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1 de fev de 2014

Eros e Psiquê – A condição “sine qua non” para o Amor

Antonio Canova

Indubitavelmente, a felicidade no amor é uma das maiores dádivas que alguém pode almejar. E há, em todo relacionamento amoroso bem sucedido, um componente imprescindível, sem o qual essa felicidade jamais pode ser plenamente alcançada.

A fim de explicitar o quão relevante é esse componente, conheçamos o mito de Eros (Cupido) e Psiquê (a Alma).

Antonio Canova

Psiquê era a mais nova de quatro irmãs. Bela, mas tão bela, que a própria deusa do amor e da beleza, Afrodite (Vênus), começou a ficar incomodada, pois vinham estrangeiros de longe conferir a beleza da jovem. Já estavam até deixando de frequentar o templo da mãe de Eros e abandonando o hábito de lhe fazer oferendas.

Luca Giordano

Enciumada, a deusa do amor e da beleza decide enviar seu filho Eros e incumbe-lhe a tarefa de flechar o coração de Psiquê para que a jovem se apaixone pelo mais réles dos mortais: um mendigo, um grotesco velho feioso, tosco, qualquer um (um qualquer), desde que fosse imprestável.


Mas Eros, ao avistar Psiquê apaixona-se perdidamente por ela.


Anne-Louis Girodet de Roucy Trioson

West Benjamin

Douglas Hamilton

Alphonse Legros

O pai de Psiquê, preocupado porque já havia casado as outras três filhas e a caçula não se interessava por ninguém, foi procurar o Oráculo. Eros, passando-se por adivinho, disse-lhe que a moça deveria ser levada a um alto penhasco e lá deixada, pois era essa a vontade dos deuses.

Crente, o pobre pai, embora sofrendo muito, cumpriu à risca o mandamento do Oráculo. Adornada como uma noiva, Psiquê seguia resignada, conformada com seu destino, mas suas irmãs e seus pais choravam muito. Preparam-na, despediram-se e a deixaram no penhasco conforme a orientação recebida.

Juan Carlos Boveri

Psiquê adormeceu e Eros providenciou para que Eólo, o vento de brisa suave a arrebatasse até seu magnífico palácio.

Anton Van Dick

Ao acordar, Psiquê não compreendia... Estava cercada de muito luxo: via diante de si uma enorme mesa com um vasto banquete, jardins repletos de flores, pássaros, tudo impecável e, embora jamais avistasse qualquer pessoa, só de pensar em algo, tinha seu desejo prontamente atendido. Era como se houvesse um séquito de serviçais para atendê-la.

Charles-Joseph Natoire


À noite, Psiquê preparou-se para dormir em sua cama de rainha e, qual não foi sua surpresa ao, no escuro, pressentir a presença de um homem que, embora ela não visse, tratou logo de tranquilizá-la: “Calma, Psiquê, sou eu, seu marido. Só o que desejo é fazê-la feliz”.


Juan Carlos Boveri

Eros e Psiquê tiveram uma longa e maravilhosa noite de amor.

Jacques-Louis David

Pícot

Na manhã seguinte, Psiquê percebeu que ele havia ido embora e, ansiosamente, esperou por ele ao anoitecer. E assim aconteceu, por noites e noites. Psiquê estava apaixonada, feliz, radiante.

John Roddam Spencer Stanhope

O tempo foi passando e Psiquê, com saudades de seus pais e de suas irmãs, implorou ao desconhecido marido para ir visitá-los. Eros decididamente disse que não, que jamais a atenderia. Mas Psiquê foi insistindo, insistindo, até que Eros a autorizou a trazer suas irmãs para visitá-la.


Jean-Honoré Fragonard

Sábio, pediu que não desse ouvidos às palavras de suas irmãs, alertando-a para a inveja, que mesmo entre fraternos, pode se instalar.

Ao chegar ao palácio, as irmãs ficaram boquiabertas, jamais tinham visto tanto luxo, tanta riqueza e conforto. Aproximaram-se de Psiquê e começaram a lhe incutir mil desconfianças: “Ora, Psiquê, com quem você acha que dorme?”. “Com um monstro!”, respondeu outra.

“Não tenho dúvida – afirmou a mais velha – afinal, todo esse esplendor, todo o carinho e docilidade que você relata... Nada é perfeito, só pode vir de um monstro terrível”.

“Hoje à noite, dissipe suas dúvidas”, insistiram. E assim fez a pobre Psiquê. Após outra maravilhosa noite de amor, esperou Eros adormecer e acendeu uma vela aproximando-a do rosto do amado. Paralisada, Psiquê quase perde a respiração... Era o homem mais belo que já tinha visto!

Jean Baptiste Regnault


Giuseppe Camarano



Domenico Corvi


Antonio Bellucci


Louis-Jean-François Lagrenée

Juan Carlos Boveri

Sem querer, da vela caiu um pingo quente sobre a face de Eros. Ele se levantou bruscamente e com as asas abertas, já de pé na gigantesca janela soltou um triste grito de dor: tola, Psiquê! Não sabe que o AMOR não convive com a desconfiança?

Charles Antoine Coypel

Um comentário:

Memórias de uma Guerreira disse...

Que incrivel seu blog!
Adorei, repleto de conteudo!
Estou seguindo pra ficar fazendo umas visitas assim que tiver tempo e ler todo o conteudo.

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ESCOLHA & CLIQUE (leia no topo). Cultura faz bem ao Espírito!

Eis que a Sabedoria reina, mas não governa, por isso, quem pensa (no todo) precisa voltar para a caverna, alertar aos amigos. Nós vamos achar que estais louco, mas sabes que cegos estamos nós, prisioneiros acorrentados à escuridão da caverna.

Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República.

Eis o télos (do grego: propósito, objetivo) da Filosofia e do filósofo. Agir na cidade. Ação política. Phrônesis na Pólis.

Curso de Mitologia Grega

Curso de Mitologia Grega
As exposições mitológicas explicitam arquétipos (do grego, arché + typein = princípio que serve de modelo) atemporais e universais.

Desse modo, ao antropomorficizarem os deuses, ou seja, dar-lhes características genuinamente humanas, os antigos revelaram os princípios (arché) de sentimentos e conflitos que são inerentes a todo e qualquer mortal.

A necessidade da ordem (kósmos), da harmonia, da temperança (sophrosyne) em contraponto ao caos, à desmedida (hýbris) ou, numa linguagem nietzschiana, o apolíneo versus o dionisíaco, constitui a base de toda antiga pedagogia (Paidéia) tão cara à aristocracia grega (arístois, os melhores, os bem-nascidos posto que "educados").

Com os exponenciais poetas (aedos) Homero (Ilíada e Odisséia), Hesíodo (A Teogonia e O trabalho e os dias), além dos pioneiros tragediógrafos Sófocles e Ésquilo, dispomos de relatos que versam sobre a justiça, o amor, o trabalho, a vaidade, o ódio e a vingança, por exemplo.

O simples fato de conhecermos e atentarmos para as potências (dýnamis) envolvidas na fomentação desses sentimentos, torna-nos mais aptos a deliberar e poder tomar a decisão mais sensata (virtude da prudencia aristotélica) a fim de conduzir nossas vidas, tanto em nossos relacionamentos pessoais como indivíduos, quanto profissionais e sociais, coletivos.

AGIMOS COM MUITO MAIS PRUDÊNCIA E SABEDORIA.

E era justamente isso que os sábios buscavam ensinar, a harmonia para que os seres humanos pudessem se orientar em suas escolhas no mundo, visando atingir a ordem presente nos ideais platônicos de Beleza, Bondade e Justiça.

Estou certa de que a disseminação de conhecimentos tão construtivos contribuirá para a felicidade (eudaimonia) dos amigos, leitores e ouvintes.

Não há dúvida quanto a responsabilidade do Estado, das empresas, de seus dirigentes, bem como da mídia e de cada um de nós, no papel educativo de nosso semelhante.

Ao investir em educação, aprimoramos nossa cultura, contribuimos significativamente para que nossa sociedade se torne mais justa, bondosa e bela. Numa palavra: MAIS HUMANA.

Bem-vindos ao Olimpo amigos!

Escolha: Senhor ou Escravo das Vontades.

A Justiça na Grécia Antiga

A Justiça na Grécia Antiga

Transição do matriarcado para o patriarcado

A Justiça nos primórdios do pensamento ocidental - Grécia Antiga (Arcaica, Clássica e Helenística).

Nessa imagem de Bouguereau, Orestes (Membro da amaldiçoada Família dos Atridas: Tântalo, Pélops, Agamêmnon, Menelau, Clitemnestra, Ifigênia, Helena etc) é perseguido pelas Erínias: Vingança que nasce do sangue dos órgãos genitais de Ouranós (Céu) ceifado por Chronos (o Tempo) a pedido de Gaia (a Terra).

O crime de matricídio será julgado no Areópago de Ares, presidido pela deusa da Sabedoria e Justiça, Palas Athena. Saiba mais sobre o famoso "voto de Minerva": Transição do Matriarcado para o Patriarcado. Acesse clicando AQUI.

Versa sobre as origens de Thêmis (A Justiça Divina), Diké (A Justiça dos Homens), Zeus (Ordenador do Cosmos), Métis (Deusa da presciência), Palas Athena (Deusa da Sabedoria e Justiça), Niké (Vitória), Erínias (Vingança), Éris (Discórdia) e outras divindades ligadas a JUSTIÇA.

A ARETÉ (excelência) do Homem

se completa como Zoologikon e Zoopolitikon: desenvolver pensamento e capacidade de viver em conjunto. (Aristóteles)

Busque sempre a excelência!

Busque sempre a excelência!

TER, vale + que o SER, humano?

As coisas não possuem valor em si; somos nós que, através do nôus, valoramos.

Nôus: poder de intelecção que está na Alma, segundo Platão, após a diânóia, é a instância que se instaura da deliberação e, conforme valores, escolhe. É o reduto da liberdade humana onde um outro "logistikón" se manifesta. O Amor, Eros, esse "daimon mediatore", entre o Divino (Imortal) e o Humano (Mortal) pode e faz a diferença.

Ser "sem nôus", ser "sem amor" (bom daimon) é ser "sem noção".

A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

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O Sábio Mestre: Antonio Medina Rodrigues (1940-2013)

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