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1 de fev de 2011

Apolo, Quíron, Asclépio e Hipócrates

O MITO GREGO DA MEDICINA

“A vida é curta, a arte é longa, a oportunidade é fugaz, a experiência enganosa, o julgamento difícil” – Hipócrates (Pai da Medicina)

No cerne de toda pedagogia grega observamos a atenção aos limites, contrapondo o que há de mais caro ao homem: a liberdade. Na Paidéia do mito da Medicina, também de valor inalienável, é a própria vida que está em questão.

Dentre os temas recorrentes, a deformação, a banalização e a superação de distúrbios tanto da alma (psyché) quanto do corpo (soma). Na linhagem das arcaicas figuras simbólicas da cura destacam-se Apolo, Quíron e Asclépio (Esculápio, na romana).

Nesta tríade divina, solar e supremo é Apolo, que presidindo a harmonia da alma, personifica o equilíbrio e simboliza o princípio da saúde. O sábio e generoso Centauro Quíron é seu fiel sacerdote. E o filho, Asclépio tem como mais famoso descendente o grego Hipócrates (460-377 a.C.), renomado expoente de uma família que praticara a Medicina por muitas gerações, considerado “O Pai da Medicina”.

Narra Homero, que Asclépio realmente existiu (em cerca de 1.200 a.C.) e que, abençoado pela luz de Apolo, fora um semideus. Atentos aos domínios orgânicos e psíquicos (psicossomáticos), enquanto o pai presidia a sanidade da alma, o filho se empenhava em presidir a saúde do corpo.

O predomínio da atenção sobre um em detrimento do outro é desarmonioso e é desse interdito que trata o mito. Há inúmeras versões dessa alegoria, inspiraremo-nos em Píndaro (518-441 a.C), Apolodoro (180-120 a.C.) e Ovídio (43-18 a.C.), entre outros.

Reza um antiqüíssimo relato que na Tessália ninguém superava a jovem Corônis em graciosidade e formosura. Impressionado pela rara beleza da mortal, o deus da harmonia, Apolo, filho legítimo do soberano do Olimpo, Zeus, se apaixona perdidamente pela moça.

Mas a donzela, entre envaidecida por ter despertado a paixão de um imortal e o temor de se ver abandonada na velhice, mesmo grávida de Apolo, decide se casar com um jovem chamado Ischys.

Poderia uma mera mortal ousar recusar a dádiva do amor de um deus? O mensageiro da funesta notícia é um corvo. Outrora todos brancos, em punição pela má notícia, Apolo os torna negros como o ébano.

Inconformado pelo desprezo e traição, Apolo assassina o rival e pede a sua irmã, Ártemis, que fulmine a infiel. Desconcertado, ao ver o corpo da amada em chamas sobre a pira, Apolo se apressa a arrancar-lhe do ventre seu filho Asclépio.

O deus da saúde, da música e da harmonia, confia a educação da criança a Quíron, que por ser filho do titã Chronos também era imortal. Este brilhante Centauro fora gerado enquanto seu pai metamorfoseara-se num cavalo, daí sua aparência híbrida.


Extremamente inteligente, culto e bondoso, Quíron, por sua vez, foi adotado por Apolo, que o ensinou a arte do divinatio (adivinhação), música, ética, ciência e thaerapéia (do grego, servir ao divino), dentre muitas outras technai (técnicas). O Centauro foi professor e tutor de heróis famosos tais como: Aristeu, Ajax, Enéas, Teseu, Aquiles, Jasão, Peleu, Héracles e, claro, do menino Asclépio.

Por ser portador de uma ferida incurável, Quíron entendia a dor e o sofrimento dos enfermos e ensinava ao dedicado rapaz a alquimia das ervas extraindo poderosas drogas, infusões, ungüentos, banhos medicinais, dietas, sangrias, cirurgias, além dos benefícios da exposição ao sol, de caminhadas com os pés descalços, abstinência sexual, higiene, dos exercícios físicos e etc.


Espantosamente habilidoso, Asclépio recebeu da tia Palas Athena (leia neste Blog o mito da deusa grega da Sabedoria e Justiça), um poderoso pharmakón: o sangue da rainha das Górgonas, que tanto curava quanto matava: “Querido afilhado, trouxe-lhe dois frascos contendo o sangue da Medusa. Um deles contém o sangue extraído da veia esquerda. Se der esse líquido a uma pessoa recém-falecida, você a trará de volta à vida. O outro frasco contém o sangue da veia direita. Se der esse sangue a alguém, você a matará instantaneamente, pois se trata de um líquido fatal. Tome muito cuidado ao utilizá-lo”.

Por ter como pai Apolo e preceptor Quíron, Asclépio reuniu as duas tendências da arte médica, curando tanto corpos quanto almas.

Quando surpreendidos com a notícia de uma enfermidade (própria, num familiar ou amigo) é reconfortante saber que se está sob os cuidados dos mais renomados especialistas. Conformados, suspiramos: “Agora está tudo nas mãos de Deus”. Fora com essa areté (excelência) que Asclépio desempenhara suas funções: ferrenho seguidor dos ensinamentos de Quíron e subalterno a seu pai Apolo, que roga que o doente seja tratado como um todo.

O estudioso Paul Diel relata que na antiga Grécia, recomendava-se que o enfermo pernoitasse no templo se Apolo para que, exposto à influência do sagrado, se concentrasse em seu sofrimento. No dia seguinte, os sacerdotes procuravam interpretar os sonhos para vislumbrar uma terapêutica adequada. Este procedimento era repetido tantas vezes quanto julgassem necessário.

Numa anamnése (do grego, trazer mnemósyne, a memória à tona), como ocorre até os dias atuais, procurava-se saber de todo histórico pessoal e dos antepassados, doenças físicas e angústias psíquicas.

Muitas vezes o paciente estava acometido por uma enfermidade hereditária, ao qual era frágil ou mesmo a uma doença oriunda de uma desarmonia psíquica que não era necessariamente sua, mas que por hamartía (marca de nascença, confira neste Blog “O mito de Tântalo”) o afetava.


Orgulho de Apolo e de Quíron pela competência em representar a ciência, Asclépio sentia muito prazer em curar e não tardou a obter fama e glória. Até que um dia, arrebatado pela vaidade (há controvérsias entre os aedos/poetas se foi por vanitas ou pura e simples expertise), com formidável empenho, ressuscita defuntos e, consegue abolir a morte, alcançando sucesso extraordinário.

Asclépio torna-se senhor da vida e da morte, que é essencial na condição humana, vencendo a finitude da qual, antes dele, ninguém podia escapar. Hades, soberano do reino dos mortos, constatando o despovoamento de seu império, sente-se ultrajado em seu kratós (poder) e queixa-se a Zeus, protestando e exigindo que atente à ousada insolência.

O ordenador do Cosmos, temendo que a maestria de Asclépio revertesse a ordem do mundo, não titubeia em fulminá-lo imediatamente com seu raio.

Desolado, mas não podendo se vingar do soberano do Olimpo, seu próprio pai, Apolo extravasa sua dor matando os Ciclopes, gigantes de um olho só, que fabricaram os raios que puseram fim à vida de seu dileto filho. Abrandada sua angústia, suplica a Zeus que o coloque entre as estrelas (constelação do Serpentário, Ophiucus: “aquele que leva a serpente”), imortalizando-o.


Viver para o corpo e morrer para a alma é contrário ao sentido da vida. Asclépio se esquece que o princípio vital de sua missão não é a de somente conservar o corpo, mas fortificar a alma.

Hipócrates, fidedigno a este interdito, ao iniciar seu solene juramento ético, invocando-os, tributa-lhes honras e glórias: “Eu juro, por Apolo, médico, por Asclépio (...)” (Confira na íntegra abaixo).

Competentes, mas falíveis, médicos vivenciam a apolínea necessidade de harmonia na morada da alma traduzida na máxima do poeta satírico romano Giovenale: “Orandum est ut sit mens sana in corpore sano” (Reze para que a mente seja sã dentro de um corpo são).

Na “santa e salubre” cidade de Epidauro onde nasceu Asclépio, havia um teatro (vide as ruínas), um templo, um bosque sagrado e uma fonte miraculosa. Neste Asklepéion se desenvolveu a primeira Escola de Medicina. Também possuía Templos próprios em Corinto, Pérgamo e Cós.


Em muitas pinturas e esculturas, o deus da Medicina é representado com sua coroa de louros, firmando, numa das mãos, a patera (cálice de sua filha Higéia) e noutra, a serpente (símbolo de sabedoria, imortalidade, cura e renascimento pela troca de pele) envolta num bastão da mais nobre madeira, o cetro (veja abaixo emblemas na bandeira da OMS – Organização Mundial da Saúde e do CREMESP).


Em virtude da faculdade investigativa, seu animal é o cão (“Cadela acerta 95% dos casos ao farejar pessoas com tumor no intestino; Universidade do Japão tenta desvendar habilidade”. Folha de S. Paulo, coincidentemente na data desta publicação, 1º de fevereiro de 2011). Alguns autores também citam a tartaruga, pela vagarosidade de alguns tratamentos.


E sua oferenda é o vigilante galo: “Pague um galo a Asclépio”, segundo Platão, são as últimas palavras proferidas por Sócrates, para quem morte era vida, antes do último suspiro.

Diz-se que se casou com Epione (deusa da anestesia) e dentre os filhos gerados citamos: Machaon (Macaon/Macaão - cirurgião), Podaleirus (Podalírio - diagnóstico clínico), Panacea (Panacéia - ervas medicinais), Iaso (deusa da cura), Aglea (boa forma) e Higia (Higéia - deusa do asseio, da higiene). Relata-se que seus dois filhos, os irmãos, Machaon e Podaleirus atuaram bravamente na mais famosa guerra da antiguidade, curando muitos soldados troianos.


Em Atenas, desde o séc. V a.C., nos dias 17 e 18 de outubro celebrava-se a grande festa de Asclépio e até hoje, em 18 de outubro comemora-se o “Dia do Médico”. Era a segunda data mais festejada, perdendo apenas para Dioniso (Bacco).

Popular, o semideus que ressuscita mortos (como Jesus, O Cristo) foi a divindade pagã mais adorada entre os romanos: as moedas cunhadas com seu caráter impresso eram de grande valor.


Merecedor do título de Salvador dos Humanos, Asclépio é divinizado: “Recebe o que os gregos chamam de ‘apoteose’” (apo = em direção a + théos = divino).

Semideus, Asclépio “não está no Olimpo nem habita o Hades, mas caminha entre os homens, ensinando a medicina”, inspirando magnânimos, obstinados e virtuosos Asclepíades como os imaculadamente notáveis e inesquecíveis Zerbini (Machaon) e Décourt (Podaleirus) aos quais tantos devem a vida, os ensinamentos e eu, a irremovível pedra angular na formação ética (éthos = conduta, hábito, habitat) de meu caráter.


1911/12 - 2011/12 - Zerbini & Décourt - Centenário de nascimento

Iniciei minhas atividades profissionais aos dezoito anos, secretariando aos Eminentes asclepíades Euryclides de Jesus Zerbini (07.V.1912 – 23.X.1993) e Luiz Venere Décourt (07.XII.1911 – 20.V.2007), idealizadores do InCór-HC-FMUSP (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

Estendo minha gratidão eterna aos digníssimos asclepíades José Julio de Azevedo Tedesco (In memoriam) e sua amorosa filha, Giselle Darahem Tedesco, cujas abençoadas mãos, trouxeram meus filhos, Sofia (2000) e Théo (2002) ao mundo.

Gratidão infinita também ao asclepíade Pedro Paulo Pereira, cuja amizade, carinho e admiração eternizaram-se em minha memória. Que bom que você existe. Que todo o Olimpo abençoe sua jornada e a todos que amas.


O professor Zerbini (taurino) não gostava nada de ter que me "dividir" com o Décourt. E, sim, sempre entre dois amores, eu ficava mais na Sala do Décourt (sagitário).




Referências Bibliográficas

Commelin, P. – Mitologia Grega e Romana – Ed. Martins Fontes. São Paulo, SP, 1997.
Diel, Paul – O simbolismo na Mitologia Grega – Attar Editorial. São Paulo, SP, 1991.
Ferry, Luc – A Sabedoria dos Mitos Gregos – Aprender a Viver II. – Ed. Objetiva Rio de Janeiro, RJ. 2008.
Graves, R. – Les mythes grecs. Paris: Fayard, 1958.
Hamilton, Edith – Mitologia – Ed. Martins Fontes. São Paulo, SP, 1997.
Meunier, Mário – Nova Mitologia Clássica – Ed. Ibrasa – São Paulo, SP, 1997.
Prieto, Heloisa – Divinas Desventuras – Ed. Cia. das Letrinhas – São Paulo, SP, 2009.
Souza Brandão, Junito de – Mitologia Grega – Editora Vozes. Petrópolis, RJ, 2001.
Tuoto, E.A.– Asclépio, o Deus da medicina In: História da Medicina by Dr. Elvio A. Tuoto (Internet). Brasil, 2010.

Juramento de Hipócrates

"Eu juro, por Apolo médico, por Asclépio, Hígia e Panacea, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue:

Estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.

Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém.

A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.

Conservarei imaculada minha vida e minha arte.

Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.

Em toda casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução, sobretudo dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.

Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.

Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça."

29 comentários:

Anônimo disse...

Você sempre se superando, parabéns!!!

Mario Cesar Silva

Anônimo disse...

Maravilhoso como sempre!!!!
E para mim, pessoalmente, muito oportuno.
Beijos Luciene e por favor, não pare jamais de escrever estas preciosidades.
Profª Drª Renata Álvares Gaspar
Diretora do CEDIC

Anônimo disse...

Luciene,

Achei muito interessante seu artigo, vou ler com mais calma e aprender...

Então, não sabia que tinha trabalhado com pessoas tão fabulosas, que aprendizado de Humanidade, hein?

Bjs. Isabel

Luciene Felix disse...

Queridos Mário, Renatinha e Isabel:

Estou feliz que tenham gostado!
Sim, fabulosos mesmo. Uma das melhores épocas de minha vida.

Beijos,
lu.

Bruna Camargo disse...

"Se você pensar vai descobrir que temos muito a aprender...".

Logo quando vi esta frase em seu blog imaginei que aqui é um ótimo lugar para se visitar sempre. Parabéns pelo blog, já estou seguindo.

Um abraço!

Luciene Felix disse...

Que bom que está gostando Bruna.
E o bacana desse Blog é que se você só passar 1 x por mês, não perde nada, rs.
Os artigos são publicados sempre no dia 1º de cada mês.
Mil beijos,
lu.

Rodrigo Barros disse...

Prezada profª

Parabenizo-a com louvor! Quantos textos maravilhosos a nossa disposição!

Folgo em saber que ainda existem pessoas valorosas no meio forense que ainda cultivam os prazerosos hábitos da escrita e leitura filosóficas.

Soma-se a isso a iniciativa de disponibilizar os textos graciosamente, expondo-os a comentários, demonstrando humildade científica.

Um grande abraço e continue assim!

Rodrigo Barros

Luciene Felix disse...

Olá Rodrigo,

Ensinando a gente aprende, rs.
Pois é menino: pisquei os olhos e cá estão: mais de 60 artigos!

Não sou do meio forense amigo... Mas publico no jornal jurídico "Carta Forense". Foi lá que descobriu meu Blog?

Disponibilizar é básico: quem olha para o céu quer ver estrelas; quem escreve quer ser lido, rs.

Humildade, temos mesmo que cultivar. Estar abertos a mudanças, melhorar, apriomorar sempre. Li que, se amanhã for igual a hoje, então porque amanhã?

Que os deuses permitam que eu persista, que persevere neste intuito: compartilhar meus parcos saberes.

Um grande abraço amigo!
E muito grata por postar seu comentário.
lu.

Anônimo disse...

olá Lú!!
parabéns pelo Blog!
descobri pelo kleber S.
gosto muito desses assuntos e suas aplicações em nossa vida cotidiana.
cada dia mais se faz necessario esse tipo de dialogo para apaziguar esse mundo rapido, aspero e ao mesmo tempo, fantastico!
agora sou seguidor e aguarde muitos comentarios!
muito prazer em conhecer!!
JCW
ps: aproveito a oportunidade de compartilhar com vc uma frase que gosto muito: a receita de uma vida feliz - "Adiciona um pouco de loucura a sua sabedoria"
Horácio - Sec I

Luciene Felix disse...

Menino,

Que felicidade tê-lo por aqui.
Adoro o bom humor do Leão, rs.
Uma dúvida: foi vc quem mencionou "O Leopardo", de Lampedusa, por lá?
Outra: És da área de Economia?
O prazer será meu também amigo.
Gostei dessa de Horácio.
Mil beijos,
lu.

Gean disse...

Não havia lido ainda este juramento dos médicos , minha impressão é que ele é extemporâneo..(principalmente o cabeçalho)

Um mais atual talvez seria baseado nos direitos naturais dos homens, e estas coisas contidas nas ideias do iluminismo!(todo mundo quer opinar sobre tudo hoje em dia..rsrs)

Gostei de saber da deusa Higéia!
Ah, sou adepta da deusa Panacéia!

Amiga, escolheste bem o nomes dos teus rebentos, lindos e significativos!

Gostei tbm das carinhas ternas dos seus mestres! Meigo de tudo!

Saudações afetuosas cara amiga.

Anônimo disse...

Olá Lú !

fui eu a mencionar "o leopardo".
acho esse filme contemporaneo, e bem indicado para ajudar a entender os dias atuais. relutancia frente a decadencia parece ser a origem de muitos conflitos atuais.
Pode parecer incrivel, mas sou Cir Implantodontista e Periodontista ( quando Kleber souber...), e me interesso por filosofia e economia( defeito de fabrica viu, nao tem mais recall).
Parabéns pela qualidade dos assuntos apresentados nesse Blog, seguirei com muito interesse.
bjs
Joao Carlos Wanderico ( JCW)

Luciene Felix disse...

Gean querida,

Esses anciãos, "veinhos" de ouro, eram tudo! O Zerbini, acessibilíssimo e de um bom humor absurdo (exceto por algumas datas em que eu compartilhava de sua dor... a perda do filho, o Asclepíade Eduardo, ceifado tão jovem). Confidenciava-me os acontecimentos dos bastidores. Comentava de tudo e de toooodo mundo. Isso ninguém sabe, rs.

Já o Décourt era austero demais! Me dava até Émile Zola para ler. Germinal, com menos de 20 anos? Ô dó. Dostoiévski, Shakespeare, era um erudito. Além do Lancet, do New England, era único a ler os periódicos em alemão. E quando se apressava em devolver à biblioteca, eu o tranquilizava: "Professor, acho que não há ninguém esperando por essas". Ao datilografar seus escritos, eu indagava: "Professor, e esses desenhos engraçados?".
E ele: "Isso é grego minha filha. A língua dos Sábios". Como Kant, podia-se acertar o relógio com sua ida ao toillette: 11:45hs!

Uma curiosidade: éramos todos do dia 7.

Sofia e Théo Felix Lamy. Mas nem sonhava em fazer Filosofia. Já gostávamos desses nomes. E com meu sobrenome e do meu Amor, ficou muito bacana:
"Sabedoria Feliz Amiga". E "Divino Feliz Amigo".

Adepta de "panacéia" é? KKkkk

Mil beijos Gean.
Amei teres postado!

Luciene Felix disse...

Querido JC,

É que li a paradoxal frase do Príncipe de Salinas: "É preciso mudar para que tudo permaneça como está" (algo assim).

O filme de Visconti, com a Claudia Cardinale é show! Mas no livro há detalhes preciosos como sua paixão pelos astros e uma curiosidade: ele arrematava a toillette com um broche de ouro. A cabeça da Medusa com dois rubis incrustados (os olhos). Isso é grego (o Gorgonae) e muito antigo.

És de Sampa mesmo? Economia e Filosofia? Tudo a ver, rs. Tô falando sério!

Que bom que está gostando do Blog. Tem assunto pra todo gosto. Enjoy.
Bjs, lu.

Anônimo disse...

Oi lu!
Essa e a frase do momento...

"É preciso que as coisas mudem de lugar para que permaneçam onde estão"
Tancredi Falconeri, em O Leopardo (Il Gattopardo)

Li seu artigo sobre o Gorgonae, fantástico , fiquei a imaginar isso lá em Brasília , será que daria confusão?

Moro na região de campinas, trab em Sampa toda semana!
Bjs
JCW

Luciene Felix disse...

Sacada genial esta frase JC.
Atemporal!

Se daria confusão?
O correto por lá seria prostar a cabeça de Medusa e petrificar a todos instantâneamente! Kkkkk

Se puder, me passe por email (mitologia@esdc.com.br) os dados do Asklepéion (consultório).
Bjs, lu.
PS: Tá no face? Me adicione.

Anônimo disse...

Oi Lu!
Quem não esta no face não existe!
Aguarde o contato, estou em sp hoje...
Bus
Jc

Luciene Felix disse...

Interessante e irreversível o fenômeno, né?

Recomendo "O Show do Eu - a intimidade como espetáculo", de Paula Sibilia (é a tese de doutorado dela na UFRJ). Ela é profunda, resgata desde os primórdios. Resumindo, numa palavra, a questão é o que você fará com isso (a visibilidade).

Discuto isso no face. E no Blog Paedia, do amigo Isaias (consta na minha relação de Blog's à esquerda).

Se puder, dê uma conferida em meu texto: "O poder do discurso" (Foucault), está aqui, basta clicar na parte inferior do Blog e subir para ler aqui em cima.

Em sp? But today is Friday!
Bjs, lu.

Luciene Felix disse...

JC,

Obrigada pelo email amigo.
Metanóia... Adorei!
Bjs, lu.

Cesar disse...

Olá Luciene, lindo texto, estou aprendendo um tanto por aqui, e o que é melhor, de uma maneira fácil de entender, parabéns por manter um espaço tão importante. Se não for pedir demais gostaria de ler, quando possível, um texto seu sobre a história do labirinto de creta, o que aconteceu antes, durante e depois,
Abraço.

Luciene Felix disse...

Estimado Cesar,

Dizes: "estou aprendendo (...) de uma maneira fácil de entender".
Confesso: isso me deixa felix da vida! É justamente esse o propósito.

Interessado em nada mais, nada menos que na antiquíssima civilização micênica? Eu também, rs. Vou estudar!
Por hora, narrei o Mito do Minotauro, está no site da ESDC: http://www.esdc.com.br (Cultura Clássica). Desconfio que irás apreciar.

Muitíssimo grata por seu comentário amigo.
Bjs, lu.

Anônimo disse...

Tópico interessante nesta página, opiniôes deste modo destacam a quem ler neste blogue .....
Realiza maior quantidade de este blog, aos teus seguidores.

Anônimo disse...

Amo a mitologia grega!
Me ajudou muito essa página na web! valeu!
Só acho as fotos meio nuas mas era assim na época, então deixa pra lá, obrigado mesmo!
Agradeço de coração!

Luciene Felix disse...

Fico feliz por apreciarem o Blog amigos!

Quanto à nudez nas pinturas e esculturas, penso não haver algo mais belo: "O rapto de Perséfone", de Bernini (veja abaixo) é fantástico! Assim que puder, postarei o "Êxtase de Santa Tereza", também do patrocinado pelos Borgheses. Show!

Já a nudez dos dias atuais, me parece obscena, vulgar, de mal gosto. Mas aí, adentramos à seara da "doxa" (opinião).

Grata por postarem amigos!
Bjs, lu.

Anônimo disse...

Oi interessante este blog está muito organizado.........Boa pinta :/
Adorei Continua deste modo !!

Caio Plo Koon disse...

muito bom seu texto mais tem uma coisa que eu acho que você não botou que Quiron era um conselheiro dois meios-sangues e era filho de Cronos mais não quis ser um dos tres grandes pos preferiu treinar os meios -sangues filhos dos deuses como por exemplo hercules.mais muito bom o texto adorei o blog!!

José Alves disse...

Blog bem organizado e bem explicado. Parabéns Luciene!

aleph3 disse...

Oi, boa noite:
querida Professora; gostaria de saber por que Asclépio aparece em algumas imagens (estatuetas) com um cálice de ouro na mão direita, e a tradicional serpente enrolada numa madeira de lei, tbém do lado direito (?).
Tenho uma estatueta assim e já busquei o significado deste cálice (taça de ouro) mas nada encontrei a respeito.
Muito legal sua página. Obrigado de coração.
Antonio Carlos - Lins, SP

Dora Dervou disse...

Blog maravilhoso. Inteligente. Moro em Atenas ha 40 anos e nao canso de ler sobre seus mitos. E agora, tudo isso em portugues ? Maravilha, vou vasculhar tudo sobre suas pesquisas.

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ESCOLHA & CLIQUE (leia no topo). Cultura faz bem ao Espírito!

Eis que a Sabedoria reina, mas não governa, por isso, quem pensa (no todo) precisa voltar para a caverna, alertar aos amigos. Nós vamos achar que estais louco, mas sabes que cegos estamos nós, prisioneiros acorrentados à escuridão da caverna.

Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República.

Eis o télos (do grego: propósito, objetivo) da Filosofia e do filósofo. Agir na cidade. Ação política. Phrônesis na Pólis.

Curso de Mitologia Grega

Curso de Mitologia Grega
As exposições mitológicas explicitam arquétipos (do grego, arché + typein = princípio que serve de modelo) atemporais e universais.

Desse modo, ao antropomorficizarem os deuses, ou seja, dar-lhes características genuinamente humanas, os antigos revelaram os princípios (arché) de sentimentos e conflitos que são inerentes a todo e qualquer mortal.

A necessidade da ordem (kósmos), da harmonia, da temperança (sophrosyne) em contraponto ao caos, à desmedida (hýbris) ou, numa linguagem nietzschiana, o apolíneo versus o dionisíaco, constitui a base de toda antiga pedagogia (Paidéia) tão cara à aristocracia grega (arístois, os melhores, os bem-nascidos posto que "educados").

Com os exponenciais poetas (aedos) Homero (Ilíada e Odisséia), Hesíodo (A Teogonia e O trabalho e os dias), além dos pioneiros tragediógrafos Sófocles e Ésquilo, dispomos de relatos que versam sobre a justiça, o amor, o trabalho, a vaidade, o ódio e a vingança, por exemplo.

O simples fato de conhecermos e atentarmos para as potências (dýnamis) envolvidas na fomentação desses sentimentos, torna-nos mais aptos a deliberar e poder tomar a decisão mais sensata (virtude da prudencia aristotélica) a fim de conduzir nossas vidas, tanto em nossos relacionamentos pessoais como indivíduos, quanto profissionais e sociais, coletivos.

AGIMOS COM MUITO MAIS PRUDÊNCIA E SABEDORIA.

E era justamente isso que os sábios buscavam ensinar, a harmonia para que os seres humanos pudessem se orientar em suas escolhas no mundo, visando atingir a ordem presente nos ideais platônicos de Beleza, Bondade e Justiça.

Estou certa de que a disseminação de conhecimentos tão construtivos contribuirá para a felicidade (eudaimonia) dos amigos, leitores e ouvintes.

Não há dúvida quanto a responsabilidade do Estado, das empresas, de seus dirigentes, bem como da mídia e de cada um de nós, no papel educativo de nosso semelhante.

Ao investir em educação, aprimoramos nossa cultura, contribuimos significativamente para que nossa sociedade se torne mais justa, bondosa e bela. Numa palavra: MAIS HUMANA.

Bem-vindos ao Olimpo amigos!

Escolha: Senhor ou Escravo das Vontades.

A Justiça na Grécia Antiga

A Justiça na Grécia Antiga

Transição do matriarcado para o patriarcado

A Justiça nos primórdios do pensamento ocidental - Grécia Antiga (Arcaica, Clássica e Helenística).

Nessa imagem de Bouguereau, Orestes (Membro da amaldiçoada Família dos Atridas: Tântalo, Pélops, Agamêmnon, Menelau, Clitemnestra, Ifigênia, Helena etc) é perseguido pelas Erínias: Vingança que nasce do sangue dos órgãos genitais de Ouranós (Céu) ceifado por Chronos (o Tempo) a pedido de Gaia (a Terra).

O crime de matricídio será julgado no Areópago de Ares, presidido pela deusa da Sabedoria e Justiça, Palas Athena. Saiba mais sobre o famoso "voto de Minerva": Transição do Matriarcado para o Patriarcado. Acesse clicando AQUI.

Versa sobre as origens de Thêmis (A Justiça Divina), Diké (A Justiça dos Homens), Zeus (Ordenador do Cosmos), Métis (Deusa da presciência), Palas Athena (Deusa da Sabedoria e Justiça), Niké (Vitória), Erínias (Vingança), Éris (Discórdia) e outras divindades ligadas a JUSTIÇA.

A ARETÉ (excelência) do Homem

se completa como Zoologikon e Zoopolitikon: desenvolver pensamento e capacidade de viver em conjunto. (Aristóteles)

Busque sempre a excelência!

Busque sempre a excelência!

TER, vale + que o SER, humano?

As coisas não possuem valor em si; somos nós que, através do nôus, valoramos.

Nôus: poder de intelecção que está na Alma, segundo Platão, após a diânóia, é a instância que se instaura da deliberação e, conforme valores, escolhe. É o reduto da liberdade humana onde um outro "logistikón" se manifesta. O Amor, Eros, esse "daimon mediatore", entre o Divino (Imortal) e o Humano (Mortal) pode e faz a diferença.

Ser "sem nôus", ser "sem amor" (bom daimon) é ser "sem noção".

A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

O Sábio Mestre: Antonio Medina Rodrigues (1940-2013)

O Sábio Mestre: Antonio Medina Rodrigues (1940-2013)

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