indivíduo”.

Subsequentemente, salienta o autor, o curso seguinte no processo do desenvolvimento cultural tende a ampliar-se, no sentido de tornar a lei não mais somente expressão da vontade de uma comunidade (país, casta, camada social, grupo ou ‘tribo’, como dizemos hoje em dia), mas de tornar-se ela mesma também um oponente violento frente a outras comunidades (outro país, outra casta, outra camada social, outro grupo ou "tribo").

É por considerarmos que o desenvolvimento da civilização impõe restrições à liberdade e que a justiça cumpra a exigência de que ninguém fuja ao cumprimento de tais restrições, que o desejo de liberdade que se faz sentir numa comunidade humana pode ser sua revolta contra alguma outra injustiça existente numa outra comunidade.

Progredir enquanto civilização é focar nosso impulso de liberdade (agora não mais individual, mas enquanto comunidade) para o bem-estar e a concórdia de todos os membros, nos empenhando na luta por justiça.

A disposição para o amor universal pela humanidade e pelo mundo (que aflora da transformação de um instinto num impulso, denominada por Freud de “afeição inibida em sua finalidade”) representa o ponto mais alto que o homem pode alcançar. 

Nesse sentido, o autor nos recorda que São Francisco de Assis talvez tenha sido quem mais longe foi na utilização desse amor para beneficiar um sentimento interno de felicidade.

Mas, sobre esse “amor universal” Freud apresentará duas objeções. Para ele, um amor que não discrimina é privado uma parte de seu próprio valor, por fazer uma injustiça a seu objeto de “amor” (quem ama todo mundo não ama ninguém, diz o jargão. Ou ainda: que valor teria um amor se é concedido indiscriminadamente?) e, sua segunda objeção está na afirmação de que nem todos os homens são dignos de amor.

Uma das exigências da sociedade civilizada, diz ele, está no imperativo ideal que o cristianismo apresenta como senso sua reivindicação mais gloriosa, a saber: “Amar o próximo como a si próprio”.

Essa exigência, prossegue, não deixa de causar certa surpresa e até perplexidade: “Por que deveremos agir desse modo? Que bem isso nos trará? Acima de tudo, como conseguiremos agir desse modo? Como isso pode ser possível?”.

Sendo nosso amor, algo valioso, devemos refletir sobre quem o merece. A máxima de que devemos “Amar o próximo como a si próprio” nos impõe deveres que para cumpri-los devemos estar preparados e dispostos a realizar sacrifícios: “Se amo uma pessoa, ela tem de merecer meu amor de alguma maneira. Ela merecerá meu amor, se for de tal modo semelhante a mim, em aspectos importantes, que eu me possa amar nela; merecê-lo-á também, se for de tal modo mais perfeita do que eu, que eu possa amar meu ideal de meu próprio eu”.

No entanto, pondera, se essa pessoa for um estranho e não nos atrair por seus valores e virtudes será muito difícil amá-la.

Quando amamos alguém estamos valorizando essa pessoa, num sinal claro e nítido de preferência. É uma injustiça para com os quais amamos colocar um estranho no mesmo patamar de importância.

Se devo amar meu semelhante com aquele amor universal que devo a todo ser vivente, como também amo os animais, por exemplo, tratar-se-á de uma pequena parte. “Qual é o sentido de um preceito enunciado com tanta solenidade, se seu cumprimento não pode ser recomendado como razoável?”, indaga Freud.

E relata outras dificuldades: “Não meramente esse estranho é, em geral, indigno de meu amor; honestamente, tenho de confessar que ele possui mais direito a minha hostilidade e, até mesmo, a meu ódio. Não parece apresentar o mais leve traço de amor por mim e não demonstra a mínima consideração para comigo. Se disso ele puder auferir uma vantagem qualquer, não hesitará em me prejudicar (…) não se importará em escarnecer de mim, em me insultar, me caluniar e me mostrar a superioridade de seu poder, e, quanto mais seguro se sentir e mais desamparado eu for, mais, com certeza, posso esperar que se comporte dessa maneira para comigo.”.

Recebendo desse estranho, demonstrações de tolerância e respeito, Freud diz que estaria pronto a tratá-lo da mesma forma, com toda consideração. Por isso, diz que se o imponente mandamento dissesse “Ama a teu próximo como este te ama”, ele não teria objeções.

Ele traz à luz um outro mandamento que confessa lhe parecer ainda mais incompreensível: “Ama os teus inimigos”. E brinca: “Acho que agora posso ouvir uma voz solene me repreendendo: 'É precisamente porque teu próximo não é digno de amor, mas, pelo contrário, é teu inimigo, que deves amá-lo como a ti mesmo'. Compreendo então que se trata de um caso semelhante ao do Credo quia absurdum” (creio porque é absurdo).

É provável, afirma, que seu semelhante aja da mesma forma que ele, rejeitando a prescrição de que o ame como a si mesmo, pelas mesmas razões.

O estudioso ressalta que digno de nota é que o comportamento dos seres humanos apresenta diferenças que a ética classifica como sendo “boas” ou “más”, mas ao seguirmos o preceito acima citado, obedecendo às elevadas exigências éticas, incentivaremos o ser mau, acarretando prejuízos aos objetivos da civilização.

As pessoas não estão dispostas a enxergar que não somos pacíficos e só nos defendemos se atacados, mas sim, detemos uma poderosa cota de agressividade. Em seus estudos Freud comprova isso.

Nosso próximo, reitera, não é apenas um ajudante potencial ou um objeto sexual, mas também alguém que nos tenta a satisfazer sobre ele a nossa agressividade, a explorar seu trabalho sem remuneração justa, utilizá-lo sexualmente, apoderar-se de suas posses, humilhá-lo, causar-lhe sofrimento, torturá-lo e até mesmo matá-lo: “Homo homini lupus” (o homem é o lobo do homem).

Prossigamos em nossas ponderações, amigos, pois em questões nevrálgicas que dizem respeito à humanidade, não há como tirar coelhos da cartola. Mas, se pensarmos, talvez surja uma pomba.

Confira no vídeo abaixo Costanza Pascolato & Marilu Beer mencionando as dificuldades devido à  imigração de seus pais para o Brasil (vindos da Itália e da Argentina, respectivamente).



Luciene Felix Lamy
Professora de Filosofia e Mitologia Greco-romana da
Galleria Borghese, Roma
Confira vídeos no youtube: luciene felix lamy

17 de mai. de 2015

Mala CULTURAL para a Europa!

Rapto de polyxena, Loggia dei Lanzi. Piazza della Signorina, Firenze.

Convido-os a conferir minha mais recente empreitada: a de proporcionar-lhes uma preciosa bagagem intelectual à Europa para que, munidos de conhecimentos, possam desfrutar com ainda mais profundidade de toda a beleza das obras de arte nos museus, conferindo de perto o legado dos maiores gênios da humanidade.

B A G A G E M * D A * A L M A



Quando decide viajar, você escolhe o destino, adquire as passagens, reserva o hotel e seleciona os principais pontos turísticos.

Confere seu passaporte, faz as malas e parte em busca de novas descobertas. Obviamente, as visitas aos museus fazem parte de seu itinerário.  

Preparou-se para contemplar as mais belas obras de arte?

Antes de sua viagem, no conforto de sua casa (ou em nossa Sala de Aula, em Higienópolis), você e toda sua família munem-se das informações necessárias tais como: períodos, artistas e principais obras.


Trata-se de um minicurso (de 4 a 6h/aulas) personalizado (on demand), focado nos acervos dos museus que pretendem visitar: Museo del Prado (Madrid) - Museu Calouste Gulbenkian (Lisboa) - National Gallery (Londres) - Louvre (Paris) - Museu do Vaticano (Roma) - Galleria degli Uffizi (Florença) - Pergamon (Berlin) - Galleria Borghese (Roma) e outros.

Com uma base sólida em filosofia, mitologia e arte, você aproveita mais, MUITO mais, otimizando seu investimento. Verdadeiramente luxuosa, essa é a única bagagem que não se extravia!

Para mais informações, envie e-mail para: mitologia@esdc.com.br

Confira abaixo o vídeo sobre nosso Curso de Mitologia Greco-Romana (anual) na Galleria Borghese, em Roma.


E, no vídeo abaixo, as novidades que reservamos para a Turma de SETEMBRO/2015.



11 de mai. de 2015

Renascimento: Rafael e a Escola de Atenas

"A escola de Atenas" (1509/11), por Rafael Sanzio. Museu do Vaticano, Roma.


Nos dois artigos mais recentes (março e abril) tivemos a oportunidade de conhecer algumas peculiaridades do Renascimento, movimento artístico que, pautado por tantas descobertas nas áreas da ciência e do humanismo culminou numa avalanche de criativa genialidade, legando beleza.

Concluindo nossa explanação sobre esse marco na História da Arte e, consequentemente, na História da humanidade, neste mês, trazemos as características do período denominado “Cinquecento” (já abordamos o “Trecento” e o “Quatrocento”), que desponta por volta do século XVI.

Na Idade Média, início do Renascimento, o foco ainda estava no culto aos ensinamentos e valores eclesiásticos. É no “Cinquecento” que os artistas se sentem ainda mais seduzidos pela beleza dos corpos, sua força e perfeição.

Saímos da sacralidade estática do Bizantino, ganhamos “vida” na cotidianidade, através do pioneirismo de Giotto di Bondone (AQUI) e resgatamos a mitologia pagã com Botticelli, por exemplo (AQUI).

Agora, avançando mais um pouco, numa nova perspectiva, santos, mártires e profetas voltam a ser retratados com toda pompa e solenidade, pois somente o que fosse descomunalmente sublime , até “transcendente” era digno de representação.

Influenciados pela antiguidade clássica, os artistas redescobrem e perseguem gestos e serenidade no porte. Michelangelo é um exemplo de genialidade nas esculturas, cujo grau de realidade extraído do mármore impressionava em cada detalhe, explicitando profunda expressividade inclusive no olhar.

Voltando-se para os detalhes, os Renascentistas afastam-se do comportamento de seus patronos, que eram novos ricos mais discretos, pois buscavam reconhecimento sem chamar demais a atenção. Assim, até a paleta e o uso das cores fogem um pouco do excesso de colorido e de brilho do “Quatrocento”, caminhando para certa dramatização mais contida.

Ainda no “Quatrocento”, foram esses ricos senhores que, almejando o status de nobres, ajudaram a traçar o perfil do que viria a ser o profissional das artes.

Digno de nota é que no “Cinquecento”, os grandes mestres se tornam eles mesmos, ricos senhores. Isso porque a valorização do trabalho de um pintor ou escultor, agora como verdadeiro artista, não mais um simples artesão, o alça a profissional reconhecido e bem remunerado. Mais que tirá-los da marginalidade, os alça a um patamar realmente privilegiado.

Michelangelo Buonarroti, apesar de ter vivido com modéstia, chegou a recursar o pagamento por seu trabalho na Basílica de São Pedro, pois estava bem de vida. E Rafael Sanzio, por exemplo, já estava muitíssimo bem estabelecido quando executou suas mais magníficas obras.

No entanto, todo esse reconhecimento tinha seu preço. Cabia ao artista buscar “sua própria forma de representação na tentativa de alcançar uma diferenciação entre os tantos que surgiam o mesmo conhecimento”.

Embora a formação técnica e científica proporcionada pelas oficinas ainda se mantivessem por todo o período “Cinquecento”, ela não influenciava mais na formação e estilo dos artistas. 

Entretanto, com o surgimento do conceito de “arte científica”, com Leon Battista Alberti, a matemática apresenta-se como sendo uma disciplina comum tanto à arte quanto à ciência, reivindicando as teorias de perspectivas e proporções como sendo partes dela.

Para Leonardo Da Vinci, a pintura era uma espécie de ciência natural exata, mas também superior às ciências porque essas são imitáveis, enquanto a arte, por estar ligada ao gênio do artista, seria única.

Foi no período “Cinquecento” que o Renascimento ampliou ainda mais seu alcance e inspirou a realização de grandes obras em toda a Europa, tanto na pintura (Albrecht Dürer e Hans Holbein, na Alemanha, por exemplo) quanto na literatura: Dante, Gil Vicente, Camões, François Rabelais e Maquiavel, dentre outros.

Nas ciências, são também desse período os gênios tais como Nicolau Copérnico, Galileu Galilei e Giordano Bruno, que ousaram tirar o monopólio do saber das mãos da Igreja, causando alvoroço.

Enquanto no “Quatrocento” o movimento Renascentista espalha-se pelas cidades italianas, no “Cinquecento” chega aos demais países europeus até ir perdendo força no interior da própria Itália.

Um novo período começa a surgir. Trata-se do “Maneirismo” (pois à maneira do autor), movimento que será marcado pelo exagero, o negativismo e certo afastamento da antiguidade clássica.

Segundo especialistas, muitos dos artistas que realizaram seus trabalhos próxima a essa fase, o “Cinquecento”, já foram influenciados na concepção de suas obras. El Greco é um bom exemplo sobre o que nos referimos. O afresco do “juízo final”, por Michelangelo, na Capela Sistina, também já apresenta os traços fortes desse novo estilo.

Para fechar a trilogia sobre o Renascimento, convido os leitores a apreciar (abaixo) a análise da mais famosa obra do ariano (6 de abril) Rafael Sanzio (1483-1520), “A escola de Atenas” (afresco na “Stanza della Segnatura”, no Vaticano, em Roma). 

Rafael nasceu em Urbino, morou em Florença, alçou a fama cedo, em Roma e partiu precocemente, com apenas 37 anos de idade. Seus restos mortais repousam no Panteão, em Roma.

Nessa obra imperdível, famosos filósofos, guerreiros, matemáticos, astrônomos, sábios e demais pensadores, figuram entre os lúcidos deuses do lógos (ratio): Apolo e Athena (Hélios e Minerva, na mitologia romana).



Clique sobre as imagens para ampliá-las.


Rafael era tão, mas tão prodígio que, só para ter uma ideia, enquanto Michelangelo pincelava os afrescos da Capela Sistina, lá estava o jovem de 25 aninhos, encarregado do salão que seria a Biblioteca (Stanza della Segnatura) do Vaticano.

Por sorte, “A Escola de Atenas” traz muitos dos ilustres de minha área: mitologia greco-romana e “Antiga” (como designamos a disciplina de Filosofia que abarca as épocas Arcaica, Clássica e Helenística). Vamos à análise!

Nessa obra, famosos filósofos, guerreiros, matemáticos, astrônomos, sábios e demais pensadores, figuram entre os lúcidos deuses do lógos (ratio) Apolo e Athena (Hélios e Minerva, na mitologia romana).

A escultura de Apolo está no canto superior esquerdo. O deus da saúde e da harmonia ostenta sua lira, que fora presente de Hermes (Mercúrio), confeccionada inicialmente com tripas de carneiro e casco de tartaruga.

A deusa da Sabedoria e Justiça (e também da téchne), Palas Athena, porta sua lança, o elmo e o escudo com a cabeça da rainha das Górgonas, Medusa, que fora presente do herói Perseu.

Platão e Aristóteles.
Em destaque, no centro, os dois maiores filósofos da Antiguidade: Platão, segurando sua obra “Timeu” (sobre o Cosmos), aponta o dedo para o alto, chamando a atenção para o mundo das ideias. Rafael presta homenagem a Leonardo Da Vinci ao retratar Platão com suas feições. E, Aristóteles (manto azul), discípulo de Platão, carrega sua “Ética [a Nicômaco]” e, com sua mão apontando para o chão, chama a atenção para realidade.

Alexandre, "O Grande", Xenófanes e Sócrates.
Aqui, temos o rei da Macedônia e discípulo de Aristóteles, o Grande Alexandre (356-323 a.C.), ricamente trajado, com elmo, espada, ouvindo a Sócrates (470-399 a.C.) usa vestes num verde-oliva, que parece exemplificar algum saber através dos dedos das mãos. Alguns autores creem que o idoso de vestes avermelhadas que também o ouve atentamente seja Xenófanes (ou Antístenes).

Zenão e Epicuro.
Zenão de Eleia (o idoso de capuz verde) e Epicuro, com uma guirlanda de parreira na cabeça. Assim como houve o movimento hippie e o grunge, por exemplo, tanto Zenão quanto Epicuro fundaram movimentos filosóficos helenísticos: o estoicismo e o epicurismo (já publicados aqui em nosso Blog).

Hipásia, Parmênides, Pitágoras, Averrois e Boécio.
Nesse trecho, a nos fitar, observamos a única figura feminina do quadro: HipásiaMonalisa Fornarina personificando o Amor ou ainda Francesco Maria della Rovere? De pé, a seu lado, Parmênides (“O Ser, É.”), com vestes dourada. Sentado, escrevendo algo, encontra-se o matemático grego Pitágoras (580-500 a.C.). Um aluno segura a lousa de sua demonstração, enquanto o árabe Averrois (de turbante) presta atenção e, Boécio (calvo, com sua caderneta sobre os joelhos) faz suas anotações.

Heráclito de Éfesos.
Com a mão sobre a têmpora, naquela típica posição de pensador (inspirador de Rodin?), eis o magnânimo filósofo pré-socrático, Heráclito de Éfesos, que tanto inspirou Platão: “Tudo flui”; “Não se pode entrar das vezes no mesmo rio”; “O sol é e não do tamanho de um pé” e tantos outros aforismos. Rafael homenageia Michelangelo, ao retratar Heráclito com suas feições.

Diógenes, o "cínico".
É digno de nota o destaque que o artista deu a Diógenes (412-323 a.C.), o “mendigo” fundador da escola “cínica” (nada a ver com o que hoje entendemos por cinismo) que, alheio ao burburinho, esparrama-se sobre a escadaria. Diz a anedota que, certa vez, o Grande Alexandre, tendo ouvido falar de Diógenes, foi até ele e disse: “Sou Alexandre, o rei da Macedônia e posso lhe o conceder o que quiseres.”, ao que Diógenes prontamente respondeu: “Saia da frente do Sol!”. E, o guerreiro: “Não fosse eu Alexandre, gostaria de ser Diógenes.”.

Euclides, Ptolomeu, Zoroastro, Plotino e Rafael Sanzio.
Rodeado por quatro atentos alunos, o matemático grego Euclides, debruça-se sobre uma pequena lousa e, com o uso de um compasso, demonstra um princípio geométrico. De costas, trajando dourado e calçando sandálias vermelhas, está o astrônomo Ptolomeu (teórico do Heliocentrismo), diante dele, também com um globo, mas estrelado, ZoroastroNo alto, de pé, com um longo manto vermelho, eis meu adorado filósofo grego Plotino“Sábio é quem em tudo lê.”. No cantinho à direita, olhando diretamente para nós, está o autor dessa obra: Rafael Sanzio.

Vai viajar à Europa? Confira essa NOVIDADE!



luciene felix lamy
Professora de Filosofia e Mitologia Greco-romana da
Galleria Borghese, Roma
lucienefelix.blogspot.com
e-mail: mitologia@esdc.com


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ESCOLHA & CLIQUE (leia no topo). Cultura faz bem ao Espírito!


Eis que a Sabedoria reina, mas não governa, por isso, quem pensa (no todo) precisa voltar para a caverna, alertar aos amigos. Nós vamos achar que estais louco, mas sabes que cegos estamos nós, prisioneiros acorrentados à escuridão da caverna.

Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República.

Eis o télos (do grego: propósito, objetivo) da Filosofia e do filósofo. Agir na cidade. Ação política. Phrônesis na Pólis.

Curso de Mitologia Grega

Curso de Mitologia Grega
As exposições mitológicas explicitam arquétipos (do grego, arché + typein = princípio que serve de modelo) atemporais e universais.

Desse modo, ao antropomorficizarem os deuses, ou seja, dar-lhes características genuinamente humanas, os antigos revelaram os princípios (arché) de sentimentos e conflitos que são inerentes a todo e qualquer mortal.

A necessidade da ordem (kósmos), da harmonia, da temperança (sophrosyne) em contraponto ao caos, à desmedida (hýbris) ou, numa linguagem nietzschiana, o apolíneo versus o dionisíaco, constitui a base de toda antiga pedagogia (Paidéia) tão cara à aristocracia grega (arístois, os melhores, os bem-nascidos posto que "educados").

Com os exponenciais poetas (aedos) Homero (Ilíada e Odisséia), Hesíodo (A Teogonia e O trabalho e os dias), além dos pioneiros tragediógrafos Sófocles e Ésquilo, dispomos de relatos que versam sobre a justiça, o amor, o trabalho, a vaidade, o ódio e a vingança, por exemplo.

O simples fato de conhecermos e atentarmos para as potências (dýnamis) envolvidas na fomentação desses sentimentos, torna-nos mais aptos a deliberar e poder tomar a decisão mais sensata (virtude da prudencia aristotélica) a fim de conduzir nossas vidas, tanto em nossos relacionamentos pessoais como indivíduos, quanto profissionais e sociais, coletivos.

AGIMOS COM MUITO MAIS PRUDÊNCIA E SABEDORIA.

E era justamente isso que os sábios buscavam ensinar, a harmonia para que os seres humanos pudessem se orientar em suas escolhas no mundo, visando atingir a ordem presente nos ideais platônicos de Beleza, Bondade e Justiça.

Estou certa de que a disseminação de conhecimentos tão construtivos contribuirá para a felicidade (eudaimonia) dos amigos, leitores e ouvintes.

Não há dúvida quanto a responsabilidade do Estado, das empresas, de seus dirigentes, bem como da mídia e de cada um de nós, no papel educativo de nosso semelhante.

Ao investir em educação, aprimoramos nossa cultura, contribuimos significativamente para que nossa sociedade se torne mais justa, bondosa e bela. Numa palavra: MAIS HUMANA.

Bem-vindos ao Olimpo amigos!

Escolha: Senhor ou Escravo das Vontades.

A Justiça na Grécia Antiga

A Justiça na Grécia Antiga

Transição do matriarcado para o patriarcado

A Justiça nos primórdios do pensamento ocidental - Grécia Antiga (Arcaica, Clássica e Helenística).

Nessa imagem de Bouguereau, Orestes (Membro da amaldiçoada Família dos Atridas: Tântalo, Pélops, Agamêmnon, Menelau, Clitemnestra, Ifigênia, Helena etc) é perseguido pelas Erínias: Vingança que nasce do sangue dos órgãos genitais de Ouranós (Céu) ceifado por Chronos (o Tempo) a pedido de Gaia (a Terra).

O crime de matricídio será julgado no Areópago de Ares, presidido pela deusa da Sabedoria e Justiça, Palas Athena. Saiba mais sobre o famoso "voto de Minerva": Transição do Matriarcado para o Patriarcado. Acesse clicando AQUI.

Versa sobre as origens de Thêmis (A Justiça Divina), Diké (A Justiça dos Homens), Zeus (Ordenador do Cosmos), Métis (Deusa da presciência), Palas Athena (Deusa da Sabedoria e Justiça), Niké (Vitória), Erínias (Vingança), Éris (Discórdia) e outras divindades ligadas a JUSTIÇA.

A ARETÉ (excelência) do Homem

se completa como Zoologikon e Zoopolitikon: desenvolver pensamento e capacidade de viver em conjunto. (Aristóteles)

Busque sempre a excelência!

Busque sempre a excelência!

TER, vale + que o SER, humano?

As coisas não possuem valor em si; somos nós que, através do nôus, valoramos.

Nôus: poder de intelecção que está na Alma, segundo Platão, após a diânóia, é a instância que se instaura da deliberação e, conforme valores, escolhe. É o reduto da liberdade humana onde um outro "logistikón" se manifesta. O Amor, Eros, esse "daimon mediatore", entre o Divino (Imortal) e o Humano (Mortal) pode e faz a diferença.

Ser "sem nôus", ser "sem amor" (bom daimon) é ser "sem noção".

A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

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Você se sentiu ofendido...

irritado (em seu "phrenas", como diria Homero) ou chocado com alguma imagem desse Blog? Me escreva para que eu possa substituí-la. e-mail: mitologia@esdc.com.br