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01/12/2011

O MITO DE SÍSIFO - O que você faz, enquanto a morte (Thánatos) não vem?


"Combati o bom combate, percorri o caminho e guardei a fé”- Paulo de Tarso

   
Prestes a brindar o início de um novo ciclo, é comum nos flagrarmos planejando a conquista de novos objetivos, nos dispondo superar desafios: os exercícios físicos, a matrícula numa pós-graduação, num curso de línguas, enfim, no aprendizado e domínio de novas técnicas.

Muitas vezes, na medida em que os meses vão se passando, somos tragados por uma rotina enfadonha da qual, somente com muito empenho e força de vontade, conseguimos nos libertar.

Mas, se das constantes tarefas exigidas é quase impossível se esquivar, qual seria o segredo para desempenhá-las com prazer e alegria, evitando a sensação de estar carregando um pesado fardo a cumprir?

Clássico na mitologia grega (perdoem a redundância), Sísifo é aquele infeliz que, condenado por Zeus a empurrar uma rocha morro acima, com desgosto, testemunha o rolar da gigantesca pedra, ladeira abaixo. Preso a essa condição, diariamente, o pobre amaldiçoado é obrigado a retomar essa extenuante e infindável tarefa.

Dentre tantas revelações extraídas nesse simbolismo, podemos aventar a luta constante de um trabalho exaustivo, a empreitada infrutífera, cuja perda de tempo revela um ocupar-se em vão.

Devido à falta de entusiasmo e de perspectiva, advém-nos o tédio, a apatia e a angústia, esse extraviar-se a troco de nada, culminando numa nulidade sem saída, à qual só resta resignar-se, enfim, no “Absurdo” que é a existência humana, conforme alerta o filósofo existencialista Albert Camus (1913-1960), em sua obra “O Mito de Sísifo”.

No mito, filho de Eólo (vento), Sísifo é um dos quatro grandes criminosos a receber as maiores penalidades infligidas pelos deuses, ou seja, os maiores suplícios. Os outros são Títio, Íxion e Tântalo (vide artigo já publicado aqui, em nosso Blog).

Somente dois semideuses conseguem enganar a morte, transgredindo a ponto de colocar em perigo toda a ordem do universo: Asclépio (também já publicado em nosso Blog) e Sísifo. Mas enquanto o antecessor de Hipócrates, Pai da medicina, recorrendo à ciência, o faz pelos moribundos, Sísifo saca de astúcia em benefício próprio. Ambos incorrem em “hýbris” (desmedida), o que há de mais condenável à humanidade.

Há controvérsias entre os antigos aedos (poetas) sobre a insolência que culminou em seu castigo. Para Homero, por exemplo, ao prender a Morte (Thánatos), Sísifo evitou a guerra, mantendo a paz entre vizinhos. Noutras versões, ele exercia todas as espécies de latrocínios, imolando os estrangeiros que porventura lhe caíssem nas mãos.

No entanto, maioria dos relatos desse mito aponta que sua imprudência foi, por interesse, ter revelado ao deus fluvial Ásopo que sua encantadora filha Egina (há tempos desaparecida, para desespero do pai), havia sido raptada pelo soberano do Olimpo, o todo poderoso Zeus.

Sísifo negociou informar o paradeiro da jovem com a condição de que Ásopo, divindade dos rios, fornecesse uma fonte eterna à prestigiada cidade de Corinto, administrada por ele.

Punindo-o por essa traição, Zeus ordenou que a Morte fosse buscá-lo. Precavido, Sísifo a trancafia até que Ares, o deus da guerra, se vendo prejudicado diretamente, encontra e resgata Thánatos.

Extremamente inteligente, astuto, antes de partir para o reino dos mortos, presidido por Hades, Sísifo orienta sua esposa Mérope a não o enterrar sob hipótese alguma, suplicando que não o sepulte nem lhe preste as devidas homenagens fúnebres, como a toda boa e virtuosa esposa cabe fazer, quando o marido morre.

Assim que chegou à sombria morada de Hades, Sísifo dirigiu-se diretamente à consorte deste, Perséfone e, fingindo perplexidade e indignação, se queixa da agonia que é não ter sido velado nem sequer honrado com os rituais de costume. Expondo o desgosto que o ultraje e a humilhação o obrigam a sofrer, implora para retornar ao mundo dos vivos a fim de punir a negligência de sua mulher.

Argumentando que sua presença ali é demasiada irregular, promete voltar em três dias. Comovida por seu pedido, Perséfone o autoriza a regressar, mas assim que se vê novamente sob a luz do Sol, Sísifo, fingindo “esquecimento”, propositalmente, não retorna ao reino dos mortos. Agradece a mulher por ter cumprido à risca sua orientação e tem muitos filhos com ela, vivendo tranqüilo, por muitos e muitos anos.

Quando finalmente Thánatos, a morte da qual ninguém escapa, o encontra novamente, já idoso, Sísifo é obrigado a regressar outra vez ao reino dos mortos. Zeus decide então, aplicar uma punição exemplar: o eterno suplício de executar um trabalho cansativo e interminável, portanto, em vão.

Sabemos que a todo e qualquer mortal é vetado escapar à finitude e que a punição de Sísifo nos remete a outra necessidade inerente à condição humana: a de nos ocuparmos, rotineira e preferencialmente, exercendo um trabalho digno, bem remunerado, que nos contente.

Aspirar por conquistar os benefícios de desempenhar uma atividade que, diferente de Sísifo, não seja um estorvo infindável, mas fonte de alegria e até reconhecimento é uma das mais lícitas ambições humanas, pois ansiamos poder fazer algo gratificante e, quando generosos, útil.

Honestidade, bom senso e lucidez na escolha – pessoal e intransferível – de nossa própria rocha transmutam punição em benção, castigo em graça. Tenhamos, portanto, discernimento: “O rochedo que ele rola sem descanso, pode bem ser o emblema de um príncipe ambicioso que revolveu muito tempo na cabeça projetos sem execução”, alerta o estudioso P. Commelin. Sem dúvida, pautar-se pelos valores de outrem, tornará seu peso realmente insuportável.

Cônscios de Thánatos sempre à espreita, façamos desse imperativo uma dádiva. Até que, já bem idosos, quando presididos por seu irmão gêmeo, Hypnos (o Sono), ela nos arrebate, conduzindo ao mistério.

Desejo a todos, “Feliz Ano Novo!”.


Dedico este artigo aos Drs. Lucio Maia e Paulo Stanich, diretores do jornal jurídico Carta Forense e ao Prof. Dr. Marcelo Lamy, Diretor da renomada Escola Superior de Direito Constitucional – ESDC, por contribuírem com o grande prazer, aliado à responsabilidade, que tem sido abraçar a minha preciosa pedra.

4 comentários:

Anônimo disse...

Sra. Dra. Luciene,

Excelente o artigo sobre Sísifo - filho de Éolo e Enarete, estabelecendo-se, já adulto, em Corinto.

Grato pela atenção.
Espero por outros trabalhos de sua brilhante inteligência e de muita sabedoria.

Obrigado,

Gil Alves dos Santos

Anônimo disse...

Luciene,

Adorei seu blog e já o recomendei a várias pessoas.

Ouvir os mitos narrados está sendo um prazer enorme!

Provavelmente você conhece o Mito de Atalanta Fugidia. Que tal incluí-lo nos mitos narrados? Sou Vera Lúcia, psicóloga clínica (abordagem junguiana) e tenho utilizado esse mito com uma paciente.

Gostaria, se possível, de sua leitura sobre o referido mito pois, acredito que provocaria tanto em em mim quanto em minha paciente, novas reflexões.

Desde já estou agradecida por me ter enviado uma "jóia" como esta.

É tão bom, tão valioso, tão, tão... Afinal não encontro a palavra ou as palavras para descrever o que verdadeiramente me ocorre quando percorro suas páginas e cada uma delas me possibilita uma série de reflexões, de aprendizados, de prazer.

Parabéns viu? quanto trabalho! quanta beleza! quanta dedicação! ainda bem que existem pessoas como você, pois ando meio desanimada com a humanidade...

Como agradecer? só me ocorre desejar "tudo de bom que houver nessa vida" para você e sua família.

Com gratidão,

Vera Barbosa

Anônimo disse...

Muito bom dia Luciene!

Passei para parabenizá-la pelo fantástico artigo
e agradecer pela partilha.
Com certeza será útil
nos encontros de final de ano.

Abraço beijado.

Antonio Carlos

Luciene Felix disse...

Amigos,

Logo mais, responderei a todos (por email).

No momento, estou super atarefada com os preparativos de fim de ano e outros afazeres.

Muitíssimo grata,

lu.

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Eis que a Sabedoria reina, mas não governa, por isso, quem pensa (no todo) precisa voltar para a caverna, alertar aos amigos. Nós vamos achar que estáis louco, mas sabes que cegos estamos nós, prisioneiros acorrentados à escuridão da caverna.

Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República. Confira nesse Blog (lista no final).

Eis o télos (do grego: propósito, objetivo) da Filosofia e do filósofo. Agir na cidade. Ação política. Phrônesis na Pólis.

Curso de Mitologia Grega

Curso de Mitologia Grega
As exposições mitológicas explicitam arquétipos (do grego, arché + typein = princípio que serve de modelo) atemporais e universais.

Desse modo, ao antropomorficizarem os deuses, ou seja, dar-lhes características genuinamente humanas, os antigos revelaram os princípios (arché) de sentimentos e conflitos que são inerentes a todo e qualquer mortal.

A necessidade da ordem (kósmos), da harmonia, da temperança (sophrosyne) em contraponto ao caos, à desmedida (hýbris) ou, numa linguagem nietzschiana, o apolíneo versus o dionisíaco, constitui a base de toda antiga pedagogia (Paidéia) tão cara à aristocracia grega (arístois, os melhores, os bem-nascidos posto que "educados").

Com os exponenciais poetas (aedos) Homero (Ilíada e Odisséia), Hesíodo (A Teogonia e O trabalho e os dias), além dos pioneiros tragediógrafos Sófocles e Ésquilo, dispomos de relatos que versam sobre a justiça, o amor, o trabalho, a vaidade, o ódio e a vingança, por exemplo.

O simples fato de conhecermos e atentarmos para as potências (dýnamis) envolvidas na fomentação desses sentimentos, torna-nos mais aptos a deliberar e poder tomar a decisão mais sensata (virtude da prudencia aristotélica) a fim de conduzir nossas vidas, tanto em nossos relacionamentos pessoais como indivíduos, quanto profissionais e sociais, coletivos.

AGIMOS COM MUITO MAIS PRUDÊNCIA E SABEDORIA.

E era justamente isso que os sábios buscavam ensinar, a harmonia para que os seres humanos pudessem se orientar em suas escolhas no mundo, visando atingir a ordem presente nos ideais platônicos de Beleza, Bondade e Justiça.

Estou certa de que a disseminação de conhecimentos tão construtivos contribuirá para a felicidade (eudaimonia) dos amigos, leitores e ouvintes.

Não há dúvida quanto a responsabilidade do Estado, das empresas, de seus dirigentes, bem como da mídia e de cada um de nós, no papel educativo de nosso semelhante.

Ao investir em educação, aprimoramos nossa cultura, contribuimos significativamente para que nossa sociedade se torne mais justa, bondosa e bela. Numa palavra: MAIS HUMANA.

Bem-vindos ao Olimpo amigos!

Escolha: Senhor ou Escravo das Vontades.

A Justiça na Grécia Antiga

A Justiça na Grécia Antiga

Transição do matriarcado para o patriarcado

A Justiça nos primórdios do pensamento ocidental - Grécia Antiga (Arcáica, Clássica e Helenística).

Nessa imagem de Bouguereau, Orestes (Membro da amaldiçoada Família dos Atridas: Tântalo, Pélops, Agamêmnon, Menelau, Clitemnestra, Ifigênia, Helena etc) é perseguido pelas Erínias: Vingança que nasce do sangue dos órgãos genitais de Ouranós (Céu) ceifado por Chronos (o Tempo) a pedido de Gaia (a Terra).

O crime de matricídio será julgado no Areópago de Ares, presidido pela deusa da Sabedoria e Justiça, Palas Athena. Saiba mais sobre o famoso "voto de Minerva": Transição do Matriarcado para o Patriarcado. Leia artigo nesse Blog.

Versa sobre as origens de Thêmis (A Justiça Divina), Diké (A Justiça dos Homens), Zeus (Ordenador do Cosmos), Métis (Deusa da presciência), Palas Athena (Deusa da Sabedoria e Justiça), Niké (Vitória), Erínias (Vingança), Éris (Discórdia) e outras divindades ligadas a JUSTIÇA.

PUDOR em grego é AIDÓS

PUDOR em grego é AIDÓS

Quando tudo parece perdido...

"A menina, 13 anos, ganhou um prêmio e foi cantar o hino americano, num final do NBA. Começou bem. Mas aí, ela engasgou, esqueceu a letra, "deu branco"... E lá estava a jovenzinha, só, em meio a cerca de 20 mil pessoas. O público ameaça uma vaia...

Num repente, Mo Cheeks, técnico dos Portland Trail Blazers, aparece ao seu lado e começa a cantar, incentivando-a e trazendo o público junto. Somente o técnico tomou a iniciativa de ajudar, todos os demais, à volta, só observavam."

o AGIR BEM, na hora certa, pode fazer uma grande diferença.

O grego chama de KAIRÓS, o Tempo oportuno: nem antes, nem depois; Como bem observou Ulisses/Odisseus quando orientava seu filho Telêmaco. Já CHRONOS, é o cronológico Titã, filho do Céu e da Terra (Ouranós e Gaia).



Como vencer as adversidades?

Hefestos: o deficiente excluído, retorna com Glória ao Olimpo

Mito de Hefestos, também conhecido como Hefaístos (Vulcano na mitologia romana): o Mestre da Techné. Reverenciado por todos os Olímpicos.

O que faz com que, a despeito de sua origem – deficiência física ou qualquer outra característica alvo de preconceito tais como cor, credo religioso, homoafetidade, fealdade (feiúra), etc. –, uma pessoa seja admirada, solicitada e respeitada por todos?

Descubra o poder da disciplina, do talento, da arte e da techné. Reconheça-se em Hefestos, o Ferreiro Divino. Ouça agora mesmo a narrativa desse belíssimo mito em áudio (10min): em "Conhecimento Sem Fronteiras" - Narrativas de mitos gregos: http://www.esdc.com.br/

EDUCADOR: Transmita esse encorajamento a seus alunos!
EMPRESÁRIO: Trata-se de um excelente áudio motivacional!

Susan Boyle: agraciada com o dom de Hefestos! Confira:

http://www.youtube.com/watch?v=iFSqD3BVxSA

Mudança: Pantha-Rei - Heráclito!

Mudança: Pantha-Rei - Heráclito!

O que nós temos a ver com isso?

A sociedade não somente cria pessoas, também é criada por pessoas. Lembremo-nos de que o preconceito antecede a segregação!

Inserimo-nos na pólis, estabelecemos nossa sociedade política. Decididamente, essa não é uma via de mão única. Eis o Geist (espírito) hegeliano: um eterno vir-a-ser!

Gn, gen, origem: a primeira palavra grafada em grego. Embora os "aristóis", os bem-nascidos (os "melhores", posto que mais "bem educados") constituíssem a Aristocracia grega, no mundo atual, origem não é, necessariamente, destino. Mas educação é. "EXCELÊNCIA" (Areté), deveria!

Educação, cultivo das virtudes, sobretudo da Alma, é o que distingüe os Aristóis, pois nutrem philía à sophia e ao antropos (amor à sabedoria e ao homem) e não tributam honra a mundanidades, não se rendem ao kratós (poder) tampouco se corrompem por pluto (riquezas).

É virtuoso amar a Beleza, a Bondade e a Justiça; Isso confere nobreza!

* Pantha Rei, em grego é "TUDO FLUI". Quem já nos disse que a única coisa que não muda é que TUDO MUDA foi o pré-socrático Heráclito. Leia mais sobre Heráclito ao final desse Blog.

A "areté" dos atores é interpretar

A "areté" dos atores é interpretar
personificando fielmente. Nicole Kidman.

A "areté" do guerreiro é a vitória!

A "areté" do guerreiro é a vitória!
Athena vence Ares. É sempre acompanhada por Niké (Vitória).

A "areté" do médico é a cura...

A "areté" do médico é a cura...
Rembrandt - Anatomia

A "areté" da empresa é o lucro...

A "areté" da empresa é o lucro...

A "areté" do olho é enxergar bem...

A "areté" do olho é enxergar bem...

A "areté" do Homem se completa...

A "areté" do Homem se completa...
como Zoologikon e Zoopolitikon: desenvolver pensamento e capacidade de viver em conjunto. (Aristóteles)

Busque sempre a excelência!

Busque sempre a excelência!

TER, vale + que o SER, humano?

As coisas não possuem valor em si; somos nós que, através do nôus, valoramos.

Nôus: poder de intelecção que está na Alma, segundo Platão, após a diânóia, é a instância que se instaura da deliberação e, conforme valores, escolhe. É o reduto da liberdade humana onde um outro "logistikón" se manifesta. O Amor, Eros, esse "daimon mediatore", entre o Divino (Imortal) e o Humano (Mortal) pode e faz a diferença.

Ser "sem nôus", ser "sem amor" (bom daimon) é ser "sem noção".

Membros do Ministério Público

Membros do Ministério Público
Nos primórdios da religião grega (cerca de 1.200 a.C.), por nutrirem adoração e reverência às dádivas da natureza, era costume de todos os cidadãos recolherem as “primícias”, que são as primeiras colheitas de todo e qualquer alimento tais como trigo, alface, oliveira etc., e levarem, cerimoniosamente, até um “Fannum”, ou seja, um local “Sagrado”.

É por isso que costumamos dizer que, o que não é sagrado é profano, ou seja, está fora do ‘Fannum”.

Eis que, chegando ao ‘Fannum”, um local considerado singular na natureza, que pode ser uma cachoeira, uma pujante rocha, um cálido rio, enfim, um lugar de rara e irrefutável beleza, buscava-se identificar imediatamente o “Asylon”.

O “Asylon” era o que consideravam como sendo o lugar mais nobre dentro do Fannum, ou seja, era como um verdadeiro “altar”.

Nesse altar, o “asylon”, os gregos depositavam as primícias em gratidão a deusa da agricultura, Deméter (entre os romanos, será chamada de Ceres, daí a palavra cereal).

Curioso é que toda pessoa que estivesse se sentindo ameaçada em sua integridade física, buscava se proteger no “asylon” pois a sacralidade do local era impeditivo para todo e qualquer ataque que pudesse vir a sofrer.

Desde então, conceder “asilo”, geralmente por questões político-religiosas, é uma forma de salvaguardar a vida de alguém que esteja em perigo.

Jamais a subestimem!

Jamais a subestimem!
Aphrodite Kallipygos. Cópia romana de escultura helênica (150-100 a.C.). Museo Archeológico Nazionale in Napolis, Itália - 1802.

Rapto de Perséfone pelo Hades

Rapto de Perséfone pelo Hades
Gian Lorenzo Bernini (1621-22) Galeria Borghese - Roma

Foram 20 longos anos de espera...

Foram 20 longos anos de espera...

Penélope: paradigma de Virtude!

A primeira a falar foi Atena, a deusa da Sabedoria:

"Filho de Laertes, criado por Zeus, Ulisses de mil ardis!

Pensa como poderás pôr as mãos nos pretendentes sem vergonha, que há três anos se assenhorearam do teu palácio, fazendo a corte à tua mulher e oferecendo presentes.

Sempre em seu coração lamenta que não regresses: a todos dá esperança e a cada homem manda recados, mas o seu espírito está voltado para outras coisas."


(Odisseia, XIII, 374-81)

Há os que geram mais na Alma

Há os que geram mais na Alma
Antígona (anti-gens), filha do Rei Édipo e da Rainha Jocasta.
A ação (do Amor) é o que garante aos mortais alcançar a imortalidade que lhes é possível.

No "Banquete" (Platão), a sacerdotisa Diotima, da cidade da Mantinéia, ressalta uma hierarquia sobre a concepção amorosa dizendo que há os que concebem na alma (belos pensamentos e virtudes) mais do que no corpo.

Mas a mais importante, disse ela, e a mais bela forma de pensamento é a que trata da organização dos negócios da cidade e da família, e cujo nome é prudência e justiça.

Saiba mais sobre a nobre e indômita heroína que não gerou no corpo, mas na Alma: "Embate entre a Lei Divina (Thémis) e a Lei dos Homens (Diké) em Antígona" nesse Blog (veja na relação ao lado, canto superior esquerdo).

"Que proveito tira o homem de todo o trabalho com que se afadiga debaixo do sol?

Uma geração vai, uma geração vem, e a terra sempre permanece.

O sol se levanta, o sol se deita, apressando-se a voltar ao seu lugar e é lá que ele se levanta. O vento sopra em direção ao sul, gira para o norte, e girando e girando vai o vento em suas voltas. Todos os rios correm para o mar e, contudo, o mar nunca se enche: embora chegando ao fim do seu percurso, os rios continuam a correr.

Toda palavra é enfadonha e ninguém é capaz de explicá-la. O olho não se sacia de ver, nem o ouvido se farta de ouvir. O que foi, será, o que se fez, se tornará a fazer: nada há de novo debaixo do sol!"

Quem mais legou textos sobre a vaidade foi Eclesiastes ("O Pregador”). Presume-se que tenham sido escritos (originalmente em hebraico ou aramaico) pelo Rei Salomão.

"O grande Alexandre morreu, O grande Alexandre regressou ao pó; Pó é barro... e o barro no qual o grande Alexandre se transformou, serviu para tapar o buraco de um barril". ...................................................Shakespeare

E quando esse crânio for o seu? Qual seu legado?

O vídeo abaixo aplaca toda e qualquer vanitas!


A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

O Sábio Mestre: Antonio Medina Rodrigues

O Sábio Mestre: Antonio Medina Rodrigues

Você se sentiu ofendido...

irritado (em seu "phrenas", como diria Homero) ou chocado com alguma imagem desse Blog? Me escreva para que eu possa substituí-la. e-mail: mitologia@esdc.com.br

Tirésias ficou cego porque...

Tirésias ficou cego porque...
flagrou duas serpentes, uma engolindo a calda da outra (oroboros). Noutra versão, foi porque diante de Zeus e Hera, confirmou que quem mais sentia prazer sexual era a mulher.