SE VOCÊ PENSAR, VAI DESCOBRIR QUE TEMOS MUITO A APRENDER.

luciene felix lamy EM ATO!

luciene felix lamy EM ATO!
Desfrute-o com vagar: há + de CEM artigos entre filosofia, literatura, mitologia, comédias e tragédias gregas (veja lista completa logo abaixo, para acessar clique sobre o título).

ELEITO UM DOS MELHORES BLOG'S NA WEB. Gratíssima por seu voto amigo(a)!

1 de set. de 2010

Pluto - A Riqueza (Parte II)

Testa Di Vecchia – Antonio Carneo

Prosseguindo na comédia de Aristófanes sobre Pluto, o deus da Riqueza, conheceremos Blepsidemo, o incrédulo amigo do camponês Crêmilo; testemunharemos a expulsão da Pobreza, indignada com a nova ordem das coisas, a aflição de uma velha patética, lamentando o abandono do amante e a ardilosidade de Hermes, buscando “emprego”, agora que o Olimpo faliu.

Ao saber que o deus da Riqueza era realmente cego, Blepsidemo interpreta: “Ora aí está, porque nunca foi a minha casa”. Constatando banimento, chega a Pobreza: “Oh, empresa temerária, sacrílega e ilegal, o que dois homens de nada, os desgraçados, tentam fazer!”

Crêmilo pergunta: “E tu quem és? Pareces-me pálida!”. Blepsidemo diz que talvez seja a Erínia, vinda da tragédia. “Tem um olhar de loucura e de tragédia”.

Com altivez, indaga a Pobreza: “sabes quem eu sou?”. E Crêmilo: “Uma taberneira ou regateira”. Ela prossegue: “Ah, sim? Não procederam vocês de forma mais ameaçadora, ao procurarem expulsar-me de toda a terra? (...) A Pobreza é que eu sou, a pobreza que vive convosco, há muitos anos”.

Em pânico, Blepsidemo avisa que irá fugir: “É a Pobreza, oh velhaco, o animal mais daninho que jamais existiu (...). Qual é a couraça, qual é o escudo que esta enorme patifa não faz pôr... no prego?” Crêmilo tenta contê-lo: “Coragem, porque o nosso deus sozinho, é bom que o saibas, é capaz de erguer um troféu de vitória contra as manhas desta fulana”.

A Pobreza protesta: “E vós ainda ousais, parelha de imbecis, grunhir, apesar de apanhados em flagrante fazendo coisas monstruosas? (...) estais convencidos de que não me prejudicais nada, ao tentar fazer com que Pluto recupere a vista?”

Mas o camponês está convencido de que fez o bem, expulsando-a da Grécia.

Pobreza argumenta que isso é o maior mal que se pode fazer aos homens e, imbuída de dar-lhes suas razões diz: “E se vos provar que só eu sou a causa de todos os bens que gozais e que é, graças a mim, que vós viveis...”.

Crêmilo alega que se Pluto não vaguear como cego “dirigir-se-á àqueles homens que são bons e não os abandonará. E fugirá dos maus e ateus. E depois fará que todos sejam bons e ricos – naturalmente – e respeitadores da divindade. E quem jamais poderá descobrir alguma coisa melhor do que isso, para os homens?”

Ela diz que isso não seria útil “Se Pluto voltasse a ver de novo e se repartisse por igual, ninguém mais dentre os homens se preocuparia com a arte ou com a sabedoria. E tendo vós feito desaparecer estas duas, quem quererá trabalhar os metais, construir navios, coser tecidos, fazer rodas, cortar o couro, moldar tijolos, lavar, fazer correias ou ‘com o arado rasgando da terra a superfície, colher o fruto de Deméter’, se vos for possível viver na ociosidade sem vos preocupardes com isso?”

Os criados que agüentem, diz Crêmilo. Pobreza quer saber onde Crêmilo os arranjará e ele diz que comprando. Ela quer saber quem é que os venderá se também tem dinheiro: “Alguém que queira ganhar, um comerciante que chegue da Tessália, onde há insaciáveis ladrões de escravos”.

Pobreza esclarece que não haverá traficantes de escravos, que sendo rico, ninguém arriscará a própria vida nisso e que, desse modo, ele mesmo será obrigado a lavrar o campo, cavar e colher: “(...) em tudo o mais e levarás uma vida muito mais dolorosa do que a atual”.

Não haverá quem faça camas, tapetes, perfumes, mantos: “de que vale ser rico, estando privado de tudo isso? Comigo, todavia, está à vossa disposição tudo aquilo de que precisais, porque eu fico aqui, como uma patroa que força o trabalhador manual, por meio da necessidade e da pobreza, a procurar meios de vida”.

Crêmilo começa a descrever os infortúnios da pobreza: falta de higiene, piolhos, fome, andrajos em vez de um manto, esteira de junco, ao invés de uma cama, pedra, no lugar de travesseiros e inquire: “Não estou eu mostrando que tu és a causa de muitos bens para todos os homens?”

Injuriada, Pobreza contesta, pois isso não é sua vida, mas a dos mendigos, que nada têm. E Crêmilo: “Então não é verdade que se diz que a pobreza é irmã da mendicidade?”

Ela diz que sua vida não passa por tais carências e que nem há de passar: “Mas a vida do pobre é a de quem poupa e se aplica ao trabalho, a quem nada sobra, decerto que não, mas também nada falta”. Crêmilo provoca: “Que feliz, ó Deméter, essa vida do pobre de quem tu falas, se depois de poupar e de penar não deixará com que ser enterrado”.

Convicta de seus predicados até no aspecto físico das pessoas, assinala que os ricos são gordos: “Ao passo que os meus são magros, de cintura de vespa, e incômodos aos inimigos”. Irônico, Crêmilo retruca: “É talvez com a fome, que tu lhes arranja a cintura de vespa”.

Pobreza diz então que a moderação (sophrosyne é o que há de mais caro aos gregos) mora com ela e que Pluto é a própria insolência. Crêmilo cita os ladrões e conclui que furtar e arrombar as casas é o cúmulo da moderação.

Imbuída de provar o quanto a riqueza corrompe, Pobreza diz que basta observar os políticos, que enquanto pobres, são justos com o povo, mas que basta enriquecerem com o dinheiro público para, imediatamente, se tornarem injustos e conspirarem contra a plebe.

Crêmilo reconhece que nisso, a Pobreza tem toda razão, mas roga que não tente se enfeitar, persuadindo-os que é melhor que a riqueza. Senão, diz ele, “como é que todos fogem de ti?”.

Pobreza exclama que os faz melhores. “Pode ver-se muito bem o que acontece com as crianças. Fogem dos pais, porque estes só querem o bem delas. De tal modo, conhecer o que é justo é coisa difícil”.

Irredutível, Crêmilo expulsa Pobreza, que se vai, com a ameaça de que ele ainda haverá de chamá-la. Aliviado, Blepsidemo diz: “Sim, por Zeus, eu quero enriquecer e viver regaladamente com filhos e mulher e, depois de tomar banho, sair reluzente do balneário, a dar peidos para os artesãos e para a Pobreza”.

Eis que entra um denunciante (Sicofanta) com uma testemunha: “Infeliz de mim, como estou perdido, desgraçado que sou! (...) estou submerso num destino cheio de infelicidades”.

Confessa ter perdido tudo o que tinha por causa desse deus que há de voltar a ser cego, se a justiça não o abandonar. Crêmilo inquiri: “Por ventura, era tu dos patifes e dos arrombadores?”.

O denunciante protesta a insolência. Um Justo pergunta se é lavrador e ele diz que não é assim tão maluco. Negociante, então? “Sim, finjo sê-lo, quando convém”. O Justo prossegue: “Se não aprendeste um ofício, como ganhavas a vida ou donde, se nada fazias?”

Diz-se, então, curador dos negócios da cidade e de todos os negócios particulares. O Justo fica indignado. E o denunciante: “Não me diz respeito prestar serviços à minha cidade, pateta, na medida das minhas forças?”.

Sagaz, prossegue: “Sim senhor, é socorrer as leis existentes e não deixar passar, se alguém prevarica”. E o Justo: “Então a cidade não estabelece expressamente que os juízes superintendam nessa matéria?”.

Presunçoso o denunciante pergunta: “E quem é o acusador?”, ao que o Justo responde: “Quem quiser”. O patife afirma que esse tal é ele, por tal forma que nele vêm a dar os negócios da cidade. Carião diz que o denunciante, que agora foge, não merece o que come.

Entra uma velha que, desolada, pergunta a Crêmilo se chegara à casa de Pluto: “Acabo de sofrer ofensas terríveis e contra a lei, meu querido. Desde que esse deus começou a ver, ele fez com que minha vida não se pudesse viver”.

Crêmilo fica curioso e a coroa então prossegue: “Ora ouve! Eu tinha um mocinho por amigo, pobrezinho, mas bem apessoado e belo e bom. Se eu precisava de alguma coisa, ele tudo fazia ao meu serviço com delicadeza e graça. E eu, pela minha parte, servia-o em todos os seus desejos”.

Salienta que o rapaz não pedia muito porque tinha nela um acanhamento excepcional. Crêmilo a assegura que: “É de fato um homem com um amor muito excepcional”.

Ela diz que agora rico, o desavergonhado foge de suas investidas, dizendo que “outrora eram poderosos os milésios”. Crêmilo não se contém: “(...) já não se contenta com sopa de lentilhas. Dantes, levado pela pobreza, comia de tudo”.

Inconformada, a velha diz que antes, o rapaz vinha todos os dias à sua porta: “E dizia que eu tinha as mãos lindíssimas...”. “Principalmente, quando exibiam as vinte dracmas”, satiriza Crêmilo. Ingênua, prossegue nostálgica: “E afirmava que a minha pele cheirava bem... (...) que meu olhar era terno e belo...!”.

Crêmilo conclui que não era bronco o sujeito, “sabia comer os recursos de uma velha no cio”. Ela insiste que é injusto que não receba recompensa nenhuma. Ele pergunta se por acaso o rapaz não retribuía a cada noite. Ela diz que sim, mas que havia prometido jamais abandoná-la enquanto fosse viva. Sarcástico, Crêmilo ironiza: “E agora crê que tu já não vives”.

Eis que, passa o rapazinho e a cumprimenta cerimoniosamente: “As minhas saudações! (...) vetusta amiga (...)”. Isso a mortifica: “Infeliz de mim, pela insolência com que sou tratada”. Crêmilo diz parecer que há muito tempo não a vê. “Qual muito tempo, ó infeliz! Ele esteve em minha casa, ontem!”.

O jovenzinho aproveita para troçar perguntando se a velha quer brincar um pouco. Quando ela se anima e pergunta de que brincadeira, ele diz: “Quantos dentes tens”. Crêmilo arrisca: “Mas sabê-lo-ei, também eu. Tem talvez uns três ou quatro”. E o jovem: “Paga! Só é portadora de um molar”. Empolgados, fazem pilhérias aviltantes.

Chega Hermes dizendo que Zeus está furioso porque ninguém sacrifica coisa alguma aos deuses. Carião rememora que no passado, os deuses mal se preocupavam com o povo. Aflito, Hermes confessa: “Mas com os outros deuses pouco me ralo, eu é que estou perdido e destruído (...).

Outrora mensageiro dos deuses, Hermes implora: “Não guardes ressentimento, agora que estais por cima. Mas recebei-me como companheiro de casa, pelos deuses”. Carião se espanta: “O quê? Achas correta a tua deserção?” Ao que ele responde: “Pátria é toda a terra onde alguém é feliz”.

Hermes enumera seus talentos e Carião o deixa entrar: “Como é bom ter muitas invocações! Não é sem razão que todos os juízes se apressam a fazer-se inscrever em muitas letras”.

A peça finda com a chegada do Sacerdote de Zeus, dizendo estar morto de fome, pois as pessoas só entram no templo para fazer as necessidades: “Portanto, também eu creio que vou mandar passear Zeus Salvador e ficar aqui mesmo”.

1 de ago. de 2010

Pluto - Aristófanes - A quem a Riqueza acompanha?



“É ilusão achar que enriquecer torne os homens melhores;
A virtude não está relacionada à riqueza ou pobreza”.

Hilárias, desbocadas e atualíssimas são as revelações do comediógrafo grego Aristófanes, em sua obra “Pluto – A Riqueza” (388 a.C.), que ilustra como os espertos se apropriam da riqueza.

Cego, Pluto, o deus velho e maltrapilho da Riqueza, foi privado de poder escolher a quem distribuir a dádiva da fartura e da bonança: “Foi Zeus que me fez isso, por má vontade aos homens. Quando eu era rapaz, ameacei que só me dirigiria aos justos e sábios e honestos. E ele fez-me cego, para que não distinguisse nenhum deles. É assim que ele inveja os bons”.

Na peça, tudo começa com o impagável escravo Carião acompanhando seu senhor, Crêmilo, um modesto agricultor que, preocupado com o futuro de seu único filho, decide consultar o Oráculo de Apolo, a fim de saber se, para obter êxito na vida, convém que o rapaz permaneça bom e justo ou deve moldar-lhe o caráter para canalha e injusto.

O oráculo ordena que Crêmilo siga o primeiro transeunte que encontrar à saída do Templo e que o persuada a ir até sua casa. Ele então se empenha para que um velho e cego mendigo (Pluto!) os acompanhe.

Carião, chamando o patrão de grandessíssimo pateta, interpreta o oráculo por sua conta, assevera que Crêmilo deve educar o filho na maneira tradicional: “Porque até a um cego parece evidente o quanto importa nada fazer de útil nos tempos que correm”.

O camponês, desdenhando a opinião de Carião, aborda o mendigo e indaga quem ele é: “Eu sou Pluto”. Carião não se contém: “Tu, Pluto, com essa aparência desgraçada!”. Após ouvir o porquê do deus da Riqueza viver assim, Crêmilo fica estarrecido e diz que Zeus só é honrado justamente pelos bons e justos, ao que Pluto concorda.

Ele pergunta então se, caso voltasse a enxergar, o deus da Riqueza fugiria dos maus e procuraria os justos, ao que ele promete que sim, sem dúvida, pois há muito tempo não os vê. Crêmilo diz que isso não é maravilha nenhuma, pois ele próprio, mesmo enxergando muito bem, também não avista nenhum.

Tanto Crêmilo quanto seu fiel escravo Carião insistem não haver melhor caráter que eles: “Isso é o que todos dizem. Mas quando, verdadeiramente, me apanham e se tornam ricos, simplesmente ninguém os excede em patifaria”, diz Pluto.

Prometem levá-lo ao templo de Asclépio (deus da Medicina), mas Pluto, temente a Zeus (tenho um medo dele que me pelo), receia voltar a ver.

Decidido a fazê-lo rever seus conceitos, Crêmilo diz: “Ó, a mais covarde de todas as divindades! (...) Fique calmo. Eu provar-te-ei que tens muito mais poder do que Zeus”.

Dialéticos, numa sintonia hilariante, Crêmilo começa inquirindo: “Por que é que Zeus reina sobre os deuses?”. Carião, prontamente responde: “Pelo dinheiro, porque tem muitíssimo”. Crêmilo: “Aí está! E quem é que lho dá?”. Carião, encostando-se a Pluto: “Este aqui”.

Pluto fica mudo e eles prosseguem dizendo que os sacrifícios feitos em honra a Zeus buscam as graças de Pluto: “Rezam para enriquecerem sem demora. Não é este sujeito então a causa, e não acabará com tudo isso facilmente, se quiser?”

Crêmilo explica que é por Pluto que agradam ao soberano do Olimpo: “tu sozinho destruirás a força de Zeus (...) se há alguma coisa de brilhante, belo e agradável aos homens, é graças a ti que acontece. Tudo está submetido à riqueza”.

Carião reitera que ele mesmo, por exemplo, é escravo por causa de meia dúzia de patacas: “eu que antes era livre”. E Crêmilo prossegue: “E dizem que as prostitutas de Corinto quando um pobre, por acaso, as tenta, nem sequer lhe prestam atenção. Mas se é rico, logo lhe oferecem o cu”.

Carião auxilia Crêmilo em toda essa persuasão dizendo que os rapazes, por amor ao dinheiro, fazem o mesmo: “Não os honestos, mas os venais”. Ironicamente, esclarecem que os honestos pedem cavalos, belos mantos: “Talvez, envergonhados de pedir dinheiro, cobrem de uma crosta de palavras bonitas a sua desvergonha”.

Empenhadíssimos, Crêmilo e Carião se intercalam: “Graças a ti foram descobertas, entre os homens, todas as artes e manhas: um de nós, sentado, remenda os sapatos, outro é ferreiro, outro ainda é carpinteiro... Outro ourives, com o ouro que lhe dás... E outro é gatuno, por Zeus, outro ainda é arrombador. E o tintureiro... E o que lava as peles... E o que amacia os couros... E o que vende cebolas... O que é apanhado em adultério”.

Pluto está estarrecido: “Infeliz de mim! Quanto tempo isso me escapou!”.

Carião e Crêmilo se entusiasmam ao perfilar que o dinheiro é a mola propulsora de tudo e de todos: “E o Grande Rei [chefes de Estado], por quem se dá ares, senão por ti? E a Assembléia [política], não é por causa dele que reúne? E então? E não és tu que dás de comer em Corinto ao exército mercenário? Não é graças a ele que Agírrio [vive de lucros] peida? E Filépsio [jogador] não trapaceia por tua causa? E as alianças [com ditadores] não são graças a ti? Não é por ti que Laís [a mais bela prostituta de Corinto] é amante de Filônides [desajeitado, mas muito rico]?

Concluindo, Crêmilo aponta: “E os negócios não se resolvem todos, graças a ti? Tu és de tudo o agente exclusivíssimo, quer do bem, quer do mal, fica-o sabendo”. E, tocando os ombros de Pluto, diz até a guerra, não vencem os justos, os que têm razão, mas àqueles sobre os quais Pluto pousa.

O deus da Riqueza fica espantado: “Sozinho, sou capaz de fazer tanta coisa?”

Crêmilo: “muito mais do que isso, de tal modo que jamais alguém está cheio de ti. De todo o resto nos saciamos: de amor; de pão [Carião só cita as comidas]; de música; de guloseimas; de glória; de bolachas; de coragem; de figos secos; de ambição; de papas; de comandos militares; de sopa de lentilhas... Mas de ti nunca ninguém ficou cheio. Se alguém recebe treze talentos, muito mais deseja receber dezesseis. E quando os alcança, quer quarenta ou diz que a vida não merece ser vivida.”

Pluto fica convencido: “Parece-me que vocês dois falam muito bem. Só receio uma coisa... Como dessa força que vocês dizem que tenho, virei eu a tornar-me senhor”.

Crêmilo: “Dizem todos que a riqueza é a coisa mais covarde que existe”. Pluto revida: “Isso foi um arrombador qualquer que me caluniou. Uma vez, conseguindo entrar em casa, não logrou levar nada, porque encontrou tudo fechado. E então chamou a minha previdência... covardia”.

O agricultor assegura que Pluto voltará a enxergar e pede que Carião vá chamar outros camponeses para que participem da parte de Pluto. E, virando-se para o deus da Riqueza diz: “E tu, Pluto, a mais poderosa de todas as divindades, entre aqui para dentro comigo! Esta é a casa que tu precisas encher de riquezas hoje, com justiça ou sem ela”.

O deus Pluto confessa que se aborrece profundamente cada vez que entra numa casa: “Se entro, por acaso, em casa de um homem econômico, imediatamente me esconde embaixo da terra. E se algum amigo honesto vem pedindo-lhe um dinheirinho, nega jamais ter-me visto. Mas se, por acaso, entro em casa de um maluco, dado a putas e a ao jogo, saio pela porta afora nu, num instante”.

Crêmilo o tranqüiliza dizendo que isso ocorre porque ele nunca encontrou um homem equilibrado como ele. Apressado, convida-o a conhecer sua mulher e seu filho: “(...) que é quem mais amo, depois de ti”. “Bem o creio”, diz Pluto. E Crêmilo: “Por que é que se não há de dizer-te a verdade?”

Aristófanes revela que o deus da Riqueza, não agracia, necessariamente, bondade, honestidade ou Justiça. Manipulado por quem o venera, sucumbe à ardilosidade dos astutos.

1 de jul. de 2010

Adam Smith - Autodomínio sobre o Orgulho e a Vaidade


 “Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos”
Frontispício da Capela dos Ossos, na igreja de São Francisco.
Erguida entre os séculos XVI-XVII, é ornamentada de ossada humana
(há imagens no google). Évora, Portugal.


Não há como estimarmos nosso próprio valor (e o de nossos pares), aferir mérito e demérito, êxito ou fracasso, sem que estabeleçamos critérios. É demasiadamente humano compararmo-nos aos demais. Estamos inseridos e amarrados a esse jogo.

Comumente dirigimos o olhar aos nossos semelhantes, àqueles que de algum modo alcançaram o que valoramos e almejamos em termos de virtudes, sucesso, fortuna e felicidade. Nada mais natural que nos espelhemos nas pessoas que o ordinário senso comum, elege, estabelece e propaga como sendo os mais magníficos padrões de excelência.

Talvez porque ainda não sejamos suficientemente racionais, relutamos a avaliar nossa conduta considerando modelos abstratos, ideais, arquétipos de perfeição. Sensíveis ao que nos chega pelos sentidos (perdoem a redundância), atemo-nos ao mundano e, nessa seara, o princípio da autoestima pode ser tanto muito elevado quanto muito baixo. Não espanta que alguns de nós, em distintas circunstâncias, se considerem superiores, muito superiores ou inferiores aos demais, independente de realmente o sermos.

Mas estejamos cônscios de que, ao intentar realizar uma auto-avaliação, isenta e imparcial, de nosso comportamento, dispomos de dois critérios de julgamento. Sob essa sensível percepção, Adam Smith nos explica o Orgulho e a Vaidade, ambos provenientes de um excesso de autoestima.

Para Smith, há dois padrões diferentes com os quais – ora um, ora outro – nos comparamos. Seremos mais ou menos orgulhosos e/ou vaidosos, conforme o padrão adotado.

Sobre o primeiro padrão, ele afirma que: “é a ideia de exata conveniência e perfeição, na medida em que cada um de nós é capaz de compreender essa ideia”. Obviamente, essa “capacidade” de compreensão já é distintiva.

O homem sábio e virtuoso se empenha em perseguir esse ideal: “Imita, contudo, a obra de um divino artista, que jamais poderá ser igualada”. Consciente de suas fraquezas, esse homem se sente constrangido e se aflige quando “por falta de atenção, de discernimento e moderação, violou em palavras e ações, em conduta e conversa, as regras exatas da perfeita conveniência (...)”, diz Smith.

Esse extraordinário primeiro padrão de auto-avaliação (visivelmente platônico) impede que a arrogância e a presunção se instalem: “o mais sábio e melhor de nós nada pode ver em seu próprio caráter e conduta senão fraqueza e imperfeição (...), inúmeras razões para humildade, remorso e arrependimento”.

O segundo padrão de auto-avaliação (mais aristotélico) é da excelência do mundano, concreto, real, mais ordinário; segundo Adam Smith “é aquele grau de aproximação com essa ideia que habitualmente se obtém no mundo, que a maior parte de nossos amigos e companheiros, rivais e competidores, pode ter realmente atingido”.

Ambos os padrões cultuam, por exemplo, o sucesso. Mas no primeiro, nunca um sucesso a qualquer preço; ambos coroam o êxito profissional, mas jamais em qualquer “atividade” profissional; ambos anseiam por aplausos, mas não de qualquer platéia.

Prova cabal da veracidade de distintos padrões, por mais bem sucedidos que sejam, não tributamos honra às sinistras patifarias de desprezíveis muambeiras de luxo, empresários de prostíbulos, sonegadores, megatraficantes, especuladores financeiros, exploradores da fé, da miséria e da ignorância dos povos e de execráveis corruptos.

Se pautarmos nossa conduta tendo em mente o ideal de perfeição, dificilmente estaremos plenamente satisfeitos com efêmeras conquistas mundanas. Isso nos torna mais condescendentes, complacentes, humanitários e dignos. Modéstia, delicadeza, humildade e acurácia do espírito (sensibilidade) impedem a prepotência de arrogarmos valor acima de nosso próprio mérito.

Se, por outro lado, balizarmos nossa autoestima, nosso amor-próprio, nosso sentimento de valor unicamente através do grau de excelência que nossos amigos e conhecidos atingiram, podemos de fato, entrever alguma superioridade: “(...) há algumas que real e justificadamente se sentem acima dele, e que assim são reconhecidas por todo espectador inteligente e imparcial”, salienta o pensador.

Dentre os riscos de julgarmos nosso caráter nos atendo somente ao segundo padrão de excelência, está o de nos tornarmos arrogantes, soberbos e patéticos, sobretudo quando (mesmo detendo uma inteligência notoriamente acima da média, grande fortuna ou virtude, por exemplo) somoa vaidosos e nos deixamos levar pela admiração geral da multidão: “o próprio rumor dessas tolas aclamações contribui muitas vezes para confundir o entendimento (...) a grande populaça [o populacho] está naturalmente predisposta a erguer os olhos com uma admiração espantada, embora sem dúvida muito fraca e tola”, nos adverte o sapientíssimo Sr. Smith.

E assim, somos enredados na teia dos vícios do orgulho e da vaidade, com o risco de nos cercarmos de muitos bajuladores e (pior) ardilosos traidores. Smith salienta que “Uma vez que esses dois vícios freqüentemente se mesclam no mesmo caráter, necessariamente suas características se confundem; e às vezes encontramos a ostentação superficial e impertinente da vaidade reunida à mais maligna e ridícula insolência e orgulho”. É por isso que, muitas vezes, não sabemos se classificamos um caráter colocando-o entre os orgulhosos ou entre os vaidosos.

Orgulhoso é o indivíduo que “se acha”, e está sinceramente convencido que é o tal. Realmente tem uma autoestima inquebrantável. Para ele, todos os demais são mesmo inferiores; talvez apenas não tenham percebido isso. Àqueles que o criticam, o orgulhoso despreza, ou simplesmente desdenha-os. Não raro, é alvo de críticas, pois costumamos censurar ou abandonar àqueles que arrogam uma superioridade que não possuem.

O Vaidoso, por sua vez, é inseguro, precisa que os outros afiancem seu valor. Insiste em destacar seus feitos e qualidades: “Longe de desejar mortificar tua autoestima, fica feliz em cultivá-la, na esperança de que em troca cultives a dele. Lisonjeia para ser lisonjeado; estuda como agradar, e esforçar-se por subornar-te para que tenhas boa opinião dele mediante polidez e complacência”, revela Adam Smith.

É sabido que reverenciamos talentos e virtudes, bem como que respeitamos posição e fortuna (bens materiais). O Vaidoso é refém dos signos de status, para usurpar o prestígio da fortuna, por exemplo, o deslumbrado se endivida por grifes da moda, automóveis sofisticados, alta tecnologia, viagens e restaurantes caros; Smith alerta para o fato de que: “(...) anunciam uma posição e uma fortuna maiores do que as que realmente possuem; e, a fim de manter, essa tola impostura por alguns poucos anos, não raro se vê reduzido à pobreza e aflição muito antes do fim da vida”. Assim, o descontrole leva ao desespero de faltar salário e sobrar mês.

Mais confiante, o orgulhoso não paga esse mico. Para Adam Smith: “Seu senso da própria dignidade o torna cauteloso na conservação de sua independência e, caso sua fortuna não seja grande, ainda que deseje apresentar-se com decência, estuda meios de ser frugal e atento em todas as suas despesas”. Diferente do orgulhoso, o vaidoso é fake, talvez por isso, ainda mais lamentável.

Cultivar uma elevada autoestima é salutar: “É tão agradável julgarmo-nos favoravelmente, e tão desagradável julgarmo-nos medíocres, que a própria pessoa [e até o espectador] não duvida de que algum grau de excesso deve ser menos desagradável do que qualquer grau de falta”, diz Adam Smith. Quanto à ausência de autoestima, postei, na íntegra, a análise do autor sobre a idiotia e o idiota, confira logo abaixo.

Ter-se em alta conta é benéfico, fundamental para nosso progresso e evolução, pois, como diz o estudioso, grande êxito no mundo, visível autoridade sobre sentimentos e opiniões, imortalidade na memória da humanidade, raramente foram obtidos sem algum grau dessa excessiva admiração de si: “os homens que realizaram as ações mais ilustres, que provocaram as maiores revoluções (...), os mais bem-sucedidos guerreiros, os maiores estadistas e legisladores, os eloqüentes fundadores e líderes das mais numerosas e bem-sucedidas seitas e partidos – muitos destes não se distinguiriam mais por seu intenso mérito do que por um grau de presunção e admiração de si inteiramente desproporcional até mesmo em relação a esse imenso mérito”.

Ao olhar de um sábio, no entanto, somente a análise objetiva, diante do imortal e não da transitória fama é que se revela o verdadeiro valor de um homem. O sábio é extraordinário; por mais enaltecido que seja, é consciente do quão distante está da verdadeira excelência.

Com baixos padrões de comparação, resvalamos facilmente ao orgulho e vaidade. Com altos padrões de comparação (a ideia de perfeição) saberemos quem realmente somos e nos empenharemos cada vez mais a atingir o ideal. Sempre abaixo do divino, mas seguramente, muito acima do mundano.


Idiotia – O idiota (Adam Smith em Teoria dos Sentimentos Morais)
As pessoas infelizes, a quem a natureza formou bastante abaixo do nível comum, às vezes parecem atribuir-se um valor ainda mais baixo do que realmente possuem. Às vezes essa humildade parece mergulhá-las na idiotia.

Quem quer que tenha se dado o trabalho de examinar os idiotas atentamente, descobrirá que em muitos deles as faculdades do entendimento não são em absoluto mais fracas do que em várias outras pessoas as quais, embora sabiamente embotadas e estúpidas, não são consideradas idiotas.

Muitos idiotas, que receberam uma instrução comum, aprenderam a ler, escrever e contar razoavelmente bem. Muitas pessoas jamais consideradas idiotas, a despeito da mais cuidadosa instrução, e a despeito de terem, em sua idade avançada, suficiente espírito para tentar aprender o que na infância sua instrução não lhes ensinou, nunca conseguiram obter em grau razoável uma só dessas três habilidades. Por um orgulho instintivo, contudo, elevam-se ao mesmo nível de seus iguais em idade e situação, e, com coragem e firmeza, mantêm adequada sua posição entre seus companheiros.
Por um instinto oposto, o idiota sente-se inferior a todos os companheiros a quem o apresentares. Maus tratos, aos quais é muito exposto, podem lançá-lo aos mais violentos ataques de cólera e fúria. Mas nenhum trato agradável, nenhuma gentileza ou tolerância podem animá-lo a conversar contigo como teu igual. Se ao menos puderes fazê-lo conversar contigo, verás, porém, que muitas vezes suas respostas são bastante pertinentes, e até sensatas. Mas estão sempre marcadas com uma nítida consciência de sua imensa inferioridade.

O idiota parece encolher-se, como se se afastasse de teu olhar e da tua conversa, e, ao colocar-se na tua situação, parece sentir que, apesar de tua aparente condescendência, não podes evitar considerá-lo imensamente inferior. Alguns idiotas, talvez a grande maioria deles, parecem ser assim, principal ou inteiramente por certa estupidez ou torpor das faculdades do entendimento. Mas há outros em que essas faculdades não parecem mais estúpidas ou entorpecidas do que em muitas outras pessoas não consideradas idiotas.

O orgulho instintivo, necessário para provê-las de uma igualdade com seus irmãos, parece, todavia, faltar totalmente aos primeiros, não aos últimos.

(...) O homem que se estima como deveria, e não mais do que deveria, raramente deixa de obter de outros toda a estima que julga ser-lhe devida. Não deseja mais do que lhe é devido, e fia-se nisso com total satisfação.

O homem orgulhoso e o homem vaidoso, ao contrário, estão sempre insatisfeitos. Um é atormentado por indignação pela superioridade, que julga injusta, de outras pessoas; outro teme continuamente a vergonha que prevê resultaria do desmascaramento de suas infundadas pretensões.

Até as extravagantes pretensões do homem de real magnanimidade, quando amparadas por esplêndidas habilidades, virtudes e, sobretudo, pela boa fortuna, impõem-se à multidão, cujos aplausos pouco lhe importam, embora não se imponham aos homens sábios, cuja aprovação só pode valorizar, e cuja estima está tão preocupado em obter.

Percebe que decifraram, suspeita de que desprezem, sua excessiva presunção; e muitas vezes sofre o cruel infortúnio de tornar-se, primeiro inimigo invejoso e secreto, e finalmente, declarado, furioso e vingativo, das mesmas pessoas cuja amizade lhe teria proporcionado imensa felicidade usufruir com insuspeita segurança.

Embora nosso desgosto para com os orgulhosos e vaidosos freqüentemente nos predisponha a posicioná-los antes abaixo que acima de seu lugar apropriado, muito raramente nos aventuramos a tratá-los mal, a menos que nos instigue uma impertinência particular e pessoal. Em casos comuns, esforçamo-nos, para nosso próprio bem, para aquiescer e, conforme pudermos, para acomodar-nos à sua loucura.

Mas ao homem que se subestima, a não ser que tenhamos mais discernimento e mais generosidade do que a maioria dos homens é raro deixarmos de fazer pelo menos toda a injustiça que ele faz a si mesmo, e freqüente fazermos injustiça ainda maior. Este não apenas é muito mais infeliz, quanto a seus próprios sentimentos, do que os orgulhosos ou os vaidosos, como também muito mais passível a toda a sorte de ofensas por parte das outras pessoas.

Em quase todos os casos, é melhor ser um pouco orgulhoso demais, do que demasiado humilde em qualquer aspecto; e quanto ao sentimento de auto-estima, algum grau de excesso parece, tanto para a própria pessoa, como para o espectador imparcial, ser menos desagradável do que qualquer grau de falta.

Adam Smith – Teoria dos Sentimentos Morais, Seção III – Do autodomínio (páginas. 325-327)
Related Posts with Thumbnails

ESCOLHA & CLIQUE (leia no topo). Cultura faz bem ao Espírito!


Eis que a Sabedoria reina, mas não governa, por isso, quem pensa (no todo) precisa voltar para a caverna, alertar aos amigos. Nós vamos achar que estais louco, mas sabes que cegos estamos nós, prisioneiros acorrentados à escuridão da caverna.

Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República.

Eis o télos (do grego: propósito, objetivo) da Filosofia e do filósofo. Agir na cidade. Ação política. Phrônesis na Pólis.

Curso de Mitologia Grega

Curso de Mitologia Grega
As exposições mitológicas explicitam arquétipos (do grego, arché + typein = princípio que serve de modelo) atemporais e universais.

Desse modo, ao antropomorficizarem os deuses, ou seja, dar-lhes características genuinamente humanas, os antigos revelaram os princípios (arché) de sentimentos e conflitos que são inerentes a todo e qualquer mortal.

A necessidade da ordem (kósmos), da harmonia, da temperança (sophrosyne) em contraponto ao caos, à desmedida (hýbris) ou, numa linguagem nietzschiana, o apolíneo versus o dionisíaco, constitui a base de toda antiga pedagogia (Paidéia) tão cara à aristocracia grega (arístois, os melhores, os bem-nascidos posto que "educados").

Com os exponenciais poetas (aedos) Homero (Ilíada e Odisséia), Hesíodo (A Teogonia e O trabalho e os dias), além dos pioneiros tragediógrafos Sófocles e Ésquilo, dispomos de relatos que versam sobre a justiça, o amor, o trabalho, a vaidade, o ódio e a vingança, por exemplo.

O simples fato de conhecermos e atentarmos para as potências (dýnamis) envolvidas na fomentação desses sentimentos, torna-nos mais aptos a deliberar e poder tomar a decisão mais sensata (virtude da prudencia aristotélica) a fim de conduzir nossas vidas, tanto em nossos relacionamentos pessoais como indivíduos, quanto profissionais e sociais, coletivos.

AGIMOS COM MUITO MAIS PRUDÊNCIA E SABEDORIA.

E era justamente isso que os sábios buscavam ensinar, a harmonia para que os seres humanos pudessem se orientar em suas escolhas no mundo, visando atingir a ordem presente nos ideais platônicos de Beleza, Bondade e Justiça.

Estou certa de que a disseminação de conhecimentos tão construtivos contribuirá para a felicidade (eudaimonia) dos amigos, leitores e ouvintes.

Não há dúvida quanto a responsabilidade do Estado, das empresas, de seus dirigentes, bem como da mídia e de cada um de nós, no papel educativo de nosso semelhante.

Ao investir em educação, aprimoramos nossa cultura, contribuimos significativamente para que nossa sociedade se torne mais justa, bondosa e bela. Numa palavra: MAIS HUMANA.

Bem-vindos ao Olimpo amigos!

Escolha: Senhor ou Escravo das Vontades.

A Justiça na Grécia Antiga

A Justiça na Grécia Antiga

Transição do matriarcado para o patriarcado

A Justiça nos primórdios do pensamento ocidental - Grécia Antiga (Arcaica, Clássica e Helenística).

Nessa imagem de Bouguereau, Orestes (Membro da amaldiçoada Família dos Atridas: Tântalo, Pélops, Agamêmnon, Menelau, Clitemnestra, Ifigênia, Helena etc) é perseguido pelas Erínias: Vingança que nasce do sangue dos órgãos genitais de Ouranós (Céu) ceifado por Chronos (o Tempo) a pedido de Gaia (a Terra).

O crime de matricídio será julgado no Areópago de Ares, presidido pela deusa da Sabedoria e Justiça, Palas Athena. Saiba mais sobre o famoso "voto de Minerva": Transição do Matriarcado para o Patriarcado. Acesse clicando AQUI.

Versa sobre as origens de Thêmis (A Justiça Divina), Diké (A Justiça dos Homens), Zeus (Ordenador do Cosmos), Métis (Deusa da presciência), Palas Athena (Deusa da Sabedoria e Justiça), Niké (Vitória), Erínias (Vingança), Éris (Discórdia) e outras divindades ligadas a JUSTIÇA.

A ARETÉ (excelência) do Homem

se completa como Zoologikon e Zoopolitikon: desenvolver pensamento e capacidade de viver em conjunto. (Aristóteles)

Busque sempre a excelência!

Busque sempre a excelência!

TER, vale + que o SER, humano?

As coisas não possuem valor em si; somos nós que, através do nôus, valoramos.

Nôus: poder de intelecção que está na Alma, segundo Platão, após a diânóia, é a instância que se instaura da deliberação e, conforme valores, escolhe. É o reduto da liberdade humana onde um outro "logistikón" se manifesta. O Amor, Eros, esse "daimon mediatore", entre o Divino (Imortal) e o Humano (Mortal) pode e faz a diferença.

Ser "sem nôus", ser "sem amor" (bom daimon) é ser "sem noção".

A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

O Sábio Mestre: Antonio Medina Rodrigues (1940-2013)

O Sábio Mestre: Antonio Medina Rodrigues (1940-2013)

Você se sentiu ofendido...

irritado (em seu "phrenas", como diria Homero) ou chocado com alguma imagem desse Blog? Me escreva para que eu possa substituí-la. e-mail: mitologia@esdc.com.br