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2 de abr. de 2009

O Mercador de Veneza - Shakespeare


"Por maior que seja a patifaria, aquele que a comete escapa a toda e qualquer punição, desde que demonstre habilidade suficiente para escapar às malhas da lei penal".
Rudolf Von Ihering.

Embora permeada por outras sublimidades da alma, nessa obra, o mote central é a Lei e a Justiça. Mais precisamente sobre a "a letra da lei", o que está escrito, objetivamente, e o sentimento de Justiça que subjaz e à qual deve estar amalgamada toda e qualquer decisão de Direito.

Na peça, um pai, preocupado com o futuro de sua linda e rica herdeira, a fim de assegurar o mais virtuoso consorte para sua filha, antes de morrer, lança mão de um ardil fantástico, como atesta a criada Nerissa: "Vosso pai foi sempre virtuoso, e as pessoas assim pias ao morrerem têm inspirações felizes".

Alvoram-se nobres, de todos os cantos do mundo, dispostos a tentar a sorte de unir o destino ao da disputada donzela. A encantadora Pórcia, primeira heroína do autor a se destacar também por atributos intelectuais, resoluta confirma: "Ainda que eu chegue a ficar tão velha quanto Sibila, morrerei tão casta como Diana, no caso de não ser conquistada segundo as condições estipuladas por meu pai".

Eis que essa mocinha, passando-se por eminente "consultor" jurídico, irá protagonizar uma das mais eloqüentes cenas de tribunal legada pela genialidade do famoso poeta inglês.

A fim de obter meios de pleitear a mão da moça, Bassânio, um rapaz agoniado por sustentar um estilo de vida acima de suas posses, se vê refém de problemas pecuniários e recorre ao bondoso coração de um amigo. Antônio se comove com o apelo do amigo, mas avisa que tudo o que tem está no mar e que, se Bassânio conseguir levantar crédito em seu nome, em Veneza, tudo estará resolvido.

Numa praça da pujante e próspera Veneza, o ansioso Bassânio encontra o judeu Shylock e firma contrato de empréstimo de Três mil ducados, por três meses e Antônio como fiador.

Shylock, acalenta profundo ódio pelo mercador: "Por ele ser cristão é que o odeio, mas acima de tudo, porque em sua simplicidade vil, dinheiro empresta gratuitamente e faz baixar a taxa de juros entre nós aqui em Veneza. Se em falta alguma vez puder pegá-lo, saciado deixarei meu antigo ódio (...) ele insulta-me, meus negócios condena e o honesto lucro que de interesse chama. Amaldiçoada minha tribo se torne, se o perdoar".

Outro ponto nevrálgico dessa peça é a questão relativa à usura, ou seja, ao empréstimo mediante cobrança excessiva de juros. Repleta de estrangeiros, mercadores com inúmeros negócios, Veneza fervilha e desponta acelerada no cenário comercial Renascentista.

Os juros, decorrentes da defasagem do valor, são justos até em casos de empréstimos de pai para filho. Mas o ato de lucrar tão e somente por dispor de recursos, fazendo do desespero e da desgraçada necessidade pecuniária alheia um meio de vida era questionável, sobretudo para a mentalidade cristã. Sendo assim, Antônio deixa claro a Shylock que, embora nunca empreste nem peça emprestado a juros, para socorrer ao amigo, se dispõe a romper seus hábitos.

Categórico, para Shylock, não sendo roubo, todo lucro é benção e entende perfeitamente lícito seu modo de ganhar a vida. Cita a ancestral figura de Jacó, quando cuidava das ovelhas de seu tio Labão: "ele e o tio assentaram que todos os cordeiros malhados e de rajas ficariam para Jacó, à guisa de salário, as ovelhas em cio foram postas, no fim do outono, junto dos carneiros. E quando entre esses animais o ato da geração se processava, pelou-me algumas varas o astucioso pastor e, ao trabalhar a natureza, frente as pôs das ovelhas voluptuosas que, concebendo então, no tempo próprio só pariram cordeiros variados, que com Jacó ficaram".

Não convencido, Antônio contesta dizendo que o lucro de Jacó foi mero acaso: "Não dependia dele o resultado. É a mão do céu que tudo faz e guia. Mas justifica a história o cobrar juros? Vossa prata e vosso ouro são, acaso, ovelhas e carneiros?".

E o judeu: "Não vos posso dizer ao certo; mas os multiplico com a mesma rapidez (...) Tres mil ducados... Soma bem redonda. Por tres meses em doze. Ora vejamos quanto isso vai render".

O empenho de Shylock não é mais pelo lucro. Atingido em seu timós, sua honra (seu "phrenas", diria Homero), sucumbe a um dilacerante ódio ao mercador: "Senhor Antônio, quantas, quantas vezes lá no Rialto fizestes pouco caso do meu dinheiro e de eu viver de juros! Suportei tudo sempre com um paciente encolher de ombros, pois o sofrimento é apanágio de toda a nossa tribo. De tudo me chamáveis: cão, incrédulo, degolador, além de me escarrardes neste gabão judeu, e tudo apenas por eu usar o que me pertencia. Ora bem; mas agora está patente que precisais de mim (...). Deveria perguntar-vos: 'Cachorro tem dinheiro? Será possível que um cachorro empreste a alguém tres mil ducados?' Inclinar-me devo até ao chão e, em tom de voz de escravo, humilde a murmurar, quase sem fôlego, dizer assim: 'Na última quarta-feira, caro amigo, cuspistes-me no rosto; noutro dia, chamaste-me de cão; e em troco dessas cortesias, preciso ora emprestar-vos tanto dinheiro assim?"

Antônio deixa claro que se Shylock quiser emprestar seu dinheiro, não o faça como se faz a amigos, pois: "em que tempo a amizade cobrou do amigo juros de um metal infecundo?".

Dissimulado, Shylock o enreda: "Vede como vos exaltais! É meu desejo prestar-vos um obséquio, conquistar-vos a amizade, esquecer-me das injúrias com que me maculastes, suprir vossa necessidade, sem tirar proveito nenhum do meu dinheiro. É amiga a oferta. (...) Quero dar-vos prova dessa amizade. Acompanhai-me ao notário e assinai-me o documento da dívida, no qual, por brincadeira, declarado será que se no dia tal ou tal, em lugar também sabido, a quantia ou quantias não pagardes, concordais em ceder, por eqüidade, uma libra de vossa bela carne, que do corpo vos há de ser cortada onde bem me aprouver".

Com essa inusitada proposta, Shylock quer desfazer a idéia de interesseiro, pois o que lucraria com um pedaço de carne que, por ser humana, diferente duma carne de carneiro ou vitela, para nada tem serventia?

Apesar de Antônio ter encorajado o amigo Bassânio, insistindo que um mês antes da letra vencer, seus barcos terão retornado, seus negócios naufragam. Vencido o prazo, Shylock insiste em vingança reiterando seus motivos: "Ele me humilhou, impediu-me de ganhar meio milhão, riu de meus prejuízos, zombou de meus lucros, escarneceu de minha nação, atravessou-se-me nos negócios (...) E tudo, por quê? Por eu ser judeu. (...) Se um judeu ofende a um cristão, qual é a humildade deste? Vingança. Se um cristão ofender a um judeu, qual deve ser a paciência deste, de acordo com o exemplo do cristão? Ora, vingança. Hei de por em prática a maldade que me ensinastes, sendo de censurar se eu não fizer melhor do que a encomenda".

Após sucesso na escolha dos enigmáticos escrutínios, fazendo jus à mão de Pórcia, Bassânio esclarece a noiva, que "para obter recursos, penhorei-me a um amigo mui querido e o penhorei ao seu pior inimigo".
Salânio confirma a irredutibilidade de Shylock: "Não vi nunca uma criatura sob a forma de homem que revelasse tão feroz empenho em desgraçar um homem (...) o próprio doge (maior autoridade Jurídica de Veneza), vinte mercadores, os senadores de maior prestígio tentaram persuadi-lo, sem que nada conseguisse do pleito demovê-lo tão odioso, baseado na justiça, numa letra vencida e numa multa".

Testemunhando o desespero do futuro marido, a noiva intervém e considerando a quantia irrisória, se dispõe a pagar muito mais. Mas Bassânio segura uma carta de Antônio nas mãos: "Querido Bassânio, todos os meus navios naufragaram, meus credores tornaram-se cruéis, minha situação financeira é desesperada, a letra que eu tenho com o judeu já está vencida (...) não me será possível viver (...)".

Solidária, Pórcia concorda que o futuro marido parta imediatamente em socorro ao amigo.

Antônio insiste em argumentar com Shylock, mas esse está absolutamente irredutível e todos sabem que "Se fossem denegados aos estrangeiros todos os direitos que em Veneza desfrutam, abalada ficaria a justiça da república, pois o lucro e o comércio da cidade se baseiam só neles". Confiante nas leis de Veneza, brada o judeu: "Invoco a lei!".

Numa Corte de justiça, o julgamento do mercador de Veneza tem início. O doge indaga: "Está presente Antônio?" e ele responde: "Às ordens de Vossa Graça". O doge prossegue dizendo a Antônio que sua situação causa comoção. E este afirma saber que o doge tem se esforçado e muito para atenuar sua rigorosa pena, mas que está disposto a suportar com grande tranqüilidade de alma a cólera de Shylock.

O doge pede que Shylock adentre a sala e diz que, embora o mundo pense que ele tenciona persistir nessas provas de crueldade, isso será somente até a última hora do processo, que depois disso mostrará consideração. Que movido pelo amor e o sentimento de humanidade dispensará o castigo ao mercador.

"Já expus a Vossa Graça o que pretendo, como jurei por nosso santo Sábado cobrar o estipulado pela multa", proclama Shylock. "Se mo negares, que com o risco seja das leis e liberdades de Veneza. Decerto haveis de perguntar-me a causa de eu preferir um peso de carniça a ter de volta os meus tres mil ducados. E então? Se um rato a casa me estragasse, e para envenená-lo eu resolvesse gastar dez mil ducados? (...) de igual modo, não sei de outra razão, nem saber quero, se não for o ódio inato e a repugnância que Antônio me desperta e que me leva a persistir assim numa demanda".

Bassânio oferece o dobro a Shylock e esse deixa claro que, como sabemos, não se trata de valores venais. Todos pelejam para que o credor mostre piedade, para que também possa encontrá-la, mas ele é resoluto: "Que castigo tenho a temer, se mal algum te faço? (...) essa libra de carne, que ora exijo, foi comprada muito caro; pertence-me; hei de tê-la. Se esse direito me negardes, fora com vossas leis! São fracos os decretos de Veneza".

O doge informa estar aguardando por Belário, um jurista erudito, que mandou vir de Pádua, para estudar o caso.

Shylock, permanece impassível às críticas: "Só vim aqui para impetrar justiça". Nesse instante, o escrivão introduz o jovem Baltasar (na verdade Pórcia, com trajes de doutor em direito) trazendo uma carta de recomendação de Belário, onde este esclarece que o portador desta, um renomado doutor de Roma, estava a par da controvérsia entre o judeu e o mercador Antônio e que com seu saber, cuja profundidade seria incapaz de elogiar suficientemente, está apto a atender o chamado do doge.

O doge recomeça indagando a Baltasar se é de seu conhecimento a dissidência que se discute naquela corte. Pórcia, digo, Baltasar, confirma: "Conheço os pormenores da pendência. Onde está o mercador? Qual é o judeu?". Após distingui-los, dirige-se a Shylock e afirma: "Assaz estranha é a natureza dessa vossa causa. Mas as leis de Veneza não vos podem desatender, se persistis no intento". Após confirmar o reconhecimento da letra por ambos, Pórcia prossegue dizendo que é preciso que o judeu se mostre clemente. Ao que esse responde: "Constrangido por que meios, não podereis dizer-me?"

O jurista é mesmo brilhante: "A natureza da graça não comporta compulsão. Gota a gota ela cai, tal como a chuva benéfica do céu. É duas vezes abençoada, por isso que enaltece quem dá e quem recebe. É mais possante junto dos poderosos, e ao monarca no trono adorna mais do que a coroa (...) atributo é de Deus; quase divino fica o poder terreno nos instantes em que a justiça se associa à graça. Por tudo isso, judeu, conquanto estejas baseado no direito, considera que só pelos ditames da justiça nenhum de nós a salvação consegue (...) Quando disse, foi para abrandar o teu direito; mas, se nele insistires, o severo tribunal de Veneza há de sentença dar contra o mercador".

Shylock insiste que só reclama a aplicação da lei, a pena justa cominada na letra já vencida. Quando o juiz indaga se há como pagar a dívida, Bassânio confirma que até o dobro, mas que "caso isso ainda não chegue, fica patente que a malícia vence, nesse pleito, à lisura".

Reitera-se que força alguma pode em Veneza mudar as leis vigentes, pois, diante de um exemplo desses, muitos abusos viriam a insinuar-se na república. E ao ouvir que isso "Não pode ser", Shylock se entusiasma com fervor: "Daniel veio julgar-nos! Sim, um novo Daniel! Ó sábio e jovem juiz, como eu te acato!". Pedindo para examinar a letra, o juiz a recebe e ouve de um empolgado Shylock: "Aqui está ela, reverendo doutor: aqui está ela".

Ainda se clama: "Tres importes da dívida, Shylock, te oferecem", ao que o judeu convicto: "Um juramento! Um juramento! Tenho no céu um juramento. Poderia na alma lançar o fardo de um perjúrio? Nem por toda Veneza".

O tribunal prossegue: "O documento já está vencido. Legalmente pode reclamar o judeu, por estes termos, uma libra de carne, que ele corte de junto ao coração do mercador". E roga: "Sê compassivo; aceita triplicada a importância da dívida e permite-me rasgar o documento". Shylock diz: "Após o vermos liquidado de acordo com seus termos. Mostrastes ser juiz de grande mérito; conheceis bem as leis; foi muito clara a exposição de há pouco. Assim, intimo-vos, pela lei de que sôis um dos pilares mais dignos, a emitir o julgamento. Juro pela minha alma que nenhuma língua humana é capaz de demover-me de minha decisão".

Resignado, é com impaciência que Antônio suplica a corte que pronuncie a sentença. O juiz diz que consiste a decisão em preparar o peito para a faca do credor. Shylock não se contém de alegria: "Oh nobre juiz! Oh extraordinário jovem!". O juiz reitera que a intenção e o espírito da lei estão de acordo com a penalidade cominada na letra e Shylock rejubila-se: "É muito certo. Oh juiz íntegro e sábio! Quanto, quanto mais velho não serás do que aparentas!".

O juiz pergunta se Shylock já deixou uma balança no jeito, para pesar a libra de carne e um cirurgião, para evitar que Antônio venha a morrer de hemorragia. Ele responde que isso não se encontra estipulado, ao que juiz afirma que, por caridade, seria conveniente. Mas o judeu diz que não pode achar um cirurgião naquele momento e que isso não consta na letra.

Eis que a Corte confirma o direito de Shylock: "Pertence-te uma libra aqui da carne do mercador; a Corte o reconhece, porque a lei o permite". Shylock, em êxtase proclama: "Oh juiz íntegro! Oh juiz sábio! Isso, sim, que é sentença! Vamos logo; preparai-vos."

O juiz então intervém: "Um momentinho apenas. Há mais alguma coisa. Pela letra, a sangue jus não tens; nem uma gota. São palavras expressas: 'Uma libra de carne'. Tira, pois, o combinado: tua libra de carne. Mas se acaso derramares, no instante de a cortares, uma gota que seja, só, de sangue cristão, teus bens e tuas terras todas, pelas leis de Veneza, para o Estado passarão por direito".

Ao ouvir isso, é Graciano, quem não se contém de alegria: "Oh juiz honesto! Toma nota, judeu: quanto ele é sábio!". Perturbado, Shylock indaga se a lei diz isso. O juiz responde que ele pode ver o texto: "reclamaste justiça, fica certo de que terás justiça, talvez mesmo mais do que desejaras".

Shylock recua afirmando que, nesse caso, aceita a proposta de que lhe paguem tres vezes a importância da dívida. Quando Bassânio se apressa em dar o dinheiro, o juiz intervém: "Devagar! Justiça total para o judeu. Nada de pressa. Só tem direito à multa estipulada".

Novamente em glória, Graciano profere: "Ó judeu! Que juiz idôneo e sábio. (...) Um segundo Daniel, judeu, um novo Daniel! Agora, cão, peguei-te firme (...). Um segundo Daniel! Outro Daniel! Judeu, muito obrigado por me haveres ensinado esse nome".

Shylock apela. Em vão. Ao intentar se retirar, o juiz diz: "espera aí, judeu! A lei ainda tem outras pretensões a teu respeito. Diz a lei de Veneza, expressamente, que se a provar se vier que um estrangeiro, por processos diretos ou indiretos, atentar contra a vida de um dos membros desta comunidade, há de a pessoa por ele assim visada, assenhorear-se da metade dos bens desse estrangeiro, indo a outra parte para os cofres públicos. A vida do ofensor à mercê fica do doge (...) Agora, ajoelha-te e ao doge implora que te dê o perdão". O doge se manifesta: "Para que vejas como nosso espírito é diferente, a vida te concedo antes de ma pedires".

Desolado, Shylock profere: "Não, a vida também; não perdoeis nada. Tirais-me a casa, se a privais do esteio no qual ela se firma; da existência já me privastes, quando me deixastes sem os recursos com que me sustento".

Indagado se está contente, sem alternativa, Shylock confirma que sim. Sente-se arrasado e, cabisbaixo, roga para ir embora. Obtém consentimento. A corte se encerra.

Cabe recurso! Embora de 1596, esse julgamento não precluirá. O judeu será defendido do "artifício infame" com apropriada lucidez pelo jurista alemão Rudolf Von Ihering (1818-1892), em sua obra "A luta pelo Direito". Retornaremos a esse tribunal para perscrutar onde Diké (a Justiça dos homens) se funde ou conflita com Thêmis (a Justiça divina).

Saiba mais:

Shakespeare, William - O Mercador de Veneza.
Assista ao filme "O Mercador de Veneza" com Al Pacino (disponível em DVD nas locadoras).

2 de fev. de 2009

Qual é a instância da Alma (Psyché) que nos incita à Guerra?


“Miseráveis humanos, por que motivo vocês pegam em armas e matam-se uns aos outros? Basta, deixem de combater. Fiquem em casa, em paz; e deixem os outros em paz” (As suplicantes – Ésquilo, cerca de 463 a.C.)


Devidos aos aterrorizantes conflitos deflagrados em nossa casa (oikós), gostaria de compartilhar com o leitor algumas ponderações sobre o antônimo da paz: a impiedosa e temida guerra.

Convém esclarecer que, apesar do soberano Zeus declarar que o deus da guerra, Ares, é o mais detestável de todos e da Hélade legar-nos preciosíssimos textos condenando a guerra, nem a Antiga Grécia, tampouco o Olimpo eram bem um reduto de paz e harmonia, muito ao contrário... Os deuses gregos, “criados” à imagem e semelhança de nós mesmos, insistiam em vingança e crueldade.

Ora animando, ora tirando a paz de todo Olimpo, “barracos” literalmente homéricos pipocavam entre todas as divindades. Àquela que Nietzsche (1844-1900) denominou como sendo “a infância dourada do Ocidente” sempre fora tingida, tanto de ouro quanto de rubro. Veremos adiante quando a nobilíssima altivez (timocrático + logístico) transmuta-se em soberba e, arrogante, irracional (timocrático + epitimético) como uma besta, deleita-se a chafurdar em sangue.

São famosas a irredutível ira de Aquiles pelo descendente do amaldiçoado Tântalo, o Rei atrida Agamêmnon, bem como a do próprio criador e soberano do Olimpo, Zeus, contra o titã Prometeu, por ter presenteado o fogo (conhecimento/techné) aos mortais (e desde então teme que nem mesmo o céu seja o limite para sua criatura).

Lembremo-nos de Medéia (431 a.C.), de Eurípides. A amaldiçoada não titubeia em assassinar seus próprios filhos para se vingar da rejeição e abandono do marido, Jasão. Encolerizada, pois ferida em seus brios ao ser preterida por outra, Medéia, embora reconheça o abismo que a espreita, não recua: “eu sofrerei; mas ele também sofrerá”.

Outro caso de fúria cega está na tragédia intitulada “Hipólito” (428 a.C.), também do tragediógrafo Eurípides. Afrodite, sentindo-se ultrajada pelo fato do jovem e casto Hipólito desprezar seus poderes de sedução e encanto, depositando oferendas e sempre enaltecendo as virtudes da austera deusa Ártemis. Desconsiderada, a deusa do Amor e da beleza, impiedosamente o enreda numa trama diabólica e fatal. A fim de destruí-lo, faz com que sua madrasta, outrora virtuosa, Fedra se apaixone perdidamente pelo enteado. Perturbada, por ter sido veementemente repelida pelo virtuosíssimo rapaz, a Rainha se enforca. Mas não sem antes pendurar uma tabuleta no pescoço acusando-o de tentar molestá-la. Eis que o Rei Teseu regressa. O desfecho desse capricho de Afrodite vitima ainda mais inocentes.

Os concursos de tragédias eram patrocinados pelos próprios aristois, os bem-nascidos, posto que mais educados, como forma de Paidéia (pedagogia) à população que era até remunerada para assistir. O enredo versava sobre a falta de limites, algo contra o qual, desde priscas eras, para o bem ou para o mal, o homem rebela-se. Em Hipólito, Eurípides nos ensina que, independente da divindade a quem se simpatize e escolha para devoção (e no mundo atual, como dantes, são inúmeros os deuses), não se deve desprezar as demais, menosprezar seus redutos, seja qual for seu estatuto na hierarquia dos vícios ou das virtudes.

Na Ilíada, de Homero (cerca de 850 a.C.), repleta de casos de “atér(cegueira moral que primeiro induz ao estado de desvario, depois, à ação desvairada e por fim, à ruína), é a deusa Ártemis quem, indignada por terem abatido uma corça prenhe, exige como penalidade nada mais, nada menos, que a vida da primogênita de Agamêmnon, Ifigênia, para que, com vento, as naus possam partir para invasão e pilhagem de Tróia (Ílion).

Em um dos primeiros artigos publicados na Carta Forense, intitulado “Ares e Athena – arautos da Guerra” (em Roma eles passaram a ser chamados de Marte e Minerva), discorri sobre esses deuses guerreiros e seus respectivos modus operandi. Vimos que a deusa da Sabedoria e Justiça sempre obtém vitória em qualquer conflito que interceda porque, dentre outras razões, só apela para a violência (algo que abomina) em último caso, quando não resta mais nenhuma possibilidade de diálogo, quando todas, absolutamente todas as tentativas diplomáticas de acordo foram esgotadas. E é justamente por isso, por evitar a guerra a todo custo, que Athena é sempre acompanhada por Niké (a Vitória). Reconhecidamente, o fato da deusa da Sabedoria, guardiã da paz, lograr êxito em aplacar a fúria das Erínias (vide também nesse Blog, o artigo sobre o crime de matricídio cometido por Orestes), a credencia ao resplandecente epíteto de “deusa da Justiça”.

Mas, seja entre deuses mitológicos, personagens das tragédias, mortais ou imortais, qual é a instância da alma (Psyché) que nos incita à Guerra?

Recentemente, abordando a alma em Platão, vimos que esta é composta de três dýnamis (potências): Epitimética, Timocrática e Logística.

Na instância da potência Epitimética, por exemplo, só nos dispomos a lutar quando, semelhante aos animais, precisamos saciar a fome, questão de sobrevivência; se formos obrigados a defender a própria vida ou nosso território. E vale dizer, para o abrigo necessário. Diferente do homem, o animal não ambiciona ampliar seus domínios para além dos que os utiliza.

O Logistikón, não se imiscui em beligerância porque seria um contra-senso. Hierarquizador, o lógos situa o pensar elevando-o acima das demais potências. A função dessa parte de nossa alma é de cogito, ratio e quem pensa não resvala, não sucumbe à bestialidade.

A potência de nossa alma responsável pelo fomento de polêmicas e guerras é a Timocrática, quando em hýbris (desmedida).

Se alguém nos inflige alguma desonra e sentimo-nos ultrajados é essa potência que é atingida, podendo imediata e cegamente manifestar-se.

É quando humilhados pelo fracasso em obter reconhecimento de nossa identidade e dos que nos são caros, dos valores pulsantes em nosso peito que, seja um indivíduo, um clã, um povo ou uma grande nação, consome-se em ressentimento, clama vingança e a qualquer momento, instaura a guerra.

Timocrática (corajosa, destemida, indômita) é a parte de nossa Psyché responsável por nosso amor-próprio. Quando narcísica, torna-se sedenta de que sejam tributadas as devidas glórias, anseia por aprovação, admiração e aplausos dos outros (alter).

Em muitas ocasiões é salutar que a estimemos, pois, do contrário, seríamos acometidos pela indesejada atimia (a = sem, timós = peito, coração), que implica falta de honra, nobreza, de timós. Eis a marca dos tíbios (frouxos, covardes), indignos, tão desprezíveis quanto constrangedores.

Magoados, pois ofendidos em nosso Timós, nossa honra, somente uma única coisa é capaz de nos comover demovendo-nos da idéia fixa de partir para a ação violenta (própria dos ressentidos): prezar um denominador comum com o suposto inimigo.

É assim que ocorre nos ordinários e/ou extraordinários conflitos familiares, entre irmãos, marido e mulher, cunhados e demais membros. Atingidos em seus “phrenas”, como diria Homero, o homem pode até ser acometido pela atér, mas diante de filhos, pais, avós ou irmãos, por consideração a eles, a orgulhosa besta, que faz morada em seu timós, pode recuar em seus chifres e dentes afiados.

Em nosso destempero timocrático (que resvala em presunção, arrogância), sem que sejamos sensibilizados, não cessamos fogo. É por isso que o mal, em muitos estudos, é identificado como sendo a incapacidade de amar.

Todos nós sabemos que os povos envolvidos nos conflitos políticos e religiosos, que persistem no globalizado século XXI, são permeados por um delicado e antiqüíssimo ressentimento mútuo. Sem algo em comum a que se ame, se considere, não há pedido de desculpas, ressarcimento moral ou pecuniário que aplaque a fúria.

Quando não se ama nem se pensa, a guerra, o mal em sua apresentação mais violenta, aprisiona nossa alma. Para que haja possibilidade de instaurarmos e mantermos a paz, há de se resgatar a philía ao antropos (amor, amizade ao homem), denominador comum que nos impele a considerar outras almas. Há que se permitir o império do Logistikon (a potência da alma, psyché, que pensa, delibera). Como a pensadora judia alemã, Hannah Arendt, ponderando sobre o mal, enfatizara: o Mal é não Pensar!

Por fim, na Guerra só se contam infelizes e malditos. Infelizes os derrotados; malditos os vencedores. E eis a pujante e ininterrupta machina fatalis a todo vapor: derrotados ontem, ressentidos hoje, fiéis seguidores do maldito Ares amanhã. Até que se Ame; até que se Pense.

Dedico esse artigo a avó de Miriam Barmak Sapoznik e ao menininho palestino do livro “Destinos Deslocados”, de Alia Carol – publicado em 2007 pela editora Insular.

5 de jan. de 2009

A Alma em Platão – O paradoxo de sermos diferentes e semelhantes


“Aquele que ama o Saber, não tem desejo de Poder” Platão


Gnoseologia é o nome que se dá aos modos de conhecer. Uma das possibilidades do lógos é o raciocínio dialético, com o qual, num movimento ascendente, alcançamos as “Idéias”, formas puras e que, de tão abstratas, tais como os seres matemáticos (que tanto das Idéias se aproximam), podem ser somente inteligíveis.

Será ao exercitarmos o poder de intelecção que está na Alma, que contemplaremos, por exemplo, a suprema Idéia de Bem. Para que possamos compreender melhor como Platão apresenta nossa liberdade e poder de escolher (ou não) o Bem, convém ponderarmos sobre sua teoria da Alma.

Se o que nos iguala é a harmonia, a justa-medida, a temperança, em grego: “Sophrosyne”, o que nos diferencia são as proporções da Alma. Segundo o Filósofo, todos nós dispomos de Alma e essa é composta por 3 (três) partes, que na verdade são “modos de desejar”, potências (dýnamis) de ordem Epitimética, Timocrática e Logística.

A parte Epitimética é a “desejante”, em busca da satisfação de plenitude para todas as nossas necessidades físicas, corporais, tais como saciar (preferencialmente em deleite) a fome e a sede, de repousar o corpo quando vencidos pelo cansaço, da apreciação do conforto e dos demais prazeres sensíveis, que são os que acessamos através dos sentidos: olfato, audição, visão, paladar e tato. Compartilhamos essa parte da Alma com os animais. Considerado o “pai da psicanálise” Sigmund Freud atentou para o fato de que esse é um princípio fundamental e primitivo do homem: o de buscar o prazer e de evitar a dor. Mas, não nos limitemos à nossa animalidade.

Quanto à parte Timocrática, do timós, do peito (coração), é guerreira, corajosa, desejante de glória e de aplausos; E a Logística, ordenadora, é a mais requerida pelos filósofos, intelectuais e demais pensadores. Cabe ressaltar que todos nós possuímos esses três modos de desejar, que variam, em termos de aptidão, para uma ou outra inclinação com mais ênfase.

Convêm adequarmos as pessoas conforme suas aptidões para cada estamento. levando-se em conta as tendências predominantes da Alma: Epitimética, Timocrática ou Logística. Para citar um exemplo, temos a parte Epitimética relacionada à produção de nossos bens, no mundo da práxis e techné; na parte Timocrática, podemos identificar com nosso exército e todos àqueles que zelam por nossa segurança e, valendo-se de uma predominância na parte Logística da Alma, temos como exemplo o Governo e os guardiões de Justiça que, em tese, tanto se empenham a fim de se atingir a excelência enquanto seres humanos.

Nota-se aqui certo elitismo, posto que as três partes desejantes da Alma incorporam hierarquia categoricamente imposta pelo próprio lógos. Isso se torna ainda mais patente e é corroborado, se considerarmos que a “areté” (excelência) do homem, citada acima, se completa como zoologikon e zoopolitikon, ou seja, desenvolver o lógos, o pensar e a capacidade de viver (agir/ação) em conjunto, na pólis. Note-se que, enquanto zoo, limitamo-nos à parte Epitimética.

Ao estamento Logístico, impõe-se a “visão do todo”. “Theorein” é a palavra grega para “contemplar”, e, teorizar só se torna possível diante da ampla visão de conjunto. Digno de nota é que todas essas partes da Alma são passíveis de desequilíbrio e que podemos antever dois modos em que o Logístico se excederia: a) deslumbrar-se por honras mundanas (holofotes, tapetes vermelhos e/ou corrompendo-se por riquezas) ou, b) adoção de uma postura asceta, de isolar-se em seus pensamentos, como numa torre de marfim: sábio, talvez; inativo, comprovadamente.

Vivemos inseridos num mundo de geração e corrupção, ou seja, na physis (natureza), chronos (o tempo) devora tudo o que cria. E tudo renasce num incessante vir-a-ser. Morre a singularidade (o particular), mas a geração (o universal) permanece. Eis o mortal e o imortal.

Quanto a nós, nem de todo divinos nem completamente mortais, enquanto Almas, por methéxis (por participação, como os metecos que viviam e participavam da vida na antiga Atenas, mas não eram considerados cidadãos gregos) somos detentores de um daimon de livre acesso e, por koinonia (comunidade/unidade comum) nossa Alma toca o imortal, que são as Idéias, os Princípios, cujo maior é o Bem.

Toda ação humana, proveniente de quaisquer uma dessas três partes da Alma é encaminhada por esse daimon, ou seja, tem Eros, esse enlace que gera novos seres, produtos e pensamentos (nos reinos da física, da prática e das contemplações), cujo télos (propósito, objetivo, finalidade) é o nobilíssimo: fazer com amor.

Das três partes da Alma, é a Logística detentora de lógos e esse pensa, reflete, empreende, fala, recolhe, diz e escreve, exprimindo-se de muitos modos.

O nôus, não realiza julgamento ético, não sentencia. A parte de nossa Alma (Psyché/daimon) que se dirige á ética e à política, passível de ser educado é a força divina do logístico, o phronesain. Será através do phronesain que nossa Alma sentenciará, realizando julgamentos éticos.

Diante de uma aporia (uma situação sem saída) tal como no exemplo dos cinco dedos, citados pelo autor em sua obra “A República”, de que são e não são semelhantes, colocando-nos diante de uma mesmidade e alteridade, é o phronesain, “olho da Alma”, potência da Alma relativa ao saber prático, da práxis, que fará a escolha. Enquanto não se decide, se impera a crisis (impasse).

Eis que a Prudência aristotélica é a Phronêsis platônica, é a escolha boa, deliberada; exercício ético-político da ação com valor, pois considera (sidério, do latim = estrelas) o outro como uma extensão de si mesmo. Não por acaso, é à parte Logística de nossa Alma, detentora de phronesain, que é dirigido o apelo ao DEVER explicitado no Primeiro Artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Não acredito ser por mera coincidência que esta seja também a primeira “Ordem” enviada aos homens por Zeus, o ordenador do Cosmos, para que prevaleça nossa semelhança.

Se, enquanto homens, como nos dedos de nossas mãos, somos visível e inteligivelmente diferentes, é enquanto Almas divinas, imortais, enquanto “dedos”, que somos exatamente iguais. Insistir em considerar somente um lado dessa questão é uma grande injustiça.
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Eis que a Sabedoria reina, mas não governa, por isso, quem pensa (no todo) precisa voltar para a caverna, alertar aos amigos. Nós vamos achar que estais louco, mas sabes que cegos estamos nós, prisioneiros acorrentados à escuridão da caverna.

Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República.

Eis o télos (do grego: propósito, objetivo) da Filosofia e do filósofo. Agir na cidade. Ação política. Phrônesis na Pólis.

Curso de Mitologia Grega

Curso de Mitologia Grega
As exposições mitológicas explicitam arquétipos (do grego, arché + typein = princípio que serve de modelo) atemporais e universais.

Desse modo, ao antropomorficizarem os deuses, ou seja, dar-lhes características genuinamente humanas, os antigos revelaram os princípios (arché) de sentimentos e conflitos que são inerentes a todo e qualquer mortal.

A necessidade da ordem (kósmos), da harmonia, da temperança (sophrosyne) em contraponto ao caos, à desmedida (hýbris) ou, numa linguagem nietzschiana, o apolíneo versus o dionisíaco, constitui a base de toda antiga pedagogia (Paidéia) tão cara à aristocracia grega (arístois, os melhores, os bem-nascidos posto que "educados").

Com os exponenciais poetas (aedos) Homero (Ilíada e Odisséia), Hesíodo (A Teogonia e O trabalho e os dias), além dos pioneiros tragediógrafos Sófocles e Ésquilo, dispomos de relatos que versam sobre a justiça, o amor, o trabalho, a vaidade, o ódio e a vingança, por exemplo.

O simples fato de conhecermos e atentarmos para as potências (dýnamis) envolvidas na fomentação desses sentimentos, torna-nos mais aptos a deliberar e poder tomar a decisão mais sensata (virtude da prudencia aristotélica) a fim de conduzir nossas vidas, tanto em nossos relacionamentos pessoais como indivíduos, quanto profissionais e sociais, coletivos.

AGIMOS COM MUITO MAIS PRUDÊNCIA E SABEDORIA.

E era justamente isso que os sábios buscavam ensinar, a harmonia para que os seres humanos pudessem se orientar em suas escolhas no mundo, visando atingir a ordem presente nos ideais platônicos de Beleza, Bondade e Justiça.

Estou certa de que a disseminação de conhecimentos tão construtivos contribuirá para a felicidade (eudaimonia) dos amigos, leitores e ouvintes.

Não há dúvida quanto a responsabilidade do Estado, das empresas, de seus dirigentes, bem como da mídia e de cada um de nós, no papel educativo de nosso semelhante.

Ao investir em educação, aprimoramos nossa cultura, contribuimos significativamente para que nossa sociedade se torne mais justa, bondosa e bela. Numa palavra: MAIS HUMANA.

Bem-vindos ao Olimpo amigos!

Escolha: Senhor ou Escravo das Vontades.

A Justiça na Grécia Antiga

A Justiça na Grécia Antiga

Transição do matriarcado para o patriarcado

A Justiça nos primórdios do pensamento ocidental - Grécia Antiga (Arcaica, Clássica e Helenística).

Nessa imagem de Bouguereau, Orestes (Membro da amaldiçoada Família dos Atridas: Tântalo, Pélops, Agamêmnon, Menelau, Clitemnestra, Ifigênia, Helena etc) é perseguido pelas Erínias: Vingança que nasce do sangue dos órgãos genitais de Ouranós (Céu) ceifado por Chronos (o Tempo) a pedido de Gaia (a Terra).

O crime de matricídio será julgado no Areópago de Ares, presidido pela deusa da Sabedoria e Justiça, Palas Athena. Saiba mais sobre o famoso "voto de Minerva": Transição do Matriarcado para o Patriarcado. Acesse clicando AQUI.

Versa sobre as origens de Thêmis (A Justiça Divina), Diké (A Justiça dos Homens), Zeus (Ordenador do Cosmos), Métis (Deusa da presciência), Palas Athena (Deusa da Sabedoria e Justiça), Niké (Vitória), Erínias (Vingança), Éris (Discórdia) e outras divindades ligadas a JUSTIÇA.

A ARETÉ (excelência) do Homem

se completa como Zoologikon e Zoopolitikon: desenvolver pensamento e capacidade de viver em conjunto. (Aristóteles)

Busque sempre a excelência!

Busque sempre a excelência!

TER, vale + que o SER, humano?

As coisas não possuem valor em si; somos nós que, através do nôus, valoramos.

Nôus: poder de intelecção que está na Alma, segundo Platão, após a diânóia, é a instância que se instaura da deliberação e, conforme valores, escolhe. É o reduto da liberdade humana onde um outro "logistikón" se manifesta. O Amor, Eros, esse "daimon mediatore", entre o Divino (Imortal) e o Humano (Mortal) pode e faz a diferença.

Ser "sem nôus", ser "sem amor" (bom daimon) é ser "sem noção".

A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

O Sábio Mestre: Antonio Medina Rodrigues (1940-2013)

O Sábio Mestre: Antonio Medina Rodrigues (1940-2013)

Você se sentiu ofendido...

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